Walt Disney, Motörhead e Fungos – interCiência

Interciência

Este post participa da blogagem coletiva “interCiência“, uma farofa um Amigo Oculto dos Blogs de Ciência Brasileiros. Algum blogueiro muito paciente topou mandar um texto de microbiologia (este post) para o Rainha Vermelha, e agora temos que adivinhar (deduzir pelo estilo) quem ele foi dentre os participantes que serão divulgados no Raio-X. Ainda dá tempo de participar e inscrever o seu texto, basta dar uma olhada em como fazer aqui. Vamos ao texto:

Como é possível notar, há uma relação pouco trivial entre os termos que sustentam este post. Me foi dada a tarefa de escrever sobre um tema que gosto, a microbiologia, para um blog de divulgação científica que também gosto bastante, o Rainha Vermelha. Tentei apresentar algumas informações interessantes sobre um microorganismo não tão conhecido, mas que é de interesse clínico. Talvez este texto pudesse ser resumido na forma “Walt Disney+Motörhead=Paracoccidioides“. Trata-se de um fungo, eis que surge um dos termos (Ok, isso não ajuda muito!). O sujeito é o Paracoccidioides brasiliensis (Pb), um fungo com algumas caraterísticas curiosas e outras de interesse clínico. Bem, vamos às características clínicas primeiro. O Pb é o que se pode chamar de um fungo termo-dimórfico, o que quer dizer que assume uma morfologia ou outra dependendo da temperatura a que está submetido.

Quando em temperatura ambiente o Pb assume a forma de micélio, um agrupamento de hifas. Nesta morfologia o fungo consegue sobreviver no ambiente, livre de um hospedeiro e fazer um metabolismo aeróbico (i.e., dependente de oxigênio). Mas como já mencionei, trata-se de um fungo de interesse clínico, o que significa que é um microorganismo patogênico. De fato, o Pb pode causar infecção sistêmica, mas é mais comun a infecção do trato respiratório. O Pb produz conídeos, que alguns dizem serem produzidos com a finalidade de infectar o hospedeiro e, por isso, na clínica damos o nome de propágulos infectantes, quando na verdade trata-se de um esporo com fins reprodutivos.

Se os conídios têm como destino final o meio ambiente, eles se desenvolvem na forma de novas hifas e formam micélios. Contudo, se acidentalmente os conídios são inalados por um hospedeiro mamífero, eles viajam pelo trato respiratório até os pulmões, onde encontram um ambiente com características que o forçam a mudar a morfologia. Frente à mudança térmica de ~25°C para ~37°C o Pb assume a morfologia de levedura e passa a fazer um metabolismo mais anaeróbico (i.e., independente de oxigênio). Estas características morfológicas tem interesses diversos, como identificar o perfil de expressão gênica de uma forma ou outra a fim de estabelecer fatores de virulência, o que se aplica também às fases de transição de micélio para levedura, por exemplo.

Mas até aqui você deve estar se perguntando: onde entram o Walt Disney e o Motörhead nessa história toda? Para responder isso, nos voltaremos para a divisão celular do Pb. Quando o Pb causa a paracoccidioidomicose (eita palavrão!) ou infecção, para ser mais sucinto, ele está na forma de levedura. Você pode então pensar, “bem, leveduras são leveduras! elas se dividem todas da mesma forma!”. Contudo, o Pb tem um modo bem interessante de dizer “estou aqui, não sou qualquer levedura!” ele começa a formar brotos a partir de uma célula mãe e esses brotos, por vezes, parecem homenagear o “mofado” Walt Disney desenhando o Mickey na sua lâmina histológica (figura abaixo).

PB_Mickey

kilmisterQuanto ao Motörhead! Bem, é impossível falar de Motörhead sem lembrar do poeta (Ok, isso pode ter sido exagerado!) Lemmy Kilmister (figura ao lado). E, não! você não vai encontrar a cara do Lemmy numa lâmina histológica. Na verdade, esta é parte mais constrangedora da minha fórmula. Além da forma de Mickey Mouse, as leveduras de Pb quando estão gerando os brotos também podem assumir a forma de rodas de leme (figura abaixo), aquelas que servem para controlar a orientação das embarcações utilizando o leme. Ok, a piada com o Lemmy pode ter sido horrível, mas veja o lado positivo disso. Você jamais esquecerá a morfologia típica de um Pb numa lâmina! Em minha defesa tenho a declarar apenas que, sendo um cientista, minhas piadas devem ser ruins por natureza.

 

leme

 
Referências sugeridas:

Tereza C.V. Rezende, Clayton L. Borges, Adriana D. Magalhães, Marcelo Valle de Sousa, Carlos A.O. Ricart,Alexandre M. Bailão, Célia M.A. Soares. A quantitative view of the morphological phases of Paracoccidioides brasiliensis using proteomics. J Proteomics. 2011 Dec 21;75(2):572-87. doi: 10.1016/j.jprot.2011.08.020. Epub 2011 Sep 3.

Taborda CP, da Silva MB, Nosanchuk JD, Travassos LR. Melanin as a virulence factor of Paracoccidioides brasiliensis and other dimorphic pathogenic fungi: a minireview. Mycopathologia. 2008 Apr-May;165(4-5):331-9.

Paracoccidioides brasiliensis Sequencing Project, Broad Institute of Harvard and MIT (http://www.broadinstitute.org/).

Não compre o produto mais caro

Qual a relação entre um copo de refrigerante de mais de um litro e a TV mais cara da loja? Acompanhe neste post meu que saiu no Papo de Homem:

Por que não comprar o mais caro

[...]

Quando oferecidas para cobrar ou pagar um valor por um produto ou serviço, o primeiro impulso de quase todas as pessoas é tentar saber quanto outros cobram ou pagam por aquilo, e usar esta comparação como âncora para seu valor. Nós somos animais comparadores por natureza.Vivemos há milhões de anos em sociedades com vários indivíduos, onde estamos sempre comparando e olhando ao nosso redor para saber nossa posição em relação ao grupo. Um aumento de R$ 2000 para um funcionário seria uma ótima notícia, mas se tornaria um ultraje se ele descobrisse que todos outros receberam R$ 10000 de aumento.

[...]

David Wallerstein foi contratado por uma cadeia de cinemas americana da década de 1950 para aumentar a renda deste comércio. Renda essa que vinha principalmente da venda de bebidas e pipocas. Wallerstein percebeu que, por mais que se esforçasse, não conseguiria fazer cada espectador comprar mais de um refrigerante e uma pipoca. As pessoas não saem no meio do filme para comprar outra pipoca, não só pelo filme, mas por se sentirem gulosas ao comprar mais uma porção. Daí surgiu a ideia de oferecer uma porção com o dobro do tamanho.

Com o tamanho grande e o extra-grande, as pessoas comem o mesmo que comeriam comprando duas unidades, mas não se dão conta disso. Este é outro instinto nosso, tendemos a comer tudo o que pegamos, sem repararmos no tamanho da porção. Um experimento de 2005 mostrou isso ao oferecer para as pessoas sopa em um recipiente que se enchia automaticamente por baixo sem que elas percebessem. O autor acabou ganhando um IgNobel por isso. Como resultado, quem tomou a sopa da tigela sem fundo consumiu em média 60% mais do que quem tinha uma tigela normal. Pelo mesmo motivo, restaurantes de comida por quilo usam pratos enormes: tendemos a enchê-los com mais comida do que pratos normais.

 

Leia o texto completo aqui.

Algo que não está no texto, recomendo muito o Dilema do Onívoro por uma série de outros motivos. Nunca tinha pensado como o fato de sermos onívoros está diretamente relacionado à condição humana. Também não fazia idéia do que a indústria alimentícia americana tem feito com a montoeira de milho subsidiado que produzem anualmente. Pela discussão sobre a agricultura, os hábitos alimentares, alimentos orgânicos (e outros não tão orgânicos) e tudo o mais, foi sem dúvida um dos melhores livros que já li.

Esferas Magnéticas Zen Magnets

©Happy Monkey

Enquanto a pós não me deixa fôlego para escrever algo mais completo por aqui, aproveito para dar uma dica da minha terapia pelos últimos meses. As esferas magnéticas, garantia de entreter qualquer cientista – sério, o primeiro kit que comprei sumiu da minha mesa do laboratório há tempos, e volta só de vez em quando.

Comecei como quem não queria nada, e comprei um kit bem baratinho da China, com 100 bolinhas. Óbvio que depois de dois dias brincando com as bolinhas, eu queria bem mais. Depois de alguma pesquisa, descobri a Zen Magnets, que além de provar por a+b que é melhor do que as outras marcas (e são várias, de várias cores), ainda tinha o melhor preço. Acabei pagando $30 com o envio para cá em um pacote de 216 bolinhas. O preço de um kit genérico que vi em uma loja no shopping foi R$300.

Um dos melhores brinquedos que já tive. Sem prestar atenção, dá para passar horas mexendo com eles, fazendo todo tipo de formato. Enrolar a fileira completa no dedo é ter a melhor descrição de como um vírus helicoidal se forma, monômero por monômero, espontaneamente. Infelizmente, ainda me falta outro kit (a desculpa ideal) para poder formar o capsídeo clássico dos bacteriófagos, a cauda fica incompleta com 216. Perfeitos para uma aula de virologia.

Desnecessário dizer que deve ser mantido longe de crianças, basta imaginar o que acontece quando se engole duas bolinhas em tempos diferentes, e elas se encontram em partes diferentes do intestino (bom passeio pelas imagens).

Agora só me falta arrumar um kit de massinha magnética para ver o ataque do macrófago.

Update: Aqui no Brasil eles foram lançados pela Nanodots, que vende inclusive outras cores como preto e dourado, a partir de R$79.

Formiga planadora

 

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Cephalotes atratus ©Alex Wild

 

Para uma formiga arborícola no alto, cair de mais de 20 metros de altura significa uma boa escalada tronco acima, sem contar a chance de não achar de novo a árvore de onde partiu. Qual a melhor solução para evitar isso? Planar de volta para o tronco antes de chegar ao chão. Pelo menos é o que a Cephalotes atratus consegue.

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Cephalotes atratus caindo ©Alex Wild

Segundo o Cais de Gaia, o entomólogo Stephen Yanoviak descobriu isso (e publicou aqui) quando estava coletando insetos no alto de uma árvore e jogou algumas formigas para baixo para se distrair, e viu que elas planavam de volta para o tronco – passa tempo predileto de qualquer um em um lugar alto que vê uma formiga inocente passando. Veja no vídeo abaixo a comparação entre uma formiga comum e a formiga planadora, como ela localiza o tronco e plana de volta.

 

 

Essa capacidade de planar virou tema de estudo, já colocaram inclusive a C. atratus em um tunel de vento para ver como ela usa as patas de trás para controlar o vôo – que nas palavras de Woody, não é vôo, é cair com estilo. Aqui algumas tomadas da queda assistida.

 

Para mais formigas e curiosidades sobre elas, recomendo este post.

Cheiro de terra, cheiro de chuva, cheiro de guerra: geosmina

 

chuva

Que cheiro uma imagem desta evoca? ©Dr. RawheaD

 

Uma das coisas que mais gostava ao visitar minha avó no interior de São Paulo nas férias de janeiro era o cheiro da chuva no fim da tarde. Parecia mais intenso lá. E uma coisa que sempre me intrigou era como eu sentia o cheiro antes mesmo de começar a chover. Se o cheiro era de chuva, por que aparecia antes? Apenas na graduação fui entender que era o cheiro de uma guerra microbiana.

Assim como o DMSP dá o cheiro de mar, existe um composto químico que dá o cheiro característico de terra úmida que reconhecemos facilmente. Seu nome é geosmina, literalmente cheiro de terra. Uma série de bactérias, algas e fungos a produzem, e um dos propósitos que se imagina que ela tenha é o de controle de inimigos, matando concorrentes que atrasam o crescimento destes microrganismos. Por isso mesmo seria liberada pouco antes de chover, de maneira que a água a espalhe junto de outras substâncias com a mesma finalidade.

Esta mesma geosmina produzida por algas marinhas pode se acumular nos tecidos de vários peixes, dando aquele gosto de terra na carne. Como ela não é levada facilmente pela água, não adianta lavar a carne que não sai. Produzida por bactérias de solo, pode se acumular em beterrabas e no vinho, onde também dá o mesmo gosto. Uma das maneiras de eliminar o sabor de terra de vegetais e carnes é usar vinagre, já que o pH ácido degrada rapidamente a geosmina.

Curiosamente, por mais que o cheiro de chuva seja atraente para nós, pode ser muito mais essencial para os camelos. Como Keith Charter especulou (já que não achei publicação que sustentasse sua idéia), camelos devem saber localizar água a quilômetros de distância pela geosmina liberada por bactérias que crescem no solo úmido de oásis, e ao beberem a água ajudam a dispersar seus esporos para outros locais, perpetuando uma simbiose.

Mais certa do que a atração dos camelos pelo cheiro da geosmina é o apelo que ela tem para insetos. Se nós já associamos umidade e chuva a esse cheiro, imagine o efeito que ele tem em regiões desérticas. Tão grande que alguns cactos que têm flores diurnas – as noturnas geralmente são polinizadas por morcegos – produzem geosmina para atrair insetos polinizadores, usando o cheiro de umidade para enganá-los.

Se, como disse Dawkins, entender fenômenos naturais através da ciência só os torna mais belos e complexos, da próxima vez em que alguém mencionar que gosta do cheiro de chuva ou terra molhada, você já sabe muito mais sobre o que está envolvido em uma situação tão comum. De camelos a besouros, todo mundo gosta do cheiro de chuva. Menos na comida.

 

Obrigado ao pessoal do This Week in Microbiology por mandar o nome do composto. Para mais, recomendo o texto do Swissprot, o perfume da terra.

Já tomou sua neurotoxina hoje? Café como inseticida.

teias_cafeina.jpg 
Fonte: Wikimedia
ResearchBlogging.orgJá se perguntou porque uma planta que não possui sistema nervoso produz um composto capaz de nos deixar alerta? Talvez tenha alguma outra função para a planta que não sabemos. Mas no caso da cafeína, provavelmente se trata de mais um dos milhares de compostos que as plantas sintetizam para dar um fim em engraçadinhos que se aproveitam da imobilidade delas.
Esta capacidade inseticida da cefeína foi mostrada pelo neurologista James Nathanson, que levou a sério os ensaios das aranhas drogadas de Peter Witt, farmacologista famoso por testar o efeito todo tipo de droga na construção de teias em 1948. Nathanson mostrou que a cafeína mata uma série de insetos, em questão de horas ou dias, mesmo em pequenas doses, utilizando folhas de chá e sementes de café em pó (além de cafeína pura, para excluir a possibilidade de outros compostos terem este efeito). Tremores, hiperatividade e perda de apetite são alguns dos sintomas apresentados pelas largartas do tabaco que serviram de cobaias, e não parecem nem um pouco estranhos a quem já tomou uma caneca ou duas de café forte. 
O que faz todo o sentido quando olhamos de volta para plantas como o café e o chá - não só estas plantas, cacau e noz de cola também - que impregnam as folhas com cafeína, acabando com qualquer inseto que tentar mastigá-las. Na verdade, a cafeína é produzida inclusive pelas raízes, o que somado ao que é liberado por folhas caídas, torna o solo de ao redor das plantas totalmente cafeinado, um campo minado para predadores. No caso do café, quantidades ainda maiores são acumuladas nas sementes, o que garante intoxicação de pequenos artrópodes que poderiam destruí-la. Além da dispersão por aves (imagino que seja o caso, pelo tamanho e cor dos frutos) e eventuais mamíferos eretos e pelados que curtiram o efeito da cafeína em vertebrados.
O que me faz imaginar como o Peter Parker fica depois do café da manhã.
Fonte:
Nathanson, J. (1984). Caffeine and related methylxanthines: possible naturally occurring pesticides Science, 226 (4671), 184-187 DOI: 10.1126/science.6207592

Repetindo idéias

Acompanhem duas palestras muito boas do TED, que giram em torno do valor de imitar idéias e de como isso pode acontecer. Ambos possuem legendas em português, se não aparecerem jundo do vídeo, é só clicar em view subtitles.
Primeiro, Vilayanur Ramachandran, um neurocientista de mão cheia, que conheci por conta do Oliver Sacks. Ele fala sobre os neurônios espelho, um grupo de células nervosas do cérebro especializado em imitar  que vemos, de atitudes a sensações.
Provavelmente o que me faz retorcer na cadeira do cinema quando vejo um bom filme de ação, ou sentir aquela aflição quando vejo os gênios do Partoba.
E aqui Matt Ridley falando sobre as idéias que discute em seu novo livro, Rational Optimist (ainda não lançado aqui). O livro acaba sendo uma recapitulação da história econômica da humanidade, discutindo a importância da troca de informação na nossa cultura. Tem, alguns trechos bem controversos, que devo discutir mais para frente, mas vale muito a pena.

Cala boca Galvão, o Boeing e o RNA

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Fonte: Boeing.
Em 2000, Ewan Birney, membro do Instituto Europeu de Bioinformática e responsável pela ferramenta de predição e anotação de novos genes do instituto, propôs uma aposta para adivinhar o número de genes humanos a serem descobertos pelo projeto genoma humano até o ano de 2003. A lógica que os apostadores utilizaram foi bem direta. Se um organismo tão simples como o verme Caenorhabditis elegans, que possui cerca de 1000 células quando adulto, teve seu genoma sequenciado e publicado em 1998 revelando cerca de 20 mil genes codificadores de proteínas, o ser humano deveria ter muito mais. Afinal, nosso organismo é muito mais complexo do que a C. elegans, com trilhões de células, além de termos um cérebro capaz de gerar cultura.
Os valores apostados variaram bastante, ficando entre 25.747 e mais de 150.000 genes. E os apostadores incluiam diversos geneticistas e biólogos moleculares que assim como Ewan trabalhavam diretamente na área. E, como Christopher Chabris e Daniel Simons descrevem no excelente livro The Invisible Gorilla: And Other Ways Our Intuitions Deceive Us, todos erraram bastante. O número gira atualmente em torno de 20.500, mais ou menos o mesmo que o verme, e menos do que a maioria das plantas e muitos animais.
Já em 2010, durante a abertura da Copa, como o vírus do sarampo se espalhava em dias antes da vacina, o Twitter permitiu que em horas o Brasil fizesse uma trollagem global. Com o sonoro #calabocagalvão conseguimos convencer o mundo a salvar os raros papagaios galvão, garantindo uma das maiores formas de reconhecimento internacional, aparecer em um episódio dos Simpsons (ou quase, no melhor estilo troll).
Embora os ingredientes do #calaboca já estivessem disponíveis há bastante tempo — o Galvão Bueno irrita a audiência há décadas, a internet facilita a trollagem a distância transformando o bilhete de loteria premiado vendido a incautos na herança de um recém empossado príncipe nigeriano — ele não seria possível alguns anos atrás. Pois depende fluxo de informação.
Como Matt Ridley descreve no recente (e muito bom) Rational Optimist tudo muda quando a informação flui, quando idéias são trocadas. Idéias fantásticas que estariam restritas à primeira aplicação para a qual foram concebidas são vistas por outras pessoas e aplicadas em novos contextos. E se eu puser um motor a vapor em uma carroça? Quais aplicações posso dar para um gene que produz uma proteína fosforecente? Que tal combinar um sistema com os 140 caracteres do SMS, mas aberto para que todos possam ler e trocar mensagens rapidamente?
Assim como John Mattick descreveu em sua entrevista para a Revista Fapesp, o Boeing 777 construído atualmente é feito essencialmente do mesmo tipo de peça que um Boeing de 1960. Turbinas, pneus, alavancas, bombas hidráulicas e botões não são exatamente novidade. O que é novo são os quilômetros de fibra ótica e cabos que permitem uma troca de informações muito mais rápida e precisa. De maneira que hoje o piloto pode figurar na cabine enquanto o avião é pilotado sozinho.
E o motivo de Matttick fazer esta comparação é por que ele trabalha com RNA regulatório. Da mesma maneira como erraram por muito a estimativa do número de genes humanos, erraram até onde se estenderia o plano genético de crescimento dos animais. Um pacote de genes chamados homeobox, que comandam de maneira linda que parte do corpo vai formar o quê. A cada genoma de um organismo menos complexo sequenciado e estudado, estendeu-se mais e mais os animais onde estariam presentes os homebox. Ao ponto de serem encontrados em uma esponja.
Em uma mudança recente de foco na biologia, estamos descobrindo que a explicação para a nossa diferença está na regulação da informação. Enquanto temos mais ou menos o mesmo número de genes que um verme, e por consequência de proteínas (descontando o sistema imune), nossa porção de DNA que não codifica proteínas mas produz RNA capaz de regular funções celulares é enorme. RNA esse que não é traduzido em proteínas, mas é capaz de interagir com elas, com outros RNAs e mesmo com o DNA genômico, dando uma nova camada regulatória. É a regulação promovida por eles, e o aumento da informação por trás. que permitiu novos usos dos genes.
O que nos traz para o órgão mais complexo do corpo, o cérebro. Seus bilhões de neurônios 
só fazem sentido se tiverem um bom cabeamento interligando-os, que vai ser regulado por sinalizadores e receptores expressos de acordo com uma coordenação do RNA expresso pelos neurônios. Formando uma rede capaz de trocar sinais e gerar informação e trocar idéias em uma outra rede por ela concebida, dando voz à agonia que sentimos quando ouvimos mais um “Bem amigos da Rede Globo.”

Insetos assassinos

ResearchBlogging.orgOs insetos assassinos (assassin bugs) são membros da ordem dos percevejos (Hemiptera) com uma habilidade muito interessante. São predadores pacientes, que esperam as presas e sugam os fluídos delas através do canudão (nome científico do rostro), o aparelho bucal elongado que pode injetar uma saliva venenosa que paralisa e dissolve os tecidos de sua presa. 

Alguns são famosos por conta do veneno, e possuem ferroadas que podem doer bastante e deixar cicatrizes bem feias. O barbeiro é um tipo de inseto assassino hematófago, que para sugar sangue possui uma saliva anestésica, e ao picar pessoas e defecar pode transmitir a Doença de Chagas. 
Com um estilo de caça que lembra bastante as aranhas, são um bom exemplo de convergência evolutiva (nome popular para a falta de criatividade do Criador). Acompanhem algumas fotos, fatos e vídeos destas celebridades destes insetos curiosos:
Os pêlos e espinhos
Uma das formas de segurar a presa com firmeza por tempo suficiente para introduzir o rostro e injetar o veneno são os espinhos que os insetos assassinos possuem nas patas dianteiras, que usam para agarrar as vítimas. Como a ninfa (estado juvenil) acima.
Ataque sorrateiro
assassino_mascarado.jpg
Como forma de se aproximar da vítima, ou melhor, de deixar a vítima se aproximar, existem vários comportamentos. O assassino mascarado (Reduvius personatus), por exemplo, possui pequenos pêlos no corpo que coletam todo tipo de sujeira por onde passa, de maneira que assume rapidamente as cores de fundo do ambiente onde está (a não ser que algum fotógrafo coloque uma folha sulfite embaixo).
Já o assassino de pernas penosas (este com um nome não tão imponente) vai mais além. Ele possui estas cerdas nas patas traseiras que usa para acenar e atrair formigar para perto de si. Quando elas se aproximam, ele libera um cheiro extremamente atraente que elas começam a buscar. E as glândulas que emitem este hormônio se localizam sob o seu abdome, posição estratégica para que elas busquem a fonte e fiquem no ponto mais vulnerável para serem atacadas pelo rostro. Cenas do incrível Life in the Undergrowth.
Por fim, o Stenolemus lanipes, que tem estas longas patas por um bom motivo. Ele é um predador de aranhas, e costuma andar pelas teias tateando em busca das presas, que atrai imitando um bicho preso. Quando a aranha se aproxima, ele usa as patas da frente para prendê-la e crava o rostro, injetando seu veneno. Após uma breve crise existencial e uma mais breve ainda ponderação sobre as ironias da vida, a aranha paralisada vira refeição.
Mais fotos e as fontes abaixo.
assassin_bug2.jpg

ninfas_inseto_assassino.jpg
assassino.jpg
wheelbug.jpg

Fontes:

 
Weirauch, C., & Cassis, G. (2006). ATTRACTING ANTS: THE TRICHOME AND NOVEL GLANDULAR AREAS ON THE STERNUM OF PTILOCNEMUS LEMUR (HETEROPTERA: REDUVIIDAE: HOLOPTILINAE) Journal of the New York Entomological Society, 114 (1 & 2), 28-37 DOI: 10.1664/0028-7199(2006)114[28:AATTAN]2.0.CO;2
 Wignall, A., & Taylor, P. (2008). Biology and life history of the araneophagic assassin bug Stenolemus bituberus including a morphometric analysis of the instars (Heteroptera, Reduviidae) Journal of Natural History, 42 (1), 59-76 DOI: 10.1080/00222930701825150

Muito cuidado ao mergulhar

Atenção, este e post é sério! Repasse e não duvide!

Muito cuidado ao mergulhar com sua câmera! Um peixe-palhaço vai lhe destrair com malabarismos enquanto um polvo treinado da Mongólia ataca sorrateiramente e foge nadando com ela.

Fui informado por um mergulhador que sofreu este ataque e descobriu na Marinha que muitas outras pessoas já passaram pelo mesmo. Não seja a próxima vítima!

Dizem que eles estão finalmente se organizando para 2012.

Desculpem o tamanho da fonte e o negrito, mas não resisti à homenagem ao e-mail que recebi hoje falando que estão jogando ácido nas pessoas no semáforo…
Via OMEDI.

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