CO2, todo mundo emite

Imagine a vida que você leva. Chega do trabalho, acende as luzes da sua casa, vai tomar um banho de 8 minutos. Usa o fogão à gás para fazer sua comida (hoje tem bife acebolado!!!), ou, se já está pronta, usa o microondas para esquentá-la. Senta em frente à televisão, assiste algum telejornal e depois um filme. Desliga tudo e vai dormir (mas a TV, o DVD ficam em stand-by). O reloginho do microondas também permanece aceso.
No dia seguinte acorda, toma um café da manhã rápido e vai para o trabalho (25 minutos de carro). Liga seu computador e acelera o serviço até a hora do almoço. Aproveita e manda imprimir os últimos relatórios (mas imprimir usando a frente e o verso das folhas de papel vai consumir o dobro do tempo). Como o almoço é rápidinho, não vale a pena desligar o computador, então ele fica ligado. Ás vezes nem o monitor a gente se lembra de desligar. Mais meia jornada de trabalho e é hora de voltar pra casa (mais 25 minutos de carro) e o ciclo recomeça.
No feriado prolongado, nada como uma viagenzinha. Nem que seja pra ir só até o litoral. 6 horas, por causa do congestionamento. Carro ligado, motor esquentando, o combustível queimando. Chega na praia exausto, mas vai pra areia beber uma cervejinha gelada e comer uns petiscos. No final do dia recolhe as latinhas, a garrafa PET, os plásticos e papés dos petiscos, põe tudo na lixeira e vai pra pousada. Final de semana perfeito. 6 horas pra voltar pra casa. Maldito congestionamento.
Nesta vida simples, sem viagens de avião e considerando que a maior parte da energia elétrica que chega na nossa casa é renovável (vindo das hidreléticas), você, sozinho, terá emitido pelo menos 4 toneladas de carbono em um ano. E isso é só a média de quem vive em grandes centros urbanos no Brasil. A média nacional era de 0,5 toneladas CO2/ano em 1994 e passou para 1,6 toneladas CO2/ano em 2003.
Isso tudo sem contar o consumo das empresas, que também adiciona muitas toneladas neste cálculo pessoal, das quais somos indiretamente responsáveis.
Mas de onde vem este carbono todo?
Nossa emissão pessoal é resultado do consumo direto de luz e combustíveis, e do consumo indireto de fertilizantes e agrotóxicos que vão pros nossos vegetais, do metano liberado pelos animais (de onde tiramos carnes, leites e derivados), da energia gasta para produzir as embalagens de papel e plástico que protegem a comida que compramos, da enegia gasta para produzir nossas roupas, sapatos.
Acrescente a isso a energia gasta para construir e manter patrimônio público (escolas, hospitais, prédios do governos, bibliotecas públicas, museus, estações de trem e metrô etc.), o banco e os caixas eletrônicos, o supermecado, a usina hidrelétrica e todo metano que foi liberado do alagamento de áreas verdes onde agora está a represa. A lista é grande e não pára por aqui. E isso porque nem somos grandes poluidores (lembre-se que a média de carbono emitido por um americano é 20 toneladas de carbono por ano – bem maior que a média brasileira).
Basicamente, tudo que fazemos dentro de casa e dentro de uma cidade geram, direta ou indiretamente, gases do efeito estufa. Somos 6 bilhões de seres humanos na Terra, todos lançando toneladas de gases do efeito estufa na atmosfera todos os anos. E este é o custo ambiental de estarmos vivos.

Diminuir nossas emissões
nem é tão difícil assim. E depois, quando não há mais nada que possa ser reduzido, vale a pena pensar em projetos para neutralizar o carbono restante. O nosso rastro de carbono será bem menor, a um custo bem baixo. E isso sem pensar no que os governos e as empresas podem fazer. No fim, é possível passar por aqui e deixar nossa pegada. E ela nem precisa ser de carbono.

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Discussão - 9 comentários

  1. […] você pode ver, todo mundo emite CO2, como a @thanuci bem listou em seu post sobre o tema, nossa emissão pessoal é resultado do consumo direto de luz e combustíveis,  do consumo […]

  2. Marina Maia disse:

    Paula,primeiramente parabéns pela postagem.
    Estamos fazendo uma iniciação cientifica sobre neutralização de CO2,gostariamos de saber se vocÊ tem mais alguma informação para nos passar.
    Desde já obrigada !!

  3. Que bom que você gostou Emilyn!
    Bj pra vc tb

  4. emilyn disse:

    Olá, eu li o testo e ele está até na mina aposila de biolgia, tive que fazer resumo e responder uma questões um pouco dificeis, mais gostei ele retrata bem o dia-a-dia de muitos, e é uma ótima demonstração de como o CO2 é emitido.Muitissimo obrigada pelo exclaressimeto bjss.

  5. Precisamos reduzir a utilização de petróleo e as queimadas das florestas, inicialmente. O Brasil tem que reduzir o preço do Etanol e manter o da gasolina e diesel onde está. A chave de tudo está na valoração das comodities. Enquanto o capitalismo existir, as mudanças virão através do valor econômico. Por exemplo: aumentar o ICM’s da gasolina e diminuir, ou zerar o do etanol. (Lembrando que as queimadas na colheita da cana tem que terminar, mas será que a única saída é a mecanização ? Os trabalhadores que colhem irão trabalhar aonde ?)
    Muito bom texto. Parabéns !
    MEIO AMBIENTE RIO DE JANEIRO Newton Almeida
    http://www.limpezariomeriti.blogspot.com

  6. luiza souza disse:

    queria uma ajuda se possivel..
    preciso fazer um trabalho pra escola e é a respeito de quanto uma casa gasta de co2 em media.
    e quanto cada eletrodomestico gasta em media tbm..
    se puderem me ajudar..=)

  7. Marcelo - BlogDrops disse:

    Investimentos corretos? como por exemplo o que? (cara chato né! adoro fazer perguntas…hauhauha)Então, feriado é complicado mesmo…ahuauhauh..mas quando der passe lá no BlogDrops, posso colocar uma referencia lá para o Rastro de Carbono?Nesse feriado estava viajando, fui para o interior do paraná (minha cidade natal) e vi uma coisa que realmente me fez parar para pensar…percebi que aqui na cidade grande, as pessoas não têm dimensão da gravidade do problema do aquecimento global; enfim, em todo o caminho até lá (curitiba -> maringá) na beira da estrada há muuuuitas árvores secas, sério mesmo, antes era tudo verde, agora tá tudo seco e feio… lá no interior então, era só gente reclamando da seca que estava por lá, plantações não resistindo… muito triste mesmo… acho que se a humanidade não se mobilizar, vai dar cácáquinha como diria minha priminha =(

  8. Paula Signorini disse:

    A gente pode neutralizar plantando árvores. (Veja minha postagem sobre neutralização de carbono). A idéia é retirar da atmosfera a maior quantidade de CO2 possível e as plantas fazem isso com maestria. Mas todos os cálculos feitos pra isso usam uma árvore hipotética que deve viver por no mínimo 20 anos… Difícil né? E não dá pra neutralizar tudo, ou não vai ter espaço no mundo pra tanta árvore…A emissão ideal segundo os especialistas do IPCC é tentarmos voltar para o nível de emissões que tínhamos em 1990. Não sei qual seria a emissão per capita/por país ideal, mas voltar ao nível de 1990 significa cortar em quase 70% tudo que (mundialmente) emitimos hoje. Dureza, mas absolutamente possível com investimentos corretos!Valeu pelas perguntas!

  9. Marcelo - BlogDrops disse:

    Olá, muito bom o blog =)conscientização é a palavra chave né… mas nossa, caramba… de 0,5 t/ano pra 1,6 t/ano…powww…pequeno salto..heheheagora imagina no setor que trabalho (informática); por exemplo, aqui na empresa, mantemos oS (8 em funcionamento atualmente) servidores ligados 24Hrs, mais ar-condicionado todo tempo também! powww…só fiquei com uma dúvida, duas na verdade; como se neutraliza o CO2? e qual seria o nível de emissão “ideal”?

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