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Sim, meus caros. Durante estes longos dias de debate sobre Design Inteligente peregrinei pelo vasto terreno do PubMed. E após várias horas sem comer, sofrendo de delírios, um arbusto em chamas falou comigo um artigo me trouxe a luz. Encontrei o grande Criador. Sinceramente, encontrei vários artigos que mostram o que o DI defende, um Designer.

Ele, que é capaz de causar um evento de macroevolução diferenciando espécies que posteriormente sofrem microevolução, capaz de trazer genes que favorecem organismos, capaz de trazer para um organismo uma característica nova e complexa, irredutível. Aquele que já teve ícones erguidos em sua homenagem e está presente em várias casas. E cobra uma pequena comissão por isso, além de demandar o sacrifício de alguns inocentes.

Contemplem o grande Criador (clicando no continue lendo) e presenciem o primeiro texto defendendo-o com base em artigos científicos:

 

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fonte: Wikimedia.

 

Ele mesmo, o bacteriófago. Este vírus capaz de infectar bactérias que pode ocorrer em mais de 10³º (dez bilhões de bilhões de trilhões) partículas apenas nos oceanos, detentor da maioria dos genes encontrados na Terra e regulador de grande parte do ciclo de carbono e da fotossíntese dos mares. Só para resumir o que começamos a descobrir de 1990 para cá.

Mas mais do que falar sobre a importância dos bacteriófagos, quero mostrar como ele é o verdadeiro Designer e por que eu vi a luz.

Fagos podem realizar dois tipos de ciclo (grosso modo), o lisogênico, onde insere seu genoma mas não se replica, e o lítico, onde se replica ativamente.

O sacrifício dos inocentes acontece nas bactérias que passam pelo estágio pelo lítico, onde se rompem iberando milhares de novas partículas virais. Como todo bom Criador, ele clama vidas, entre 20 e 40% das bactérias marinhas diariamente. É esta lise das bactérias que recicla grande parte do plâncton marinho e volta a disponibilizar os nutrientes que elas continham, além de garantir o fluxo de matéria orgânica para as camadas mais profundas do mar, onde a luz não chega. A matéria orgânica que nao é aproveitada se acumula no leito marinho, onde contribui para enterrar GigaToneladas de carbono anualmente, o Criador também se recusa a aceitar o aquecimento global.

Mas o Criador também traz vida. No estado dormente chamado de lisogênico, ele muitas vezes pode permenecer integrado ao genoma bacteriano ou mesmo deixar novos genes em seu hospedeiro. Este processo de integração em genomas realiza a chamada transferência lateral de genes (transdução no caso dos bacteriófagos).

Some a isto o fato de que os estudos recentes de genes em água marinha encontraram uma diversidade crescente de genes, e mais de 90% dos genes virais encontrados são inéditos e não correspondem a nada anteriormente conhecido, alguns restritos a certos locais e outros de dispersão mundial. Assim, o Criador detém o genoma universal e pode inserir o sopro de diversidade gerador das formas de vida, diretamente, sem precisar da evolução.

Os cianóagos, fagos que infectam cianobactérias, são um exemplo da tremenda capacidade do Designer. As cianobactérias realizam fotossíntese através de conjuntos de proteínas chamados de fotossitemas, que concentram as etapas da fotossíntese em um mesmo local. São dois fotossistemas, o 1 e o 2, nomeados pela ordem de descoberta. O segundo captura elétrons da água e o primeiro ajuda a transferí-los para as moléculas que armazenam energia.

Possivelmente para aumentar a produtividade de seus hospedeiros, e com isso aumentar o número de partículas produzidas, cianófagos podem carregar genes dos fotossistemas. Ao serem inseridos nas cianobactérias, eles aumentam a quantidade de fotossíntese realizada, e por consequência a produção de energia. Dizem que, na verdade, cianófagos que carregaram estes genes foram favorecidos pela seleção natural ao infectar novos hospedeiros, mas não nos cabe ponderar sobre a mente Dele.

Análises recentes de genes recuperados de material marinho mostram genomas virais que contém conjuntos de genes, ou cassetes, com todas subunidades do fotossistema 1, inclusive otimizadas para transferir mais elétrons e produzir mais energia. É a primeira amostra clara de que o Criador pode conter e distribuir pacotes completos de genes, inclusive com proteínas de membrana (vai um flagelo aí?), sendo capaz de atribuir cadeias metabólicas inteiramente novas e diversificadoras, algo que ainda sonhamos dominar. Uma vez transferido para bactéria (macroevolução), tal característica pode sofrer pequenos acertos (microevolução, aquela que o DI aceita como aleatória).

O poder Dele é tamanho que ele pode criar a si mesmo, e resolver o dilema de quem vem antes. O Sputink, primeiro vírus que infecta outro vírus conhecido ou virófago, contém em seu genoma genes originários de vários tipos de vírus (que infectam os três domínios, bactérias, archea e eucariontes), e pode ser ele mesmo um mecanismo gerador de diversidade em vírus.

Mais uma vez sou obrigado a reconhecer que o Design Inteligente tem muito a contribuir com a biologia, e estamos apenas começando, que há muito que a biologia evolucionista não é capaz de descrever. Muito que escapa ao fato da evolução.   NOT!

Agora falando sério, há muito pouco tempo começamos a ver os vírus como agentes globais nos ecossistemas, não só causadores de doenças e sintomas. Ainda estamos começando a arranhar a superfície deste desconhecido, com nossas caravelas (pedante, não?) de sequenciadores de nova geração, que dispensam o conhecimento prévio do material genético que será sequenciado. Os anos a seguir trarão o barateamento desta tecnologia e novas ferramentas de análise, que vão nos mostrar o quão rica é a vida que ignoramos.

Sem precisar evocar nenhuma cordinha controlando os bonecos.

 

Fontes:

Suttle, C. (2005). Viruses in the sea Nature, 437 (7057), 356-361 DOI: 10.1038/nature04160 


Sharon, I., Alperovitch, A., Rohwer, F., Haynes, M., Glaser, F., Atamna-Ismaeel, N., Pinter, R., Partensky, F., Koonin, E., Wolf, Y., Nelson, N., & Béjà, O. (2009). Photosystem I gene cassettes are present in marine virus genomes Nature, 461 (7261), 258-262 DOI: 10.1038/nature08284 

La Scola, B., Desnues, C., Pagnier, I., Robert, C., Barrassi, L., Fournous, G., Merchat, M., Suzan-Monti, M., Forterre, P., Koonin, E., & Raoult, D. (2008). The virophage as a unique parasite of the giant mimivirus Nature, 455 (7209), 100-104 DOI: 10.1038/nature07218
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