O fim, quando?

Assumindo que o universo teve um início, com o Big Bang, também terá um fim? Este fim é inevitável? E, se sim, em menor escala podemos considerar que a permanência da humanidade, ou da vida, na Terra, também chegará a ter um fim? Certo?

Nada é tão certo nesta seara, em que muitas questões permanecem em aberto. Um dos principais focos a se levar em conta é se a humanidade pode se sustentar, ou pode ser sustentada, e por quanto tempo, pois não é possível excluir a humanidade do ambiente em que vive, seja o ambiente terrestre ou o extra-terrestre. No que se refere ao terrestre, a permanência da humanidade na Terra está intimamente relacionada a fatores ambientais bem conhecidos, como as mudanças climáticas, perda de biodiversidade, ruptura dos ciclos do nitrogênio e do fósforo. Como a Terra não está em um sistema isolado, as interações com o universo influenciam diretamente a longevidade da vida terrestre. Raios solares, radiação, asteróides, cometas, e a possibilidade da existência da vida alhures são fatores incontestavelmente importantes. Mesmo porque algumas teorias sustentam que a vida tenha se originado a partir de matéria orgânica trazida à Terra por corpos celestes.

De acordo com Seth D. Baum (Pennsylvania State University), três abordagens principais podem ser usadas para a elaboração de argumentos sobre a longevidade (ou não) da humanidade na Terra: o determinismo ambiental, o paradoxo de Fermi e a escatologia física.

O determinismo ambiental estabelece que a permanência da humanidade na Terra depende unicamente de fatores ambientais, e não de decisões humanas. Assim, se as condições ambientais forem suficientemente generosas, poderemos viver na Terra por muito tempo. Caso contrário, estamos fadados ao desaparecimento.

No passado, o determinismo ambiental foi utilizado como argumento para explicar a superioridade cultural e fisiológica dos povos europeus sobre os outros povos. Dizia-se que os povos que viviam em regiões mais quentes e ensolaradas eram preguiçosos, ao contrário daqueles que viviam em regiões mais temperadas. Tais argumentos, ao lado do Darwinismo social, justificaram atitudes racistas e as práticas colonialistas que promoveram a escravidão e a exploração à exaustão dos povos de regiões não-européias.

Atualmente o determinismo ambiental é considerado como sendo uma alternativa pobre para explicar a sobrevida da humanidade na Terra, ainda que os fatores ambientais influenciem diretamente a ocupação de territórios inóspitos e a prosperidade em regiões exauridas. Considera-se que se o determinismo ambiental fosse o principal fator a estabelecer a permanência do homem na Terra, haveria muito pouco a se fazer para mudar cenários ambientalmente catastróficos. Por outro lado, se as decisões humanas podem influenciar diretamente a longevidade da espécie humana, muito pode ser feito para se transformar um cenário essencialmente pessimista. Mesmo assim, existem limitações ambientais que não podem ser ultrapassadas.

Como as formas de vida que conhecemos são as únicas que conhecemos,  e o sistema bioquímico que rege a vida na sua essência é universal, tal conhecimento nos indica que a posição do planeta no sistema solar determinou diretamente o surgimento da vida.  Por exemplo, a intensidade de radiação do sol, a ocorrência muito esparsa de “acidentes” com outros corpos celestes, bem como a história da evolução geofísica da Terra, são fatorres que influenciaram diretamente sobre o surgimento e evolução das espécies biológicas. Da mesma forma, a existência da humanidade no planeta só foi possível de acordo com as condições ambientais favoráveis para seu surgimento e manutenção. Mas não sabemos nada, ou sabemos muito pouco, sobre a existência de vida em outros planetas no Universo.

O físico Enrico Fermi (1901-1954) foi o primeiro a realizar cálculos sobre a possibilidade da existência de vida inteligente fora do planeta Terra, e formulou o seguinte paradoxo: se existem civilizações extra-terrestres, aonde estão? (conhecido como o paradoxo de Fermi). Possíveis soluções para tal questionamento:
a) existem, mas ficam apenas nos observando;
b) existem, mas em determinado ponto de sua existência são levadas inerentemente à auto-destruição;
c) existem, e crescem exponencialmente, mas ainda não as conhecemos.

Os problemas com estas respostas são os seguintes. A primeira parece ser uma resposta muito pouco provável, tendo em vista que tal atitude seria, no mínimo, bastante infantil para seres tão desenvolvidos. Já a segunda é bastante plausível, e poderia explicar o porquê de não termos ainda conhecimento de civilizações extra-terrestres. O problema é que, se tal destino for o de civilizações inteligentes, são menos inteligentes do que poderiam parecer. Tal parece ser o caso da civilização humana na Terra. A terceira resposta também é plausível do ponto de vista probabilístico, mas não do ponto de vista do determinismo ambiental. Pois a quantidade de recursos ambientais é sempre limitada, e não é possível para uma civilização crescer indefinidamente, em um único planeta, ou diferentes civilizações no Universo. A partir de determinado ponto de consumo e utilização dos recursos naturais, a perda de viabilidade ambiental leva à destruição de populações de tal forma que a constituição original de uma espécie fica inexoravelmente comprometida.

Embora exista a possibilidade da humanidade ocupar outros planetas, a atual tecnologia disponível ainda não permite a concretização desta proeza. Desta maneira, é melhor se levar em conta que os recursos naturais têm ocorrência e disponibilidade limitada, e diminuir sua  utilização, do crescimento populacional e das necessidades de consumo. Uma mudança de tal natureza no padrão de desenvolvimento humano poderia levar a uma situação de sustentabilidade prolongada. Civilizações extra-terrestres realmente inteligentes podem ter atingido tais níveis de equilíbrio em seu desenvolvimento, ainda que não nos sejam conhecidas.

Um dos atuais problemas para a sustentabilidade da sociedade humana na Terra é o consumo de energia. Inúmeras formas de utilização de diferentes matrizes energéticas estão sendo pesquisadas e exploradas, e ampliam os recursos para a expansão continuada da economia de consumo. Mesmo assim, os recursos energéticos disponíveis atingirão um limite de exploração e utilização. A possibilidade de se buscar recursos extra-terrestres não pode ser descartada, e a utilização de hélio-3, extremamente abundante na superfície lunar, poderia ser a solução como matriz energética durante os próximos 10 mil anos (através de fusão nuclear). Bastaria que fossem desenvolvidas formas de se extrair, trazer e armazenar hélio-3 na Terra.

O paradoxo de Fermi não exclui a possibilidade de estarmos no único planeta com vida de todo o universo. Esta hipótese parece ser ridícula? Não segundo Ward e Brownlee (2000). Se isso for verdadeiro, fica difícil aprendermos algo sobre a possibilidade da existência de vida extra-terrestre. E nosso grau de compromisso intra-específico e com o ambiente se torna significativamente mais importante.

Resta considerar a física escatológica, escatologia esta que faz alusão ao fim dos tempos, o fim do mundo, do universo, ou da humanidade, apocalíptico ou não. Tal escatologia seria de caráter determinista, e não haveria escolha. A ocorrência de asteróides gigantes, altamente destrutivos, corrobora uma hipótese desta natureza, e não poderiam ser impedidos por quem quer que seja, nem mesmo por Bruce Willis (e
m Armageddon). Porém, a física escatológica considera não somente finais cataclísmicos, como também um churrasco interminável, em que o sol aumentaria de tamanho (fato comprovado) e sua irradiação luminosa também. Em muitos milhões de anos tal aquecimento promoveria fusão dos silicatos, que consumiriam quantidades apreciáveis do CO2 presente na atmosfera, comprometendo o processo de fotossíntese. Em tais condições, a vida desapareceria por completo, antes de “passar do ponto”. Para tais casos, a geoengenharia teria que ser amplamente explorada para se evitar tais cenários. Mas não para sempre. Em 100.000.000.000.000 de anos as estrelas cessarão seu brilho, e em 100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de anos o número de prótons disponíveis no universo será muito pequeno.

Como a vida não será eterna, nem aqui nem em lugar nenhum, devem ser avaliadas e tomadas decisões de profundo caráter ético, de maneira a minimizar ao máximo o prejuízo à espécie humana, intrinsecamente ligada às outras espécies do planeta. Levar em conta que as possibilidades de manutenção da vida são infinitas implica que um possível número de tais decisões poderia também ser infinito. Porém, sermos realistas implica em sermos responsáveis. A existência do Universo é estimada em vários bilhões de anos – mas não a existência da humanidade. Ainda que seja possível migrar para outros planetas, indefinidamente, tal perspectiva é ainda impossível, no estado atual de nosso conhecimento científico e tecnológico. Logo, a sustentabilidade da espécie humana deve levar em conta nossas atuais limitações.

Embora a questão da premência em se tomar tais decisões seja bastante debatida, se definir o momento adequado para tais decisões dificilmente pode ser estabelecido. Aparentemente, não o atual, segundo nossos governantes. O grande fracasso da COP-15, e a falta de compromisso da Índia e da China em estabelecer políticas concretas contra emissões de carbono, mostram claramente que o momento atual “parece” não ser o mais importante para a tomada de decisões desta natureza, e a implantação de ações efetivas para minorar possíveis problemas naturais que afetariam a espécie humana na Terra.

Colonizar outros planetas parece ser uma real possibilidade, e muitos pesquisadores pensam que temos muito tempo para desenvolver tecnologias para tal, se nada de muito ruim acontecer antes: guerras nucleares, emergência de grandes pandemias, colapso ambiental, e o impacto de um grande asteróide (mas quem sabe… Bruce Willis … quem sabe?). Tais riscos são muito mais iminentes do que o fim do mundo, tal como concebido no apocalipse e por seitas catastrofistas. E por isso mesmo devem ser levados muito mais a sério. Mesmo o físico Stephen Hawking defende a idéia que a migração para outros planetas seria nossa salvação. Propostas incluem também a criação de uma biblioteca digital completa sobre a humanidade na Lua (Burrows, 2006), ou a criação de refúgios  (Hanson, 2008) ou de bancos de sementes aqui na Terra (Charles, 2006).

Embora tais cenários mais pareçam temas de histórias de ficção científica, não se pode negligenciar a crescente perda de diversidade biológica, o (possível, ou provável?) aquecimento global e a possível diminuição de fitoplâncton que comprometeria severamente a fixação de carbono através da fotossíntese.

Segundo Dawkins (em “O Gene Egoísta”), genes são as únicas entidades que se perpetuam na luta pela existência. Embora seu ponto de vista pareça um tanto quanto determinista e reducionista, poderia explicar que o instinto de sobrevivência da espécie humana (de origem genética) poderá, de certa forma, levar a uma mudança de visão de mundo (weltanschaung) em um futuro não muito distante. De outra forma, a evolução biológica, através da seleção natural, passará por cima da espécie humana como um caminhão passa por cima de um tomate.

Referências
Ward, P.D.; Brownlee, D. (2000) Rare Earth: Why Complex Life Is Uncommon in the Universe; Copernicus Books: New York, NY, USA.
Burrows, W.E. (2006) The Survival Imperative; Tom Doherty: New York, NY, USA.
Hanson R. (2008) Catastrophe, social collapse, and human extinction. In Global Catastrophic Risks; Bostrom, N., Ćirković, M., Eds.; Oxford University Press: Oxford, UK, pp. 363-377.
Charles, D.A. (2006) “Forever” seed bank takes root in the Arctic. Science, 312, 1730-1731.
ResearchBlogging.orgSeth D. Baum (2010). Is Humanity Doomed? Insights from Astrobiology Sustainability, 2, 591-603 : 10.3390/su2020591

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Discussão - 8 comentários

  1. Roberto disse:

    Oi Sibele,
    Confesso não ter procurado na internet o link para os documentos do governo britânico mencionados na reportagem.
    É, estes números não nos parecem muito palpáveis. Infelizmente concordo plenamente com você que nossos interesses imediatos muitas vezes falam mais alto. A frase de Lévi-Strauss é emblemática.
    Tudo de bom,
    Roberto

  2. Sibele disse:

    Excelente texto! Muito interessante o comentário mostrando a notícia da divulgação dos arquivos com relatos sobre aparições de Ovnis pelo Ministério da Defesa britânico. Se foram liberados, supõe-se que eram arquivos secretos, então. A população teria mais a ganhar se esses estudos fossem acessíveis por completo, desde sempre, esclarecendo falsas “visões” extraterrestres que campeiam por aí (e cabe até mesmo um paralelo com o livre acesso às informações científicas tão discutidas nesse blog, não?)
    Quanto ao fim: o problema é que, quando se fala em grandezas da ordem de 100.000.000.000.000 ou 100.000.000.000.000.000.000.000.000.000.000 de anos nesses exercícios escatológicos, fica muito, muito difícil sensibilizar a humanidade para ações mais sustentáveis visando sua própria sobrevivência num futuro tão longínquo quanto impalpável.
    Há estudos que provam que as motivações humanas individuais são imediatistas, para o aqui e agora, e raramente ultrapassa o interesse e a preocupação para com uma geração apenas, no caso de filhos. Tudo isso permeando a questão essencial, determinante desse nosso existir sobre a Terra de forma totalmente agressiva ao ambiente, produzindo desequilíbrios humanos e ambientais com uma tremenda força depreciativa nas condições de vida do planeta: a questão econômica, num modelo que é, basicamente, predatório.
    Aos 95 anos (cinco antes de morrer), Lévi-Strauss disse: “Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele – isso é algo que sempre deveríamos ter presente“. Tal como vamos, fico inclinada a concordar com o grande antropólogo: o mundo vai, com certeza, terminar sem nós.
    P.S.: Gostei muito das indicações de leitura nas referências, sobretudo a da idéia de uma biblioteca digital na Lua proposta por Burrows (2006). Obrigada!
    No comentário sobre a notícia da liberação dos arquivos: “Os arquivos estão disponíveis para baixar de graça por um mês a partir do website dos Arquivos Nacionais”. E qual seria o URL desse website? Você poderia nos indicar, por favor, Roberto? Grata.

  3. Roberto disse:

    Ainda sobre isso, veja só a reportagem que saiu hoje no jornal “Folha de S. Paulo on-line”
    Reino Unido libera arquivos com relatos sobre Ovnis – da BBC Brasil
    O Ministério da Defesa e os Arquivos Nacionais do Reino Unido liberaram mais de 6.000 páginas de documentos que incluem relatos de aparições de Ovnis (objetos voadores não identificados) feitos entre 1994 e 2000.
    Um deles inclui a aparição de Ovnis que sobrevoavam o Chelsea, clube de futebol de Londres, e a residência de um ex-ministro do Interior, Michael Howard. Os relatos dão detalhes sobre a aparência dos objetos –de vários formatos e tamanhos– e incluem desenhos feitos por testemunhas.
    Um homem disse à polícia que vomitou e adquiriu “um distúrbio de pele” depois que um estranho “tubo de luz” envolveu o seu carro no Vale de Ebbw, no País de Gales, no dia 27 de janeiro de 1977. Em outro caso, um Ovni visto por policiais de Skegness, no leste da Inglaterra, foi filmado.
    A aparição foi informada à guarda costeira, que alertou embarcações no Mar do Norte. A tripulação de um barco disse que viu mais Ovnis.
    Força Aérea
    Os documentos também incluem uma carta de um alto funcionário do Ministério da Defesa, Ralph Noyes, em que ele diz ter visto um filme com Ovnis feito por pilotos de caça da Força Aérea Real do Reino Unido, em 1956.
    Noyes alega que as imagens foram mostradas em uma sessão secreta organizada por integrantes da defesa aérea no prédio do Ministério da Defesa em 1970. E um memorando revela como o ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill manifestou curiosidade sobre “discos voadores” e pediu um briefing de seus ministros sobre o assunto.
    Depois de um estudo realizado pelos serviços de inteligência em 1951, concluiu-se que “discos voadores” podem ter quatro causas –fenômenos meteorológicos ou astronômicos, identificação errônea de aeronaves convencionais, ilusão de ótica e delírios psicológicos ou trotes deliberados.
    Especialistas afirmam que os documentos mostram como os formatos dos Ovnis mudaram nas últimas décadas, e a explicação pode estar nas representações que a cultura popular tinha desses objetos.
    Vários relatos neste último lote de documentos –o quinto de um projeto de três anos para a liberação de arquivos– descrevem as supostas naves alienígenas como grandes, pretas e de formato triangular, com luzes nas pontas. Nas décadas de 1940 e 1950, o formato predominante era de disco.
    “No período coberto pelos mais recentes documentos liberados, bombardeiros americanos de formato triangular e aviões espiões Aurora apareciam muito na TV, assim como em programas como “Arquivo X’ e filmes como “Independence Day’, lançado em 1996, e os relatos de aparições de Ovnis são semelhantes”, disse David Clarke, autor do livro The UFO Files e professor de Jornalismo da Universidade Hallam Sheffield, ao jornal britânico “The Daily Telegraph”.
    “É impossível provar uma ligação direta entre o que as pessoas estão lendo e vendo e o que elas dizem ser Ovnis, mas uma interpretação pode ser que os mais recentes avanços na tecnologia podem estar influenciando o que as pessoas veem no céu”, concluiu.
    Os arquivos estão disponíveis para baixar de graça por um mês a partir do website dos Arquivos Nacionais.

  4. Roberto disse:

    Caro Alexandre,
    Realmente, você tem razão. Se o comportamento da matéria em regiões distantes da Terra for muito diferente do comportamento que conhecemos, talvez seja possível viajar distâncias muito longas sem grandes problemas. Seria o máximo. Alguns dos meus sonhos de infância são: a) ser invisível; b) me desmaterializar em um lugar e me materializar em outro. Pura SciFi.
    Também é verdade que o homem muitas vezes só observa outros seres que estão à nossa volta (anda bem!). Mas acho que se fosse possível nos comunicarmos com eles (outros seres), dificilmente permaneceríamos apenas na observação, não achas? Interferir no meio ambiente pode não ser muito inteligente em muitas situações, mas algumas vezes é absolutamente necessário. Veja o caso dos holandeses, por exemplo. Tiveram que construir seus diques para ter mais terra onde morar. Sinceramente, não sei se isso causou alterações ambientais significativas.
    Talvez “salvar” determinadas situações pode ser mais desastroso do que não fazer nada. Mas, de novo, por vezes a intervenção humana pode ser absolutamente necessária, como no caso do Haiti, ou no caso de muitas espécies em extinção, que puderam ser preservadas em cativeiros (zoológicos, etc), para depois, eventualmente, serem re-introduzidas em seu ambiente natural. Obviamente que muitas variáveis devem ser levadas em conta quando se objetiva uma intervenção humana no meio ambiente, e fica difícil prever as consequências. Mas se o objetivo for “nobre”, como no caso da preservação de espécies à beira da extinção, tentar reverter um “quadro difícil” poder ser a única alternativa.

  5. Alexandre disse:

    Roberto, concordo com sua argumentação sobre as viagens interplanetárias, distâncias e tempos necessários. No entanto, essa é a abordagem mais básica existente sobre locomoção no espaço, e é a única que dominamos. Se o universo é uma caixa, vamos do ponto X ao ponto Y em linha reta. Mas e se o universo for curvo, ou alguma outra bizarrice? E não podemos esquecer que as recentes descobertas em física quântica indicam que o universo pode ser muito bizarro mesmo. E se houver forma de burlar o espaço-tempo? Ainda não sabemos, mas existem teorias. Torço para que seja possível, só assim teremos a esperança de ir além de nosso quintal cósmico.

  6. Alexandre disse:

    Bom, vejamos. Ainda sobre o paradoxo de Fermi, a primeira opção, diz que os ets ficariam apenas observando. Não vejo porque isso seria uma atitude infantil para seres evoluídos. Ora, nós mesmos, como pesquisadores e cientistas, muitas vezes ficamos apenas observando de longe as outras espécies aqui da terra, tentando interferir o mínimo possível em seu desenvolvimento. Isso agora que estamos tentando preservar essas espécies, porque desde o princípio nossa interação só causou destruição. Agora eu pergunto, é uma atitude inteligente interferir em um meio-ambiente? Talvez eles estejam só observando sim. E talvez eles interfiram se a coisa ficar muito feia mesmo, como nós fazemos quando uma espécie da terra está ameaçada de extinção. Vale dizer também, que essa ética que nos conduz a “salvar” as coisas é uma criação humana e não há garantias de que não seja mais uma atitude “infantil”.

  7. Roberto disse:

    Oi Mirian,
    Hummmmmmm, vou discordar de você em vários pontos. Existe uma ética baseada em seleção natural? Ética é um valor estritamente humano. Logo, não podemos justificar a evolução em valores éticos. Vejamos: você deixaria de intervir na história de um povo que está à beira da miséria, sendo dizimado por doenças? Seria extremamente importante se fosse possível impedir isso de alguma maneira. Deixar um povo nestas condições é algo praticamente inaceitável do ponto de vista ético, mesmo que tal povo tenha chegado a uma tal condição por razões naturais (tsunamis, terremotos, etc. Vide o Haiti). Você não acha? Penso que, se existissem ETs realmente muito desenvolvidos, eles poderiam, sim, vir e se manifestar sobre, por exemplo, o aquecimento global e dirimir esta polêmica de uma vez por todas. Mas até agora…
    Sendo assim, prefiro acreditar que os ETs, na forma em que os retratamos, não existem. Pode ser que exista vida fora da Terra, e a probabilidade de que exista é imensa. Mas, partindo do pressuposto que o Universo é constituído pelos átomos que conhecemos, e que a matéria tenha um comportamento muito similar em qualquer parte do Universo (talvez minhas premissas sejam um pouco pretensiosas demais), se existe vida, deve ser muito similar à nossa. E, sendo semelhante, não teria condições de viajar à velocidade da luz (o que seria praticamente necessário, uma vez que o sistema estelar com planetas mais próximo do nosso é o de Alfa Centauri, e 4,22 anos luz; ou seja, para chegar aqui viajando à velocidade da luz, 299.792,458 km/s, estes seres levariam 4,22 anos).
    Falando de ETs, não poderíamos deixar de falar de OVNIs, certo? O melhor livro que já li sobre este assunto é o de Carl Gustav Jung (1875-1961), que foi discípulo de Sigmund Freud, “Um mito moderno sobre coisas vistas no céu” (editora Vozes, 1988, 1ª edição). Jung trata OVNIs como um fenômeno de alucinação coletiva, uma manifestação do inconsciente coletivo. A abordagem dele sobre este problema é bem interessante. Justifica o “aparecimento” dos OVNIs em períodos de muita “tensão coletiva”, como na 2ª Guerra Mundial, ou durante a Guerra Fria, por exemplo (momento em que foram reportados muitos relatos sobre OVNIs).
    Também no que se refere à tecnologia e cultura, discordo de você quando diz que não seríamos esclarecidos o suficiente. Acredito que somos. Mas os interesses econômicos infelizmente falam mais alto.

  8. Mirian disse:

    Gosto de dar piteco sobre ETs apenas observando.
    Pode parecer infantil é de nossa parte esperar que apareçam em nos salvem, porém uma ética baseada em seleção natural ditaria que interferir no progresso natural de uma civilização [incapaz de sobreviver a longo prazo usando os recursos limitados de seu ecossistema], é errado e trás consequências ainda mais catastróficas, como choque cultural e tecnologia mais avançada que a mentalidade daquela cultura pode lidar.
    Antes de ETs darem um “oi, tamos por aí!” deveriam esperar que a civilização resolva seus problemas sociais e ambientais.
    Se é difícil entender como tecnologia e cultura influenciam, pense em terroristas religiosos que usam tecnologia para exterminar quem não pertence a seus grupos. Pense também na opressão de governos determinados a excluir tais terroristas nem que a privacidade de cada cidadão seja violada.
    Basicamente não seríamos ainda esclarecidos o bastante.

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