rotífero Bdelloidea Quer saber uma das maneiras de viver sem sexo? É só saber se virar sozinho. Pelo menos essa é a mensagem de quem convive com isso por cerca de 85 milhões de anos…Rotíferos da Classe Bdelloidea são animais invertebrados bem curiosos. São habitantes de ambientes aquáticos e solo, extremamente resistentes, são capazes de secar e aguentar períodos sem água, e estão entre os organismos mais resistentes à radiação, aguentando mais de cem vezes a dose que toleramos. Agora a parte que chama mais atenção: não existem machos nessa espécie. Isso mesmo, esses rotíferos só se reproduzem por partenogênese, as fêmeas põe ovos não fecundados que formarão novas fêmeas. Provavelmente uma estratégia para sobreviver em ambientes sujeitos a muitas mudanças.
Eis que surge um paradoxo, como animais conseguem sobreviver por cerca de 80 milhões de anos sem reprodução? Não falo do tédio, mas sim de algo mais sério, a diversificação. A reprodução sexuada costuma ser vista como uma maneira de espalhar diversidade, através da combinação do material genético de ambos os pais. Apesar de estarem sujeitos a grandes mudanças, aparentemente os rotíferos deram um jeito.


A análise de sequências extraídas de rotíferos da classe Bdelloidea demonstrou a presença de diversos genes de diferentes reinos, Fungos, Plantas e Bactérias que parecem ter sido adquiridos por estes animais. Estão em diferentes estágios dessa aquisição, alguns são bem similares aos dos organismos de origem enquanto outros já possuem a assinatura do genoma de rotíferos. Dentre esses genes, alguns estavam fragmentados, mas muitos se mostraram completos, inclusive preservando íntrons. Ao inserir um dos genes na bactéria E. coli, ela expressou uma enzima ativa, demonstrando a conservação das propriedades do produto desse gene.
O que talvez propicie essa entrada de novos genes é a recuperação dos genomas após um período de seca, promovendo uma oportunidade para a entrada de genes estrangeiros, o que é reforçado pelo fato de que a maioria deles estão na periferia dos cromossomos, região que é mais susceptível.
Tudo leva a crer que a chave do sucesso de viver sem sexo é a promiscuidade, nesse caso gerando a diversidade com genes dos outros. O grupo dos Bdelloidea já conta com cerca de 400 “espécies” diferentes que não precisaram de reprodução sexuada para surgir.
Fontes:

Eugene A. Gladyshev, Matthew Meselson, and Irina R. Arkhipova (30 May 2008)
Science 320 (5880), 1210.





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