Porque livro bom é livro livre

Livro bom é livro livre. A gente lê, armazena a informação interessante para nós, e passa pra frente. Alguém que não pode comprar livros novos (porque são caros) lê e armazena as mesmas informações que você, ou outras, que lhe parecem mais interessantes e passa pra frente de novo. Considerando que você goste de livros de papel (e não ebooks), bibliotecas públicas são fantásticas exatamente porque é possível ler praticamente qualquer livro sem ter que comprá-lo. Sebos são sensacionais para achar aquela edição antiga daquele livro que ninguém publica mais. Trocar, reutilizar, compartilhar, dividir. Tão legal e sustentável num mundo de tanta compra.
Eu estava há tempos com os livros para serem reutilizados em uma caixa lá em casa. Alguns amigos que foram me visitar nesse período saíram com exemplares pra eles, mas ainda assim sobraram livros. A semana passada resolvi que deveria libertá-los de uma vez por todas. São livros legais, que eu li, gostei, mas dificilmente vou ler de novo – OK… tem uns que eu não gostei… e esses eu não vou ler de novo mesmo.
Pensei em levar a um sebo, tentar vender ou conseguir créditos para pegar outros livros no sebo mesmo, mas só de pensar em carregar aquele monte de livros para algum lugar (não tem nenhum sebo perto de casa então havia necessidade de uma certa logística), desisti.
Tentei anunciar no Twitter, num esquema “dê seu lance, não precisa ser muito” mas não consegui nenhuma resposta.
Tentei registrá-los no site Estante Virtual mas descobri que só pessoas com CNPJ podem vender [UPDATE] – o Luiz Bento, nos comentários, diz que ele já cadastrou livros pra vender sem CNPJ, eu que não consegui/procurei direito [/UPDATE], embora qualquer um possa comprar – e de fato é uma excelente alternativa. Já comprei livros através da Estante Virtual e fiquem bem feliz!
estantevirtual.png
Pensei também em libertá-los num esquema mais “libertatório” ainda, mas a verdade é que ainda não me acostumei bem com essa ideia e por isso fiquei meio triste e me achei extremamente “loser” “conservadora”. Um dia, quando eu for grande, vou tentar deixar um livro ao relento, sujeito a ventos, chuvas e trovoadas, coco de pombos e afins. (Embora de fato eu acredite que alguém vai achar e salvar o livro bem antes de qualquer um desses problemas de origem natural).
livrolivre.png
Qual a solução? Doar para uma biblioteca pública me ocorreu, mas me lembrei da logística associada ao sebo e também desisti. Tem uma escola pública DO LADO de casa, mas nenhum dos livros é exatamente literatura infantil ou infanto-juvenil. Tem livros em inglês, por exemplo, mas não são para iniciantes nos estudos da língua estrangeira, então também não adiantaria levar pra escola de inglês DO OUTRO LADO de casa.
Resolvi olhar o site Trocando Livros. Me pareceu uma alternativa interessante. Eu registro o livro, alguém escolhe, eu envio e pago a taxa de envio e ganho um ponto se for uma boa garota. O ponto serve pra eu escolher o livro que alguém registrou.
trocandolivros.png
Sexta feira (menos de uma semana antes de ter registrado os livros) ganhei meu primeiro ponto no Trocandolivros. Recebi o pedido, embrulhei o livro, paguei R$ 3,80 para enviá-lo ao Paraná e agora, com o meu ponto posso escolher qualquer livro – que eu de fato desejo que esteja em um estado de conservação tão bom quanto estava o que eu mandei. Gostei. Gostei muito. Essa alternativa me serviu muito muito bem.
E aí? Aposto que tem livros pra você libertar na sua casa. Escolha seu método e liberte-o. Livro bom é livro livre!
_________________________________________________
Alternativa para os livros de papel:
Domínio Público

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Discussão - 29 comentários

  1. suh disse:

    Li um mto bom tmb que chama A Ordem é Amém de John Chelh é ótimo daqueles que da gosto de ler uma história surpreendente e emocionante nota 10!!
    leiam vc vão gostar!!
    eu o achei no site: http://www.seteseveneditora.com.br

  2. Soraya!
    Que bom que gostou! Só posso pedir que atenda ao pedido dos seus livros! Liberte-os e boa sorte!

  3. Soraya disse:

    Paula, encontrei seu post por acaso, mas adorei de montão o que escreveu; e os comentários também. Principalmente porque encontrei um monte de pessoas que adora livros, mas entende que eles precisam ser compartilhados. Sou muuuuito apegada aos meus livros, mas tá na hora de libertá-los! 🙂
    Adorei todas as dicas de como libertar os livros… Eles estão me pedindo isso querem conhecer outras pessoas. 😀

  4. Alessandra disse:

    Eu tive que mudar e fiquei em casa com vários livros para doar. Dei para uma ex-orientanda sem grana. Mesmo assim, ela não levou todos. Daí, resolvi doar para uma biblioteca pública os outros [eram de literatura e amenidades]. Receberam numa boa.

  5. A Clau Chow, do blog Ecodesenvolvimento, disse que já recebeu dois livros sem problemas! Quando eu receber o meu (que eu ainda não pedi) eu te conto! Mas acho que as pessoas que usam o Trocando Livros são do bem…

  6. Daniel M. S. disse:

    Pergunta pro pessoal que já usou o trocando livros. O serviço funciona mesmo certinho? Os livros não vem em mau-estado?
    Porque eu fico meio assim de usar já que não tem como saber bem como tá o livro…

  7. Oi Chloe! Bom… os meus livros bons mesmo, aqueles que eu consulto sempre ou tenho saudades de ler de novo, esses ficam em casa também. Mas não tenho o costume de fazer anotações, não! Ultimamente o que eu tenho feito é colar pedacinhos de post-its, mas, pra não gastar muito post-it faço fitinhas bem finas. Tem que ter uma paciência de Jó, fato, mas eu não me importo – e também não espero que outras pessoas façam o mesmo rsrsrsrs
    Acho que por uma questão de criação tradicional, acho que escrever em livro é meio “pecado”, sabe? rsrsrsrsrs Coisa boba a minha!

  8. Valeu Brudna!
    Que bom saber que tem um montão de opções pras pessoas libertarem seus livros, né? Legal que esse é internacional, então eu imagino que dê pra conseguir obras que geralmente não tem aqui no Brasil!

  9. Oi Ricardo!
    Então… “um lugar acessível” é tipo um armário onde as pessoas (qualquer do mundo que tem o software) podem achar e achar os livros? Ou é um “clubinho” para pessoas restritas? Ou o “lugar acessível” é o banco de uma praça?
    Explica melhor que eu gostei!
    Abraço

  10. Claudia Chow disse:

    @Karl e @Paula já enviei 3 livros e recebi 2 no trocando livros, nao tem erro, ainda tô com um credito lá pois nao estou dando conta de ler todos q tem na minha pilha…

  11. Há uma outra solução muito interessante que estou tentando aplicar no laboratório onde trabalho: a biblioteca livre. Coloque num local acessível os livros que você quer liberar e cadastre-os no free library. Como é software livre, você pode instalar um seu e customizar para suas necessidades, é o que estou fazendo aqui.
    As pessoas assim podem buscar pelos livros, emprestá-los, reserva-los. E tudo isso sem você ter que se preocupar com nada. Apenas tendo a certeza de que os livros estão livres.
    Essa é a biblioteca do criador do software: http://edmonton.freelibrary.ca/ Em breve coloco a do laboratório no ar. E a minha própria, assim que possível.

  12. Chloe disse:

    Olá a todos,
    também gosto da idéia de passar os livros adiante.
    Mas não aqueles que mais gosto : |
    Até porque, estes estão bem rabiscados.
    Sou daquelas que não consegue ler sem um lápis ou um marca texto.
    Meus livros preferidos têm grifos, estrelinhas e flechinhas por todas as páginas. : |
    E sempre consulto para alguma citação posterior ou para lembrar de uma idéia.
    ( )’s.
    C.

  13. Luis Brudna disse:

    Tem o Bookcrossing.com
    O BC é bem interessante. Estou lendo (bem lentamente) um livro do Oliver Sacks que consegui pelo BC (gratuitamente, só vou ter que repassar pelo correio pra alguém).
    Tem o BC Brasil (site de apoio)
    http://www.bookcrossing.com.br

  14. Sibele disse:

    Puxa, Igor! Isso é que é desapego!

  15. Igor Santos disse:

    Eu fiz algo parecido com esse “livro livre”.
    Quando vinha voltando de vez para o Brasil e não tinha como carregar todos os livros que comprei lá fora, todo dia eu saia de casa com um livro (com FREE BOOK escrito na capa) e o deixava num banco de parque ou parada de bonde.
    Ainda trouxe alguns comigo no avião e fui deixando pelos aeroportos (tive que passar por cinco até chegar em casa).
    Foi uma experiência interessante. Espero que quem os tenha achado tenha gostado.

  16. Sibele disse:

    Rsrsrs… é verdade…

  17. Ah… o projeto da livraria tava bom demais pra ser verdade…

  18. Sibele disse:

    Ah, mas esse projeto da Livraria Cultura não é para doação de livros usados… Funciona assim: você escolhe uma cidade no site para a doação, e seleciona um ou mais livros numa listagem prévia da própria Livraria Cultura. Você compra esses livros, que a Cultura se encarrega de enviá-los às instituições escolhidas.
    A Cultura reverte parte do valor total doado em mais exemplares para cada uma das bibliotecas adotadas.
    Já para doação de livro usado, no site da Secretaria da Cultura há uma relação de endereços para entrega de livros.
    http://www.cultura.sp.gov.br
    Mas não resolve o problema de logística…:(

  19. Que legal esse projeto, hein? Esse eu não conhecia…

  20. Sibele disse:

    Adorei esse post, Paula!!! 🙂
    Uma outra opção é o Projeto Adote Biblioteca, da Livraria Cultura em parceria com a Secretaria Estadual de Cultura, que permite que qualquer um possa doar um livro para a biblioteca estadual de uma cidade de IDH baixo do Estado de São Paulo escolhida no site do projeto.
    Projeto Adote Biblioteca
    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/projeto_biblioteca
    E sem problemas de logística: a Livraria Cultura cuida do transporte!

  21. Joey Salgado disse:

    Putz, concordo com @Karl… Livro meu é meu livro e só meu! Hehe!
    Mas usarei da Força para transpor essa barreira!

  22. Uia! Eu tinha a impressão que já tinha tentado fazer isso mas sem sucesso. Será que eles mudaram? De qualquer maneira vou fazer um update no post. E vc já vendeu algum livro?

  23. Luiz Bento disse:

    Não fiz nada de especial. Só me cadastrei e coloquei os livros 🙂

  24. Bom, Karl… eu pensei que alguém também vai ter que pagar para enviar um livro pra mim, então fica tudo no zero a zero!
    Desapego, Karl, desapego…

  25. Karl disse:

    Eu fiz o cadastro e quando descobri que tinha que pagar o envio, afinei!. Vou esperar você receber o seu e começar de novo, hehe. Mas vou ter dificuldades: sou muito ciumento com meus livros.

  26. Ow Luiz!
    Me ensina como faz? Eu não achei não…
    Valeu!

  27. Luiz Bento disse:

    Boa coletânea de ideias Paula. Só um detalhe, já vendi vários livros no Estante Virtual. Não precisa de CNPJ não. Acho que o Osame vende bastante livros por lá também…

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