Cadê você no ResearchGate?

Conheci ano passado uma rede social com uma proposta bem diferente, o ResearchGate. Bolado pelo virologista e programador Ijad Madisch em 2008, foi pensado como uma rede para comunicação entre cientistas. Para quem já viu o inferno que é achar a carreira de um pesquisador internacional se ele não tiver página própria, é uma ótima saída.
Aqui no Brasil, temos a plataforma Lattes, que é mantida bem atualizada por quase todos os pesquisadores coagidos incentivados pelas agências de fomento, que não aceitam projetos de quem não atualiza os dados. É uma rede exemplar, que muita gente em outros países elogia. Mas não existe alternativa internacional equivalente. Quando o pesquisador não tem uma página pessoal atualizada, depende-se de achar os artigos no PubMed, Google Schoolar e similares, e contar com a sorte de não haver muitos cognatos.

O ResearchGate resolve muito disso. Ainda ajuda com um problema que tive recentemete. Conheci gente competente da minha área no Twitter, queria uma alternativa para compartilhar e discutir artigos, e acabei apelando para o Posterous. Enquanto o ResearchGate é uma solução muito mais cabível. Além de permitir o compartilhamento de artigos na timeline, ainda possui uma ferramenta de blog interno bastante prática – que carece de uma integração com o ResearchBlogging e DOI, que facilitaria muito a busca por citações. Também dei por falta de uma integração com o Rainha Vermelha, como as páginas do Facebook, inclusive para criar um perfil para o ScienceBlogs.

Também tem algo muito legal que é o compartilhamento dos artigos próprios. Sem a formatação dos periódicos onde ele foi publicado, claro, pois trata-se de trabalho acrescentado por eles. Pode se tornar uma excelente fonte de artigos para quem não tem acesso à revista. Não sei se o Google faz a indexação dos pdfs, mas seria ótimo.
Algo que ainda preciso colocar em uso são os tópicos. Uma ferramenta que permite fazer e responder perguntas de áreas de interesse, e pode ser uma boa para interagir com futuros colaboradores
A maior reclamação que tenho – e foi parcialmente sanada pela reportagem da Agência Fapesp, que me trouxe uns 50 seguidores – é a falta de brasileiros. O serviço indica pesquisadores com base em sua área de pesquisa e localização geográfica, e as sugestões que recebi eram de gente bastante distante do que me interessa. Seguir os pesquisadores que mais leio também seria muito bom. Algo normal para uma rede no início, que provavelmente deve ser sanado conforme ela cresce. Para quem quiser me adicionar por lá, meu perfil é este aqui: http://www.researchgate.net/profile/Atila_Iamarino/.
Para organizar e buscar os artigos, especialmente por conta do programa de desktop que ultimamente tem toda a minha biblioteca e anotações, e vai ser fundamental na organização da minha tese, ainda sigo usando o Mendeley. E logo vou precisar contratar espaço.
Parasite Rex com nova edição
Em março deste ano, o Carl Zimmer lançou uma nova edição de um dos livros que mais me influenciou, o Parasite Rex, com um novo epílogo. Para promover o livro, ele prometeu enviar uma book plate (não sei como traduzir o termo) autografada para quem enviasse uma foto do livro. Eu fui duplamente descarado, coisa de fã, e além de demorar até agora para enviar a foto, ainda pedi para ele autografar o livro (dentro da minha resolução de manter apenas livros que: não têm versão digital; ou são muito melhores em versão impressa; ou estão autografados).
O resultado é este acima, um Parasite Rex novinho, para fazer companhia ao Livro de Ouro da Evolução, ao Microcosm (sendo lido pela minha H. Pylori de estimação), e o mais recente A Planet of Viruses (que só vou ler depois de terminar alguns projetos pessoais, por enquanto quem está lendo é o egocêntrico do HIV).

Como a cópia antiga não se encaixa na minha nova resolução, resolvi sorteá-la para os leitores, junto da book plate autografada que recebi, em uma tentativa de compensar pela falta de postagem. Ela está em um estado razoável de conservação, com uma marca no canto da capa e um risco preto, que não sei de onde surgiu, embaixo (pode ser visto na primeira foto). Trata-se do livro que mudou a forma como eu encarava os parasitas, de ciclos intermináveis com nomes inúteis a um dos principais tipos de organimos em termos ecológicos e evolutivos. Não preciso dizer que é em inglês, né?
Para participar, basta deixar um comentário ou twittar o link deste post, descrevendo qual seu parasita favorito e porque, e dia 19 deste mês vou sortear pelo random.org o ganhador. Pode ser qualquer tipo de parasita, real ou fictício, nojento ou fofinho (bebês também contam). Entrarei em contato pelo e-mail do comentário ou conta do Twitter para pedir o endereço de envio.
[atualização] Sorteio feito!
E quem ganhou foi a Sarah Cantarino, que elegeu o DNA manipulador. Em breve ela deve receber um e-mail pedindo o endereço, e pedindo uma foto para postar aqui assim que o livro chegar. Parabéns Sarah, boa leitura!
Resenha: A Vida Imortal de Henrietta Lacks
Rebecca, na foto à esquerda, é uma escritora (qual o termo correto para science writter?) com formação em ciências, que queria contar a história de Henrietta desde que ouviu sobre células HeLa aos 16 anos. A Vida Imortal é seu primeiro livro, e consumiu 10 anos (e um casamento, nas palavras dela) para ser escrito, principalmente porque ela precisou contatar seus familiares e fazer grande parte do levantamento de material com a filha mais nova de Henrietta, Deborah.
Piadas nerds: do Twitter para o livro
Há algum tempo, recebi um convite irrecusável, revisar as piadas/twittadas biológicas organizadas pelos responsáveis pelo perfil @PiadasNerds no Twitter: Ivan Baroni, Luiz Fernando Giolo e Paulo Pourrat. Todos formados pelo IMECC – Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica da Unicamp.

Marcos Castro | @marcoscastro
Comediante stand-up e mestre em matemática.
http://www.marcoscastro.com.br
Carol Zoccoli | @carolzoccoli
Finalista do concurso Oitavo Integrante do CQC e mestre em filosofia.
http://www.carolzoccoli.com.br
Fernanda Poletto | @balamagica
Blogueira e doutoranda em química, autora do blog Bala Mágica, vizinha de condomínio.
http://scienceblogs.com.br/bala_magica
Dulcidio Braz Jr. | @Dulcidio
Blogueiro e físico, autor do blog Física na Veia, vencedor do prêmio internacional BOB’s (Best of Blogs) de melhor weblog em língua portuguesa.
http://fisicamoderna.blog.uol.com.br/
Henrique Fedorowicz | @henriquewicz
Comediante stand-up e analista de sistemas.
http://www.henriquestandup.com.br
Fernando Caruso | @SuperCaruso
Comediante stand-up, ator e ícone do mundo nerd.
http://www.zenasemprovisadas.com.br
Luís Brudna | @humornaciencia
Professor e criador do blog Humor na Ciência. Além de vizinho de condomínio no Massa Crítica.
http://www.humornaciencia.com.br
Carlos Ruas | @sabadoqualquer
Designer gráfico, desenhista e criador do blog Um Sábado Qualquer.
http://www.umsabadoqualquer.com

A história de quando éramos peixes – Resenha

Escrito pelo paleontólogo Neil Shubin, orgulhoso responsável pelo grupo que encontrou o Tiktaalik roseae, um fóssil transicional. Um peixe com características que são encontradas apenas nos vertebrados terrestres, e ajuda a ilustrar como se deu a transição dos vertebrados do ambiente aquático para o terrestre.
“As vinte crianças de 4 e 5 anos estavam se comportando surpreendentemente bem enquanto eu descrevia como tinhamos trabalhado no Ártico para encontrar o fóssil, e mostrei a eles os dentes afiados do animal. Então perguntei o que achavam que ele era. A primeira criança disse que era um crocodilo ou um jacaré. Quando perguntei por que, disse que ele tinha uma cabeça chata com olhos em cima como crocodilos ou lagartos. E dentes grandes também. Outras crianças discordaram. Quando escolhi a mão erguida de uma dessas crianças, ouvi: Não, não é um crocodilo, é um peixe, pois ele tem escamas e nadadeiras.Então outra criança gritou, “Talvez ele seja ambos.” A mensagem do Tiktaalik é tão clara que até crianças da pré-escola podem ver.“
O que nos faz felizes – Resenha
Se eu termino de ler um livro e não mudo a maneira como entendo as coisas, eu não li um bom livro. Não precisa ser uma mudança brusca, nem espero que seja. Mas se o livro que li não me afeta, perdi meu tempo.
Não espere nenhuma grande revelação, nem a resposta para o título do livro. Duvido muito que o autor ou qualquer outra pessoa possa dar a resposta definitiva do que nos faz felizes. Mas, é garantia de repensarmos um pouco sobre como encaramos eventos desconhecidos, e como nossa mente funciona.
Além de Darwin: Resenha
Antes de tudo, gostaria de deixar claro meu viés (com orgulho): Sou amigo do autor, nosso companheiro de ScienceBlogs Reinaldo Lopes. Também sou fã compulsivo de exemplos evolutivos e adoro livros com diferentes histórias ao redor de um tema, ambos gostos foram satisfeitos.
Não me lembro com quem estava discutindo, mas chegamos a uma opinião consenso. Jornalistas dão um outro tom para textos científicos. Acho que cientistas costumam tratar de um tema como se várias partes dele fossem óbvias, mas nem sempre são. Me pego fazendo isso o tempo todo, toda vez que vejo algo que já li ou já vi, penso “ah, aquele exemplo novamente”, e isso muitas vezes atrapalha a construção de um texto. Pulamos etapas e evitamos exemplos ou analogias que por vezes seriam muito ilustrativos, por achar que já não são novos.
Acho que jornalistas não cometem este erro tão frequentemente. Tenho a impressão quando leio um texto bem escrito, como são todos os textos do Reinaldo, de que o jornalista passa pelas estapas de entendimento que passamos, mas as deixa muito mais claras. Dão conta de fazer aquele “olha o que eu descobri, que legal” que me empolga na divulgação científica.
E o Além de Darwin é um senhor apanhado de temas interessantes bem descritos. Tanto para iniciados no tema, que nunca vão ter lido sobre tudo que é tratado, e não poderão reclamar do detalhamento e copreensão que o Reinaldo tem do tema, quanto leigos. Em especial leigos. Para quem apenas viu a evolução na escola, como o processo de variabilidade, seleção e herança, o livro oferece ótimos exemplos reais e recentes. Aliás, recomendo bastante o livro para este público: estudantes.
Começando pelo tema quente, sexo, parceiros, seleção sexual e competição, inclusive com uma disputa evolutiva entre mães e bebês interessantíssima, ele parte para a evolução da mente. Aqui, para meu deleite, trata de corvos e polvos. Também são tratados genes e genomas, paleontologia, cobrindo a transição da água para a terra e a volta, e a evolução humana, e completados com a evolução da anatomia e fisiologia.
Para terminar, Reinaldo toca em um tema bastante delicado, ciência e religião. Pessoalmente, gostei desta parte, acho que o autor tem uma abordagem muito esclarecida. Não tem como, podem perguntar para qualquer blogueiro do SbBr, alguém vai sair descontente em uma discussão dessa. Mas, longe de atrapalhar, acho que o livro é bem fechado pelo tema.
Disponível aqui. Recomendo muito.
Evolução Criativa
Hoje, em uma manobra inédita neste blog, farei uma resenha de um livro que eu não li! E aposto que será a melhor resenha que você encontra nas internets:

Resolvi aproveitar minhas economias para comprar o ótimo livro “Evolução” de Mark Ridley. Para minha surpresa, quando busquei evolução nos sites da Fnac e da Saraiva (clique para ver o resultado da busca), a primeira sugestão que apareceu foi este livro aí em cima. Nas lojas físicas, a mesma coisa, tanto a Saraiva quanto a Fnac exibiam o livro orgulhosamente, mas não o vi na livraria Cultura – já imaginam em qual delas eu pretendo voltar com mais frequência.
Afinal, por que eu compraria um livro completíssimo e denso como o do Ridley, quando posso comprar uma discussão consistente da teoria evolutiva escrita pelo renomado físico quântico (!)
Amit Goswami, responsável por outras besteiras de dar nó no estômago discussões fantásticas como o Quem Somos Nós?. Dica: se você vir um livro de evolução escrito por físicos quânticos, matématicos, engenheiros ou outros de áreas não biológicas, corra! As chances de ser uma besteira enorme são grandes. O último bom livro de biológicas escrito por um físico que li foi “O que é vida” de ninguém menos que o assassino de gatinhos Erwin Shrödinger, e é de 1944.
Entrei em contato com a editora do livro, explicando que tinha um blog de ciência, cujo tema principal é evolução, e disse que eu gostaria de receber um exemplar do livro para resenhar. Sabendo que trato de evolução, eles tomaram a decisão mais sensata, não me mandaram cópia nenhuma. Então, ao melhor estilo Sílvio Santos, resolvi fazer uma resenha completa do livro, mesmo sem lê-lo:
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, Existem lacunas no registro fóssil, logo, a única opção restante indica que a física quântica liga isso à mente de Deus, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, na física quântica, o tempo é não linear, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, Citações de Einstein completamente parciais e fora de contexto, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, Um monte de balela de física quântica completamente absurda e tão surreal que quem ler este livro vai desligar o cérebro antes de se perguntar se aquilo é verdade, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla,bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, mais picaretagem disfarçada de ciência, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, acredite e tudo que você quer cairá no seu colo bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, já não publico um artigo científico há 20 anos e estou naquele ponto do fim da carreira em que começo a escrotizar e falar qualquer coisa, já que o máximo que podem fazer é esperar eu morrer para me contestar, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla,bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla, bla,
bla, bla, bla, bla, estamos todos unidos pelos elétrons neste universo quântico.
Assim, com este resumo completíssimo, espero que vocês não precisem gastar um centavo nesta pérola. Para entender um bom motivo para não mandarem o livro para alguém que minimanente entende o que ele quer refutar, e como funciona o engodo do termo quântico, veja este vídeo:
Resenha: O cheiro das coisas
Nada como um livro novo para animar as idéias. Sou do tipo compulsivo por informação, acostumado a passar horas dentro dos sebos da Liberdade em São Paulo, pelo simples prazer de encontrar algo novo para ler.
O livro “O cheiro das coisas” da Prof. Bettina Malnic, do Instituto de Química da USP, cumpre esse papel. Um livro simples e bem escrito que me apresentou um mundo que não tinha minha devida atenção, o mundo dos cheiros. Por mais que tivesse noção da importância do olfato, como sentido, como complemento do paladar e como um dos sentidos que mais envolve as lembranças, ignorava o grande esforço por trás da elucidação dos mecanismos olfativos.
Como um cheiro é sentido? Como duas moléculas quase idênticas têm cheiros diferentes, enquanto moléculas bem diferentes podem ter o mesmo cheiro? Qual a diferença entre o olfato do rato, do cachorro e o nosso?
“O cheiro das coisas” é um livro que além de explicar como funciona, explica como passamos a saber isso. Esse é o tipo de livro que gosto de ler. Como sabemos que um neurônio percebe um cheiro? Qual a proteína que percebe um cheiro, e por que ela percebe aquele cheiro, e não outro?
Passando não só pelo sentido do olfato em si, com conhecimento de causa, Bettina relata a descoberta do funcionamento do olfato e a atribuição do prêmio Nobel pela descoberta. Imaginem um país em que a entrega do Nobel recebe a mesma atenção que a final do Big Brother aqui no Brasil.
Senti falta de mais. Queria um livro com mais detalhes, mais informações, mais experimentos. Tenho a impressão de que por ser um livro escrito por quem viveu e vive o que está descrevendo, poderia ter mais. Por isso mesmo é um ótimo livro, conseguiu o que se propõe. Ganhou mais um curioso interessado pelo sentido do olfato que vai tentar acompanhar o que surgir de novo na área, me transmitiu a empolgação de um ramo novo da ciência que ainda tem muitas possibilidades de desdobramento, as bases biológicas das sensações.
Fica aqui o convite para o lançamento, dia 17 de setembro, 19 horas na livraria Cultura do shopping Villa-Lobos, em São Paulo. Se você estiver com tempo, vá bem antes e aproveite o ambiente da livraria, é fantásico.









