Sobre o Poliamor: é possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo?

Vivemos em uma época em que a diversidade é respeitada e as pessoas estão cada vez mais a vontade para expressar o que sentem e pensam. O mesmo vale para a área da sexualidade humana, trazendo à tona temas antes pouco discutidos como o poliamor.

Poliamor é a “prática, o desejo, ou a aceitação de ter mais de um relacionamento íntimo simultaneamente com o conhecimento e consentimento de todos os envolvidos”.

bigloveinbed

Em 1929, o matemático e filósofo Bertrand Russel publicou o livro “Marriage and Morals”, em que questiona algumas noções vitorianas acerca do sexo e casamento, podendo ser considerado um dos precedentes da filosofia do poliamor. No entanto, o assunto ainda é pouco investigado sistematicamente.

Alguns autores destacam que enquanto relacionamentos poligâmicos são relativamente raros, acordos poliamorosos em relacionamentos monogâmicos são bem comuns. Em uma pesquisa de 1986 (já faz um tempo), de uma amostra de 3.574 casais casados, 15-28% afirmaram ter acordos que permitiam a não-monogamia em algumas circunstâncias. E a porcentagem era ainda maior para casais homossexuais femininos (29%) e masculinos (65%).

No entanto, outros autores criticam esta forma de sexualidade, afirmando que o amor quando dividido perde em intensidade ou que relacionamentos com mais de duas pessoas duram menos.

Enquanto não temos mais pesquisas sistemáticas para confirmar a veracidade destas críticas, deixo como sugestão aos curiosos o documentário a seguir, e aos psicoterapeutas clínicos, o manual gratuito chamado “What Psychotherapists Should Know About Polyamory”, publicado em 2009.

Poliamor from Zé Agripino on Vimeo.

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Polyamory
What Psychology Professionals Should Know About Polyamory
What Psychotherapists Should Know About Polyamory

Amor e relacionamento: construindo uma relação a dois

Nas últimas semanas em meu grupo de estudos na graduação discutimos vários textos e artigos relacionados a amor e relações a dois. Como rendeu muito, resolvi fazer um post sobre o assunto. E o próximo também deve seguir este tema!

Falar sobre o amor nunca é fácil, pois na verdade, cada um tem a sua própria explicação do que ele é. O amor é um conjunto de sentimentos internos que só nós mesmos temos acesso. Não dá para a gente saber como uma pessoa apaixonada se sente a não ser quando passamos por uma situação semelhante, mas quem garante que o que eu sinto e chamo de amor é o mesmo que outra pessoa sente?

Vemos alguém fazendo declarações, dando flores e bombons para outra pessoa e aí dizemos: “ele está apaixonado”. Mas será que ele realmente se sente apaixonado? Isso a gente não tem como comprovar. Por isso, no decorrer de nossas vidas, cada um de nós temos diferentes explicações para o que é estar apaixonado (e descrevemos diferentes sensações para o amor), além de termos diferentes “regras” do que se deve fazer quando se está apaixonado.

E quem garante que estas regras estão sempre corretas? A maioria dos relacionamentos amorosos acabam. É só olhar ao seu redor e reparar em quantas pessoas se casaram ou ficou o resto da vida com o primeiro parceiro. Viver a dois não é fácil. Assim como qualquer comportamento, envolve treino. Ninguém aprende a se relacionar de uma hora para a outra, muito menos nasce sabendo. Ainda mais quando duas pessoas têm ideias muito diferentes sobre o que é e o que se deve fazer quando se está apaixonado.

Muitos estudos têm buscado identificar quais são os principais motivos que levam aos conflitos de relacionamentos. Torres e Wielewicki (2009), em um artigo sobre relacionamentos amorosos, apresentam a ideia de Smith (2008) que resume alguns desses pontos, diferenciando o “amor infantil”, que torna difícil uma relação, do “amor adulto”.

Segundo o autor, no amor infantil a pessoa:

  • Vê o outro como extensão de si mesmo;
  • Apresenta medo do abandono;
  • Necessita de constante reforço para sentir/saber que é amada;
  • Tem comportamentos de dependência com relação aos outros a fim de satisfazer suas necessidades físicas e emocionais;
  • Demonstra grande dificuldade em controlar comportamentos relacionados às suas emoções;
  • Precisa, frequentemente, de comportamentos que denotam certezas;
  • Sente que inexiste fora da presença da pessoa amada;
  • Vive apenas o momento; Vê-se como o centro do universo;
  • Apresenta comportamentos de medo com relação às mudanças e comportamentos de esquiva ao esforço excessivo para fazê-las;
  • Lança mão de quaisquer comportamentos para não perder seu relacionamen-to, optando até por perder a si mesmo, e
  • Suas necessidades são consideradas imediatas e desesperadas.

Segundo as autoras, ser adulto em uma relação envolve principalmente autoconhecimento e conhecimento do outro. Deste modo fica mais fácil identificar o que você pode fazer para produzir consequências reforçadoras para os dois. Smith (2008) demonstra que no amor adulto a pessoa:

  • Contempla suas necessidades sob uma perspectiva adequada e comporta-se na direção de satisfazê-las;
  • Considera-se inteira como é, não dependendo, dessa forma, de outra pessoa para deixá-la completa;
  • Sente-se emocionalmente segura e assim consegue tolerar/aceitar sentimentos de tristeza e ansiedade (por exemplo), sem se deixar consumir por eles;
  • Identifica/observa que é amada e não precisa procurar comportamentos na outra pessoa que possam provar isso;
  • Sente-se capaz de avaliar as situações e fazer julgamentos baseados em dados de realidade, além de buscar atitudes saudáveis no que se refere à satisfazer suas necessidades;
  • Aceita comportamentos de imperfeição em si mesmo e nos outros e não se sente humilhada ou temerosa quando comete erros;
  • Assume atitudes de responsabilidade por sua vida, porém, discrimina que não pode controlar tudo que acontece;
  • Sente-se completa em si;
  • Planeja o futuro enquanto vive o momento (aprendeu com o passado);
  • Possui a habilidade de lidar com a empatia, o sentimento de culpa e a flexibilidade para mudança;
  • Discrimina que ir além de sua zona de conforto é reforçador e essencial para o seu bem-estar geral;
  • Consegue aceitar a perda, todavia, nunca a de si mesmo.

As autoras do artigo completam a ideia de Smith trazendo algumas habilidades necessárias para manter um bom relacionamento, que são: Ser empático, ou seja, compreender e sentir o que o outro pensa e sente; Ser flexível, ou conceder ao outro sem que isso seja desagradável para si; e habilidade de dar suporte emocional – poder se doar, de tolerar e compreender o outro.

O mais interessante de se estudar o amor é que sempre acabamos pensando em nossa própria vida e nossos próprios relacionamentos. Com o que eu escrevi aqui já dá para fazermos boas reflexões, mas se você quiser ler o artigo na íntegra, é só seguir o link a seguir.

Torres, N. & Wielewicki M. G. (2009). Aprendendo a construir uma relação a dois: repertório do casal, em Wielenska R. C. (org.) Sobre Comportamento e Cognição: Vol. 24. desafios, soluções e questionamentos (1ª ed., pp. 240-248), Santo André: Esetec.

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