Nise – O coração da Loucura

Acabei de assistir Nise – O Coração da Loucura e olha, tô no chão! Que filme!

Ele conta a história da Nise da Silveira (Glória Pires), médica psiquiatra pioneira da Terapia Ocupacional no Brasil. Lá na década de 40 ela começou a trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II, no Rio de Janeiro, e ficou responsável pelo trabalho da terapia ocupacional porque se recusou a seguir os tratamentos tradicionais dos psiquiatras da época, como a eletroconvulsoterapia.

Confesso que antes de ver o filme eu nem a conhecia, mas agora virei fã! E o filme não é bom só pra quem é da área da saúde mental não, por exemplo, do meu lado no cinema estava uma jornalista que encheu os olhos de lágrimas, assim como eu!

Enfim, é uma excelente obra de arte, que recomendo muitíssimo para os amigos e já considero obrigatório para meus colegas, alunos e ex-alunos.

Sobre o discurso do rei

“O Discurso do Rei” é o ganhador do Oscar de melhor filme de 2010. Quem não o assistiu, recomendo que não leia este post, pois ele contém spoilers. Você foi avisado!
Quando vi o trailer do filme já imaginei toda a história: um cara gago e com dificuldades de falar em público que faz vários tratamentos até que um diferente o ajuda e no final ele supera seu problema. O filme é exatamente isso, mas tem alguns pontos a mais que chamam a atenção.
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O príncipe Albert queria algo que solucionasse seu problema de gagueira e buscou diversos tratamentos. Infelizmente, nenhuma poção mágica estava disponível. Foi com a ajuda do terapeuta Lionel Logue que ele aprendeu a superar seu problema, mas não imediatamente – ele teve que, aos poucos, enfrentar seus demônios do passado e se abrir cada vez mais. Fica evidente que a gagueira de Albert está relacionada com sua história de vida e sua maneira de lidar com as situações da vida.
A mesma coisa acontece todos os dias em vários consultórios de psicólogos e psiquiatras, onde chegam pessoas com diferentes problemas e transtornos procurando pela cura rápida, ou a poção mágica que o salvará. A diferença é que hoje ela já existe: temos remédios para vários tipos de transtornos. No entanto, estes transtornos também estão relacionados com a história de vida e os comportamentos da pessoa, portanto não basta só tomar o medicamento, a pessoa precisa também enfrentar seus demônios se quiser ser independente um dia.
É claro que é mais fácil tomar remédio, além de ser mais prático e às vezes mais barato. Mas, na minha opinião, passar a vida inteira dependendo de um medicamento que mascara seus verdadeiros problemas certamente não é a solução.

A Mente Brilhante de John Nash

20100126_nash.jpgA esquizofrenia é o transtorno que mais me interessa, principalmente pela sua complexidade. Na história deste transtorno, um dos casos mais marcantes é o do matemático John Nash que, com esse diagnóstico, além de apresentar comportamentos estranhos e delirantes, ganhou o prêmio Nobel de economia em 1994. A história dele pode ser vista no filme “Uma Mente Brilhante“, e uma análise comportamental do filme neste artigo.
Acabei de descobrir no Mindhacks que a PBS fez um documentário sobre a vida dele, incluindo entrevistas com pessoas próximas e até com o próprio Nash. Este documentário pode ser assistido aqui ou baixado por torrent.
Infelizmente o documentário está sem legendas, mas a transcrição pode ser lida aqui para quem quiser acompanhar, ou quem sabe legendá-lo para nós?!

O Solista (2009)

20090928_thesoloist.jpgEncontrei aqui uma lista de 10 filme que tem como tema transtornos mentais e resolvi assistir alguns deles. O primeiro que vi foi O Solista (The Soloist, 2009).
Bem legal o filme, baseado na história real de Nathaniel Anthony Ayers, um rapaz com extremas habilidades musicais, principalmente no violino e violoncelo, chegando a estudar na famosa escola de artes Juillard School – mas acabou a largando em dois anos, quando começou a apresentar comportamentos psicóticos como alucinações auditivas. Acabou se tornando um morador de rua em Los Angeles e Steve Lopez, um colunista do joranl LA Times o conheceu e escreveu um livro sobre sua vida, que acabou virando este filme.
O que eu achei mais legal no filme são as críticas sutis feitas às instituições de ajuda e aos próprios tratamentos, toda aquela coisa de medicar ou não, enfrentar efeitos colaterais ou não, terapia de grupo funciona ou não, etc. Sem falar nas condições do centro de apoio que os personagens encontram, embora bem acabadinho, os profissionais lá fazem tudo o que podem.
E o melhor de tudo, mostra o lado humano da pessoa com o diagnóstico de esquizofrenia: primeiro, o esquizofrênico não é burro, e segundo, não é mais agressivo que outras pessoas.
Enfim, o filme é bem legal, e melhor ainda pra quem gosta de música, uma boa diversão pra uma tarde de domingo. Vou deixar aqui o trailer e um link pra uma entrevista (em inglês) com os verdadeiros Steve Lopez e Nathaniel Ayres.

Entrevista com Steve Lopez: link

Mental – Psicopatologia na televisão

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A série Mental acabou de estrear no canal Fox e tem tudo que eu, como psicólogo, gosto: pessoas com transtornos mentais (começando com a esquizofrenia!), crítica ao uso e abuso de medicamentos, aos seus efeitos colaterais, ao método de tratamento tradicional da psiquiatria e pelo visto ainda virão críticas à indústria farmacêutica.
Também percebi uma grande consideração ao lado humano dos pacientes, o que é genial! Não é raro ver em instituições os pacientes trancados ou abandonados de um lado e os profissionais em seus “cantinhos especiais”, como se os pacientes tivessem alguma doença contagiosa. No seriado o personagem principal, Dr. Jack Gallagher, é claramente contra essa divisão.
Enfim, temos mais uma série disponível na televisão para os profissionais da saúde mental e, claro, os curiosos. Só espero que ela mantenha a qualidade do primeiro episódio! O horário é às quartas, 10 da noite – mais informações aqui.

Tempo de Despertar: Oliver Sacks no cinema

20090518_awakenings.jpgProcurando filmes sobre esquizofrenia acabei topando com o “Tempo de Despertar” (Awakenings, 1990), que de esquizofrenia não tem nada, mas é tão legal que mesmo assim quis recomendar aqui. Basicamente ele conta a história da entrada do neurologista Malcolm Sayer (personagem baseado no Oliver Sacks) em uma instituição de doentes mentais e a revolução que causou ao tratar certos pacientes catatônicos com a L-DOPA. Sério, é muito emocionante, de dar lágrimas nos olhos!
Na verdade os pacientes eram os sobreviventes de uma epidemia de encefalite letárgica que os deixou quase completamente paralizados, ou catatônicos. Com a L-DOPA o neurologista Oliver Sacks conseguiu “despertá-los” por um tempo: os pacientes voltaram a interagir, falar, andar, mas infelizmente nem todos continuaram com estes resultados por mais de poucos meses.

No livro homônimo que deu origem ao filme, Oliver Sacks detalha 20 destes casos (ainda estou no 1°) e a passagem que mais me chamou a atenção até agora foi:

“As coerções das instituições fazem aparecer e agravam as coerções dos internos: deste modo, pode-se observar, com uma clareza sem par, como a repressão no Mount Carnel agravou as tendências neuróticas e parkinsonianas nos pacientes pós-encefalíticos; também se pode observar, com idêntica clareza, como os “bons” aspectos do Mount Carmel – sua simpatia e humanidade – reduziram os sintomas neuróticos e parkinsonianos.”

Ele ainda cita um outro hospital da época, o Highlands Hospital, que possuía uma maior área livre, atenção dedicada e uma atmosfera mais livre e dedicada: como resultado, seus pacientes costumavam ser mais alegres e hiperativos, em contraste com os do Mount Carmel, que eram estáticos, sérios ou retraídos.
É óbvio que o ambiente influencia o comportamento da pessoa, seja ela completamente saudável ou com algum grave distúrbio neurológico. E ainda assim, até hoje, são pouquíssimas as instituições que tratam seus pacientes de forma humanizada. Já que acabei entrando no assunto, hoje 18 de maio, é o Dia Nacional da Luta Antimanicomial! Veja se tem algum evento na sua cidade aqui. Enquanto isso, eu assistirei mais uma vez o “Um Estranho no Ninho“.

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