Quer assustar seus predadores? Faça uma aranha gigante.

Imagem feita por Phil Torres
Esta semana topei com um exemplo fantástico de mimetismo em aranhas. Exemplo bem deliberado e feito com cuidado. Algumas aranhas são capazes de criar disfarces, imagens delas mesmas, verdadeiros espantalhos feitos de sujeira, restos de presas e bolsas de ovos que elas deixam na teia para (imagina-se) distrair predadores.
Mas nunca havia visto um disfarce como este ao lado. Esta aranha foi feita por uma pequena Cyclosa sp., fotografada por Phil Torres nas matas do Peru.
A Cyclosa sp. que vive na teia tem menos de meio centímetro, e consegue montar esse disfarce muito parecido com uma aranha enorme, de vários centímetros, pendurada em sua teia. Até então, todos os outros exemplos conhecidos de disfarces feitos por outras aranhas do mesmo gênero eram réplicas iguais às donas, feitas mais para confundir do que para assustar. Trata-se do primeiro caso conhecido de disfarce maior do que a autora, que me lembrou muito do Mágico de Oz.
Imagens e fonte de Phil Torres, via @BoraZ.
Exclusivo: Jornalista explica porque ainda dão trela para malucos
São Paulo – Pode parecer que em pleno ano de 2011 ainda é possível encontrar horóscopos e todo tipo de notícias bizarras em jornais, que poderiam ser desmentidas com 2 cliques no Google, mas não é por burrice que isto acontece. Nossos repórters descobriram como funciona a rede internacional de notícias envolvendo lunáticos e o que parece ser o maior plano de inclusão já promovido pela mídia.
“Pode parecer que os jornalistas e editores responsáveis por este tipo de notícia são pessoas que ligariam para serviços de ‘Trago Amado em 3 dias’, só que é proposital.”, explicou o autor anônimo de notícias de um famoso portal de internet, que descreveu a rede de médiuns e paranormais criada para gerar explicações ridículas para eventos mundanos. Segundo averiguamos, na verdade trata-se de uma grande preocupação dos veículos de notícia com aqueles que morreriam de fome se capim fosse amarelo, “Nossa intenção é não deixar ninguém de fora do que acontece pelo mundo. Se escrevemos uma notícia completa, apenas com fontes confiáveis, as camadas da sociedade com QI de ambeba seriam excluídas do que se passa.”
Assim, basta conseguir uma declaração absurda para que o fato se torne mais atraente e compreensível. Afinal, para o público alvo, é muito mais fácil a vida se originar em outro planeta, e a evolução de lá gerar um animal muito próximo de todos que temos aqui, com a mesma disposição de órgãos e mesma necessidade de temperatura e oxigênio, ele cruzar o universo em tempo hábil para chegar aqui ainda vivo, aterrizar discretamente na Terra e ficar desnorteado o suficiente para ser entrevistado, é mais provável do que uma fraude.
E parece que esta estratégia ainda tem apelo em camadas mais inteligentes da sociedade, repetindo a tática de restaurantes com cardápios com erros ortográficos grosseiros e deliberados, para que clientes se sintam melhores e gastem mais, como explicou um dos jornalistas do G1 portal: “Quem tem um mínimo de entendimento das coisas percebe que se trata de uma asneira, e se sente mais inteligente ao criticar. Conseguimos fazer até comentaristas do Youtube se sentirem gênios.”
Segundo o entrevistado, esta escola de escrita criada por tablóides ingleses no século XVIII, só foi trazida para o Brasil na década de 1950, e popularizada por grandes revistas de variedades, “A Veja, por exemplo, se tornou a maior revista em circulação no Brasil simplesmente escrevendo besteiras absurdas. O que você acha que mantém pessoas como o Datena no ar?” explicou ele, mostrando como até o Patrick poderia ser incluído ao ver TV.
Portanto, se você espera mais inteligência dos meios de notícia, entenda apenas que você não é o público alvo.
Acompanhe nosso infográfico de como notícias aparentemente estúpidas não são escritas por acaso:
Cheiro de terra, cheiro de chuva, cheiro de guerra: geosmina
Que cheiro uma imagem desta evoca? ©Dr. RawheaD
Uma das coisas que mais gostava ao visitar minha avó no interior de São Paulo nas férias de janeiro era o cheiro da chuva no fim da tarde. Parecia mais intenso lá. E uma coisa que sempre me intrigou era como eu sentia o cheiro antes mesmo de começar a chover. Se o cheiro era de chuva, por que aparecia antes? Apenas na graduação fui entender que era o cheiro de uma guerra microbiana.
Assim como o DMSP dá o cheiro de mar, existe um composto químico que dá o cheiro característico de terra úmida que reconhecemos facilmente. Seu nome é geosmina, literalmente cheiro de terra. Uma série de bactérias, algas e fungos a produzem, e um dos propósitos que se imagina que ela tenha é o de controle de inimigos, matando concorrentes que atrasam o crescimento destes microrganismos. Por isso mesmo seria liberada pouco antes de chover, de maneira que a água a espalhe junto de outras substâncias com a mesma finalidade.
Esta mesma geosmina produzida por algas marinhas pode se acumular nos tecidos de vários peixes, dando aquele gosto de terra na carne. Como ela não é levada facilmente pela água, não adianta lavar a carne que não sai. Produzida por bactérias de solo, pode se acumular em beterrabas e no vinho, onde também dá o mesmo gosto. Uma das maneiras de eliminar o sabor de terra de vegetais e carnes é usar vinagre, já que o pH ácido degrada rapidamente a geosmina.
Curiosamente, por mais que o cheiro de chuva seja atraente para nós, pode ser muito mais essencial para os camelos. Como Keith Charter especulou (já que não achei publicação que sustentasse sua idéia), camelos devem saber localizar água a quilômetros de distância pela geosmina liberada por bactérias que crescem no solo úmido de oásis, e ao beberem a água ajudam a dispersar seus esporos para outros locais, perpetuando uma simbiose.
Mais certa do que a atração dos camelos pelo cheiro da geosmina é o apelo que ela tem para insetos. Se nós já associamos umidade e chuva a esse cheiro, imagine o efeito que ele tem em regiões desérticas. Tão grande que alguns cactos que têm flores diurnas – as noturnas geralmente são polinizadas por morcegos – produzem geosmina para atrair insetos polinizadores, usando o cheiro de umidade para enganá-los.
Se, como disse Dawkins, entender fenômenos naturais através da ciência só os torna mais belos e complexos, da próxima vez em que alguém mencionar que gosta do cheiro de chuva ou terra molhada, você já sabe muito mais sobre o que está envolvido em uma situação tão comum. De camelos a besouros, todo mundo gosta do cheiro de chuva. Menos na comida.
Obrigado ao pessoal do This Week in Microbiology por mandar o nome do composto. Para mais, recomendo o texto do Swissprot, o perfume da terra.
Homeopatia não é feita de nada

Não, não temos macroevolução
No post sobre evolução anterior, fui obrigado a admitir que a biologia está cheia de complexidade irredutível. Hoje terei de admitir que também não temos exemplo de macroevolução.
Peixe esgana-gato do laboratório de David Kingsley.
Recentemente participei de uma reportagem da Isis sobre evolução que recebeu um comentário bastante interessante:
Quanto à resistência a antibióticos, mencionada por Iamarino, Enézio questiona: “É esse um exemplo do fato, Fato, FATO da evolução? Que evolução? Microevolução ou macroevolução? As bactérias continuaram bactérias. Não houve processo macroevolutivo que é o que a teoria geral se propõe explicar: um Australopithecus afarensis se transformar em antropólogo amazonense.” [Enézio é amazonense.]
Trata-se de um argumento muito usado pelos criacionistas, a macroevolução. Segundo eles, eventos de evolução em microescala, como bactérias resistentes a antibióticos, são admissíveis e reconhecidos, mas o surgimento de novas espécies, um evento macroevolutivo, nunca foi mostrado. É o equivalente argumentativo de “só a cabecinha”, algo como admitir que placas tectônicas se movem e terremotos acontecem, mas ninguém nunca viu uma montanha aparecer ou um continente sair nadando.
O problema aqui é o Princípio da Incerteza de Enézimo, ou nÉzimo. Ele acontece na seguinte situação:
Quando tentamos explicar a um criacionista por que ele está errado, e mesmo depois de N argumentos ele continua ignorando qualquer evidência, não podemos saber ao certo se isso acontece porque ele é ignorante ou por desonestidade.
Da mesma forma, quando criacionistas dão exemplos grotescos e completamente toscos, como ignorar que a origem do flagelo bacteriano pode ser explicada, para validar o argumento do DI, não podemos saber ao certo o quão desonestos e/ou ignorantes a ponto de não entender o que falam eles estão sendo.
Dessa forma, podemos determinar apenas uma das duas coisas, o quão desonestos ou quão ignorantes estão sendo, nunca os dois ao mesmo tempo. – este evento deu origem à idéia de que se trancássemos o gato do Shrödinger e um criacionista numa caixa, o gato entenderia antes o que é a evolução, mesmo estando meio morto.
Michael Behe, o pesquisador em bioquímca que escreveu o Caixa Preta de Darwin, por exemplo, estava sendo completamente desonesto. E quem aponta isso não sou eu, é o juiz do caso Kitzmiller v. Dover Area School District, quando estavam discutindo se o criacionismo deveria ser ensinado como alternartiva à teoria da evolução na região de Dover, Pensilvânia.Veja um trecho da declaração de Behe que podem ser encontrados na transcrição de seu depoimento no 12° dia:
Acusação: E, de fato, não há artigos revisados por pares de ninguém defendento o design inteligente suportado por experimentos ou cálculos peritnentes, que provém relatos detalhados e rigorosos de como o design inteligente de qualquer sistema biológico ocorreu, certo?
Michael Behe: Sim, está correto.
Mais adiante, Behe adimite que não há dado ou pesquisa originais em seu livro, e que nunca publicou um artigo sobre o assunto. Embora já tenha publicado diversos artigos científicos em outros temas, todos com dados experimentais. – conheço um certo pesquisador criacionista que se encaixa aqui – Ou seja, ele sabe a diferença entre ciência e crença, e é desonesto quando diz que o design inteligente é uma alternativa válida. Tanto que reconheceu que o conceito de teoria que ele aplica está mais próximo do conceito de hipótese científica, e também poderia abrigar a astrologia.
Como não estamos em um julgamento onde o criacionista pode ser prensado até se explicar, eu não consigo determinar se estão sendo desonestos. E longe de mim chamar os criacionistas de desonestos, vou partir dio princípio que eles são simplesmente ignorantes.
Não temos macro-evolução
O motivo de não termos macro-evolução é bem simples. Temos evolução. Macro e micro-evolução são termos que descrevem pontos diferentes da Teoria da Evolução. Nas palavras de Mark Ridley, autor do livro Evolução (página 572), que depois discute mecanismos comuns e diferentes de ambas escalas:
“A microevolução e a macroevolução podem ser concebidas como termos vagos, assim como ‘pequeno’ e ‘grande’, e como extremos contínuos de evolução, da menor escala à escala máxima.”
Mas os criacionistas distorcem estes conceitos, tratando macroevolução como algo completamente separado da evolução, e ignorando (voluntariamente?) que ela trata de eventos grandes, que levam milhares ou milhões de anos para acontecer. Traduzindo o argumento criacionista de “micro pode, macro nunca vi” para nossa escala de tempo, é como dizer que embora vejamos o ano passar, nunca presenciamos um milênio.
Nós não temos a macroevolução na biologia, temos apenas evolução. Macroevolução é o nome que damos para este evento em certos casos. E mesmo assim, os fósseis são testemunha de que a macroevolução acontece, dado um longo período de tempo, e a biologia molecular mostra esta relação dos organismos. Por mais que os criacionistas argumentem que não há formas intermediárias, a relação entre os organismos revelada pelas moléculas mostra linhagens contínuas, que variam ao longo do tempo, ao invés de eventos únicos de criação.
Eventos estes que podem inclusive serem recriados, como a manipulação de mutações do peixe engasga-gato lá de cima, que foram capazes de reverter a morfologia de uma espécie de água doce sem espinhos (abaixo) para seu ancestral marinho, com espinhos. E a mutação que condicionou isto está no promotor do gene, que regula o local e tempo em que ele é expresso (pdf do artigo aqui). Pequenas mudanças em um gene regulador que proporcionaram uma grande mudança na espécie.
Mais uma vez, criacionistas distorcem conceitos e ignoram fatos, aproveitando áreas do conhecimento que a biologia ainda começa a entender. Anos atr
ás, este tipo de experimento seria impensável, pois envolve desde conhecimento sobre o desenvolvimento e genes regulatórios à manipulação genética. Conforme aprimoramos nossos métodos, explicamos melhor o mundo natural e diminuímos as sombras onde o DI ainda persiste.
Quanto ao “Australopithecus afarensis se transformar em antropólogo amazonense”, tenho uma má notícia.Se algum criador moldou o surgimento do ser humano, uma das preocupações que ele teve foi a de aumentar a massa encefálica das espécies que desenhou, e não imagino que ele vá contrariar isso agora. Além disso, primatas tem coisas mais importantes e desafiadoras a pensar, como direção e força com que vão lançar seus argumentos em visitantes no zoológico, do que o DI.
Recordar é viver: Maçã não é fruto!
Por conta de várias (várias mesmo!) coisas que estou fazendo, não tenho tempo de blogar com a frequência costumeira. Para resolver o problema, vou reciclar conteúdo do blog! Afinal, grande parte dos visitantes não conhecia o finado Transferência Horizontal (reparem na borda de algumas figuras que virão) e não vai nem reparar que o conteúdo não é inédito.
Para começar: sabia que a maçã que comemos não é um fruto?
Isso mesmo, a maçã não é uma fruto, ou pelo menos a parte que você come. Trata-se de um pseudo-fruto. Pois é, todo esse tempo e você pensando que comia fruta quando comia uma maçã.
A maçã, que se originou na Ásia, provavelmente entre a China e a
Rússia, e pertence à família Rosaceae – mesma
família do morango e da rosa – e acontece que, nesta família algumas vezes a maneira pelo
qual o fruto se forma é um pouco diferente.
Por definição, fruto é a estrutura que se forma à partir do ovário da flor.
No caso da maçã e da pêra, o ovário forma apenas parte central
da “fruta”, aquela que a gente não come. Ou seja, da maçã normalmente
se come tudo menos o fruto verdadeira.
A parte carnosa que é comida é
formada pelo receptáculo floral, que cresce e acaba envolvendo o fruto
verdadeiro. Por isso que a maça parece ser aberta na parte de baixo, a base da flor cresceu e inchou até lá.
Existem outros tipos de frutos falsos, como o abacaxi, o caju, o
morango. Alguns são formados pelo pedúnculo da flor (caju), outros por folhas (abacaxi).Além disso, existem frutos verdadeiros que não são chamados assim, como a
beringela e o tomate, que tomamos por legumes mas são frutas verdadeiras.
Da próxima vez que você for à feira, peça para o feirante frutas. Quando ele vier com um abacaxi (que é um fruto composto, valeu Amanda!) ou uma amora, diga que você pediu chuchu, pimentão ou azeitona.
[update] post editado para seguir a terminologia indicada pelo Takata. (brigado!!)
Gripe suína, a morte vinda dos Céus
(o título foi só para dar o tom dramático que o post merece)
Antes de tudo, agradeço ao Davi do Bioconnection por ter me repassado o e-mail, e ainda me dar a preferência para postar.
Dando continuidade ao serviço anti SPAM/Conspirações cretinas, um
e-mail que está circulando sobre a “real situação da gripe no país”.
Por sorte, tenho uma ótima leitora/colaboradora do blog, a Dra Lúcia
Rodrigues Eneida, Infectologista Intensivista que está vivendo a situação mais
do que de perto. Pedi alguns comentários dela sobre o e-mail, que vou
deixar em itálico. Comentários meus entre colchetes – o continue lendo é necessário para não entulhar a home do blog com o texto enorme. Mantive o texto
original do mail com algumas correções ortográficas para facilitar a
leitura:
Recebi este mail de fonte confiável. A intenção não é causar pânico
mas, de alerta e prevenção. [ah, claro, a melhor das intenções]
Como diz no final da conversa. Eu também, estava cagando e andando para
essa tal de gripe. Confesso que estava até achando um pouco de exagero
por parte dos mais medrosos mas, depois que li isto, fiquei APAVORADA.
[viu, ninguém quer causar pânico]
Gripe suína e a conspiração
Veja este vídeo atentamente, e entenda o que está acontecendo com a gripe suína:
NOT!!!
Vamos aos fatos reais:
1 – Por que existe o vírus H1N1?
Porque o Influenza consegue saltar de aves para mamíferos, entre eles humanos. Simples assim. Da mesma forma, existem os vírus H3N2, H2N2 e n outras variantes. O próprio H5N1 é extremamente preocupante por matar mais de 50% dos infectados. O que seria o caos, se ele fosse eficientemente transmitido de humanos para humanos. E a população precisa ser alertada disso.
O número de mortos pela gripe suína aviária (ops! valeu gente!) só é baixo por sorte (dele até agora não ser transmitido eficientemente) e por causa das medidas efetivas que são tomadas. Separação do comércio de aves silvestres e domésticas na China, coleta e sequenciamento de vírus aviários por uma rede de laboratórios do mundo todo e o extermínio de todas as aves de criação em locais próximos a casos detectados. Sem isso, estamos dando chances para o vírus conviver mais com animais domésticos e criadores, gerando um ambiente propício para o surgimento de uma linhagem humana. E sim, se o H5N1 se transmitir com sucesso, o número de mortos pode ser de milhões, e o Tamiflu seria fundamental para combatê-lo.
O próprio H1N1 apareceu primeiro em criadores de porcos, e teve sua origem traçada. Veio de uma mistura de vários outros vírus, que já circulam entre humanos, e têm sua história conhecida. Se ele fosse o H1N1 de 1918 “vazado” de um laboratório, seu material genético seria bem parecido com o vírus da gripe espanhola, e não teria a assinatura de ter circulado entre humanos por pelo menos 3 meses antes de ser detectado, desde o primeiro evento de rearranjo.
Assim como no caso do HIV, adoram criar uma teoria de que o vírus foi criado e plantado, para punir a humanidade ou cumprir os interesses “deles”. Aliás, quanto ao HIV, não só ele veio de outros primatas, como ainda é transmitido e dá origem a novas linhagens. Olha o comentário que deixaram em um outro post:
e se “eles” usarem a copa de 2010 na Africa, para misturarem de forma
“natural” os vírus H1N1 e as variações do Ebola. E contaminar o mundo
inteiro…
Concordar com o vídeo é dar suporte para alguém que usa aspas ao falar eles. Shame on you!
Nada é mais eficiente do que a seleção natural para “desenvolver” um vírus eficiente. Se alguém disser que pode misturar ou inventar novos vírus é garantia certa de algo que não vai funcionar. Certo mesmo, é o dinheiro que essa pessoa vai embolsar enganando “eles”, os clientes.
Quanto às outras doenças, que matam milhões de pessoas todos os anos, elas não são noticiadas por um simples fato. São doenças que ocorrem em países pobres, principalmente na África. Enquanto a gripe infecta e mata pessoas em países desenvolvidos, o que nos leva ao segundo argumento:
2 – A indústria farmacêutica quer lucrar com o Tamiflu!
Antes de tudo

Sério, achei que eles fossem indústria só no nome, e não quisessem lucrar produzindo remédios.
Independente de Donald Rumsfeld estar ou não por trás da empresa parceira da Roche na produção, do quanto o remédio deu de lucro e de como subiram as ações, ele funciona. Assim como o Relenza, e assim como vários outros que estão sendo desenvolvidos mas ainda se encontram na etapa de testes. E precisamos de mais, vindo de indústrias sedentas por lucro ou não.
O motivo de o Tamiflu ser um dos dois remédios recomendados para o H1N1 é bem direto. São os dois remédios que nós temos. Existem 4 drogas que atacam o Influenza, e o H1N1 atual é resistente a duas delas. Sobram o Relenza e o Tamiflu.
E quanto aos efeitos colaterais do Tamiflu, o que o vídeo esquece de mencionar, é que os efeitos colaterais atingem 1% de quem toma o remédio, e são raríssimos os casos onde parece haver efeito neurológico. O Japão sozinho consumia 60% da produção mundial de Tamiflu, logo, é o lugar onde há maior probabilidade de ocorrem casos aberrantes (289 entre 2001 e final de 2007), e não foi encontrada associação evidente. [1]
Aqui, aplica-se a regra de quem, com sabedoria fecal, reclama da vacina da poliomielite, dizendo que ela causou pólio em algumas crianças: você faz idéia de quantas vidas este remédio salvou para acontecerem alguns casos de efeito colateral grave?
Mais sobre a vacinação a que o vídeo se refere, os erros e os acertos de 1976, aqui. E aqui
p.s. Continuo achando que Tamiflu só é indicado para os casos mais graves. E distribuí-lo é garantia de contentar todos agora e não ter a opção de tratar ninguém mais tarde.
[1] Fuyuno, I. (2007). Tamiflu side effects come under scrutiny Nature, 446 (7134), 358-359 DOI: 10.1038/446358a
Evolução Criativa
Hoje, em uma manobra inédita neste blog, farei uma resenha de um livro que eu não li! E aposto que será a melhor resenha que você encontra nas internets:

Resolvi aproveitar minhas economias para comprar o ótimo livro “Evolução” de Mark Ridley. Para minha surpresa, quando busquei evolução nos sites da Fnac e da Saraiva (clique para ver o resultado da busca), a primeira sugestão que apareceu foi este livro aí em cima. Nas lojas físicas, a mesma coisa, tanto a Saraiva quanto a Fnac exibiam o livro orgulhosamente, mas não o vi na livraria Cultura – já imaginam em qual delas eu pretendo voltar com mais frequência.
Afinal, por que eu compraria um livro completíssimo e denso como o do Ridley, quando posso comprar uma discussão consistente da teoria evolutiva escrita pelo renomado físico quântico (!)
Amit Goswami, responsável por outras besteiras de dar nó no estômago discussões fantásticas como o Quem Somos Nós?. Dica: se você vir um livro de evolução escrito por físicos quânticos, matématicos, engenheiros ou outros de áreas não biológicas, corra! As chances de ser uma besteira enorme são grandes. O último bom livro de biológicas escrito por um físico que li foi “O que é vida” de ninguém menos que o assassino de gatinhos Erwin Shrödinger, e é de 1944.
Entrei em contato com a editora do livro, explicando que tinha um blog de ciência, cujo tema principal é evolução, e disse que eu gostaria de receber um exemplar do livro para resenhar. Sabendo que trato de evolução, eles tomaram a decisão mais sensata, não me mandaram cópia nenhuma. Então, ao melhor estilo Sílvio Santos, resolvi fazer uma resenha completa do livro, mesmo sem lê-lo:
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, Existem lacunas no registro fóssil, logo, a única opção restante indica que a física quântica liga isso à mente de Deus, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, na física quântica, o tempo é não linear, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, Citações de Einstein completamente parciais e fora de contexto, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, Um monte de balela de física quântica completamente absurda e tão surreal que quem ler este livro vai desligar o cérebro antes de se perguntar se aquilo é verdade, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla,bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, mais picaretagem disfarçada de ciência, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, acredite e tudo que você quer cairá no seu colo bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, já não publico um artigo científico há 20 anos e estou naquele ponto do fim da carreira em que começo a escrotizar e falar qualquer coisa, já que o máximo que podem fazer é esperar eu morrer para me contestar, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla,bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, estamos todos unidos pelos elétrons neste universo quântico.
Assim, com este resumo completíssimo, espero que vocês não precisem gastar um centavo nesta pérola. Para entender um bom motivo para não mandarem o livro para alguém que minimanente entende o que ele quer refutar, e como funciona o engodo do termo quântico, veja este vídeo:
Gato sobrevive a queda de 26 andares
O gatinho com o nome de Sortudo caiu do 26º andar em Nova Iorque. O que aconteceu com o bichano? Nada.
Afinal, com um nome desse o mínimo que podia acontecer com o gato era um milagre. Ele foi salvo! Segundo a dona:
“That’s the miraculous thing about Lucky,” Hostetler told “GMA.” “He has been [lucky] since we got him.”
- Esse que é o milagre de Lucky. Ele tem sido sortudo desde que está conosco. Fonte
NOT!
Primeiro: Se o gato realmente fosse sortudo, ele não cairia da janela! Por que todo milagre depende de uma desgraça antes?
Segundo: “Sortudo” ele seria se tivesse caído do 7º andar e sobrevivido. Afinal esse e o andar mas perigoso para gatos. Acima desse andar, os gatos atingem uma velocidade terminal constante e têm tempo de relaxar o corpo e não absorver o impacto da queda. 13º, 26º, 39º, 52º, tanto faz. A chance de eles sobreviverem de uma queda é maior em andares mais altos.
Se você não entendeu a dinâmica da queda, leia este post.
















