Tem cachoeira? Tem sim senhor!

—- Bem me diziam que a terra

se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.

[…]

Mas não avisto ninguém,
só folhas de cana fina
somente ali à distância
aquele bueiro de usina
somente naquela várzea
um bangüê velho em ruína.

Trecho de Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Porto de Galinhas é um distrito da cidade de Ipojuca/PE. Ipojuca, do tupi-guarani Iapajuque (Água escura), fica a apenas 57 Km de Recife e tem o município de Escada como cidade vizinha.

Segundo o Guia Quatro Rodas, de Porto de Galinhas à Escada são 42 Km e cerca de uma hora de viagem. Diga-se de passagem, 42 Km de estradas federais e estaduais, canaviais e canaviais, usinas, estrada de terra e cachoeiras.

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Caminho para Escada

Em Escada, seguindo o Rio Ipojuca, várias cachoeiras podem ser interessantes pontos de visitas, como a Cachoeira do Urubu, a Cachoeira da Purificação e a Cachoeira do Convento. Para chegar a elas, recomenda-se a contratação de um jipeiro, que pode ser feita nos próprios hotéis em Porto de Galinhas.

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Cachoeira do Urubu

Na Cachoeira do Convento fica o Restaurante Moquém, onde delicia-se com a excelente culinária típica nordestina, como o Baião de Dois e Bolinhos de Aipim. Vale muito a pena. A comida acompanha excelente forró nordestino e uma vista belíssima para a cachoeira.

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Cachoeira do convento

No caminho para as cachoeiras, prepare-se para ver casas extremamente simples e trabalhadores do corte da cana. Espere para ver crianças crescendo peladas no chão de terra e crianças pedindo por moedas, canetas ou qualquer outra coisa que você esteja carregando. Aguarde para ver quilômetros e quilômetros de cana, sinais de fumaça da queima da colheira ou das chaminés das usinas. Espere para ver o que 500 anos de colonização fizeram a mata da zona da mata, transformando-a em zona da cana.

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Discussão - 6 comentários

  1. kleiton disse:

    essas cachoeiras ficam no município de Primavera-PE!!!

    Sou residente da cidade!!

    A cidade da escada é apenas nossa vizinha, mas em seu território não existe nenhuma cachoeira.

  2. Obrigada pelas novas informações Zaldo!

  3. Parabenizo a colega paulista por este espaço de discussão a respeito de um futuro melhor para todos nós. Eu de Fortaleza, tento fazer minha parte. Meu Blog é http://www.greenbuildingbrasil.com
    A cachoira do Urubu e a do Covento fazem parte do meu amado município Natal de Primavera, antiga Vila de Caracituba, a qual teve origem como vila dos trabalhadores da cana-de açucar.
    Hoje em dia a cidade tem uma grande oportunidade de geração de emprego e renda através do turismo, atividade que é incentivada pelo município, porém ainda pouco divulgada.
    Preservar é também procurar novas oportunidades.

  4. Leandro Democh disse:

    É… levando em conta que o primeiro Parque Nacional foi fundado em 1872 e que o “pensamento” de práticas que impedissem maiores impactos é oriundo do smog londrino de 1952 (logicamente levou alguns milhares à morte para haver o start), esse zoneamento é pré-histórico no que diz respeito às burocracias ecológicas.
    Até mesmo que hoje há remanejo cultural – quando não há alternativa viável economicamente que auxilie o povo a permanecer no local – e há pelo menos um grande investimento – logicamente obrigatório – que auxilia nos inventários de fauna e até mesmo na realocação de animais “ilhados” – assim como pode haver pressões sobre alguns “detalhes” que prejudiquem irremediavelmente o andamento do empreendimento.
    Mesmo que muito permaneça apenas no papél, muito é feito se comparado com essa data.
    Agora há uma prevenção sobre o patrimônio – que impede que, por exemplo, o relevo cárstico e de povos em estado de sensibilidade socioeconômica sejam explorados -, mas nada impede que, perdendo-se em burocracias e politicagens, tudo seja negado (repetindo tudo o que ouvira nas aulas de AIA, né?).
    E esse detalhe sobre o nome de “Porto de Galinhas” é ligeiramente macabro. Já havia pensado do “por quê”, mas passei longe dessa verdade…

  5. Poxa Leandro… só posso é mandar muita força para você, que está do lado dos documentos que fazem as leis. E se é assim desse lado, que supostamente é o lado que tem poder para barrar o desmatamento, desse lado de cá só posso ficar com dedos alertas para escrever.
    O zoneamento do litoral Pernambucano foi feito a tempos, 1560 segundo consta. Começou com a expulsão dos índios Caetés e outras tribos menores. Depois, derrubada da mata nativa e início do plantio da cana, com ajuda das “galinhas” – como eram chamados os escravos africanos ao porto de Porto de Galinhas. Atualmente, ainda com a indústria canavieira em alta, uma tentativa de trocar a economia da cidade quase que exclusiva da indústria da cana por uma economia baseada em turismo.
    A diferença que vejo entre o litoral de Pernambuco e o Cerrado é que, em Pernambuco, a alternativa é o reflorestamento enquanto que no Cerrado, a alternativa é o não-plantio, o não-desmatamento. Pena que muitos brasileiros ainda tem a mentalidade dos colonizadores de 1560…

  6. Leandro Democh disse:

    Triste é imaginar que estas áreas não foram zoneadas apenas por conveniência “social”…
    A mais desprezível cláusula de impacto significativo é a consideração humana que soa hilária ou, no mínimo, mal interpretada – não que eu seja contrário à conservação de sítios arqueológicos e preservação de culturas, mas que a importância é demasiada (a saber: lucrativa!) ou meramente negada quando não é de caráter “significativo” (ou seja, não há interesse ou simplesmente se desconhece).
    Não repare o tom agressivo, mas estou do Bioma Canavial – denominação hodierna do antigo Bioma Cerrado – e, auxiliando num EIA cá, cada vez mais me mordo ao ver matas intocadas cercadas por horizontes infindáveis de cana e pó (ou ainda soja ou milho ou pasto)…
    Interessante ainda a modernidade da obra de 1966 – como se fosse escrita ontem para hoje!
    Abraço!

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