Estou aqui acompanhando a Campus Party de longe. Ano passado, pude acompanhar várias discussões de perto, pude conhecer pessoas que eu já acompanhava em blogs, comecei a acompanhar blogs que não conhecia. Posso dizer, sem exagerar, que a Campus Party do ano passado me tornou mais blogueira do que eu era antes. Mas, a Campus Party é mais do que network.
A Campus Party é um evento, promovido por uma empresa e deve ser analisado como uma empresa mais do que como um lugar que reune pessoas. Falar da Campus Party deve passar por avaliações de estrutura, organização, logistica & pessoas. E, de longe, só posso analisar o que consigo recolher pela internet. E, como esse blog é um blog sobre meio ambiente e sustentabilidade, a parte que me cabe neste latifúndio é falar sobre isso.
Ano passado, a Campus Party tinha um péssimo gerenciamento de lixo. Não houve o menor cuidado em separar lixo orgânico de lixo reciclável (sendo que a maior parte do lixo produzido pelos campuseiros era e ainda deve ser, de embalagens e copos plásticos). Fora que prometeu certo plantio de uma árvore para cada participante do evento (o que daria 3000 árvores só contando os campuseiros) e não cumpriu a promessa.
Este ano, a Campus Party resolveu esquecer que pode ser sustentável e resolveu deixar o "verde" de seu "campus" voltado exclusivamente para uma seção de conteúdos bastante complexa (mais fácil, né?). Nela pretende-se discutir pontos de união da economia, das tecnologias aplicadas às Ciências e das tecnologias que estão sendo desenvolvidas para melhorar a eficiência energética dos produtos, as novidades para produção de energia elétrica e o uso de novos conhecimentos tecnológicos para resolução de problemas ambientais. A coleta de lixo, entretanto, pelo que pude ler pelo twitter, não parece estar melhor.
Tratando-se de um evento promovido por uma empresa (e financiado por várias outras) eu esperava maior coerência. Afinal, só falar em tecnologias e ações verdes mas não aplicá-las em seu próprio espaço é absolutamente contraditório. Ou não? Onde está de fato o "verde" do Campus Party?
Imagina que esse blog aqui é escrito por uma pessoa que não se preocupa nem um pouco com suas ações e na realidade não se importa com o meio ambiente. No mínimo iriam dizer que esse blog não tem credibilidade, e, aos poucos, as visitas minguariam até se resumirem a umas parcas visitas direcionadas. E com um evento do tamanho do Campus Party? O que acontece? As pessoas deixam de ir nesse evento mesmo sabendo que ele está estruturado numa área de reserva de Mata Atlântica? Mesmo sabendo que sua postura verde não passa de um blá blá blá de conteúdo para inglês ver? Mesmo sabendo que a promessa do ano passado, sobre plantio de árvores, não foi cumprida? E aí? Como fica?
Espero que as próximas discussões do Campus Verde tragam à tona as discussões da sustentabilidade do evento. Esse é um texto que busca chamar os campuseiros para uma discussão mais profunda sobre a sustentabilidade do evento. É um manifesto contra o "parecer" mas "não ser" verde. É um chamado para os palestrantes da área de conteúdo do Campus Verde. Bora discutir?
Cada ação e cada escolha que fazemos, gera uma pegada de carbono. Isso
significa que ao longo do nosso dia deixamos para trás um rastro. Como
deixá-lo mais "verde"? Vamos tentar juntos?
Mulher, bióloga, editora, divulgadora de Ciências, paulista, Paula.

Comments (19)
E soube pelo twitter hj q serviram tubarao para os milhares de campuseiros. Nada poderia passar mais longe de verde e ecoconsciente para mim q isso. Teoria e pratica nao encaixam na equacao do Campus Verde assim.
Posted by: Lucia Malla | janeiro 21, 2009 3:11 AM