Teorias na psicologia: quanto mais complexas melhor?

Infelizmente esse quadrinho mostra uma realidade nos cursos de psicologia. Vemos alguns autores que escrevem muito sobre nada e acabam sendo reverenciados, como se ser mais complexo o fizesse ser mais verdadeiro.

Acredito que o que falta é conhecimento da ciência em geral: um dos objetivos da ciência é explicar como as coisas funcionam (ou por que as pessoas fazem as coisas que elas fazem) buscando regularidades. Estas regularidades tornam um fenômeno mais fácil de ser compreendido, pois quando conhecemos a lei que o governa podemos prever quando e como este fenômeno ocorrerá novamente, assim como eu sei que  se eu soltar uma bola no ar ela vai cair no chão por causa da lei da gravidade. Isso simplifica as coisas para nós.

Conhecendo as “leis” que governam o comportamento humano (como as leis do reflexo, do reforço, da extinção, etc) eu posso, a partir delas, compreender e modificar o comportamento.

Ou seja, a ciência do comportamento simplifica estes fenômenos explicando-os em leis que nos facilitam a compreender e agir sobre as pessoas. E facilita a tal ponto que eu sou capaz de explicá-las para amigos, colegas, clientes, alunos e leitores deste blog – a ciência deve ser acessível.

Se uma teoria é complexa a ponto de, para eu aprender o básico dela, eu precisar quebrar a cabeça, ler dezenas de livros e confiar mais na autoridade de quem a criou do que nos resultados promovidos por ela, então sinto muito, não é uma boa teoria.

Surdos “sentem a música” e aprendem a ser djs

Uma das coisas que aprendi com B. F. Skinner foi que não existe “talento inato” – tudo que fazemos são comportamentos e, como tal, podem ser treinados. Podemos achar que Ronaldinho Gaúcho nasceu com o talento para jogar futebol mas com certeza ele só apresenta este talento de hoje porque em sua história de vida ele deve ter tido muito mais experiências com futebol do que eu, e por isso joga bem melhor do que eu.

O mesmo raciocínio vale para qualquer outro comportamento. Cada pessoa, em sua história, teve mais ou menos experiências com diferentes habilidades. Já vi gente desistindo de fazer arquitetura ou design por “não saber desenhar”. Mas desenhar é um comportamento, portanto pode ser treinado e desenvolvido. Embora herdemos genes de nossos antepassados (e eles podem nos ajudar ou atrapalhar), eles não determinam nossos comportamentos.

Estou falando disso por causa deste vídeo que encontrei, sobre uma escola de djs para deficientes auditivos:

Incrível! Embora estes alunos possuam suas deficiências auditivas, isso não os impede de trabalhar com a música, somente altera as condições necessárias para isso. A professora então busca maneiras de adaptar o conteúdo ao aluno, facilitando a sua aprendizagem: ela estimula os outros sentidos, que são o tato (com a vibração da caixa de som) e a visão (com o software de áudio).

Este é só um exemplo de como, se nos esforçarmos, podemos fazer o que quisermos. Ah se todos os professores tivessem essa dedicação…

“Se soubermos que um indivíduo tem certas limitações inerentes, poderemos usar mais inteligentemente nossas técnicas de controle, mas não podemos alterar o fator genético.” – B. F. Skinner, em Ciência e Comportamento Humano (1953)

Curso Online de Fundamentos em Terapia Comportamental – Turma II

Em função do sucesso do I Curso de Fundamentos em Terapia Comportamental promovido pelo InPA em outubro de 2011, está sendo lançada a segunda turma, agora como um Curso Online de Verão no final de Janeiro.

É uma excelente oportunidade para alunos e profissionais da Psicologia ou outras áreas terem contato com a aplicação dos princípios fundamentais da Análise do Comportamento na clínica. Toda a parte conceitual do curso é trabalhada por meio de exemplos e estudos de caso clínicos trazidos pelos tutores ou pelos próprios alunos, de modo a desenvolver no participante competências comportamentais essenciais para a atuação neste contexto. São elas:

  • Interpretar processos Comportamentais a partir dos Princípios Básicos da Análise do Comportamento;
  • Coletar dados e realizar Diagnóstico Comportamental;
  • Realizar Análise Funcional do Comportamento;
  • Interpretar casos clínicos através da Análise Funcional
  • Elaborar intervenção fundamentada nos princípios da Análise do Comportamento a partir do Diagnóstico Comportamental e da Análise Funcional
  • Reconhecer e utilizar aspectos importantes da relação terapêutica na Clínica Comportamental

O curso possui uma carga horária total de 18 horas (12 horas/aula + 6 horas de leitura) e é totalmente online, portanto é possível assistir de qualquer lugar do país, necessitando apenas de uma conexão com a internet. Cada módulo terá um texto-base, que será disponibilizado para leitura em até uma semana antes da aula. O aluno deverá ler o texto e responder duas questões a respeito, as quais serão corrigidas pelo tutor durante a aula.

Para maiores informações e inscrição, entre em contato pelo e-mail[email protected] ou acesse o site do InPA, clicando aqui.

Porque o Facebook vicia (parte 2)

Há um tempo atrás expliquei o sucesso do Facebook comparando a função “curtir” do site como um reforçador positivo para nossas respostas de escrever.

Alguns pesquisadores lá da Itália resolveram explicar que o Facebook é agradável mas de outra maneira: medindo as respostas fisiológicas da pessoa. Eles mediram a condutância da pele, volume de sangue do pulso, eletroencefalograma, eletromiografia, a atividade respiratória e a dilatação da pupila de 30 sujeitos saudáveis em 3 diferentes condições: relaxamento, mostrando slides do seu perfil no Facebook e uma condição de estresse.

Quando era mostrado ao sujeito o seu perfil no Facebook, a pessoa ficava emocionalmente mais agitada que nas outras condições, ou seja, ele ficava mais feliz e animado. A pesquisa conclui dizendo que sites de relacionamento social podem ter seu sucesso devido aos estados positivos que geram nos seus usuários.

Muito interessante essa pesquisa, mas agora vou analisar as duas explicações a partir de uma visão pragmatista, ou seja, de função prática:

  1. Sabendo que o “curtir” e as outras interações sociais são reforçadores eu posso prever que: a) se eu retirar os reforçadores, no caso se eu não tiver respostas de amigos ou ninguém “curtir” o que escrevo, esta minha resposta de escrever no site diminuirá podendo chegar à extinção; b) se eu colocar um estímulo aversivo, como uma função “não curtir”, isso pode diminuir minha frequência de escrever no site.
  2. Por outro lado, sabendo que o Facebook produz respostas fisiológicas de excitação eu posso prever que… as pessoas ficam felizes quando estão usando o Facebook! Grande descoberta!

Agora só falta um paper falando sobre atividade dopaminérgica no sistema límbico ao usar o Facebook… ops!

ResearchBlogging.orgMauri, M., Cipresso, P., Balgera, A., Villamira, M., & Riva, G. (2011). Why Is Facebook So Successful? Psychophysiological Measures Describe a Core Flow State While Using Facebook Cyberpsychology, Behavior, and Social Networking DOI: 10.1089/cyber.2010.0377

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