Começou neste dia 03 de março a campanha nacional de vacinação contra a gripe A H1N1. E, como já foi divulgado e podemos ver pela tabela acima, há grupos com maior prioridade em certas épocas. Entenda por que isto é necessário e como é desenhada a campanha de vacinação.

Antes de tudo, a gripe é uma doença respiratória que atinge pessoas de todas as idades e é transmitida pelo ar e por contato pessoal. O período que uma pessoa passa gripada e pode transmitir a doença é de uma semana em média, e após este período ela está imune àquela variedade do Influenza, não transmitindo mais o vírus nem sendo infectada por ele. Um exemplo de doença com ciclo diferente é o HIV, seu portador carrega o vírus e é capaz de transmití-lo pelo resto da vida, além de poder ser reinfectado por mais de um tipo de HIV.

Graças a este  conjunto de fatores, a gripe normalmente precisa de um grande número de pessoas infectadas e suscetíveis para se propagar, além de condições ambientais favoráveis, o que geralmente ocorre no inverno, onde o ar é mais seco e mais frio, condições que aumentam as chances do vírus viajar pelo ar. Ao fim do inverno, muitas pessoas já estão imunes e dimunem as aglomerações em locais muito fechados, de maneira que o número de casos de gripe dimunui bastante.

A vacina é a melhor ferramenta para impedir a transmissão da gripe, mas para ser efetiva sua distribuição precisa ser planejada. Antes de tudo, a vacina precisa ser distribuída logo antes do inverno. O principal motivo disso é a variação do Influenza, ele é um vírus capaz de mutar e escapar do ataque de anticorpos que garantem a imunidade. Por isso, quanto mais recente for a vacina, maiores são as chances de que o vírus ainda não seja capaz de escapar. 

Também não é necessário vacinar todas as pessoas, basta que uma parcela da população esteja imune para segurar o vírus, principalmente os mais importantes para a transmissão. E é este grupo que é atacado passo-a-passo com a campanha nacional:

Na primeira etapa serão vacinados os agentes de saúde e os indígenas. Agentes de saúde são obviamente os mais expostos ao vírus, por lidarem diretamente com os doentes, além de terem o maior potencial para transmitir a doença para os milhares de pacientes com que entram em contato, muitos deles com a saúde já comprometida. E os indígenas são os que estão mais em risco, uma vez que têm a desvantagem histórica de não terem convivido nem sido selecionados (pelo menos por bastante tempo) pelos diversos vírus que os europeus trouxeram, e são vítimas muito mais vulneráveis desde a chegada da varíola nas Américas.

Em seguidas são vacinados outros suscetíveis. Crianças de 6 meses a 2 anos, que provavelmente não tiveram prévio contato com nenhum influenza e ainda não têm o sistema imune completamente formado. Doentes crônicos já estão comprometidos e têm maior propensão a desenvolver doenças oportunistas, como a pneumonia, que são as que matam na maioria dos casos de gripe. Por fim as grávidas, que por motivos que ainda não estão claros foram bastante atingidas pela gripe A H1N1.

Em seguida entram as pessoas que ainda não tiveram contato com este tipo de influenza, as que têm idade menor que 65 anos, em ordem de quem é mais ativo e pode transmitir o vírus. O motivo de serem pessoas mais novas do que 65 anos é que os mais velhos já possuem anticorpos protetores, provavelmente porque já entraram em contato com um vírus próximo a esse antes de 1944, o que é bem possível, dado que humanos e porcos são infectados por vírus similares desde pelo menos 1918.

Pessoalmente, não sei qual o motivo de crianças maiores de 2 anos não serem vacinadas, já que escolas são ótimos locais para o influenza, com muitas crianças de diferentes lugares em um mesmo local, e são bastante ativas, aumentando as chances de contato e contágio.

Devo ser vacinado?

Se você se encaixa em um dos grupos acima, deve. Por mais que você não fique gripado quase nunca ou tenha medo de agulha, a vacina protege você e as pessoas com quem você entra em contato. Por mais que um terço dos infectados pelo influenza não desenvolva sintomas, eles ainda podem transmitir o vírus.

Portanto, vacine-se. Proteja-se e proteja os seus próximos. E não dê atenção a teorias conspiratórias ou idéias de que vacinas matam ou causam autismo. Vacinas salvam vidas, e graças à elas não temos mais pessoas morrendo de varíola, raiva, febre amarela e outras doenças, além dos milhares de debilitados pela poliomielite.

Vacine-se.

Mais sobre a vacina no Ecce Medicus, RNAm e Brontossauros em meu Jardim.

Update:
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