Distúrbio de atenção e a evolução

Em uma discussão aqui em casa sobre porque temos doenças que são heradadas, se elas deveriam ter sido deixadas de lado pela seleção natural. O que causa isso muitas vezes é o fato de que a evolução só ocorre baseada no que já passou. Explico, muitas vezes a característica que é prejudicial hoje em dia, como a grande propensão dos afro-descendentes norte-americanos à infartos e problemas de colesterol, já beneficiou os escravos que conseguiram acumular energia para sobreviver à longa viagem imposta pelos navios negreiros da África até lá. Acho que o exemplo abaixo ilustra bem isso.
Nomade AriaalAntropólogos norte-americanos que estudam quenianos da tribo Ariaal – como o tiozinho simpático aí ao lado – aproveitam uma das poucas situações onde o ser humano ainda está exposto à condições que muito provavelmente moldaram nossa evolução. Eles estudaram nessa tribo dois genes associados à Desordem por Déficit de Atenção com Hiperatividade (DDAH), DRD2 e DRD, e fizeram a associação dos alelos com o índice de massa corporal dos adultos.

Crédito: Jason Radak

No caso do gene DRD2 não foi encontrada nenhuma diferença, já no DRD4, foi encontrada uma relação curiosa. A variante (alelo) desse gene que causa DDAH foi encontrada em cerca de 20% das pessoas, tanto nos adultos de populações nômades quanto nos que já haviam se estabelecido num local fixo (sedentários). Na população nômade, os portadores do alelo para DDAH tinham um índice de massa corpórea maior do que os portadores do alelo normal. Na população sedentária, os portadores do alelo DDAH tinham um índice de massa corporal menor!

Provavelmente pastores nômades portadores do déficit de atenção são mais capazes de encontrar comida e abrigo para o rebanho, característica que não é mais vantajosa e passa a ser prejudicial nas populações sedentárias. Portanto, se você têm DDAH e acha que isso te atrapalha, saiba que você podia ser um dos mais bem sucedidos da sua tribo a uns 10 mil anos atrás.
Fonte:
Dan T.A. Eisenberg, Benjamin Campbell, Peter B. Gray and Michael D. Sorenson. Dopamine receptor genetic polymorphisms and body composition in undernourished pastoralists: An exploration of nutrition indices among nomadic and recently settled Ariaal men of northern Kenya. BMC Evolutionary Biology

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Discussão - 6 comentários

  1. Luis Brudna disse:

    Como?! DDAH ajuda a encontrar comida?! Pelos diagósticos de DDAH parece ser o contrário. Um DDAH perde tudo, esquece de compromissos…
    Ah… acho que sou DDAH. :-)

  2. Ze Folia disse:

    Além dessas características, um DDAH tem muitas outras, entre elas, um olhar diferenciado do mundo que eu descrevo como prestar atenção no que ninguém presta. Sabe aquela cena bizarra no fundo de uma foto, uma marca oculta numa parede, enfim, algo que normalmente passa despercebido pela maioria, algo assim talvez seja útil a um pastor nômade.

  3. thomas disse:

    o dda não é um sujeito desatento, ele tem uma atenção difusa. em várias coisas ao mesmo tempo!

  4. João Goya disse:

    Opa Atila,
    td bem.
    Onde encontro mais informações sobre os gens DRD2 e DRD?
    abrass
    João Goya
    http://www.universohiperativo.blogspot.com/

  5. Atila disse:

    @João, sinceramente não sei. O Único artigo que posso te indicar é o que está indicado como fonte ;)

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