Não compre o produto mais caro
Qual a relação entre um copo de refrigerante de mais de um litro e a TV mais cara da loja? Acompanhe neste post meu que saiu no Papo de Homem:
Por que não comprar o mais caro
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Quando oferecidas para cobrar ou pagar um valor por um produto ou serviço, o primeiro impulso de quase todas as pessoas é tentar saber quanto outros cobram ou pagam por aquilo, e usar esta comparação como âncora para seu valor. Nós somos animais comparadores por natureza.Vivemos há milhões de anos em sociedades com vários indivíduos, onde estamos sempre comparando e olhando ao nosso redor para saber nossa posição em relação ao grupo. Um aumento de R$ 2000 para um funcionário seria uma ótima notícia, mas se tornaria um ultraje se ele descobrisse que todos outros receberam R$ 10000 de aumento.
[...]
David Wallerstein foi contratado por uma cadeia de cinemas americana da década de 1950 para aumentar a renda deste comércio. Renda essa que vinha principalmente da venda de bebidas e pipocas. Wallerstein percebeu que, por mais que se esforçasse, não conseguiria fazer cada espectador comprar mais de um refrigerante e uma pipoca. As pessoas não saem no meio do filme para comprar outra pipoca, não só pelo filme, mas por se sentirem gulosas ao comprar mais uma porção. Daí surgiu a ideia de oferecer uma porção com o dobro do tamanho.
Com o tamanho grande e o extra-grande, as pessoas comem o mesmo que comeriam comprando duas unidades, mas não se dão conta disso. Este é outro instinto nosso, tendemos a comer tudo o que pegamos, sem repararmos no tamanho da porção. Um experimento de 2005 mostrou isso ao oferecer para as pessoas sopa em um recipiente que se enchia automaticamente por baixo sem que elas percebessem. O autor acabou ganhando um IgNobel por isso. Como resultado, quem tomou a sopa da tigela sem fundo consumiu em média 60% mais do que quem tinha uma tigela normal. Pelo mesmo motivo, restaurantes de comida por quilo usam pratos enormes: tendemos a enchê-los com mais comida do que pratos normais.
Leia o texto completo aqui.
Algo que não está no texto, recomendo muito o Dilema do Onívoro por uma série de outros motivos. Nunca tinha pensado como o fato de sermos onívoros está diretamente relacionado à condição humana. Também não fazia idéia do que a indústria alimentícia americana tem feito com a montoeira de milho subsidiado que produzem anualmente. Pela discussão sobre a agricultura, os hábitos alimentares, alimentos orgânicos (e outros não tão orgânicos) e tudo o mais, foi sem dúvida um dos melhores livros que já li.
Qual o problema de se tomar um antiretroviral como preventivo?
Este post é uma resposta à pergunta da Lucia Malla. Em um post onde descreve que o tratamento anti-HIV pode causar envelhecimento precoce, ela perguntou se mesmo assim não deveria ser usado como preventivo, uma vez que os antivirais podem impedir a infecção pelo HIV se ingeridos antes do contato sexual. Aqui vai minha resposta atrasada:
Links da semana
[não que eu poste links semanalmente, mas eu precisava de um título]
Ficam as dicas para o fim-de-semana:
Antes de tudo, as miss simpatia da web Lucia Malla lançou o novo blog dela, visitem!
Um infográfico bem direto sobre quanto se gasta em ciência contra o câncer vs. guerra nos EUA.
Ainda em 2007, mas só lembrado agora, castanhas do Pará causaram o primeiro caso de alergia sexualmente transmitida.
O Gustavo Gitti criou a receita para pseudo-documentários nova era. E sempre vale lembrar o fantástico post do Dragão na Garagem.
O Bernardo Esteves fez um Tumblr muito bom com imagens científicas derivadas do Questões da Ciência (que também tem posts impredíveis).
Filhotes de morcego são muito fofos, a cara do Boo.
Cientistas são os profissionais que mais bebem café.
Um texto imperdível do Carl Zimmer no NYTimes sobre fungos, mesmo se você não tiver inglês para acompanhar, a galeria de fotos é linda.
Uma reflexão muito boa sobre o mártir na ciência, aquele que defende idéias que ningém mais acredita, e como a validade está de fato nos dados.
Darwin, aquele cara das ervilhas e drosófilas, segundo Ana Maria Braga.
Por fim, você sabia que o Rainha Vermelha tem uma página no Facebook? E já viu a página do ScienceBlogs Brasil no Facebooki? E nosso Twitter?
Cebimar lança o banco de imagens Cifonauta
O CEBIMar, centro de biologia marinha da USP, acaba de lançar pelas mãos de Bruno Vellutini e Alvaro Migotto um lindo bando de imagens e vídeos de biologia marinha chamado Cifonauta. A idéia do banco é hospedar imagens com informações científicas, como classificação taxonômica (nome, gênero da espécie, etc), localização e ciclo de vida destes organismos.
Acho uma excelente forma de divulgar imagens científicas que ficariam escondidas em algum HD perdido no laboratório, e agora podem ser usadas inclusive em aulas. Aproveito para fazer algo que não aparece aqui no blog há tempos, um post fotográfico. Para a fonte com mais informações sobre os animais das fotos, basta clicar.
Venha para o ScienceBlogs

Para aqueles que têm um blog de ciência, ou pensam em ter, e se identificam com a filosofia do ScienceBlogs, estamos convidando blogs para nossa rede. A chamada vai até 31/10, basta preencher o formulário deixado no post do Raio-X.
Sei de muitos blogs que teria o maior prazer em ter como vizinhos.
Há quase dois anos fizemos a última chamada para novos blogs em nossa rede, que nos rendeu bons novos vizinhos: o Amigo de Montaigne, o Bala Mágica e o Química Viva, além do Divã de Einstein, que veio via Tubo de Ensaios, nosso blog incubador de novos autores. Desde então, estávamos ocupados com novas mudanças e nos acertando na nova plataforma, e não podíamos receber novos blogs com a atenção que merecem.
Eis que estamos estabelecidos, e mais do que atrasados para convidar mais autores a bordo!
Repetindo o que fizemos em 2009, vamos abrir duas seleções. Uma para blogs já estabelecidos, para pessoas que têm blogs há mais de três meses (em 10/11), e outra para pessoas que têm blogs mais novos ou que ainda não têm blogs.
Inscrições até o dia 31/10
Foto:

Exclusivo: Jornalista explica porque ainda dão trela para malucos
São Paulo – Pode parecer que em pleno ano de 2011 ainda é possível encontrar horóscopos e todo tipo de notícias bizarras em jornais, que poderiam ser desmentidas com 2 cliques no Google, mas não é por burrice que isto acontece. Nossos repórters descobriram como funciona a rede internacional de notícias envolvendo lunáticos e o que parece ser o maior plano de inclusão já promovido pela mídia.
“Pode parecer que os jornalistas e editores responsáveis por este tipo de notícia são pessoas que ligariam para serviços de ‘Trago Amado em 3 dias’, só que é proposital.”, explicou o autor anônimo de notícias de um famoso portal de internet, que descreveu a rede de médiuns e paranormais criada para gerar explicações ridículas para eventos mundanos. Segundo averiguamos, na verdade trata-se de uma grande preocupação dos veículos de notícia com aqueles que morreriam de fome se capim fosse amarelo, “Nossa intenção é não deixar ninguém de fora do que acontece pelo mundo. Se escrevemos uma notícia completa, apenas com fontes confiáveis, as camadas da sociedade com QI de ambeba seriam excluídas do que se passa.”
Assim, basta conseguir uma declaração absurda para que o fato se torne mais atraente e compreensível. Afinal, para o público alvo, é muito mais fácil a vida se originar em outro planeta, e a evolução de lá gerar um animal muito próximo de todos que temos aqui, com a mesma disposição de órgãos e mesma necessidade de temperatura e oxigênio, ele cruzar o universo em tempo hábil para chegar aqui ainda vivo, aterrizar discretamente na Terra e ficar desnorteado o suficiente para ser entrevistado, é mais provável do que uma fraude.
E parece que esta estratégia ainda tem apelo em camadas mais inteligentes da sociedade, repetindo a tática de restaurantes com cardápios com erros ortográficos grosseiros e deliberados, para que clientes se sintam melhores e gastem mais, como explicou um dos jornalistas do G1 portal: “Quem tem um mínimo de entendimento das coisas percebe que se trata de uma asneira, e se sente mais inteligente ao criticar. Conseguimos fazer até comentaristas do Youtube se sentirem gênios.”
Segundo o entrevistado, esta escola de escrita criada por tablóides ingleses no século XVIII, só foi trazida para o Brasil na década de 1950, e popularizada por grandes revistas de variedades, “A Veja, por exemplo, se tornou a maior revista em circulação no Brasil simplesmente escrevendo besteiras absurdas. O que você acha que mantém pessoas como o Datena no ar?” explicou ele, mostrando como até o Patrick poderia ser incluído ao ver TV.
Portanto, se você espera mais inteligência dos meios de notícia, entenda apenas que você não é o público alvo.
Acompanhe nosso infográfico de como notícias aparentemente estúpidas não são escritas por acaso:
Esferas Magnéticas Zen Magnets
Enquanto a pós não me deixa fôlego para escrever algo mais completo por aqui, aproveito para dar uma dica da minha terapia pelos últimos meses. As esferas magnéticas, garantia de entreter qualquer cientista – sério, o primeiro kit que comprei sumiu da minha mesa do laboratório há tempos, e volta só de vez em quando.
Comecei como quem não queria nada, e comprei um kit bem baratinho da China, com 100 bolinhas. Óbvio que depois de dois dias brincando com as bolinhas, eu queria bem mais. Depois de alguma pesquisa, descobri a Zen Magnets, que além de provar por a+b que é melhor do que as outras marcas (e são várias, de várias cores), ainda tinha o melhor preço. Acabei pagando $30 com o envio para cá em um pacote de 216 bolinhas. O preço de um kit genérico que vi em uma loja no shopping foi R$300.
Um dos melhores brinquedos que já tive. Sem prestar atenção, dá para passar horas mexendo com eles, fazendo todo tipo de formato. Enrolar a fileira completa no dedo é ter a melhor descrição de como um vírus helicoidal se forma, monômero por monômero, espontaneamente. Infelizmente, ainda me falta outro kit (a desculpa ideal) para poder formar o capsídeo clássico dos bacteriófagos, a cauda fica incompleta com 216. Perfeitos para uma aula de virologia.
Desnecessário dizer que deve ser mantido longe de crianças, basta imaginar o que acontece quando se engole duas bolinhas em tempos diferentes, e elas se encontram em partes diferentes do intestino (bom passeio pelas imagens).
Agora só me falta arrumar um kit de massinha magnética para ver o ataque do macrófago.
Update: Aqui no Brasil eles foram lançados pela Nanodots, que vende inclusive outras cores como preto e dourado, a partir de R$79.
Já temos penas em âmbar, mas ainda nada dos coelhos

Fonte: Nacho Diaz Arjona
Uma expressão bastante famosa em biologia evolutiva, atribuída a J.B.S. Haldane, é a proposta que bastava encontrarem um esqueleto de coelho em amostras de rocha do pré-cambriano para que ele deixar de acreditar na evolução. A idéia proposta é clara: e evolução é um processo tão complexo e elaborado, que basta um achado contraditório para que muito do que foi proposto seja revogado. Para que a evolução se mantenha como uma hipótese razoável e aceita, ela depende de inúmeros passos serem comprovados toda vez que encontramos algo novo.
E é exatamente isso que vem se repetindo. A edição deste mês da revista Science tem dois belos exemplos – acesso restrito a assinantes, infelizmente. Dois artigos discutindo a complexidade e possível pigmentação de penas fósseis. Um deles, o que trata da complexidade das penas e proto-penas está usando amostras conservadas em âmbar. Sim, penas de verdade, visíveis, com 70 milhões de anos.
O predicado por trás da descoberta é bastante simples. Os répteis deram origem a duas linhagens animais que transformaram a secreção de queratina da pele em estruturas úteis para isolamento térmico, proteção, comunicação e outras coisas. Um destes grupos deu origem a pêlos, e um indivíduo do gênero que perdeu boa parte deles mas ainda cultiva tufos no topo da cabeça está escrevendo este texto. Enquanto o outro grupo deu origem a penas, em um longo e tortuoso caminho que acabou com um de seus indivíduos também perdendo as penas, mas à força, e acabando no prato do almoço do supracitado dono dos tufos de pêlos. Evolution is a bitch.
Acontece que, até muito pouco tempo atrás, o único fóssil conhecido com penas era o Arqueoptérix, já bastante parecido com aves modernas. De maneira que as penas já apareciam bastante complexas em fósseis, e dando pistas para estimar sua origem. Tanto que os dinossauros do Jurassic Park foram desenhados sem elas, e estão aí para mostrar o quão velho você é, “da época em que dinossauro era pelado”.
Mais recentemente, vários fósseis muitíssimo bem preservados de dinossauros relacionados às aves modernas mostraram que eles já tinham penas. Não só tinham penas, como seus contemporâneos não relacionados à aves também foram penosos. O que quer dizer que as penas precedem as aves, e já deviam estar presentes nos répteis que deram origem a elas.

Estágios de complexidade da evolução das penas (à esquerda, A) e penas encontradas em âmbar que pertenciam ao estágio 1 (B) e 2 (C e D ampliado). Copyright e fonte: Science/AAAS.
Para explicar esta origem, foram propostos vários modelos de como elas teriam evoluído, de simples tubos a elementos cada vez mais ramificados e complexos. Eis que, um dos trabalhos deste mês (que bão vou discutir aqui pois está bem fora da minha área) mostra peças de âmbar com cerca de 70 milhões de anos, em vários destes estágios, com os mais simples presentes em animais contemporâneos aos que dariam origem às aves e já tinham penas mais complexas. Ou seja, os dinossauros e répteis próximos tinham uma grande variedade de penas, não só aquelas presentas nas aves.
Agora pense nisso: a astrologia com seus milhares de anos não consegue acertar em qual mês [valeu, @Takata] uma pessoa nasceu se baseando em sua personalidade, o que não impede que mais jornais tenham horóscopo do dia do que caderno de ciência, quem dirá caderno diário. Ja á evolução, área criada há menos de 300 anos, permite que sejam estimados que idade precisam ter fragmentos de resina de qual tipo de planta para que seja encontrado certo tipo de estrutura de um animal que morreu há 70 milhões de anos. E acerta.
Até hoje, nenhum fóssil fora de lugar apareceu. Talvez por que criacionistas estão cavando no lugar errado. Deviam tentar o terreno da Hanna-Barbera. Assim, da próxima vez que você ouvir argumentos de que a evolução não explica tudo, que macacos “ainda estão aí apesar de termos evoluído deles” – tenho a impressão de que motos foram desenvolvidas à partir de bicicletas, e as últimas também não sumiram – por favor, mostre essa imagem:
Parasite Rex com nova edição
Em março deste ano, o Carl Zimmer lançou uma nova edição de um dos livros que mais me influenciou, o Parasite Rex, com um novo epílogo. Para promover o livro, ele prometeu enviar uma book plate (não sei como traduzir o termo) autografada para quem enviasse uma foto do livro. Eu fui duplamente descarado, coisa de fã, e além de demorar até agora para enviar a foto, ainda pedi para ele autografar o livro (dentro da minha resolução de manter apenas livros que: não têm versão digital; ou são muito melhores em versão impressa; ou estão autografados).
O resultado é este acima, um Parasite Rex novinho, para fazer companhia ao Livro de Ouro da Evolução, ao Microcosm (sendo lido pela minha H. Pylori de estimação), e o mais recente A Planet of Viruses (que só vou ler depois de terminar alguns projetos pessoais, por enquanto quem está lendo é o egocêntrico do HIV).

Como a cópia antiga não se encaixa na minha nova resolução, resolvi sorteá-la para os leitores, junto da book plate autografada que recebi, em uma tentativa de compensar pela falta de postagem. Ela está em um estado razoável de conservação, com uma marca no canto da capa e um risco preto, que não sei de onde surgiu, embaixo (pode ser visto na primeira foto). Trata-se do livro que mudou a forma como eu encarava os parasitas, de ciclos intermináveis com nomes inúteis a um dos principais tipos de organimos em termos ecológicos e evolutivos. Não preciso dizer que é em inglês, né?
Para participar, basta deixar um comentário ou twittar o link deste post, descrevendo qual seu parasita favorito e porque, e dia 19 deste mês vou sortear pelo random.org o ganhador. Pode ser qualquer tipo de parasita, real ou fictício, nojento ou fofinho (bebês também contam). Entrarei em contato pelo e-mail do comentário ou conta do Twitter para pedir o endereço de envio.
[atualização] Sorteio feito!
E quem ganhou foi a Sarah Cantarino, que elegeu o DNA manipulador. Em breve ela deve receber um e-mail pedindo o endereço, e pedindo uma foto para postar aqui assim que o livro chegar. Parabéns Sarah, boa leitura!
ScienceBlogs de cara nova

Para todos os assinantes do feed e aqueles que ainda não acessaram o site entre domingo de madrugada e segunda de manhã, aqui vai o convite:
Estamos de cara e plataforma nova, completando três anos desde nosso lançamento como Lablogatórios, e 2 anos e meio de ScienceBlogs Brasil. E, logo mais, devemos ter novos blogueiros em nossa vizinhança.



























