Em um exemplo de vida imita a arte, vamos hoje ao caso do suicídio forçado:

Para matar a saudade é só clicar
Para matar a saudade é só clicar.

Já conhecemos um fungo que controla a mente dos artrópodes, um tremátoda que controla um caramujo, a lagarta que protege a assassina, a vespa que controla a aranha, além da que transforma a barata em zumbi. Agora vamos conhecer a história do verme Paragordius tricuspidatus (conhecido como hairworm ou verme górdio). Seu hospedeiro é o grilo (Nemobius sylvestris), dentro do qual ele se alimenta e se desenvolve. Quando adulto, o verme depende do ambiente aquático para encotrar parceiros e se reproduzir, de modo que precisa encontrar uma forma de maximizar as chances de encontrar um lago ou rio quando sexualmente maduro…

O vilão da vez, Paragordius tricuspidatus
O vilão da vez, Paragordius tricuspidatus.

O P. tricuspidatus não pode depender inteiramente do acaso para encontrar um corpo d’água para a reprodução. Ou melhor, aqueles indivíduos que aumentarem as chances de encontrar água quando maduros serão favorecidos pela seleção natural. Por aumentar as chances de encontrar água, entenda-se fazer com que o grilo morra afogado. Isso mesmo, o verme é capaz de induzir o grilo a se aproximar e pular dentro da água.

Curiosamente, grilos não infectados são encontrados apenas na floresta, enquanto os infectados são encontrados em locais estranhos como estacionamentos e próximos de piscinas, além de apresentarem uma taxa 10 vezes maior de mortes por afogamento.

Observando o período em que os suicídios ocorrem, os pesquisadores franceses que conduziram os estudos perceberam que há uma maior proporção de grilos que se suicidam algum tempo após serem infectados. Há também uma diferença na fecundidade dos vermes dentro do grilo, ela atinge seu auge depois de cerca de uma semana que o grilo começa a se dirigir para locais estranhos [1].

Tudo isso indica que o controle que o verme górdio exerce sobre o grilo segue dois passos. Ele começa com a indução de um comportamento estranho, onde o grilo começa a se dirigir para locais diferentes dos habituais. Depois de cerca de uma semana com esse comportamento, o grilo é induzido a se jogar na água e o parasita abandona seu corpo. Para acompanhar este momento tocante, assista o vídeo abaixo – recomendo que você assista até o final, para ver o tamanho do verme em relação ao corpo do grilo:

Ainda restava a dúvida sobre a sobrevivência do verme, uma vez dentro da água. Freqüentemente, insetos caídos na água são devorados por peixes ou anfíbios, e o verme pode não sobreviver a isso. Mas, testes feitos mostram que não é o caso [2]. Veja o vídeo ilustrativo, de preferência na hora do almoço ;):

Fontes:

[1] Marta I. Sanchez et al., “Two steps to suicide in crickets harbouring hairworms,” Animal Behaviour 76, no. 5 (November 2008): 1621-1624, doi:10.1016/j.anbehav.2008.07.018.

[2] Fleur Ponton et al., “Parasitology: Parasite survives predation on its host,” Nature 440, no. 7085 (April 6, 2006): 756, doi:10.1038/440756a.

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