Salvemos todos os bichos fofos

Ontem e hoje (talvez um pouco antes, mas não estava acompanhando) houve uma enorme comoção em torno do Instituto Royal, que realiza testes em animais para a indústrias farmacêuticas e cosméticas, onde supostamente teria ocorrido maus tratos a animais. Supostamente por que houve denúncias, mas não foi constatada evidência de maus tratos, segundo o que li aqui. Supostamente por que muita gente estava acusando o local de maus tratos, ao ponto de invadirem o instituto e libertarem os cachorros de lá, sem evidências.

Então, aproveitando o puxão de orelha do Luiz Bento hoje de tarde, vou juntar aqui o que escrevi a respeito no Twitter e deixar minha opinião sobre o tema, mais na ordem argumentativa do que cronológica. Não quero entrar na discussão de que se animais devem ou não ser usados para testar medicamentos, isso já foi muito bem discutido em outros lugares (e aos que fizeram isso, desculpem minha pressa e a falta de links). Quero só mostrar como, uma vez que o uso de animais pela pesquisa é algo legítimo, que acontece dentro da lei, interferir com isso pode ser mais prejudicial aos bichos que estão tentando proteger. E como um lugar que opere com ética pode causar os mesmos sustos que este instituto causou.

E desculpem o código marromenos do Storify, foi o jeito que arrumei de tacar tudo aqui

[UPDATE] Parece que na afobação e no espírito de manada, invadiram um dos piores lugares que poderiam invadir, que fazia experimentação séria e de importância médica. Link via Luiz Bento:

[UPDATE 2] Tuítes infelizmente removidos por que o código do Storify estava derrubando o blog!

Bem-vindo de volta ao Rainha Vermelha

Como aquele xixi acumulado que te faz levantar do sofá, precisei de muito para me tirar da inércia do blog. Vamos ver o que sai. – meu palpite? Se você está lendo isso, provavelmente me conhece há tempos.

Minha definição do que é divulgação científica.

Minha definição do que é divulgação científica. Os nomes em inglês apenas são para não favorecer/desfavorecer autores nacionais.

A esta altura, você que clicou aqui já viu estes outros posts discutindo a crise dos blogs de ciência. Por que pararam de surgir novos blogs? E por que os existentes, vide este, diminuíram muito o ritmo (ou pararam)? – O Renan, nosso físico hipster parou muito antes de isso ser moda.

Parte do conteúdo saiu

Número de posts e de citações a artigos científicos indexados pelo Research Blogging.

Número de posts e de citações a artigos científicos indexados pelo Research Blogging.

No começo deste blog, eu costumava postar todo tipo de coisa. Links interessantes, objetos de desejo, vídeos, quadrinhos e até textos científicos (vide categorias à direita). Hoje, fora os textos científicos, todo o restante deste conteúdo eu simplesmente compartilho no Twitter. Isso por que não uso o Facebook, já que para mim é um serviço 0,8 ou 80%, em termos do tempo que se pode dedicar a ele. E não sou só eu que acabei fazendo isso.

Discordo da noção do Hotta de que o SbBr (ou o isolamento dos blogs mais antigos) seja capaz de inibir o surgimento de novos blogs. Gostaria muito que tivéssemos um alcance capaz de provocar isso. Mas vejo o mesmo lá fora.

A figura acima, extraída do artigo que participo sobre o Research Blogging, mostra exatamente esta tendência. O número de posts indexados pela plataforma aumenta até 2010, por conta do aumento de postagens e novos blogs incorporados. E começa a cair em 2011. Agora reparem no número de citações: ele não cai proporcionalmente. Ou seja, os posts passaram a citar mais artigos. Ficaram mais densos, provavelmente por que o conteúdo menos científico foi para outras plataformas.

Ainda considero blogs exatamente isso, a melhor plataforma para conteúdo denso. Tanto que estou escrevendo aqui e não no buraco negro do Zuckerberg. Quero que este post continue aqui em uma semana. E quero que quem busque por ele no Google ainda o encontre. Agora, não tenho esperança de que seja lido por muitos.

Útil para quem?

Embora escreva pouco atualmente – não quero dar a desculpa de tempo, mas este texto está sendo escrito de madrugada, e vai ferrar meu dia – ainda acho blogs extremamente úteis. É o que mais prego por aí. Mas vejo o grupo para o qual eles são importantes diminuindo.

Entendo o blog atualmente muito mais como uma vitrine. Uma forma do autor mostrar o que produz, “leia minhas ideias”, e não só o que consome, “gosto de games e da série X”. Como o próprio Carlos Orsi escreveu:
Sou o primeiro a admitir que o trabalho aqui no blog foi importante para que eu conseguisse esses dois espaços, só que muito menos por conta da visibilidade (alguém aí?) e mais pela disciplina de trabalho e pela experiência acumulada na busca por fontes de informação.

Digo o mesmo por mim. O Rainha Vermelha foi e continua sendo importante. Me rendeu colaborações, me fez refletir muito sobre comunicação científica, permitiu produzir conteúdo para lugares como a BIREME, o SciELO e me fez conhecer muita gente muito interessante aqui do SbBr e de fora. É essa experiência que me faz ver blogs como uma etapa importante na formação do pesquisador, que vai ensinar ele a ler conteúdo de outras fontes além de artigos, a interagir, escrever e se comunicar com o público. É o que vai fazer o cientista migrar gradualmente na porção azul do gráfico que abre o texto para a área do que considero divulgação científica.

Mas não vejo muito incentivo para autores que não são entusiastas da ciência, como ressalta o Bruno de PierroNão ganho nenhuma remuneração financeira (diretamente) escrevendo aqui. Aliás, acho que nenhum blog de ciência em português gera renda suficiente para o autor se manter com ele. Ganho indiretamente, como disse no parágrafo acima. Outras prioridades entram na frente.

E não vejo um futuro onde blogs (especialmente em português) terão visitas suficientes para gerar receita.

Parte do público saiu

Público potencial e apelo de cada mídia.

Público potencial e apelo de cada mídia.

Tentei resumir em uma figura o que acho que aconteceu com o público leitor dos blogs. Quem chegava aqui buscando conteúdo no Google continua chegando. Afinal, o conteúdo das outras mídias é bem menos indexável. Quem costumava ler blogs de ciência rotineiramente, os convertidos, continua lendo, embora menos – falo baseado em N=1 (eu). Já quem clicava espontaneamente em links e até topava ler sobre ciência, embora não buscasse especificamente por isso, o grande público buscado pela divulgação não está mais aqui.

Fora mídias como blogs de tecnologia ou o Nerdcast, com um público cativo, a massa que a divulgação busca não está aqui. O Pirula conseguiu em um ano ou dois de vídeos regulares (se descontarmos os poucos vídeos mais antigos) mais de 100 mil assinantes. Adoraria conhecer um blog que não seja de humor com esse número de assinantes de feed. O mesmo vale para o vídeo do Eli Vieira, discutindo ciência pesada, com mais de um milhão e meio de visualizações.

Os blogs não morreram, e acredito que vão continuar sendo importantes indefinidamente. Porém, o grande público está lá fora. Não é para ele que estamos escrevendo em blogs, nem vai ser. Quem quer atingir uma grande audiência ou quer ter um retorno financeiro pelo esforço dedicado, especialmente em português, está procurando em outro canto.

Estou escrevendo para compadres, para aqueles que já me leram antes e não tinham texto novo para voltar. Se não acredita em mim, conte o número de comentários nos posts dos links citados no segundo parágrafo. Uma mariola para quem encontrar um comentário de quem não é compadre.

Ciência tem que ser aberta

Carol on Open Science

Devolver para a sociedade o que produzimos em ciência não acaba na publicação de um artigo. Disponibilizar os dados, figuras, publicar os resultados em repositórios de acesso aberto e até mesmo traduzir as implicações em um repositório como a Wikipedia são tão importantes quanto. Por isso, eu, que ando dando cada vez mais importância para o acesso à informação, recomendo o evento de Ciência Aberta que será promovido logo mais.

Nos próximos dias 07 e 08 de junho, ocorre em São Paulo o Grupo de Trabalho em Ciência Aberta, um encontro para promover a importância da ciência feita de forma aberta. Promovido com o apoio de gente bem comprometida com Open Access e conteúdo, a Wikimedia e a Open Knowledge Foundation Brasil, é aberto ao público óbvio e grátis.

Na sexta dia 07, tem mesa redonda e debates bem interessantes. Se você não puder ir, como será meu caso, infelizmente, haverá transmissão pelo IPTV da USP (detalhes na home do IPTV no dia). Dia 08 a presença é recomendada, já que acontecem as oficinas práticas.

Informação, endereço e inscrições na página da Ciência Aberta. Do material de divulgação:

O encontro acontecerá dia 7 de junho, no auditório Abrahão de Moraes do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (Rua do Matão, Travessa R, 187, Cidade Universitária, São Paulo), das 10h às 18h40.
As sessões do encontro organizam-se nos seguintes eixos:
  • Acesso aberto e revisão de publicações científicas
  • Dados científicos abertos
  • Ferramentas científicas abertas
  • Educação e recursos educacionais abertos
  • Ciência cidadã
  • Wikipesquisas

Cada eixo será orientado por pesquisadores com experiência em aplicá-lo ao seu trabalho, que farão breves apresentações seguidas de debate entre todos os presentes.

Já estarão representadas iniciativas da UFMG, UFRGS, UnB, UNESP, UNIFESP e USP. E há abertura para relatos de outras experiências, com subsídios para transporte no país – para mais informações, escreva para o facilitador do grupo, Dr. Alexandre Hannud Abdo (FMUSP).

O evento também consolidará a formação de um grupo de trabalho nacional em Ciência Aberta, que conta com o apoio inicial de diversas organizações e grupos de pesquisa nacionais e internacionais, como a Wikimedia Foundation, a Open Knowledge Foundation (Brasil e global), a Public Library of Science (PLOS) e outros como SPARC e IDRC.

Como parte das atividades do grupo de trabalho, no dia 8 de junho haverá um workshop para pesquisadores ingressantes e integrantes, a fim de promover maior familiaridade e experiência com práticas representativas das tendências discutidas no dia anterior.

Interessados no encontro e no grupo de trabalho podem obter mais informações em: http://www.cienciaaberta.net/

Garanta o futuro de sua carreira científica: crie um currículo online

Um dos motivos recentes para a falta da atualizações aqui foi uma disciplina de Organização e Escrita que estava preparando. Durante o preparo das aulas, reparei em algo que esperava dos alunos e não encontrei: um currículo online. E não me refiro à um perfil no LinkedIn ou qualquer rede do gênero, me refiro a bem mais do que isso.

Busca_Google

Independente da carreira que você pretende seguir, e de quão próximo de entrar em qualquer mercado de trabalho, graduação, pós ou outros, ter mais a oferecer online do que algumas fotos no Facebook visíveis pode ser bastante importante. Imagine seu empregador, alguém do RH de uma empresa para a qual você mandou um currículo, ou mesmo o chefe do laboratório onde você quer fazer sua pós graduação procurando por seu nome na web. O que essa pessoa vai encontrar?

Leia mais e conheça pessoas além do seu círculo

Ler blogs e outras fontes de conteúdo que não apenas as tradicionais é uma excelente forma de se informar e de descobrir novas oportunidades. Blogs não só colocam os leitores em contrato com material novo e importante, mas muitas vezes são escritos por profissionais com grande experiência, de maneira que cada texto além de trazer informação nova, traz uma forma de ler ou analisar adquirida com experiência. Ler uma análise de artigo escrita por um pesquisador com anos de experiência é uma forma de pular vários degraus profissionais e adquirir uma postura crítica.

E não é só por conteúdo ou forma de análise que blogs valem a pena. Muitos publicam mais do que pesquisa, e tratam de temas pessoais ou profissionais, como estou fazendo aqui. De maneira que é possível trocar experiências, ver mais gente que já passou pelo que estamos passando e acompanhar a discussão, ou mesmo avaliar uma área profissional antes de embarcar nela.

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Mais do que isso. Acompanhar blogs, e o perfil de profissionais, jornalistas e pesquisadores interessantes em redes como o Twitter ou o Facebook é uma excelente forma de sair da sua área específica e conhecer mais gente. São estas pessoas que, voluntariamente ou não, mais provavelmente podem indicar uma posição profissional, um congresso ou concurso importante.

Como o Barabási discute em Linked, um livro excelente, são justamente as pessoas de fora do seu círculo de amizade próximo que podem trazer os melhores contatos profissionais. Isso porque amigos próximos provavelmente lêem as mesmas coisas e conhecem as mesmas pessoas que você. De maneira que eles estão sabendo das mesmas oportunidades, e muitas vezes podem ser seus concorrentes. São as pessoas de fora da sua área, ou de outra universidade, de outro ano, que vão indicar referências que você não acompanha, que trazem novas oportunidades.

Produza conteúdo online

Escrever, na forma de um blog, um perfil do Twitter, uma página do Facebook ou o que mais for que permita que você assine seu conteúdo pode ser muito importante para sua carreira. O treino que a escrita traz é útil não só para desenvolver a habilidade da retórica. Ele vai vir bem a calhar na hora de organizar e escrever o conteúdo de um trabalho de conclusão de curso ou uma tese – algo que me foi tão útil que criei uma disciplina para passar isso adiante.

Mais do que o treino, produzir conteúdo autoral é garantir que quem procurar pelo seu nome vai encontrar bom material. Se você reparou na imagem que ilustra este post, aqueles são os termos de busca relacionados ao meu nome, em uma busca anônima do Google (para não ter o histórico do meu usuário). Quem procurou pelo meu nome em muitos casos buscava o blog ou meu currículo Lattes. Felizmente, em qualquer dos casos, quem fizer essa busca vai encontrar material.

Ter o blog, um perfil no Mendeley, no Google Scholar, no Twitter, no ResearchGate, aulas no SlideShare e outros é uma forma de criar um currículo virtual, com produção acadêmica, artigos lidos, artigos discutidos e até as apresentações e aulas dadas. Eu tenho como saber, por exemplo, que minha apresentação sobre divulgação científica na Web pelo SciELO teve mais de 15 mil views. O mesmo vale para quem estiver interessado no que produzo – Desculpem a egotrip aqui, mas é o exemplo que tenho à mão.

O que vai para a internet não fica só na internet

Não se esqueça de que tudo, repito com muito cuidado, tudo o que você publica na internet estará disponível para sempre. Suas atualizações de perfil no Facebook, seu perfil no Twitter, emails mandados, fotos compartilhadas (mesmo que com poucos), tudo. Pergunte para a Dieckman. Ou para a garota inglesa de 17 anos que precisa responder pelos tuítes racistas de quando tinha 14.

Por isso, se tudo o que você produz vai continuar na internet, produza algo útil, algo que vai depor a seu favor.

 

[update]

Caso você tenha se motivado com o texto, aproveite o post que escrevi sobre como começar um blog:

http://scienceblogs.com.br/rainha/2010/10/entao_voce_quer_escrever_um_bl/

A natureza da homossexualidade e os comentários de @EliVieira e @IzzyNobre

Um exemplo de comportamento aprendido pela depravação que passa na TV Serengueti.

Foi impossível não tomar conhecimento (e não me indignar) de uma grande exposição de opinião preconceituosa e ignorante contra homossexuais veiculada recentemente. O cerne da discussão foi a noção de que homossexualidade é um comportamento adquirido, e não herdado, e como tal poderia ser evitado ou prevenido. Como se isso fizesse alguma diferença ou, pior ainda, como se isso dissesse respeito a alguém que não os homossexuais. Mas vamos aos fatos.

Homossexualidade é natural e comum, e pode ser favorecida pela evolução

Homossexualidade é um comportamento com forte influências genéticas, que parece ser herdável, e é encontrado em diversos outros animais. Como já discuti em 2009 no Papo de Homem, diversos outros animais praticam sexo homossexual, em uma parte ou durante toda sua vida. E as evidências de como o cérebro de homossexuais funciona apontam para diferenças fisiológicas no interesse por indivíduos do mesmo sexo e do sexo oposto.

Quem discute bem isso e aponta diversos estudos combatendo cada argumento ignorante é o Eli Vieira, biólogo e autor do Bule Voador, do Evolucionismo e da Liga Humanista.

Quanto à implicação do parágrafo anterior e do vídeo, como a evolução favorece ou mantém na natureza um comportamento que diminui as chances de reprodução, recomendo novamente o texto no Papo de Homem, em especial o seguinte trecho:

Supondo que exista um gene que determine a orientação gay (mais adiante discuto as chances disso ser verdade), ele deve beneficiar alguém para que seja passado adiante. Uma situação pode ser o valor do heterozigoto, ou seja, a vantagem está no portador de apenas um alelo da característica, e o portador de dois alelos é prejudicado – de novo, em termos evolutivos.

Como recebemos material genético do pai e da mãe, seria o caso de um homem portador do gene “gay” de apenas um dos pais ser beneficiado, enquanto o homem que herda o gene de ambos sai em desvantagem. Outra pode ser o benefício para apenas um dos sexos, uma competição de interesses. Se for uma característica presente no cromossomo X por exemplo, ela pode trazer vantagens para mulheres, que portam duas cópias do cromossomo (XX), enquanto nos homens , que portam uma só (XY) é desvantajosa.

Se a homossexualidade é natural ou não, isso não lhe diz respeito

Estava pensando em escrever sobre o direito dos homossexuais, das implicações do comportamento ser natural ou não. Mas não tenho por que falar disso. Por um simples motivo. Isso não me diz respeito. Não diz respeito ao pastor também. E não diz respeito a quem opina ou legisla contra o direito de homossexuais se casarem. Isso só diz respeito aos homossexuais.

Discutir se homossexuais podem ou não exercer sua orientação é a mesma coisa que discutir se humanos tem ou não direito de serem humanos. Se duas pessoas querem estar juntas, consensualmente, dois adultos responsáveis, por exemplo, isso diz respeito só a eles. Eu não tenho o direito de permitir ou não que eles se casem ou se beijem, assim como eles não tem o direito de acabar com o meu casamento. Isso não é um direito que precisaria ser adquirido. Nas palavras (fortes) de Louis C. K.:

A noção de que homossexualidade é algo errado ou condenável é extremamente nociva. Não só por abrir espaço para que a homofobia cresça e crimes como o espancamento de jovem que “parecem gays” seja visto como algo aceitável. É nociva por dizer a crianças e adolescentes que estão crescendo e se descobrindo homossexuais que aquilo é errado, que é pecado e deveria ser evitado. O caminho para uma vida deprimida e miserável, tentando evitar sua natureza.

Nesse sentido, acho o vídeo do Eli especialmente importante. Não por rebater uma entidade que se alimenta da ignorância e da miséria humana, material farto no Brasil. Mas por mostrar para quem busca uma orientação que existe sim uma base natural para o que sentem, que aquilo é comum, aceitável, e não há nada de errado nisso. Quem argumenta que homossexualidade é um comportamento aprendido, e por isso cada vez mais comum, não entende que isso na verdade é um reflexo do aumento de nossa tolerância, e de que as pessoas finalmente estão podendo expressar sua preferência.

Gosto muito da noção compartilhada por Steven Pinker em seu livro The Better Angels of Our Nature: Why Violence Has Declined, de que estamos mudando como sociedade para uma postura mais humanista, onde estendemos [brigado, Diego!] os direitos para todos à nossa volta. Não toleramos mais violência como antes (vide os desenhos e filmes da década de 80), respeitamos muito mais o direito dos animais e nosso círculo de empatia se estende cada vez mais. Até máquinas podem despertar nossa compaixão, mesmo quando elas são grossas.

Então, quem sabe, como diz o Izzy Nobre, esse grito preconceituoso e desesperado por atenção não se cala nos próximos anos.

Walt Disney, Motörhead e Fungos – interCiência

Interciência

Este post participa da blogagem coletiva “interCiência“, uma farofa um Amigo Oculto dos Blogs de Ciência Brasileiros. Algum blogueiro muito paciente topou mandar um texto de microbiologia (este post) para o Rainha Vermelha, e agora temos que adivinhar (deduzir pelo estilo) quem ele foi dentre os participantes que serão divulgados no Raio-X. Ainda dá tempo de participar e inscrever o seu texto, basta dar uma olhada em como fazer aqui. Vamos ao texto:

Como é possível notar, há uma relação pouco trivial entre os termos que sustentam este post. Me foi dada a tarefa de escrever sobre um tema que gosto, a microbiologia, para um blog de divulgação científica que também gosto bastante, o Rainha Vermelha. Tentei apresentar algumas informações interessantes sobre um microorganismo não tão conhecido, mas que é de interesse clínico. Talvez este texto pudesse ser resumido na forma “Walt Disney+Motörhead=Paracoccidioides“. Trata-se de um fungo, eis que surge um dos termos (Ok, isso não ajuda muito!). O sujeito é o Paracoccidioides brasiliensis (Pb), um fungo com algumas caraterísticas curiosas e outras de interesse clínico. Bem, vamos às características clínicas primeiro. O Pb é o que se pode chamar de um fungo termo-dimórfico, o que quer dizer que assume uma morfologia ou outra dependendo da temperatura a que está submetido.

Quando em temperatura ambiente o Pb assume a forma de micélio, um agrupamento de hifas. Nesta morfologia o fungo consegue sobreviver no ambiente, livre de um hospedeiro e fazer um metabolismo aeróbico (i.e., dependente de oxigênio). Mas como já mencionei, trata-se de um fungo de interesse clínico, o que significa que é um microorganismo patogênico. De fato, o Pb pode causar infecção sistêmica, mas é mais comun a infecção do trato respiratório. O Pb produz conídeos, que alguns dizem serem produzidos com a finalidade de infectar o hospedeiro e, por isso, na clínica damos o nome de propágulos infectantes, quando na verdade trata-se de um esporo com fins reprodutivos.

Se os conídios têm como destino final o meio ambiente, eles se desenvolvem na forma de novas hifas e formam micélios. Contudo, se acidentalmente os conídios são inalados por um hospedeiro mamífero, eles viajam pelo trato respiratório até os pulmões, onde encontram um ambiente com características que o forçam a mudar a morfologia. Frente à mudança térmica de ~25°C para ~37°C o Pb assume a morfologia de levedura e passa a fazer um metabolismo mais anaeróbico (i.e., independente de oxigênio). Estas características morfológicas tem interesses diversos, como identificar o perfil de expressão gênica de uma forma ou outra a fim de estabelecer fatores de virulência, o que se aplica também às fases de transição de micélio para levedura, por exemplo.

Mas até aqui você deve estar se perguntando: onde entram o Walt Disney e o Motörhead nessa história toda? Para responder isso, nos voltaremos para a divisão celular do Pb. Quando o Pb causa a paracoccidioidomicose (eita palavrão!) ou infecção, para ser mais sucinto, ele está na forma de levedura. Você pode então pensar, “bem, leveduras são leveduras! elas se dividem todas da mesma forma!”. Contudo, o Pb tem um modo bem interessante de dizer “estou aqui, não sou qualquer levedura!” ele começa a formar brotos a partir de uma célula mãe e esses brotos, por vezes, parecem homenagear o “mofado” Walt Disney desenhando o Mickey na sua lâmina histológica (figura abaixo).

PB_Mickey

kilmisterQuanto ao Motörhead! Bem, é impossível falar de Motörhead sem lembrar do poeta (Ok, isso pode ter sido exagerado!) Lemmy Kilmister (figura ao lado). E, não! você não vai encontrar a cara do Lemmy numa lâmina histológica. Na verdade, esta é parte mais constrangedora da minha fórmula. Além da forma de Mickey Mouse, as leveduras de Pb quando estão gerando os brotos também podem assumir a forma de rodas de leme (figura abaixo), aquelas que servem para controlar a orientação das embarcações utilizando o leme. Ok, a piada com o Lemmy pode ter sido horrível, mas veja o lado positivo disso. Você jamais esquecerá a morfologia típica de um Pb numa lâmina! Em minha defesa tenho a declarar apenas que, sendo um cientista, minhas piadas devem ser ruins por natureza.

 

leme

 
Referências sugeridas:

Tereza C.V. Rezende, Clayton L. Borges, Adriana D. Magalhães, Marcelo Valle de Sousa, Carlos A.O. Ricart,Alexandre M. Bailão, Célia M.A. Soares. A quantitative view of the morphological phases of Paracoccidioides brasiliensis using proteomics. J Proteomics. 2011 Dec 21;75(2):572-87. doi: 10.1016/j.jprot.2011.08.020. Epub 2011 Sep 3.

Taborda CP, da Silva MB, Nosanchuk JD, Travassos LR. Melanin as a virulence factor of Paracoccidioides brasiliensis and other dimorphic pathogenic fungi: a minireview. Mycopathologia. 2008 Apr-May;165(4-5):331-9.

Paracoccidioides brasiliensis Sequencing Project, Broad Institute of Harvard and MIT (http://www.broadinstitute.org/).

A aranha mais nerd

Aranha Portia fimbriata

©vipin baliga

ResearchBlogging.orgSalticidae é uma família de aranhas muito inteligentes (para alguém com o cérebro daquele tamanho). São caçadoras ativas, quase nunca tecem teia, preferem caçar ativamente as presas. Por conta disso, dependem muito da visão, daí os olhos enormes, e acabam adotando comportamentos bem ricos. Agora, se elas já são predadores bastante inteligentes, como seria uma aranha que caça esses predadores (uma aranha araneofágica)? Conheça as aranhas Portia, e por que elas são chamadas de gatos de oito olhos [link para pdf].

Portia é um gênero de aranhas saltadoras (também são Salticidae) com cerca de 20 espécies conhecidas, que são especialistas em caçar outras aranhas, especialmente membras da mesma família. Ocorrem na África, Ásia e Oceania, para meu desapontamento. Para poderem caçar, adotam uma série de táticas bastante complexas, sendo capazes de classificar o tipo de presa e responder de acordo, o que as coloca entre os invertebrados mais inteligentes.

Para atacar outras Salticidae, as estratégias das Portia são únicas. Algumas Portia podem fazer teias, e manter os insetos pegos para atrair outras saltadoras. Outras partem ativamente para a caça, quando sua camuflagem vem a calhar: se a Salticidae que está caçando a vê, a Portia congela seus movimentos, e encolhe seus palpos e patasse camuflando de detrito para uma vítima que depende da visão, podendo até simular movimentos causados pelo vento. O que não se comparar com as táticas que adotam em situações mais delicadas. [1]

Atacando em território inimigo

Um dia de caça típico da Portia fimbriata, simpática espécie acima, serve de exemplo do que elas são capazes de fazer. Uma das presas que esta espécie ataca é a aranha de teia Argiope appensa, que pode ser muito maior do que ela. Mesmo sem nunca ter visto uma aranha Argiope a P. fimbriata sabe o que fazer quando encontra sua teia. Ela pisa com cuidado em um dos fios, e começa a fazer uma série de vibrações diferentes – a maioria das aranhas de teia são quase cegas, e o sentido que mais usam é o tato – em intervalos até encontrar a vibração que atrai a dona da teia para seu ataque (algumas espécies podem fazer isso por dias). Se ela reage, a Portia continua com aquele estímulo. Caso contrário, volta a variar seus sinais, até receber resposta novamente. A P. fimbriata australiana pode inclusive imitar movimentos da fêmea da espécie na teia, para atrair o macho.

Por vezes, ela pode resolver subir pela teia para atacar sua dona. Mas só quando houver vento ou outra condição que vibre a teia e mascare seu movimento ninja caminhar pelos fios, para que ela não se torne a presa. Nem sempre a Argiope é pega desprevenida, ela pode chacoalhar a teia com força se perceber a Portia, ou mesmo atacá-la. Nestes casos a P. fimbriata pode partir para um ataque muito mais hollywoodiano. Ela caminha ao redor da teia, muitas vezes perdendo contato visual com a presa e fazendo contornos que podem levar mais de uma hora, para se posicionar exatamente acima da vítima e descer por um fio para o grande ataque. Sim, a Portia pode julgar que este ataque é mais eficaz, planejar toda uma rota, e seguir em um comportamento longo e complexo para completar seu objetivo. [2]

O vídeo abaixo mostra o comportamento de imitação em presas e o ataque planejado, com direito a close nos olhos de vilão do mal (uma versão mais curta que não consegui embedar está aqui):

E este não é o único exemplo de tomada de decisão complexa. A espécie Portia labiata das Filipinas demonstra muito bem esta capacidade. Na região de Los Baños, ela encontra e caça aranhas cuspideiras da espécie Scytodes pallidus. As Scytodes também são araneofágicas, e secretam um misto de teia e veneno pelas quelíceras que é lançado sobre as presas (daí o nome cuspideira), grudando-as. Assim, para caçar esta cuspideira especializada em aranhas saltadoras, a P. labiata precisa de uma tática especial. As P. labiata desta região se aproximam de teias de Scytodes e provocam vibrações, mas não fazem o ataque direto. Elas normalmente fazem a volta e tomam o caminho mais longo para atacar a cuspideira por trás, e evitar a extremidade que lança a cola. Portia da mesma espécie mas de outra região, não fazem isso e são mais facilmente mortas pela Scytodes. E seu repertório pode ser ainda mais diverso: se a Scytodes dona da teia for uma fêmea carregando uma bolsa de ovos com a boca, o que diminui muito as chances de ela cuspir teia, a P. labiata de Los Baños adota o comportamento mais curto de atacar diretamente. [3]

Tomada de decisão, classificação de presas, acuidade visual e leitura para diferenciar um inseto preso na teia da aranha, e para diferenciar uma fêmea carregando ovos ou não… acabo de eleger as Portia como saltadoras mais nerds, escolher meu gênero predileto de Salticidae.

 

Fontes:

[1] Clark, R., & Jackson, R. (2000). Web use during predatory encounters between Portia fimbriata, an araneophagic jumping spider, and its preferred prey, other jumping spiders New Zealand Journal of Zoology, 27 (2), 129-136 DOI: 10.1080/03014223.2000.9518218

[2] Wilcox RS, Jackson RR (2002). Jumping spider tricksters: deceit, predation, and cognition. In: Bekoff M, Allen C, Burghardt G (eds) The cognitive animal. MIT Press, Cambridge, Mass., pp 27–33 [pdf]

[3] Jackson RR, Pollard SD, Li D, & Fijn N (2002). Interpopulation variation in the risk-related decisions of Portia labiata, an araneophagic jumping spider (Araneae, Salticidae), during predatory sequences with spitting spiders. Animal cognition, 5 (4), 215-23 PMID: 12461599

Quer assustar seus predadores? Faça uma aranha gigante.

Aranha falsa, feita de detritos

Imagem feita por Phil Torres

Esta semana topei com um exemplo fantástico de mimetismo em aranhas. Exemplo bem deliberado e feito com cuidado. Algumas aranhas são capazes de criar disfarces, imagens delas mesmas, verdadeiros espantalhos feitos de sujeira, restos de presas e bolsas de ovos que elas deixam na teia para (imagina-se) distrair predadores.

Mas nunca havia visto um disfarce como este ao lado. Esta aranha foi feita por uma pequena Cyclosa sp., fotografada por Phil Torres nas matas do Peru.

 

 

 

Cyclosa sp. que vive na teia tem menos de meio centímetro, e consegue montar esse disfarce muito parecido com uma aranha enorme, de vários centímetros, pendurada em sua teia. Até então, todos os outros exemplos conhecidos de disfarces feitos por outras aranhas do mesmo gênero eram réplicas iguais às donas, feitas mais para confundir do que para assustar. Trata-se do primeiro caso conhecido de disfarce maior do que a autora, que me lembrou muito do Mágico de Oz.

 

Imagens e fonte de Phil Torres, via @BoraZ.

 

Esquilo suicida? Nem perto

 

Se você achou muito extrema a atitude tomada pelo esquilo aos 20 segundos e, como alguns dos que vi compartilhando o vídeo, pensou que o esquilo estivesse tentando se matar, fique tranquilo. Como descrevi neste post, a gravidade é um problema mortal apenas para os grandes animais. Os pequenos podem até aproveitar a queda para planar.

Como o volume corporal aumenta mais rapidamente do que o tamanho, animais maiores possuem muita massa para uma pequena área absorver o impacto de uma queda. Já para animais pequenos, a massa menor é distribuída sobre uma área proporcionalmente maior, que pode absorver o impacto sem grandes problemas. Para o esquilo, mesmo quedas de alturas muito grandes têm pouco impacto. Vide a severidade dos machucados em gatos, que acima de nove andares diminui:

Vi o vídeo primeiro no Chongas.

Como encontrar artigos científicos

Recentemente, recebi um email me perguntando como encontrar bibliografia pertinente para alguém que está começando a pesquisa. Aproveitando a técnica do blogueiro acadêmico preguiçoso ocupado, melhor transformar a resposta em um post e aproveitar o contexto de redes sociais e publicação científica que tenho tratado. Adianto desde já: o melhor é aproveitar o filtro social. [update] Leia também o comentário do Takata, com mais fontes muito boas.

Depois de anos lendo sobre uma área, criamos preferência por certos autores, revistas e palavras-chave, o que torna a busca muito mais fácil. Mas, em grande parte graças ao blog, estou sempre precisando buscar bons artigos sobre áreas que não tenho grande familiaridade. É principalmente para estas situações que vou dar as dicas a seguir. São dicas pré-leitura, sobre como achar o artigo. Como ler e identificar um bom artigo é outra coisa, e nem sei se consigo definir ou escrever sobre.

Página inicial do Google Scholar

Google Scholar

Quase não faço mais buscas no PubMed, por um motivo bem simples. Além das ferramentas acima, como o perfil de autor com citações, índice H e sugestões de bibliografia relacionada, gosto muito da forma como o Scholar organiza os resultados de busca, artigos com mais citações aparecem acima. Para quem está interessado nos artigos mais recentes, basta um clique em organizar por data. Mas, como disse, o foco aqui é em quem está começando a ler sobre uma área, e os artigos mais citados tendem a ser os que mais estão contribuindo.

Resultado de busca no Google Scholar

A imagem acima mostra as várias coisas que facilitam no Scholar. O botão de PDF na direita, ou mesmo dentro o All versions já me ajudaram a encontrar muitos artigos aos quais não tinha acesso. Sempre vale ver onde mais o Google encontrou aquele trabalho. O Import to Endnote resolve o problema do Endnote não encontrar a referência na busca interna. E o Cited by mostra os artigos que citam aquele, também dispostos em ordem de citações. É o que mais uso quando quero ver os trabalhos mais relevantes em uma área. Frequentemente me perco clicando em Cited by e termino descobrindo diversos artigos que valem a leitura.

Mendeley

Mendeley

Procurar sobre o tema no Mendeley também pode render ótimos achados. Além de poder saber quantas pessoas estão lendo aquele artigo, outra métrica informativa, não fiquemos apenas com as citações, também é possível ver as palavras associadas e grupos temáticos, o que aumenta bastante a abrangência e ajuda a encontrar trabalhos importantes que não seriam buscados intencionalmente. Um dos lados bons de ferramentas de busca é que encontramos exatamente o que estamos procurando. Um dos lados ruins de ferramentas de busca é que encontramos exatamente o que estamos procurando. O Mendeley e redes do tipo são uma boa forma de ter contato com mais do que estamos procurando.

ResearchGate

Perfil do pesquisador no ResearchGate

Encontrou um trabalho relevante, e quer receber os novos artigos de um dos autores? Siga o perfil dele no ResearchGate. Mesmo que ele (ou ela) não tenha um perfil criado, o site cria um perfil automático que busca e atualiza as publicações, trazendo tudo para um lugar só.

ScienceBlogs Brasil

Blogs

Não poderia escrever sem puxar sardinha citar uma das fontes mais interessantes, blogs e podcasts sobre o tema. Sou especialmente grato ao This Week in Virology por me trazer sempre conteúdo novo, relevante e comentado. Sim, comentado, com artigos explicados e debatidos, muitas vezes por um dos autores, o que acrescenta ainda mais quando vou lê-lo. Além de acrescentar no trabalho, também ensina a ler e interpretar artigos.

Recomendo também buscar um artigo no ResearchBlogging, por exemplo, para ler o que estão escrevendo sobre ele e ganhar novas perspectivas. Sempre surgem novas interpretações, comentários e ligações com outros trabalhos.

Wikipedia

Wikipedia

Não importa se você confia na Wikipedia ou não. Por mais que ela possa ser editada por leigos, e possa conter informações erradas, as referências ao final de um artigo são uma ótima fonte de pesquisa. Se esse é o foco, perfeito. Alguém leu o artigo e considerou ele relevante o suficiente para incluí-lo em um texto sobre o tema, o que é um filtro bastante eficiente para encontrar artigos relevantes, inclusive com mais chances de serem citados. Tendo como referência o HIV, as referências de textos da Wiki costumam ser boas e constantemente atualizadas.

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