Danoninho para plantar versão 2011

Esta semana, mais uma vez acompanhei o plantio das mudas obtidas pela campanha Danoninho Para Plantar, realizada pela Danone.

Assim como no ano de 2010-2011, as mudas estão sendo plantadas pelo competente Instituto Ipê, que há 20 anos atua no ramo de pesquisas ecológicas.

O reflorestamento está ocorrendo às margens da represa Atibainha, a qual faz parte do complexo de abastecimento Cantareira, responsável por disponibilizar água para aproximadamente metade da cidade de São Paulo. A área, de propriedade da SABESP, estava tomada pelas gramíneas e por outras espécies exóticas. Aos poucos a área está sendo recuperada e deixando de ser pastagens para cavalos e gados.


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Atualmente, já foram plantadas 89.092m² de espécies da mata atlântica, as quais estão recebendo as devidas manutenções até que atinjam um estágio independente de maturidade. Para o ano de 2012, está previsto atingir 220.000m² de reflorestamento.

A campanha Danoninho Para Plantar também conta com projetos de educação ambiental nas escolas de Nazaré Paulista. No ano passado, as escolhas que utilizaram a Cartilha do Dino e enviaram seus relatórios de atividades, foram premiadas com cursos de formação em educacão ambiental ministrados também pelo Instituto Ipê, que apresenta esta linha de pesquisa.

Este ano, a novidade do projeto é o Álbum do Dino, um álbum de figurinhas virtual com animais em extinção, informações sobre os biomas brasileiros em que vivem e curiosidades sobre estes animais.

Me deixa muito contente saber que a Danone firmou esta pareceria tão sólida com os pesquisadores do Ipê, o qual tem realizado trabalhos belíssimos durante esses 20 anos.

Abaixo, fotos do plantio feito pelas crianças da região.


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Acabou a sacolinha grátis. E agora?

Lixo na Julio Mesquita - Blog do Mílton Jung - Creative Commons

Entra em vigor hoje, 25 de Janeiro de 2012, o acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interrompe a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis (biodegradáveis ou não) aos consumidores. Isso significa que além de chover releases de supermercados eco-friendly na minha caixa de entrada, a partir de hoje, se você quiser acomodar suas compras em sacolas plásticas descartáveis você terá que pagar por elas. Os valores giram em torno de R$0,19 por unidade.

Todos os supermercados aderiram? Não. Mas 1,2 mil aceitaram o acordo, o que representa aproximadamente 95% dos associados da APAS.

E não adianta arrancar os cabelos e vir com aquela desculpa de que você não terá onde pôr seu lixo. Você terá, mas dessa vez, aposto que você vai levar só as sacolas necessárias para casa. Além disso, separando o lixo corretamente e destinando-o para a coleta seletiva, haverá espaço de sobra para aquilo que realmente interessa ser descartado.

Sei que muitos consumidores estão sofrendo antecipadamente com esta medida, mas a dica da vez é se informar. Sabemos que estas medidas podem ser eficazes se a população foi instruída a lidar com o lixo doméstico, a dá-lo o destino correto. Ou seremos apenas uma população com lixo solto, ao invés de lixo ensacado.

Alguns supermercados já começaram a veicular folhetos informativos e a preparar seus funcionários para informar a população sobre o acordo. E apenas a exemplo, este não é um post pago, o Carrefour São Paulo promoveu um programa de informação e conscientização para 32 mil colaboradores que visa ajudar seus clientes nesse processo de mudança. O programa consiste em informar sobre os danos causados pelas sacolas, soluções alternativas de transporte de compras e como manejar corretamente o lixo doméstico.

Sinceramente acho que o acordo tem seu valor, apesar das lacunas que sempre ficam para trás. Portanto, o questionamento remanescente é o seguinte: e o resto do lixo?

Gostaria que os consumidores aprendessem a destinar corretamente o lixo antes de uma medida que retira do seu cotidiano algo que eles ainda nem aprenderam a abrir mão. Nem mesmo sabem que a vida doméstica pode ser a mesma em tempos de sacolas racionadas.

Duas horas dentro de um supermercado. Infernal.

Sou uma criatura que odeia aglomerações de pessoas como shoppings lotados e etc. Se eu pudesse, compraria até pães pela internet. Mas como isso não é possível, sou obrigada a gastar minha saúde em caldeirões infernais chamados supermercados.

Nesta sexta-feira, saímos de casa mais cedo (Panaggio e eu), para fazer compras no supermercado mais “barato” próximo da nossa casa: o Wal-Mart do Shopping Dom Pedro, aqui em Campinas.

Chegando lá, meu namorado e eu, encontramos vários produtos na promoção e enchemos o carrinho. Entretanto, ao passar pelo caixa, a surpresa: 4 itens com preços errados. Eu achava que o supermecado lotado era o inferno, mas foi aí que o caldeirão ferveu.

É direito do consumidor, caso haja discrepância entre o valor da etiqueta e aquele passado no caixa, o pagamento do menor valor apresentado.

Um gerente do loja disse que teríamos todo o nosso dinheiro gasto com aqueles produtos com preços incorretos devolvido. Mas a moça do atendimento se recusou a devolver na ausência do gerente (que nos deixou ao relento e foi resolver “coisas mais importantes que nós”).

Passamos mais de uma hora para resolver o problema dos preços errados e procurando o gerente dentro do supermercado, até ele ser anunciado e mandar outro gerente no lugar para tentar resolver nosso problema.

Veja bem, quase 90% da minha compra de supermercado são produtos congelados. Eu não tenho tempo para cozinhar, portanto, eu como essas coisas todas que nós colocamos no freezer e depois esquentamos no microondas.

Depois deste tempo todo esperando um outro gerente resolver o nosso problema, adivinha o que aconteceu com a nossa comida? Derreteu, óbvio. Um calor infernal, um shopping lotado feito fila do bandejão, só podia dar nisso.

Eu passei este tempo todo buscando meu direito de consumidora e de brinde perco aquilo que paguei?

Exigimos que todas as nossas compras derretidas fossem trocadas por outras. E foram, finalmente. Junto com elas, recebemos R$16,00 que gastamos comprando coisas com preços diferentes daqueles apresentados nas prateleiras.

Sempre conferimos a nota fiscal antes de seguirmos para casa, e mesmo que a diferença seja de R$0,10, pedimos nosso dinheiro de volta. É um direito nosso.

Para nós que compramos um item apenas, a diferença parece pequena, mas para as pessoas que compram 100 itens com a diferença de R$0,10, são R$10,00 de prejuízo! Logo, me sinto no dever de zelar pela compra de outras pessoas, afinal, gostaria que elas fizessem o mesmo por mim.

Agora, o Mr. Wal-Mart que jura ser uma empresa preocupada com o meio ambiente, além de ensacar minhas compras em outros estabelecimentos com outra sacola plástica para evitar roubos (assunto para outro post) ainda me faz desperdiçar comida e meu precioso tempo? Faça-me um favor…

Rapidinha Curiosa da Semana: Rios Voadores

Ventos alísios (que alisam a superfície terrestre) vindos do Oceano Atlântico, ficam mais úmidos quando passam pela floresta Amazônica. Isto ocorre devido a grande quantidade de terpenos liberados pela floresta, que juntamente com a grande concentração de radiação incidente na região formam núcleos de condensação, consequentemente, nuvens!

Ao passar pela floresta, os ventos úmidos seguem em direção ao Chile e batem no imenso paredão da Cordilheira dos Andes. Este “choque” direciona a chuva para o interior do continente fazendo com que estas regiões também recebam chuvas, as quais não chegariam na mesma concentração se o relevo da Cordilheira não fosse o que conhecemos atualmente e se a floresta não existisse ali. Mais um ponto para a Floresta Amazônica!

Mas, por que Rios Voadores?

Nesse esquema todo são transportados em torno de 3000m3 de água, volume maior que a vazão do Rio São Francisco.

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Rapidinhas de períodos de prova na Unicamp, a gente vê por aqui. 😉

Rastro de Carbono de cara nova!

Tenho certeza que todos vocês já perceberam que a rede Science Blogs Brasil ficou mais chique e digna nas últimas semanas!

Para fazer jus a novidade, estreamos também de cara nova e com um plano de fundo digníssimo que ganhamos de presente da premiada artista plástica Flor Dias.

Além da arte do Photoshop e dos desenhos vetoriais, a Flor também tira fotos lindas das chamadas Bonecas Blythe.

Vocês podem conferir o trabalho dela no Flickr: www.flickr.com/hanakosu

Obrigada Flor, pelo presente!

 

 

 

Carona, quem nunca pegou?

Recentemente encontrei um “serviço” que tem me ajudado muito na vida universitária. A carona.

Desde décadas passadas que universitários, com grana ou não, aproveitam movimento das cidades universitárias para arranjar aquela vaguinha no carro alheio para voltar para suas cidades natal.

O fato é que as caronas facilitam muito a vida dos universitários, tanto no quesito financeiro quanto no quesito praticidade. Mas todas essas vantagens se esbarram no grande problema da segurança das cidades universitárias.

Foi pensando neste problema que um grupo de alunos aqui da Unicamp criou o Unicaronas, um site onde apenas alunos das principais universidades do país podem compartilhar suas caronas para casa.

Quem tem carro oferece caronas, quem não tem também pode se inscrever para procurar sua vaga.

As caronas são pagas, mas nem se compara ao preço que pagaríamos para chegar de ônibus, mesmo que a uma cidade próxima da universidade. Sem contar a comodidade de sair da porta da universidade e ser deixado no lugar combinado.

Por cima, eu por exemplo, gastaria para sair da Unicamp e chegar na casa dos meus pais:

R$20,00 e aproximadamente 2h de viagem – via transporte público

R$40,00 e aproximadamente 40min de viagem – via carro próprio

Via carona eu gasto R$10,00 e 40min de viagem.

O sistema do Unicaronas é muito fácil de usar e recentemente estreou com uma cara nova: www.unicaronas.com.br. Confira se sua universidade participa da rede e aproveite a oportunidade de conhecer pessoas novas e economizar uma graninha no final do mês.

Vale lembrar que mesmo com um sistema que facilite e aumente a segurança das caronas, devemos tomar muito cuidado nas escolhas, para não cair numa fria sem volta.

‘Unicaronas é mais amigos e menos poluição, menos engarrafamentos e menos dores de cabeça com o transporte público medíocre da sua cidade.’

twitter: @unicaronas

Parques flamejantes de inverno

A cada ano que passa, basta chegar o inverno, que os noticiários já exibem as perdas devido a seca e os consequentes incêndios ocasionados pela irresponsabilidade humana aliada à baixa umidade do ar.

Durante esta estação do ano, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil são as mais castigadas pelas doenças respiratórias e queimadas ocasionadas pela seca. Chove pouco neste período e vai ser nesta época que aquele seu vizinho que adora atear fogo em mato seco vai fazer seu ritual anual. E ele acha que tem controle sobre o fogo que ateia, mas na verdade, não tem.

No ano passado, relatei em outro blog, um dos mais tristes “incidentes” ambientais brasileiros devido à seca, o incêndio no Parque Nacional da Serra da Canastra, que abriga nada mais nada menos que a Nascente do Rio São Francisco. Sim, aquele que nasce no sul de Minas e deságua no mar lá em Sergipe.

O Parque Nacional da Serra da Canastra tem aproximadamente 71. 525  hectares e engloba parte do território de 3 municípios:  Sacramento, São Roque de Minas e Delfinópolis no sudoeste da minha querida Minas Gerais.
O parque está localizado predominantemente no Bioma Cerrado e como tal, além da nascente do Velho Chico abriga diversas espécies de animais selvagens como:

O Veado-Campeiro, vulnerável à extinção:

O Tamanduá-Bandeira, também vulnerável quanto ao seu estado de conservação:

O Pato-Mergulhão, em perigo crítico de extinção, dentre outras importantes espécies da fauna brasileira. Sem contar a riqueza da flora regional, que compõe uma linda paisagem muito requisitada por turistas.

Falemos então, da vegetação daquela região.

O Cerrado apresenta duas estações do ano bem definidas: o inverno seco e o verão chuvoso. Na região do parque, na ocasião do incêndio, não chovia há quase dois meses e isto facilitou muito a dispersão dos focos de incêndio.

Então no dia 26 de Agosto de 2010 surgiram os primeiros focos de incêndio no parque, e já no dia 31 mais de 40% da reserva já havia sido tomada pelo fogo. O laudo da perícia concluiu que o incêndio foi criminoso e que foram encontradas pegadas humanas formando uma trilha entre a área de origem de um dos focos e a floresta ao norte do parque.

Desde a sua criação, a Serra da Canastra sofre com a ação de fazendeiros que desejam ver a reserva fora de questão. No ano de 2006, ocorreu o maior incêndio criminoso já enfrentado pelo parque, no qual foram queimados 40.000 hectares, o que corresponde a mais da metade da unidade de conservação.

Se você pensa que atear fogo propositalmente é demais para seu coração, não tenha dúvidas de que os fazendeiros dificultam também o reflorestamento da região, como constatei na minha visita ao parque juntamente com a Paula, no ano passado. Muitas vezes são movidos pela ignorância e falta de informação, sem mencionar a ganância por ocupar imensas áreas de floresta nativa com pastagens para o gado.

E se você acha que impedir o reflorestamento de áreas degradadas também é demais para o seu coração, saiba que no inverno de 2010, 21 incêndios invadiram áreas de conservação e todos eles são suspeitos de ação criminosa. Desses 21 parques flamejantes, 13 ainda queimavam, depois de um mês da descoberta do primeiro foco.

Estou aqui hoje, basicamente para informar sobre a importância destes parques, não só para a fauna e flora, mas para a população dessas regiões, que tem seu ganha pão no turismo ecológico e nas pessoas que apreciam uma natureza diversa como a que possuímos em nosso país. Também aproveito a oportunidade para chamar a nossa responsabilidade à tona, para que não tenhamos mais surpresas desagradáveis neste inverno.

Então, se você não deseja ver nossas belezas em grayscale, aí vão algumas algumas dicas:

  • Evite jogar bitucas de cigarro acesas na pista. Com o tempo seco, elas podem não se apagar e este fogo pode resultar no que temos presenciado todos os dias na TV.
  • Se você está aproveitando o calor para acampar na mata, evite acender fogueiras e se você acende, faça isto em locais permitidos, e ao deixar o local, certifique-se de que ela está totalmente apagada.
  • Não solte balões.
  • Não solte fogos de artifício em matas.
  • Não coloque fogo em terrenos baldios, você pode perder o controle das chamas e elas podem chegar até a sua residência.

#EstudarValeaPena

Estudar vale a pena

Hoje, dia Nacional do Estudante, o Instituto Unibanco está mobilizando as redes sociais brasileiras com a blogagem coletiva intitulada “Estudar Vale a Pena”, mesmo nome dado à campanha desenvolvida pelo próprio instituto com alunos do Ensino Médio de escolas públicas dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

O intuito dessa mobilização é encorajar os jovens em idade escolar a prosseguir com seus estudos através de nossos depoimentos pessoais, contando como os estudos fazem nossa vida melhor, tanto cultural como financeiramente.

No semestre passado, durante meus estágios em turmas do Ensino Médio de escolas públicas de Campinas, voltei a me encontrar com a triste realidade do ensino público brasileiro. A desestruturação da escola, a falta de capacitação dos professores e a marginalização do aluno de instituições públicas é de arrancar lágrimas dos olhos. De 7 anos para cá, não mudou nada. O desânimo que pairava/paira sobre uma turma de terceiro colegial que não se sente capaz de traçar um futuro brilhante para sua vida é indescritível.

Hoje, quero relatar a vocês a minha própria história de estudos, que se passou totalmente dentro de escolas mantidas pelo governo estadual.

Comecemos então, pela família.

Venho de família simples, sem condições alguma de me matricular em uma escola particular, portanto, cursei todo o Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio em escolas públicas, parte em Minas Gerais, parte no estado de São Paulo.

Durante o ensino fundamental, nas rodas de amigos, já discutíamos o que faríamos quando terminássemos o então “colegial” e que rumos tomariam nossas vidas quando chegássemos no ponto em que teríamos que escolher nossas carreiras, um desafio um tanto quanto difícil, para quem iria terminar o terceiro ano com 16 anos de idade.

Quando ingressei no Ensino Médio os papos das rodas mudaram, e não se ouvia falar em universidade, nem mesmo em carreira. A vontade dos meus colegas de classe era terminar aquilo logo para ser ver livres de tanta chateação, vontade que não condizia com a minha e que me fazia uma pessoa chata, tanto para os colegas quanto para os professores, que muitas vezes de deslocavam para levar apenas um formulário de simulados de vestibular: o meu.

Minha escola não era melhor do que as da atualidade, eu não tinha base alguma para prestar um vestibular, tanto é que eu fazia os simulados mas não acertava quase nada. 

Minha família continuava não possuindo condições de me colocar em uma escola melhor, nem mesmo de me matricular em um curso pré-vestibular. Foi aí que o desespero bateu e eu pensei: será mesmo que estou fadada a terminar o Ensino Médio e fim da linha?

Então decidi arrumar um emprego. Mas eu precisava de um curso profissionalizante para um emprego que pudesse arcar com as despesas de um curso pré-vestibular e eu não podia pagar um curso profissionalizante.

Veja bem, eu arrumei um emprego para fazer um curso profissionalizante, para então ter a esperança de arrumar um emprego melhor e finalmente pagar o curso pré-vestibular.

Finalmente fiz os cursos profissionalizantes, mas não arrumei um emprego melhor.

Depois de passar um ano inteiro sem estudar para o vestibular, consegui um emprego de secretária na frente do cursinho mais barato da cidade, que além disso, me pouparia algumas passagens de ônibus, bastando apenas atravessar a rua. Mas o salário ainda não dava para custear os estudos. O cursinho não era caro, eu é que ganhava pouco.
Foi então que eu tive a estúpida idéia de ficar sem jantar para poder economizar mais alguns.

Em suma: fiquei doente, emagreci 9Kg (que nunca foram recuperados) e não passei no vestibular, arrá!

No ano seguinte, vendo minha situação calamitosa, meus pais fizeram um esforço bruto no orçamento da família para pagar este cursinho e eu finalmente pude me dedicar integralmente aos estudos do vestibular. Para pagar as taxas absurdas de inscrições das provas, eu vendia brigadeiros para os colegas e professores. Faço brigadeiros ótimos, sério!

Eu estudava em torno de 9 horas por dia e nos fins de semana também para passar em Ciências Biológicas. Minha cabeça só pega no tranco, amigos.

Terminei o Ensino Médio em 2004 e só entrei na universidade em 2008, quando passei nas 3 melhores universidades do país: USP, Unicamp e Unesp. Resolvi escolher a Unicamp, onde estou até então.

Hoje, as dificuldades do dia a dia universitário continuam comigo. E quem disse que iria ser fácil? Atualmente minha bolsa de Iniciação Científica não paga nem meu aluguel.
Mas posso dizer que estou a caminho da minha realização pessoal e acredito que as coisas melhoram com tempo, mas isso não significa que vai ser rápido, por isso é necessário paciência.

Sem contar as novas experiências que a universidade me proporciona, como aprender um novo idioma, viajar pelo país e para fora dele (um dia eu chego lá) para mostrar meu trabalho, sem gastar um centavo.

Sou uma pessoa imensamente feliz por ter persistido com toda esta loucura e tenho certeza que terei uma vida melhor futuramente.

O governo pode não fornecer as melhores condições para que você leve a frente seus sonhos, mas se você quiser, dá até para “ignorá-las” e dar o seu jeitinho. 🙂

SWU 2010: um post para considerações futuras

No ano passado fui insider do Festival SWU e não gostei nada, nada do que vi. Este ano já estou vendo o quanto as pessoas estão se precipitando com relação a este evento, mesmo não tendo participado no ano passado, mesmo sem pagar para ver o que vai acontecer este ano.

Portanto, não vou tomar partido nenhum antes de conferir o que irá acontecer, prefiro acreditar que as coisas podem melhorar (mesmo que pouco), sem deixar de considerar a hipótese de que pode piorar ou mesmo não mudar em nada. Quero ser justa, apenas.
Por isso, quero deixar registrado aqui no Rastro de Carbono, meu post sobre o festival que presenciei no ano passado, mais alguns posts de colegas insiders e do nosso condomínio Science Blogs para minhas considerações futuras e minha então posição sobre o que será o Festival SWU.
Um festival

O Festival SWU se foi e muitas pessoas esperam as considerações daqueles que foram os divulgadores oficiais do movimento e do festival em si.

Existe muita informação passando pela minha cabeça neste pós-festival e eu tentarei ser o mais organizada possível para passar minhas sensações sem que este post vire um cabaré de cegos.

Acho que devo começar dizendo porque aceitei ser insider do movimento, colocando meu nome no tatame e o nome do Blog Radar Verde, que não é uma propriedade minha, mas é de minha responsabilidade e competência.

Enfim, aceitei ser insider do movimento SWU, por que eu estou de acordo com o Compromisso Público de Sustentabilidade e com o Plano de Ações de Sustentabilidade (que já tratarei neste post) divulgado pela organização. Não existem super-heróis que nos levarão a sustentabilidade, tudo isso realmente começa com nossas atitudes individuais.

Ninguém aqui é obrigado a conhecer meu íntimo, mas quem já o faz sabe que não sou uma pessoa que sai de casa apenas para ir a um festival, a não ser que este tenha alguma coisa relacionada à minha vida e/ou ao meu trabalho. Eu realmente levo estes assuntos como trabalho sério, afinal a vida de universitária não me permite determinadas regalias que muitos jovens tem hoje. Um festival qualquer, dispende dinheiro, todos nós sabemos que os custos dentro destes locais são altíssimos. E não adianta apedrejar o Festival por cobrar caro por bebidas e alimentação por que à qualquer show que você vá vão arrancar seu couro, relaxa.

Ficar ao lado dos meus amigos, reencontrar pessoas que não via há algum tempo e conhecer pessoas novas seriam consequências do meu trabalho e este post conta também porque fiquei apenas com as consequências do festival.

Não quero de maneira alguma culpar a agência de comunicação idealizadora do projeto #insiders #SWU, uma vez que já conhecia o trabalho deles de ante-mão, e não tive nenhum problema neste aspecto. Aliás, fiquei contente por me levarem à sério apesar da minha pouca idade e da pouca experiência que tenho com a blogagem e me tratarem com carinho, o que não acontece comigo todos os dias, exceto com pessoas deste meio que me consideram como se eu fosse alguém da sua própria família e me adotam com a maior paciência do universo.

Logo, acompanhando o evento com o olhar de quem não estava lá apenas para ver as bandas percebi que o caos estava em outros fundamentos.

Vamos lá, vejamos se eu consigo me organizar e colocar todas as questões que me incomodaram no Festival, utilizando como base os trechos a que dizem respeito. Estes trechos constam no Compromisso Público de Sustentabilidade do movimento SWU e seu Plano de Ações de Sustentabilidade, retirados destes links, respectivamente:

http://www.swu.com.br/pt/movimento-swu/swu-compromisso-publico-de-sustentabilidade/

http://www.swu.com.br/pt/swu/noticias-swu/swu-plano-de-acoes-de-sustentabilidade/

Os tópicos em negrito, são originais dos links acima e os trechos em itálico são as observações feitas por mim no festival:

Direitos Humanos Em todas as nossas atividades, atuamos conforme os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos e outros padrões e tratados internacionais e não toleramos condições de trabalho degradantes, trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo.

    Ok, vamos começar por este trecho. Se você foi ao festival e ficou mais de 2 horas debaixo de um sol escaldante para ver sua banda predileta, fique tranquilo porque as pessoas que trabalharam nos estacionamentos e nas revistas passaram muito mais tempo torrando seus miolos naquele mormaço do fim de semana.

Não-discriminação Não aceitamos nenhuma forma de discriminação em função de cor, sexo, opção sexual, religião, origem, classe social, idade ou condições físicas nas relações com todos os nossos públicos.

No dia 10/10, eu estava dormindo sentada em uma cadeira na sala de imprensa do Festival, esperando meus amigos terminarem de assistir os shows, quando uma senhora desesperada veio implorar para que divulgássemos o descaso com seu irmão cadeirante, que foi impedido pela organização de assistir os shows que estavam rolando naquele dia.

Espaço “privilegiado” para deficientes físicos? Havia. Mas estavam abarrotados de pessoas em cima de suas próprias pernas, como se ali fosse a área VIP.

Educação em sustentabilidade Queremos conscientizar, mobilizar e transmitir os valores da sustentabilidade a todos que estiverem de alguma forma no movimento, seja como participante, seja na organização.

Educação ambiental não é horta e lixeiras coloridas não querem dizer que os valores da sustentabilidade estão sendo transmitidos. O fórum estava cheio de pessoas interessadas no assunto, mas as pessoas que realmente precisavam ser atingidas estavam lá fora, consumindo e jogando lixo para cima, como se fossem confetes.

Sem contar a proibição da entrada de alimentos e garrafas d’água no evento, gerando um enorme desperdício de comida já na portaria. Consumo consciente? Não se viu.

Sem contar as pessoas que foram proibidas de tomar suas cervejas nas latas e foram obrigadas a passar o conteúdo para um simpático copo descartável do patrocinador. Isso vale para os refrigerantes também.

Inclusão Social Em nossas contratações de serviços, daremos preferência, sempre que possível, à mão de obra local, cooperativas e micro e pequenos fornecedores, contribuindo assim para a geração de renda e inclusão social.

Não presenciei mão de obra local, mas vi várias famosas empresas de fast-food vendendo seus lanches pelo dobro do preço e pela metade do cozimento do alimento. Aliás, passei mal comendo um destes pequenos notáveis.

Ingressos caros, lanches caros, bebidas caras e o desperdício de comida. Inclusão social?

Saúde e Segurança Empenhamos-nos para propiciar um ambiente saudável e seguro a todos os envolvidos em nossas atividades e eventos, por meio do estabelecimento de padrões rígidos de saúde e segurança, da avaliação de possíveis riscos e definição de procedimentos para evitá-los.

Sou uma pessoa que antes de saber onde está o palco, deve saber onde está o posto médico. E como não podia ser diferente, depois de passar mal com o participante do item anterior, fui ao posto médico. Chegando lá me deparei com um cara gorfando sua cervejinha, enquanto as enfermeiras sugeriam para ele tomar coca-cola e comer espetinho de carne.

Não sei se ia servir para muita coisa, mas eu disse a elas quais remédios sou alérgica.

Transparência, ética e combate à corrupção O relacionamento com todos os parceiros deve ser baseado em ética e transparência. Além disso, repudiamos e combatemos a corrupção em todas as suas formas e não aceitamos parcerias com instituições de idoneidade duvidosa.

Agora, vocês podem me dizer: Ah, mas isso
que você citou acima acontece em qualquer festival! Eu sei. E se eu tivesse me tocado que o negócio estava tombando para um festival qualquer, eu teria pulado fora. Como eu já disse anteriormente, me falta experiência, mas isso tudo me serve como aprendizado.

Faltou transparência, todo o compromisso divulgado no site era de um festival e um movimento baseado nas políticas sustentáveis, mas percebam que tudo o que ocorreu foram políticas de um festival qualquer. A Paula Signorini, em um post do Blog Rastro de Carbono me chamou a atenção para este aspecto, que até então eu não tinha levado em consideração. Um evento verde não precisa ser sustentável, desde que isso seja colocado de maneira clara para os divulgadores e para seus participantes.

Teoricamente, todos estes tópicos disponibilizados pelo site do movimento SWU, deveriam ser utilizados em todas as ações, inclusive no festival.

Legislação Ambiental Todas as nossas atividades e de nossos parceiros devem estar em conformidade com leis e regulamentos ambientais.

Bom, com a legislação ambiental até a Vale diz que está de acordo. Até Aldo Rebelo diz estar de acordo. Essa parte é fácil.

Baixo Impacto Ambiental Buscaremos sempre reduzir, compensar ou eliminar nossos impactos ambientais. Dessa forma, em todos os nossos eventos e ações, buscaremos cumprir com os seguintes aspectos e metas: a) realização de eventos de baixo carbono e desenvolvimento de processos para redução e mitigação das emissões de gases poluentes; b) preferência pelo uso de materiais reciclados ou recicláveis e que tenham origem certificadas de acordo com padrões sócio-ambientais; c) destinação correta dos resíduos; d) desenvolvimento de processos para baixo consumo de água e energia; e) revitalização da área do festival.

Para este item, ler todos as minhas observações anteriores.
Enfim. Vocês podem deixar suas opiniões no espacinho ali em baixo. :)

Sugiro que vocês leiam alguns textos de convidados para o fórum e de outros insiders do festival.

http://www.isabellices.com/o-que-foi-o-swu/

http://www.rockinpress.com.br/2010/10/12/a-imprensa-contra-a-imprensa-o-porque-o-rockinpress-foi-expulso-do-swu/

http://scienceblogs.com.br/rainha/2010/10/o_swu_foi_otimo_e_coerente.php

http://scienceblogs.com.br/rastrodecarbono/2010/10/evento_verde_tem_de_ser_susten.php

http://uoleo.wordpress.com/2010/10/13/o-mais-longo-e-insustentavel-dos-dias/

Prêmio Top Blogs 2011

Mais uma vez o Rastro de Carbono está concorrendo ao Prêmio Top Blogs. E este ano o Top Blog nos indicou na categoria Variedades! Existe também uma indicação feita por mim na categoria Sustentabilidade, entretanto a URL do blog está incorreta, mas assim que este problema estiver resolvido publico o link para que vocês possam votar nesta categoria também.

Portanto, você que gosta dos artigos publicados aqui e gostaria de nos ver levando este prêmio, basta clicar aqui e dar seu voto!

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