Cérebro humano perde bilhões de neurônios em nova análise

Nós humanos, sempre nos achando muito especiais, acreditávamos que tínhamos aproximadamente 100 bilhões de neurônios em nosso cérebro. No entanto, uma nova pesquisa liderada por Suzana Herculano-Houzel acabou de diminuir este número para 86 bilhões.

Cérebro humano

14 bilhões de neurônios a menos pode parecer pouco, mas é o equivalente ao cérebro de um babuíno.

“Para chegar a esse número, os pesquisadores utilizaram 4 cérebros de homens com idades de 50, 51, 54 e 71 anos. O método envolveu dissolver as membranas celulares das células nervosas, criando uma mistura homogênea. Pega-se então uma amostra da sopa e conta-se o numero de núcleos celulares neuronais e cria-se uma estimativa para o número total.”

Na verdade, esta diminuição não que dizer que estejamos “mais burros”. Quando nos referimos ao cérebro, tamanho não é documento: o cérebro de uma baleia, por exemplo, possui 200 bilhões células nervosas e pesa 9kg.

O que realmente importa é a complexidade do cérebro e a forma como estas células se interagem. Saber que nós humanos somos capazes de fazer tanta coisa como ir até a Lua com 14 bilhões de neurônios a menos do que acreditávamos ter me faz sentir ainda mais inteligente!

Fonte: The Guardian

O nascimento de uma palavra

O ser humano, assim como vários outros animais, é especialista em imitar os outros. A imitação é fundamental para a existência de uma cultura, e foi tão importante em nossa evolução que hoje vemos claramente como uns imitam os outros (quem tem filhos ou irmãos mais novos sabe bem do que estou falando).

Quando bebês, não conseguimos falar nem andar, mas fazemos um grande esforço para imitar nossos modelos, geralmente nossos pais. Nesta tentativa emitimos diferentes comportamentos que podem não chegar perto do comportamento-alvo, mas aí outro processo de aprendizagem entra em campo: a modelagem.

O bebê fala “a-a”, “ba-ba”, “ga-ga” e outras sílabas sem sentido, mas quando sem querer ele diz “ma-ma” a mãe tem uma reação diferente. Ela sorri e responde “isso mesmo, mamae!”, brinca com ele e chama todo mundo para ver a nova palavra que seu filho aprendeu a dizer. Isso é reforçar a resposta de dizer “mama”. É a modelagem de comportamento acontecendo.

Isso é o que a teoria diz e nós conseguimos imaginar alguns exemplos a partir do nosso dia-a-dia, mas imagine se pudéssemos ver isso acontecendo na prática. O pesquisador do MIT Deb Roy, pensando nisso, instalou câmeras em toda sua casa e filmou as interações de seu filho bebê por 3 anos seguidos.

Cinco anos depois, ele tem dados incríveis sobre a modelagem do comportamento verbal, como o “gaga” de seu filho se transformando em “water” e outras palavras. Além disso, seus dados também mostram em que cômodos da casa as palavras mais foram ditas, mostrando o contexto em que elas ocorrem. Genial!

Para entender um pouco mais, recomendo assistir à sua apresentação no TED (se o vídeo não abrir aqui, clique no link):

Surdos “sentem a música” e aprendem a ser djs

Uma das coisas que aprendi com B. F. Skinner foi que não existe “talento inato” – tudo que fazemos são comportamentos e, como tal, podem ser treinados. Podemos achar que Ronaldinho Gaúcho nasceu com o talento para jogar futebol mas com certeza ele só apresenta este talento de hoje porque em sua história de vida ele deve ter tido muito mais experiências com futebol do que eu, e por isso joga bem melhor do que eu.

O mesmo raciocínio vale para qualquer outro comportamento. Cada pessoa, em sua história, teve mais ou menos experiências com diferentes habilidades. Já vi gente desistindo de fazer arquitetura ou design por “não saber desenhar”. Mas desenhar é um comportamento, portanto pode ser treinado e desenvolvido. Embora herdemos genes de nossos antepassados (e eles podem nos ajudar ou atrapalhar), eles não determinam nossos comportamentos.

Estou falando disso por causa deste vídeo que encontrei, sobre uma escola de djs para deficientes auditivos:

Incrível! Embora estes alunos possuam suas deficiências auditivas, isso não os impede de trabalhar com a música, somente altera as condições necessárias para isso. A professora então busca maneiras de adaptar o conteúdo ao aluno, facilitando a sua aprendizagem: ela estimula os outros sentidos, que são o tato (com a vibração da caixa de som) e a visão (com o software de áudio).

Este é só um exemplo de como, se nos esforçarmos, podemos fazer o que quisermos. Ah se todos os professores tivessem essa dedicação…

“Se soubermos que um indivíduo tem certas limitações inerentes, poderemos usar mais inteligentemente nossas técnicas de controle, mas não podemos alterar o fator genético.” – B. F. Skinner, em Ciência e Comportamento Humano (1953)

Novas “drogas legais” invadem as baladas

Enquanto aqui no Brasil o consumo de crack não para de crescer, assim como as “cracolândias” em diferentes regiões, lá fora outro tipo de drogas está aumentando de consumo: as drogas sintéticas. O sistema de saúde inglês abriu uma clínica só para seus usuários.

As drogas sintéticas são aquelas criadas em laboratórios, e muitas vezes são substâncias legais que simulam os efeitos de entorpecentes ilegais, por isso são também chamadas de “legal highs” ou, no Brasil, “drogas disfarçadas”.

Entre essas podemos citar a mefedrona (“miau-miau”), o GHB (“boa-noite cinderela”) e a quetamina (um anestésico para cavalos).

Mas não é porque são legais que são menos prejudiciais ao organismo: como costumam ser substâncias novas, muitos dos seus efeitos colaterais ainda são desconhecidos. Além disso, por serem drogas diferentes, a pessoa não acostumada pode facilmente tomar uma overdose.

A maioria destas drogas têm efeito estimulante e costumam ser utilizadas em baladas. Os jovens querem evitar a cocaína ou o ecstasy e buscam alternativas como a mefedrona (que em agosto de 2011 foi proibida no Brasil). Um outro exemplo é o A3A, um pó muito mais poderoso que a mefedrona cujos efeitos, que podem incluir taquicardia, ataques de pânico e sintomas psicóticos, podem durar dias.

Curiosamente, estas drogas costumam ser usadas por pessoas empregadas, com alto nível de educação, que as compram pela internet. Ou seja, um público bem diferente das cracolândias. Imagina se isso vira moda no Brasil…

Fontes: UOL e Telegraph

Curso Online de Fundamentos em Terapia Comportamental – Turma II

Em função do sucesso do I Curso de Fundamentos em Terapia Comportamental promovido pelo InPA em outubro de 2011, está sendo lançada a segunda turma, agora como um Curso Online de Verão no final de Janeiro.

É uma excelente oportunidade para alunos e profissionais da Psicologia ou outras áreas terem contato com a aplicação dos princípios fundamentais da Análise do Comportamento na clínica. Toda a parte conceitual do curso é trabalhada por meio de exemplos e estudos de caso clínicos trazidos pelos tutores ou pelos próprios alunos, de modo a desenvolver no participante competências comportamentais essenciais para a atuação neste contexto. São elas:

  • Interpretar processos Comportamentais a partir dos Princípios Básicos da Análise do Comportamento;
  • Coletar dados e realizar Diagnóstico Comportamental;
  • Realizar Análise Funcional do Comportamento;
  • Interpretar casos clínicos através da Análise Funcional
  • Elaborar intervenção fundamentada nos princípios da Análise do Comportamento a partir do Diagnóstico Comportamental e da Análise Funcional
  • Reconhecer e utilizar aspectos importantes da relação terapêutica na Clínica Comportamental

O curso possui uma carga horária total de 18 horas (12 horas/aula + 6 horas de leitura) e é totalmente online, portanto é possível assistir de qualquer lugar do país, necessitando apenas de uma conexão com a internet. Cada módulo terá um texto-base, que será disponibilizado para leitura em até uma semana antes da aula. O aluno deverá ler o texto e responder duas questões a respeito, as quais serão corrigidas pelo tutor durante a aula.

Para maiores informações e inscrição, entre em contato pelo e-mail[email protected] ou acesse o site do InPA, clicando aqui.

Campeonato de basquete de ratos

Na graduação de psicologia, aprendemos que as leis que governam a aprendizagem de novos comportamentos nos humanos são as mesmas que de qualquer outro animal. Ensinamos nossos alunos a treinar um rato a pressionar uma barra (e ganhar comida) como um primeiro passo para que, um dia, eles possam treinar o seu cliente a emitir novos comportamentos que sejam importantes para ele.

Estas aprendizagens são simples mas não fáceis, pois requerem muito treino. Para entender isso é só pensar em quanto tempo você levou para aprender a falar, a ler, escrever ou a exercer sua profissão. Tudo isso levou tempo…

Em Curitiba, o prof. Hélder Russo teve uma ótima ideia para estimular seus alunos: além de treinar o comportamento de “pressionar a barra”, resolveu treinar o jogar basquete. O resultado você pode ver no documentário a seguir:

Os alunos tiveram três meses para treinar seus ratos e no final foi realizada uma competição com cerca de 50 pessoas na torcida. Depois de 5 minutos o rato Albert venceu Elvis por 36 a 35.

Mais vídeos e informações sobre os treinamentos estão disponíveis no blog criado pelo pessoal do laboratório: Jogos de Análise Experimental do Comportamento. Estão de parabéns!

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