Homenagem ao Dia Mundial do Meio Ambiente de 2010

Como os fatos mostram que o ambiente em que vivemos não vai muito bem, decidi fazer uma homenagem poética e musical a este dia tão especial.

Primeiro com uma música de Edu Lobo, Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, gravada originalmente em 1967. A música foi composta para a peça de teatro “Arena conta Zumbi”, e se insere no momento em que negros estão se articulando para criar um quilombo, mas alguns estão em dúvida. Zumbi então tenta convencer os indecisos, cantando a música. É meio anti-ambientalista, pois os personagens querem “bichos prá comer”, e meio machista também. Mas, há que se considerar a época de sua criação. Escute a música “clicando” no botão “>” a seguir (agradecimentos especiais ao Igor Santos que me ensinou como inserir o arquivo mp3 da música “embolada”). Vejam também uma parte da encenação da peça “Arena conta Zumbi” por estudantes do Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, justamente no trecho em que a música é cantada: http://www.joseferreira.com.br/tvzezao.php?v=17825&c= . Emocionante! (valeu, Sibele, pela dica).

Embolada Das Dadivas da Natureza

De toda forma e qualidade tem
oi tem pindoba, embiriba e sapucaia
tem titara, catulé, ouricurí
tem sucupira, sapucais, putumujú
teu pau-de-santo, tem pau d’arco, tem tatajubá
sapucarana, canzenzé, maçaranduba
tem louro paraíba e tem pininga (bis)
Pare meu irmão
de falar em tanta mata
com tanta planta eu não sei o que fazer
mas diga lá se tem bicho pra comer
se tem bicho pra comer, se tem bicho pra comer.
De toda forma e qualidade tem,
onça pintada, sussuarana e maracajá
E tem guará, jaguatirica e guaxinim
e tem tatu, tatu-peba, tatu-bola
tem preguiça, tem quatí, tamanduá.
E coelho que tem, tem, tem
queixada que tem, tem, tem
caititú oi tem também
oi diz que tem, tem
oi diz que tem, tem (bis).
Pare meu irmão
de falar em tanta fera
com tanto bicho eu não sei o que fazer
ah, um bichinho pra comer
eu só quisera
com tanto assim eles vão é me comer (bis).
Mas tem os peixes que ainda não falei
de toda forma e qualidade tem
oi tem traíra, tem cará e jundiá
e tem caborge, tem piaba e carapó
e pitú e caranguejo e aruá (repete mais 3 vezes).
Mas também tem cobra
que é um nunca se acabar
tem jacaré, cobra-rainha e tem muçu
tem caninana, tem jibóia e tem jericoá
tem jararaca, cascavel, surucucú
e papa-ovo e cobra verde assim não dá (bis).
Mas tem sabiá, tem canário e curió
tem passarinho tão bom de se olhar
papa-capim, cardeal e arumará
e tem xexéu, guriatã e tem brejá
E se quiser comer galinha
tem de todas pra fartar
tem pomba de tres côcos, tem pato mergulhão
aracuâ, jaçanã e tem carão
juriti e cardigueira e paturí (repete mais 3 vezes).
Mas e nessa abençoada região
será que tem o que faz falta na verdade?
O que é, o que é, o que é ?
O que é, o que é, o que é ?
Me diga meu irmão
se nessa grande mata (BIS)
é possível, é possível ter mulher.
Aí está uma coisa que não…
Aí está uma coisa que não…
Pois sendo assim eu prefiro o cativeiro.
Pois sendo assim eu prefiro o cativeiro.
Meu irmão tá com toda razão !
Meu irmão tá com toda razão !

A segunda é do Chico Buarque de Hollanda e do Francis Hime, e foi composta para o filme “A Noiva da Cidade” de Alex Vianni.

Passaredo

Ei, pintassilgo
Oi, pintaroxo
Melro, uirapuru
Ai, chega-e-vira
Engole-vento
Saíra, inhambu
Foge asa-branca
Vai, patativa
Tordo, tuju, tuim
Xô, tié-sangue
Xô, tié-fogo
Xô, rouxinol sem fim
Some, coleiro
Anda, trigueiro
Te esconde colibri
Voa, macuco
Voa, viúva
Utiariti
Bico calado
Toma cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí.
Ei, quero-quero
Oi, tico-tico
Anum, pardal, chapim
Xô, cotovia
Xô, ave-fria
Xô, pescador-martim
Some, rolinha
Anda, andorinha
Te esconde, bem-te-vi
Voa, bicudo
Voa, sanhaço
Vai, juriti
Bico calado
Muito cuidado
Que o homem vem aí
O homem vem aí
O homem vem aí

A terceira é de Tom Jobim, gravada em seu disco “Passarim”, de 1987, com a “Banda Nova”, uma galera de músicos de primeira, incluindo Jacques Morelenbaum no violoncelo, Danilo Caymmi na voz “baixo”, e as meninas afinadíssimas da família Jobim (e outras) no coro (Ana Jobim, Elizabeth Jobim, Maucha Adnet, Paula Morelenbaum, Simone Caymmi). Além de Tom no piano. O vídeo abaixo foi feito em um show em Montreal, em 1986.

Borzeguim

Borzeguim, deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
Hoje é sexta-feira de manhã
Hoje é sexta-feira
Deixa o mato crescer em paz
Deixa o mato crescer
Deixa o mato
Não quero fogo, quero água
(deixa o mato crescer em paz)
Não quero fogo, quero água
(deixa o mato crescer)
Hoje é sexta-feira da paixão sexta-feira santa
Todo dia é dia de perdão
Todo dia é dia santo
Todo santo dia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia de folia
Ah, e vem João e vem Maria
Todo dia é dia
O chão no chão
O pé na pedra
O pé no céu
Deixa o tatu-bola no lugar
Deixa a capivara atravessar
Deixa a anta cruzar o ribeirão
Deixa o índio vivo no sertão
Deixa o índio vivo nu
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa, deixa
Escuta o mato crescendo em paz
Escuta o mato crescendo
Escuta o mato
Escuta
Escuta o vento cantando no arvoredo
Pas
sarim passarão no passaredo
Deixa a índia criar seu curumim
Vá embora daqui coisa ruim
Some logo
Vá embora
Em nome de Deus é fruta do mato
Borzeguim deixa as fraldas ao vento
E vem dançar
E vem dançar
O jacu já tá velho na fruteira
O lagarto teiú tá na soleira
Uirassu foi rever a cordilheira
Gavião grande é bicho sem fronteira
Cutucurim
Gavião-zão
Gavião-ão
Caapora do mato é capitão
Ele é dono da mata e do sertão
Caapora do mato é guardião
É vigia da mata e do sertão
(Yauaretê, Jaguaretê)
Deixa a onça viva na floresta
Deixa o peixe n’água que é uma festa
Deixa o índio vivo
Deixa o índio
Deixa
Deixa
Dizem que o sertão vai virar mar
Diz que o mar vai virar sertão
Deixa o índio
Dizem que o mar vai virar sertão
Diz que o sertão vai virar mar
Deixa o índio
Deixa
Deixa

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Discussão - 5 comentários

  1. Sibele disse:

    Nunca perca essa maravilhosa capacidade de se emocionar, Roberto! 🙂

  2. Roberto disse:

    Oi Sibele,
    Inseri no post o aqruivo mp3 (com a ajuda do Igor Santos) e o link para a peça das crianças (chorei assistindo; me lembrou demais minha infância).
    Obrigado, Sibele.
    Roberto

  3. Sibele disse:

    Bom, encontei um vídeo mostrando o ensaio dessa peça em um colégio… bem no trecho em que aparece a “Embolada das dádivas da natureza”:
    http://www.joseferreira.com.br/tvzezao.php?v=17825&c=
    Muito bacana você compartilhar conosco seu gosto musical! 🙂

  4. Roberto disse:

    Oi Sibele,
    Uma pena que eu não encontrei a primeira, “Embolada”. É uma embolada mesmo (música do nordeste), de Edu Lobo, com letra dos dois teatrólogos.
    Também devo confessar que meu gosto musical é bem particular… Coisas de família.

  5. Sibele disse:

    Em nenhuma homenagem que se preze pode faltar música, não, Roberto?
    Ótima seleção! Adorei!

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