Te vejo na Campus Party 2012
Crédito: campuspartybrasil
Sábado, dia 11/02 às 16:45 estarei no Campus Party em uma mesa redonda do Campus Ciência – Astronomia e Espaço, falando sobre como blogs e outras mídias tratam de ciência na internet (com transmissão ao vivo aqui). Terei o prazer de participar com:
Kentaro Mori – Comparsa de ScienceBlogs e autor do 100nexos e do Ceticismo Aberto, entre outras iniciativas.
Rafael Soares – Vizinho de ScienceBlogs no RNAm.
Dulcídio Braz – Autor do Física na Veia!
Deive Pazos e Alexandre Ottoni, autores do Jovem Nerd e do Nerdcast, que sempre contra com a participação Caio Lúcio, famoso Bluehand.
Cadê você no ResearchGate?

Conheci ano passado uma rede social com uma proposta bem diferente, o ResearchGate. Bolado pelo virologista e programador Ijad Madisch em 2008, foi pensado como uma rede para comunicação entre cientistas. Para quem já viu o inferno que é achar a carreira de um pesquisador internacional se ele não tiver página própria, é uma ótima saída.
Aqui no Brasil, temos a plataforma Lattes, que é mantida bem atualizada por quase todos os pesquisadores coagidos incentivados pelas agências de fomento, que não aceitam projetos de quem não atualiza os dados. É uma rede exemplar, que muita gente em outros países elogia. Mas não existe alternativa internacional equivalente. Quando o pesquisador não tem uma página pessoal atualizada, depende-se de achar os artigos no PubMed, Google Schoolar e similares, e contar com a sorte de não haver muitos cognatos.

O ResearchGate resolve muito disso. Ainda ajuda com um problema que tive recentemete. Conheci gente competente da minha área no Twitter, queria uma alternativa para compartilhar e discutir artigos, e acabei apelando para o Posterous. Enquanto o ResearchGate é uma solução muito mais cabível. Além de permitir o compartilhamento de artigos na timeline, ainda possui uma ferramenta de blog interno bastante prática – que carece de uma integração com o ResearchBlogging e DOI, que facilitaria muito a busca por citações. Também dei por falta de uma integração com o Rainha Vermelha, como as páginas do Facebook, inclusive para criar um perfil para o ScienceBlogs.

Também tem algo muito legal que é o compartilhamento dos artigos próprios. Sem a formatação dos periódicos onde ele foi publicado, claro, pois trata-se de trabalho acrescentado por eles. Pode se tornar uma excelente fonte de artigos para quem não tem acesso à revista. Não sei se o Google faz a indexação dos pdfs, mas seria ótimo.
Algo que ainda preciso colocar em uso são os tópicos. Uma ferramenta que permite fazer e responder perguntas de áreas de interesse, e pode ser uma boa para interagir com futuros colaboradores
A maior reclamação que tenho – e foi parcialmente sanada pela reportagem da Agência Fapesp, que me trouxe uns 50 seguidores – é a falta de brasileiros. O serviço indica pesquisadores com base em sua área de pesquisa e localização geográfica, e as sugestões que recebi eram de gente bastante distante do que me interessa. Seguir os pesquisadores que mais leio também seria muito bom. Algo normal para uma rede no início, que provavelmente deve ser sanado conforme ela cresce. Para quem quiser me adicionar por lá, meu perfil é este aqui: http://www.researchgate.net/profile/Atila_Iamarino/.
Para organizar e buscar os artigos, especialmente por conta do programa de desktop que ultimamente tem toda a minha biblioteca e anotações, e vai ser fundamental na organização da minha tese, ainda sigo usando o Mendeley. E logo vou precisar contratar espaço.
Venha para o ScienceBlogs

Para aqueles que têm um blog de ciência, ou pensam em ter, e se identificam com a filosofia do ScienceBlogs, estamos convidando blogs para nossa rede. A chamada vai até 31/10, basta preencher o formulário deixado no post do Raio-X.
Sei de muitos blogs que teria o maior prazer em ter como vizinhos.
Há quase dois anos fizemos a última chamada para novos blogs em nossa rede, que nos rendeu bons novos vizinhos: o Amigo de Montaigne, o Bala Mágica e o Química Viva, além do Divã de Einstein, que veio via Tubo de Ensaios, nosso blog incubador de novos autores. Desde então, estávamos ocupados com novas mudanças e nos acertando na nova plataforma, e não podíamos receber novos blogs com a atenção que merecem.
Eis que estamos estabelecidos, e mais do que atrasados para convidar mais autores a bordo!
Repetindo o que fizemos em 2009, vamos abrir duas seleções. Uma para blogs já estabelecidos, para pessoas que têm blogs há mais de três meses (em 10/11), e outra para pessoas que têm blogs mais novos ou que ainda não têm blogs.
Inscrições até o dia 31/10
Foto:

Exclusivo: Jornalista explica porque ainda dão trela para malucos
São Paulo – Pode parecer que em pleno ano de 2011 ainda é possível encontrar horóscopos e todo tipo de notícias bizarras em jornais, que poderiam ser desmentidas com 2 cliques no Google, mas não é por burrice que isto acontece. Nossos repórters descobriram como funciona a rede internacional de notícias envolvendo lunáticos e o que parece ser o maior plano de inclusão já promovido pela mídia.
“Pode parecer que os jornalistas e editores responsáveis por este tipo de notícia são pessoas que ligariam para serviços de ‘Trago Amado em 3 dias’, só que é proposital.”, explicou o autor anônimo de notícias de um famoso portal de internet, que descreveu a rede de médiuns e paranormais criada para gerar explicações ridículas para eventos mundanos. Segundo averiguamos, na verdade trata-se de uma grande preocupação dos veículos de notícia com aqueles que morreriam de fome se capim fosse amarelo, “Nossa intenção é não deixar ninguém de fora do que acontece pelo mundo. Se escrevemos uma notícia completa, apenas com fontes confiáveis, as camadas da sociedade com QI de ambeba seriam excluídas do que se passa.”
Assim, basta conseguir uma declaração absurda para que o fato se torne mais atraente e compreensível. Afinal, para o público alvo, é muito mais fácil a vida se originar em outro planeta, e a evolução de lá gerar um animal muito próximo de todos que temos aqui, com a mesma disposição de órgãos e mesma necessidade de temperatura e oxigênio, ele cruzar o universo em tempo hábil para chegar aqui ainda vivo, aterrizar discretamente na Terra e ficar desnorteado o suficiente para ser entrevistado, é mais provável do que uma fraude.
E parece que esta estratégia ainda tem apelo em camadas mais inteligentes da sociedade, repetindo a tática de restaurantes com cardápios com erros ortográficos grosseiros e deliberados, para que clientes se sintam melhores e gastem mais, como explicou um dos jornalistas do G1 portal: “Quem tem um mínimo de entendimento das coisas percebe que se trata de uma asneira, e se sente mais inteligente ao criticar. Conseguimos fazer até comentaristas do Youtube se sentirem gênios.”
Segundo o entrevistado, esta escola de escrita criada por tablóides ingleses no século XVIII, só foi trazida para o Brasil na década de 1950, e popularizada por grandes revistas de variedades, “A Veja, por exemplo, se tornou a maior revista em circulação no Brasil simplesmente escrevendo besteiras absurdas. O que você acha que mantém pessoas como o Datena no ar?” explicou ele, mostrando como até o Patrick poderia ser incluído ao ver TV.
Portanto, se você espera mais inteligência dos meios de notícia, entenda apenas que você não é o público alvo.
Acompanhe nosso infográfico de como notícias aparentemente estúpidas não são escritas por acaso:
Parasite Rex com nova edição
Em março deste ano, o Carl Zimmer lançou uma nova edição de um dos livros que mais me influenciou, o Parasite Rex, com um novo epílogo. Para promover o livro, ele prometeu enviar uma book plate (não sei como traduzir o termo) autografada para quem enviasse uma foto do livro. Eu fui duplamente descarado, coisa de fã, e além de demorar até agora para enviar a foto, ainda pedi para ele autografar o livro (dentro da minha resolução de manter apenas livros que: não têm versão digital; ou são muito melhores em versão impressa; ou estão autografados).
O resultado é este acima, um Parasite Rex novinho, para fazer companhia ao Livro de Ouro da Evolução, ao Microcosm (sendo lido pela minha H. Pylori de estimação), e o mais recente A Planet of Viruses (que só vou ler depois de terminar alguns projetos pessoais, por enquanto quem está lendo é o egocêntrico do HIV).

Como a cópia antiga não se encaixa na minha nova resolução, resolvi sorteá-la para os leitores, junto da book plate autografada que recebi, em uma tentativa de compensar pela falta de postagem. Ela está em um estado razoável de conservação, com uma marca no canto da capa e um risco preto, que não sei de onde surgiu, embaixo (pode ser visto na primeira foto). Trata-se do livro que mudou a forma como eu encarava os parasitas, de ciclos intermináveis com nomes inúteis a um dos principais tipos de organimos em termos ecológicos e evolutivos. Não preciso dizer que é em inglês, né?
Para participar, basta deixar um comentário ou twittar o link deste post, descrevendo qual seu parasita favorito e porque, e dia 19 deste mês vou sortear pelo random.org o ganhador. Pode ser qualquer tipo de parasita, real ou fictício, nojento ou fofinho (bebês também contam). Entrarei em contato pelo e-mail do comentário ou conta do Twitter para pedir o endereço de envio.
[atualização] Sorteio feito!
E quem ganhou foi a Sarah Cantarino, que elegeu o DNA manipulador. Em breve ela deve receber um e-mail pedindo o endereço, e pedindo uma foto para postar aqui assim que o livro chegar. Parabéns Sarah, boa leitura!
ScienceBlogs de cara nova

Para todos os assinantes do feed e aqueles que ainda não acessaram o site entre domingo de madrugada e segunda de manhã, aqui vai o convite:
Estamos de cara e plataforma nova, completando três anos desde nosso lançamento como Lablogatórios, e 2 anos e meio de ScienceBlogs Brasil. E, logo mais, devemos ter novos blogueiros em nossa vizinhança.
Semana de Inovação e Empreendedorismo do IB/USP
Bulecast, o podcast do Bule Voador
Tive mais uma vez o prazer de participar de um podcast. Comandado pelo Igor Cavalcanti do Conselho de Mídia da Liga Humanista, e na companhia do Eli Vieira, do excelente Evolucionismo, Pedro Almeida, do Bule Voador, e da professora que queria ter tido Tati Nahas, amiga de blog que tenho o prazer de conhecer pessoalmente. Trata-se da terceira edição do podcast do Bule Voador, o Bulecast. Aproveitem o conhecimento extenso do Eli e a companhia de todos em uma conversa sobre evolução. Fico devendo por aqui o texto sobre como a diversidade genética do HIV pode ser usada para incriminar ou inocentar acusados.
Bulecast nº 3 – Evolução from Bule Voador on Vimeo.
Ciência Brasileira e o Culto à carga
Em uma conversa recente sobre produtividade científica, estava discutindo com amigos sobre a disparidade entre o Brasil e centros de pesquisa no exterior, onde conseguem publicar artigos mais citados e em revistas mais relevantes. Não só em países ricos da América do Norte e Europa, mas também em desenvolvimento, como Índia e China. Quando surgiu uma analogia que não pude evitar: o Culto à Carga.
Um documentário de 1963 apresentou o fenômeno, sobre o qual fui saber pela primeira vez no livro Armas, Germes e Aço do Jared Diamond. Trata-se de um reflexo da ocupação moderna de ilhas no oceano Pacífico, principalmente depois da Segunda Guerra. Muitas tribos locais ao verem aviões pousando e desembarcando comida e produtos manufaturados, começaram a se perguntar por que também não recebiam esta dádiva dos céus. Começaram então a construir pistas de pouso e até aviões e torres de controle de madeira e bambú, na esperança de atrair um daqueles instrumentos do paraíso para eles.
O vídeo acima é um pedaço do documentário de 1963, Mondo Cane, que espero que comece aos 6 minutos, onde mostram uma das pistas construídas. Um tipo de culto que foi relativemante comum entre 1950 e 1970, e que segundo a BBC ainda ocorre em Vanuatu. Para mim, é uma condição que descreve muito bem o que se faz em ciência no Brasil, um culto à carga.
E não me refiro à pseudo-ciência que Feynman cunhou [link para pdf], mas sim um culto a carga bem mais refinado. Não construímos nossa pesquisa com torres de bambú e aviões espantalho. A FAPESP e o CNPq financiam bem a pesquisa nacional – não posso falar propriamente sobre o CNPq, em especial fora do estado de São Paulo, mas aqui a FAPESP financia quase todo projeto com o qual tive contato, muitas vezes com mais de 5 casas decimais dígitos (brigado, Igor), muito dinheiro investido em pesquisa. Não tenho os números para comparar, mas garanto que em termos de porcentagem do PIB investido em pesquisa, não estamos tão longe de países desenvolvidos, embora não contemos com muito financiamento privado. A porcentagem é algo cruel, por mais que o total seja uma fração pequena do que se investe em outros países, proporcionalmente os números são similares. Mas não é esta a discussão aqui.
Nosso culto a carga é muito mais sofisticado. Temos equipamentos modernos, pirosequenciadores, sequenciadores Sanger, espectrômetros de massa, citômetros de fluxo, e vários outros métodos caros que desconheço. A burocracia com certeza atrapalha, já vi gente perdendo reagentes e até animais transgênicos na alfândega, mas não impede, e mesmo assim continuamos debatendo por que o Brasil publica muitos trabalhos mas de pouco fator de impacto. É aqui que entra o culto.
Publicar trabalhos de menor índice de impacto significa dizer que brasileiros produzem artigos que são menos lidos e menos citados pela comunidade científica. E não acho que o motivo seja só o fato de nomes latinos serem menos citados. Assim como os nativos das ilhas do Pacífico manipulam instrumentos de mentira, fuzis feitos de bambú e torres de controle de madeira e folhas, sem entender o princípio por trás de um carregamento chegando de avião, nós fazemos ciência aqui sem entender a motivação que está por trás de cada experimento.
Já vi diversas apresentações de trabalhos relevantes, que envolviam experimentos arrojados feitos por gente com muita capacidade, quase sempre sem um ingrediente fundamental de embasamento, uma boa hipótese. Basta olhar em volta, quantos experimentos são feitos, amostras coletadas e analisadas, sequenciamentos sem fim de todo tipo de genomas, quase sempre sem um motivo claro em vista. Nada contra a pesquisa básica, ela é extremamente necessária para o desenvolvimento de qualquer tecnologia, mas mesmo ciência básica precisa de um propósito claro. Não podemos levantar dados simplesmente por levantar. No entanto, são raros os trabalhos com um propósito claro, que começa com um problema a ser abordado e conta com passos definidos nessa direção.
Uma boa medida de como falta entendimento do que se faz é a carência de bioinformatas. Justamente o tipo de pesquisador que deveria ajudar a interpretar os dados massivos que estão sendo gerados, a responder e formular novas hipóteses, é o tipo de pesquisador mais escasso e mais procurado em vários institutos. É um problema lá fora também, mas que está sendo resolvido a muito mais tempo. O centro de computação e biologia de sistemas do MIT foi criado antes de 2005, e segundo a Wikipedia outros começaram ainda antes, e só de uns dois anos para cá comecei a ouvir o termo biologia de sistemas aqui. Um termo que implica em métodos bem mais abrangentes para a interpretação de dados.
E a coisa complica nos alunos também. Já fui taxado de chato em seminários, simplesmente por perguntar o motivo de um experimento, ou como estava sendo feito o controle positivo ou negativo. Algo recorrente é o aluno de mestrado ou mesmo doutorado que está simplesmente seguindo a linha de pesquisa do laboratório e sequer entende onde a pesquisa dele se insere - e não digo que estou de fora dessa. Apertando os botões e copiando os aviões dos estrangeiros, sem saber por que a carga não vem.
Entendam, não estou me queixando de falta de dinheiro ou de tecnologia. Longe da síndrome da ciência vira-lata, para mim um dos maiores atrasos que temos é na geração e interpretação de perguntas interessantes. Gerar dados e sequências todo mundo faz, mas depositá-las no GenBank não é o fim da pesquisa. Uma árvore filogenética ou a estrutura tridimensional de uma proteína não informam nada sem um propósito para serem feitas. Entender o que os dados informam é uma tarefa enorme e exige muita capacitação, que parece nos faltar.
Seguimos reproduzindo experimentos que fazem lá fora, comprando equipamentos e reagentes que compram lá fora, mas por algum motivo os aviões da Science, da Nature, da Cell e de várias outras revistas insistem em não pousar na nossa pista.
O que você entende por Terapia Gênica?
Uma grande amiga está escrevendo um capítulo de livro sobre terapia gênica, e um dos aspectos que precisa abordar é o entendimento público sobre o tema. Para ajudar a responder isso, ela preparou um questionário rápido sobre o tema que divulgo aqui, contando com a ajuda de vocês para responder.












