A reconstrução do tempo

Há vários dias quero escrever sobre como anda minha percepção do tempo – principalmente nas grandes cidades – nos dias atuais. Tudo começou com uma reflexão em um feriado qualquer: ir ou não a um aniversário na quinta feira a noite do outro lado da cidade. Aniversário, boca livre, encontro com a família estavam de um lado. Caos, trânsito, estresse de congestionamento pré-feriado, do outro.

Ganhou, claro, o “vou ficar em casa”. Poxa vida… marcar aniversário numa quinta-feira a noite pré-feriado é muito ruim e muita sacanagem. E, depois da reflexão, votei que era um desrespeito enorme com as pessoas. Todas. As convidadas e as anfitriãs. 

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Relógio astronômico de Praga. Flicrk, crédito de simpologist.

Em outro feriado qualquer, festa em outra cidade. Quando? No domingo à noite, volta de outro feriado. Trânsito, trânsito. Caos. Litros de combustível queimados para ficar parado. Estresse. Nem preciso dizer que ganhou, de novo, o “vou ficar em casa”, né? Gente… não dá. Temos que nos readaptar às novas realidades do mundo. Temos um mol de carros das ruas, não vamos acabar com todos eles amanhã, o IPI continua baixo, o que só significará mais carros nas ruas. No caos das preparações pré e pós-feriado, até os transportes públicos são caóticos. E, nas duas condições acima, ir de bicicleta, a pé, de patins, estava absolutamente fora de cogitação.

Dia de semana. Reunião de trabalho. Nada mais justo, necessário e digno sair para uma reunião de trabalho. Hora marcada: 17:00 hs. Eu fico mesmo pensando se temos o direito de entrar em contato com quem marcou a reunião e dizer: “Amigo, pelamordedeus, não dá pra ser mais cedo? Sabe, é que, se locomover em São Paulo às 17:00 horas é um caos. E as 18:30 horas, estimado para o fim da reunião, é pior ainda.” 

Óbvio, que não pude me aguentar e entrei em contato. Vai que… né? Ainda bem que eram pessoas que entendem a lógica do trânsito e toparam adequar o horário. Aperta agenda daqui, aperta dali. Remarca um telefonema internacional, pede licençinha pra atender um telefonema durante a reunião. Nada disso, mesmo, me incomoda mais do que ficar horas no trânsito. Nada.

Sinto, de verdade, que o aniversário, a festa, a reunião, e tantos outros eventos que convidamos e somos conviados diariamente, não são marcados para “sacanear” com as pessoas. Definitivamente não são. Mas, me intriga o fato de ainda não termos nos dado conta – eu inclusive – de que alguns horários não são mais praticáveis, não são mais saudáveis.

Vai ser difícil se adequar aos limites temporais dos próximos tempos? Sem dúvidas. Mas eu vou tentar.

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Discussão - 12 comentários

  1. Rafael,
    De fato, há tempos não te lia por aqui!!!
    Então… pra mim o problema não está em falar, debater, argumentar – muito pelo contrário! Quem me conhece sabe que acho que todo mundo tem que falar sobre TUDO desse assunto. O caso específico aqui é que o jornalista também não trouxe à tona discussões importantes. Só falou (e errado) sobre o que todo mundo fala. “Nadar contra a correnteza” como vc escreve é ótimo e sou muito favorável a opiniões contrárias – DESDE QUE argumentadas – e não é isso que vejo Mainardi ou Molion trazerem, o que é uma pena pois acho de verdade que eles seriam ótimos e trariam discussões fantástiscas apresentando textos com argumentos contrários ao da maioria das pessoas.
    Depois… meteorologistas não são climatologistas. Cuidado para não cair no mesmo erro que Mainardi.
    Agora… sobre agir de forma sustentável. Ainda tô pra ver alguma esfera governamental agir de fato sustentavelmente em TODOS os setores. Nem federal, nem estadual, nem municipal fazem isso… infelizmente…
    Não conheço o livro, vou procurar sobre : )
    Abraços!

  2. Rafael Tadeu disse:

    Opa
    …vi um post no Blog do Tiago Dória to loko pra comprar …
    Devagar – Carl Honoré
    http://www.submarino.com.br/produto/1/837319
    Sabe o que é pior , vendo a Globo News um dia um convidado do Willian Wack falou uma coisa interessante, o governo atua de forma sustentavel a nivel federal mas a nivel municipal quem leva vantagem sao as empreiteras , empresas de onibus e tal …metro por exemplo aki em bh ?? dia de sao nunca …
    Mobilidade Zero ..o tempo a mil por hora …

  3. Sibele disse:

    Disse tudo, Paula! O grande problema do planejamento urbano de São Paulo é político, mesmo! O alcaide de plantão sempre quer deixar sua marca, não importa se esquecendo, apagando ou atropelando mesmo o que o anterior realizou…

  4. Eu fico bastante incomodada com o nossos “comodismo cidadão”. E, quando resolvemos adotar uma postura mais ativa, geralmente somos duramente criticados pela imprensa e pela “opinião pública” – fora o governo.
    Mas, me encaixo perfeitamente no “cidadão acomodado” muitas vezes.
    Re-estruturação das cidades é algo absolutamente urgente. Eu vejo aqui em São Paulo. O governo municipal anterior investiu muito dinheiro em corredores de ônibus, para agilizar o transporte público. Esse governo atual, quer investir em monotrilhos (fora o aumento das marginais, que não sei onde vão parar desse jeito) – e o projeto anterior foi meio “esquecido”. O próximo governo, certamente vai encontrar seu próprio caminho para “ajudar” – e nessas, um planejamento urbano a longo prazo fica inexistente. É uma pena que os interesses políticos sejam maiores que os interesses urbanos – e o planejamento urbano que deveria ser nesse momento prioridade máxima, fica em segundo plano.

  5. Diego Casaes disse:

    Yo, Paula! Curiosamente essa é a primeira vez que comento algo seu blog, apesar de ler há bastante tempo e te acompanhar no Twitter.
    Essa questão do tempo é realmente bastante preocupante. Passei alguns dias em São Paulo em novembro e é incrível como as distâncias desanimam as pessoas por aí. Eu particularmente gostei do pouco que vi, mas, frisando nisso, eu vi pouco, muito pouco de São Paulo.
    De fato, as pessoas não mais pensam nos horários e no trânsito quando marcam compromissos, e parece até que o fazem dessa maneira para nos irritar =P Uma re-estruturação das cidades é necessária, mas até que ponto as pessoas estão conscientes disso? Afinal, para muitos “a vida é assim” ou “o que eu fizer não vai ter diferença”.

  6. Opa!!! É um convite oficial? To fazendo as mala a-g-o-r-a! rsrsrs

  7. yuri disse:

    Concordo com a Cláudia. O negócio é vocês virem fazer ciência aqui em Fortaleza.

  8. Paula disse:

    Roberto! Preciso me mudar para São Carlos!
    Clau! Eu adoraria isso também. Mais imagino o caos da logística – inclusive em termos de distribuição de produtos depois.

  9. Claudia Chow disse:

    O nome disso é São Paulo! Essa cidade é inviável! Sou totalmente a favor de uma campanha para q as empresas abram seus escritorios em outros lugares, SP nao dá mais e parece que todo mundo fica querendo insistir na mesma tecla. Outro dia uma amiga minha falou, nao adianta aumentar o numero de onibus se nao aumentar o numero de pontos de onibus e se nao aumentar as ruas, vai ficar td parado mesmo… Existe um limite e as pessoas insistem em ignorar isso.

  10. Paula,
    Neste caso, a percepção de tempo é quase Einstieniana, uma vez que você deve perceber o tempo em uma cidade grande, mas e quem percebe o tempo em uma cidade pequena (como eu, em São Carlos, interior de São Paulo)?
    Aqui podemos assumir todos os compromissos sociais que quisermos. A “roda de amigos” está no máximo a 20 minutos de distância, mesmo durante o “horário do rush”.
    Talvez para os paulistanos o dia em São Carlos pareça ter 30 horas.

  11. É um fato. Se não já não teríamos o caos do trânsito todo dia há muito tempo.

  12. Igor Z disse:

    A gente prefere fingir que o problema do trânsito não existe. É como os executivos que andam na rua de terno preto nesse calor. Inércia social.

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