Para acompanhar a história do H1N1 da gripe espanhola em 1918 até a gripe suína de hoje, clique aqui.

Agora que o vírus já foi bem analisado, podemos tirar conclusões mais bem embasadas:

1 – De onde veio o vírus?
2 – Desde quando ele circula entre humanos?
3 – O que isso nos permite prever.

Ok, antes de tudo, estou usando a nomenclatura adotada pela OMS, mas com ressalvas. Primeiro, existem vários tipos de Influenza A H1N, vários mesmo, em humanos, aves, suínos e outros, esse nome é de longe bem genérico. Segundo, como vocês vão ver pelos dados abaixo, embora esteja circulando entre humanos, este vírus é de origem suína.

Todos os dados que apresento aqui vêm de uma wiki criada por Andrew Rambault e mantida por ele e outros grandes nomes em evolução molecular de vírus. Vulgo: gente que sabe olhar para o material genético de um vírus e entender muito sobre ele. Trata-se da Human/Swine A/H1N1 Origins and Evolution. Quem estiver interessado no que deve ser publicado sobre gripe suína, recomendo que acompanhe de perto o site.

1 – De onde veio o vírus?

rearranjo.jpg
clique para ampliar [fonte]

Uma das coisas que me intrigaram quando estavam fazendo as
primeiras análises sobre o vírus, foi dizerem que ele era um rearranjo
do vírus humano com o suíno e o aviário, e depois dizerem que ele era
apenas o rearranjo de vírus suínos. Pois bem, afigura acima explica
tudo – é bom clicar nela depois de ler os próximos parágrafos para
entender melhor, ela é bem grande.

O vírus da gripe suína, ou Influenza H1N1 A/California/04/2009 – isso sim é um nome completo – veio do rearranjo de três vírus suínos, ou seja, é um vírus de origem suína com certeza. Se você não sabe o que é um rearranjo, dê uma lida aqui.

Acontece que, um dos vírus já veio de outro rearranjo (o da esquerda)
entre outros, ele é uma mistura de um vírus humano com um vírus aviário
e outro suíno. Mas antes que você se surpreenda, esse vírus rearranjado
já circula entre porcos por pelo menos 20 anos na América do Norte
, bem
como o H1N2 da figura. O vírus de origem européia e asiática também
possui genes de origem aviária e circula há anos.

Vale lembrar que isso é esperado, o porco é um intermediário frequente
do influenza entre aves
, com as quais ele convive na criação, e
humanos
, por ser um mamífero, e servir de aprimorador do influenza para
o nosso sistema. É um tanto complicado para o influnza saltar de aves
para mamíferos, temos outros tipos de células, receptores, e uma
temperatura corporal mais baixa do que elas.

2 – Desde quando ele circula entre humanos?

A diferença entre as sequências de vários trechos do genoma do vírus aponta para uma origem provável em setembro do ano passado.
Esta data ainda pode mudar, uma vez que ainda não há sequências dos
primeiros casos no México, e o tempo de coleta entre elas não
é longo o suficiente para se estimar as taxas evolutivas dos genes.

Mas, já podemos tirar uma conclusão. O vírus já deve estar circulando
pelo menos desde o começo do ano (ou desde o ano passado)
desapercebido. Isso quer dizer que muitos casos não tiveram sintomas
graves o suficiente para fazê-lo ser notado. Mais ainda, bem como ele
não foi notado no começo do ano, muitos casos atuais também devem não estar
sendo, o que explica como surgem casos em tantos países e tão
rapidamente
.

3 – O que isso nos permite prever.

Tudo leva a crer que este vírus é uma variante suína que está
circulando entre humanos sem graves consequências. Por graves
consequências, entenda: sem causar nada mais sério do que uma gripe
comum. Estou falando aqui dos sintomas dos infectados. Pelo fato desse
vírus ser novo em humanos, ele tem o potencial de infectar muita gente,
o que não deve ser ignorado.

Não há nada (até agora) que indique que este vírus tem alguma propenção
a rearranjar com outros (pelo menos não suínos) mas do que
qualquer outro. Claro que não podemos prever o rumo que esta epidemia
pode tomar, mas o que parece até agora é que o maior risco está no
possível número de infectados, e não na gravidade da doença. O fato de
termos poucas sequências de vírus suínos joga contra nessas horas, até
hoje a maioria das sequências disponíveis são de vírus humanos e
aviários.

Para quem quer mais detalhes sobre a doença, como é feito o diagnóstico e a vacina, entre outros, recomendo a série de posts do Carlos.

Aproveite que você já leu o texto e responda a esta enquete:

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