Rastro de Mercúrio

Este post é uma parte do InterCiência! O amigo secreto científico dos blogs mais lindos e cheirosos da blogosfera! O trabalho de nossos leitores é descobrir quem foi o autor dessa peça e… descobrir onde foi parar o texto que foi escrito por esta pessoa que vos fala!

E se você ainda quer participar da nossa brincadeira, ainda dá tempo! Instruções aqui

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Rastro de Mercúrio

Rastro de Mercúrio!

Rastro de Mercúrio!

Não, não vamos falar do rastro que o planeta mais próximo do sol deixa no céu a noite. Vamos falar de sujeira “pesada”. Sim, pesada e suja. O rastro em questão é de um dos elementos mais paquidérmicos do universo: o denso e tóxico mercúrio (o Hg da tabela periódica).

Mercúrio: o esculhambador geral das proteínas

Apesar de ser um elemento bem bonito, parecendo até “prata líquida” (daí que vem o símbolo “Hg”, da palavra para “prata líquida” em latim: “hydrargyrum”), você não vai querer por a mão nesse líquído prateado.

O "hydrargyrum", a "prata líquida". Vulgo mercúrio!

O “hydrargyrum”, a “prata líquida”. Vulgo mercúrio!

Legenda: O “hydrargyrum”, a “prata líquida”. Vulgo mercúrio!

Essa belezinha é uma substância bem tóxica. Pra falar a verdade é tóxica pra caramba. Não é aquele tipo de coisa que faz você morrer na hora, mas o contato excessivo com essa substância atrapalha o funcionamento e causa danos severos a diversos órgãos. Só pra mostrar quantos lugares ele se acumula, eis uma “pequena” listinha: cérebro, tireóide, seios, miocárdio, músculos, glândulas adrenais, fígado, rins, pele, glândulas sudoríparas, pâncreas, enterócitos, pulmões, glândulas salivárias, testículos e próstata, e etc [1].
O seu variado alvo de toxicidade no organismo se deve ao fato de se ligar à cisteínas e selenocisteínas das proteínas do nosso corpo e alterar suas estruturas terciárias e quaternárias [1]. Ou seja: o mercúrio estraga a maquinaria celular! Além disso, estudos apontam que esse metal pesado interfere também com a transcrição do DNA e a síntese de proteínas [1]. No cérebro em desenvolvimento (De bebezinhos! Veja só!), ele chega a destruir o retículo endoplasmático de células e o ribossomo. Se há alguma coisa horrível de se destruir dentro de uma célula é o ribossomo. Sem ele não existem proteínas – que são basicamente as protagonistas da mágica da vida!

Terroristas Anônimos

OK, sabemos que o mercúrio faz bem mal. Imagine então se o mercúrio fosse usado como arma química! Um veneno! Sim! Imagine se algum grupo terrorista espalhasse mercúrio por aí, colocando-o na sua comida, no ar que você respira e na água que você bebe! Seria horrível não!? Imagine os bebezinhos sem ribossomo! Que tragédia! Mas vamos falar sério agora: tenho duas notícias importantes sobre esse assunto. Uma muito boa e outra muito ruim.
Boa notícia: não há grupos terroristas que espalham mercúrio por aí para matar bebezinhos! Viva a humanidade!
Má notícia: segundo um estudo conjunto de duas organizações em defesa do meio ambiente (o Biodiversity Research Institute e o IPEN – não, não é o IPEN brasileiro!), em amostras de peixe de diversos locais do globo, cerca de 86% estavam contaminados por mercúrio acima dos níveis seguros de consumo [2].
Se não há um grupo terrorista, como diabos estamos sendo envenenados!? Quem está fazendo isso!? Resposta: “nós” mesmos.
Não somente as águas, mas também o ar, estão sendo contaminados principalmente devido a atividades de mineração e a queima de combustíveis fósseis.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2]

As principais causas de contaminação da água são similares. Os principais contaminadores antropogênicos são usinas de produção de compostos cloro-alcáli (ex: produção de NaOH e Cl2 a partir de NaCl), plantas energéticas à base de carvão e mineiração de ouro em pequena escala [2].

Extração artesanal de ouro - um risco à saúde e ao meio ambiente.

Extração artesanal de ouro – um risco à saúde e ao meio ambiente.

De acordo com o estudo, se você morar nas regiões dos 9 países em que foram realizadas coletas, comer peixe mais de uma vez ao mês poderia já exceder os níveis seguros de consumo de mercúrio na dieta. Segundo outro estudo, dessa vez realizado pela UNEP (United Nations Environment Programme), cerca de 260 toneladas de mercúrio são despejadas em rios e lagos todos os anos [3]. É mercúrio pra caramba!

Pegadas Tóxicas

Assim como os famigerados ciclos do nitrogênio, oxigênio e da água, há uma cadeia alimentar que leva o mercúrio até nós – e cada vez mais concentrado.

A concentração de mercúrio aumenta o quanto mais próximo do topo da cadeia alimentar.

A concentração de mercúrio aumenta o quanto mais próximo do topo da cadeia alimentar.

O mercúrio gasoso, também como quase todos os compostos no ar, vai parar no grande reservatório químico que chamamos de oceano. Lá existem plânctons bem resistentes a esse metal pesado que logo o transformam em metilmercúrio. Pra se ter uma ideia de como a concentração de mercúrio vai aumentando, dentro desses pequenos animaizinhos a concentração de mercúrio chega a ficar 10 mil vezes maior que a do oceano [3]. Então imagine o quão concentrado esse elemento fica em instâncias superiores da cadeia alimentar!? E o peixe que come muitos plânctons!? E o peixe que come peixes-que-comem-plânctons!? O mercúrio só vai aumentando até chegar aos humanos, que recebem de volta aquilo que jogaram indiscriminadamente na natureza.

O metal pesado não é eficientemente excretado pelos peixes, ficando em uma forma estável dentro dos mesmos [1], o que o conserva ainda mais dentro daquilo que será a comida de muita gente.

Como Resolver o Problema

Longo Prazo

A preocupação com metais pesados em água é antiga. Uma das soluções mais interessante é aquela que usa recursos da própria natureza para resolver os problemas ambientais: a bioremediação. Basicamente é explorar o primeiro ponto da cadeia alimentar da transferência de mercúrio, os microrganismos!
Propriedades de resistência à concentrações de mercúrio foram descritas pela primeira vez em 1960, em estudos com o microrganismo Staphylococcus aureus[4]. O que os pesquisadores estavam tentando descobrir na época era como e quais patógenos sobriveviam à desinfetantes e antisépticos à base de mercúrio. Com o desenvolvimento das pesquisas durante o tempo, foram descobertos os “genes chave” para a detoxificação de mercúrio, os genes mer[4] (merA e mer B). Eles basicamente estão envolvidos na quebra das ligações entre carbono e Hg e na redução do átomo de mercúrio a uma espécie não reativa, o mercúrio molecular Hg0. Isso fecha o ciclo do mercúrio na natureza:

A concentração de mercúrio aumenta o quanto mais próximo do topo da cadeia alimentar.

Retirado da fonte [4].

Várias espécies resistentes a mercúrio, contendo os genes mer ou variações dele, foram reportadas. A exploração e demonstração do uso deses microrganismos como agentes de remediação já foi feita a cerca de 30 anos atrás [4]. Hoje em dia existem avançados bioreatores para bioremediação de efluentes de indústrias, principalmente nas indústrias cloro-alcáli, uma das vilãs da poluição com mercúrio nos estudos das organizações ambientais citadas anteriormente. Esses bioreatores, contendo principalmente bactérias do gênero Pseudomonas, chegam a remover o mercúrio com cerca de 99% de eficiência[4]! Que maravilha não é!? Além disso, visando baratear o processo, estudos vêm sendo feitos para gerar organismos modificados que façam esse trabalho [4].

Curto Prazo

Se já existe solução para o problema de contaminação de mercúrio, porque ela ainda ocorre!? A resposta pode ser resumida em uma palavra: regulamentação. A ausência de políticas efetivas que gerem legislações combativas e fiscalizações presentes e eficazes fazem o problema persistir. Isso fica bem evidente em outro gráfico de emissão de Hg, também em 2010, indicando como maior contribuidor a atividade de extração de ouro artesanal de pequena escala, o que também corrobora com o gráfico anteior – atividades assim não são triviais de serem fiscalizadas, uma vez que acontecem “quase que” clandestinamente.

Retirado da fonte [3].

Retirado da fonte [3].

Os países mais envolvidos com contaminação de mercúrio na natureza são principalmente os em desenvolvimento, como Índia, China, México e países do leste europeu. É preciso dar grande destaque à China, que provavelmente devido à sua economia constantemente aquecida, é o país com mais focos de poluição.

Retirado da fonte [2].

Retirado da fonte [2].

A UNEP vem desde 2003 alertando sobre as questões da contaminação de mercúrio. Em 2009 iniciara-se os esforços para criar instrumentos legais de regulamentação global sobre o mercúrio. Com reuniões de negociação que começaram em junho de 2010, foram concluídas a um pouco mais de uma semana (18 de Janeiro), na Suíça. A organização ligada à ONU planeja firmar um tratado ainda neste ano durante uma conferência diplomática no Japão. Esperamos que de uma vez por todas a pressão política (pelo menos!) para a regularização de atividades poluidoras envolvendo a liberação de mercúrio e seus compostos na natureza seja efetiva!

Vale prestar atenção no tempo que em tudo isso demorou: 10 anos, desde 2003 até hoje. Isso sem contar o tempo antes dos estudos iniciados pela UNEP, em que já se sabia dos problemas ambientais e de saúde envolvendo o mercúrio. O rastro ecológico que esse metal deixa é literalmente pesado. A reunião no Japão este ano vai ajudar a definir quais rastros de mercúrio nosso filhos irão se preocupar no futuro: o biológico ou o celeste. Prefiro o celeste!
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[Este texto é parte da primeira rodada do InterCiência, o intercâmbio de divulgação científica. Saiba mais e participe em: http://scienceblogs.com.br/raiox/2013/01/interciencia/]

Referências

1. Bernhoft AB. “Mercury Toxicity and Treatment: A Review of the Literature”. Journal of Environmental and Public Health, volume 2012, doi:10.1155/2012/460508
2. “Global Mercury Hotspots – New Evidence Reveals Mercury Contamination Regularly Exceeds Health Advisory Levels in Humans and Fish Worldwide”. BRI e IPEN, jan de 2013. Disponível em: http://www.briloon.org/uploads/documents/hgcenter/gmh/gmhFullReport.pdf
3. “Global Mercury Assessment 2013 – Sources, Emissions, Releases and Environmental Transport”. UNEP, 2013. Disponível em: Link
4. Barkay T, Miller SM, Summers AO. “Bacterial mercury resistance from atoms to ecosystems”. FEMS Microbiology reviews, vol 27, 2003. Disponível em: Link

 

#EstudarValeaPena

Estudar vale a pena

Hoje, dia Nacional do Estudante, o Instituto Unibanco está mobilizando as redes sociais brasileiras com a blogagem coletiva intitulada “Estudar Vale a Pena”, mesmo nome dado à campanha desenvolvida pelo próprio instituto com alunos do Ensino Médio de escolas públicas dos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Espírito Santo.

O intuito dessa mobilização é encorajar os jovens em idade escolar a prosseguir com seus estudos através de nossos depoimentos pessoais, contando como os estudos fazem nossa vida melhor, tanto cultural como financeiramente.

No semestre passado, durante meus estágios em turmas do Ensino Médio de escolas públicas de Campinas, voltei a me encontrar com a triste realidade do ensino público brasileiro. A desestruturação da escola, a falta de capacitação dos professores e a marginalização do aluno de instituições públicas é de arrancar lágrimas dos olhos. De 7 anos para cá, não mudou nada. O desânimo que pairava/paira sobre uma turma de terceiro colegial que não se sente capaz de traçar um futuro brilhante para sua vida é indescritível.

Hoje, quero relatar a vocês a minha própria história de estudos, que se passou totalmente dentro de escolas mantidas pelo governo estadual.

Comecemos então, pela família.

Venho de família simples, sem condições alguma de me matricular em uma escola particular, portanto, cursei todo o Ensino Fundamental e todo o Ensino Médio em escolas públicas, parte em Minas Gerais, parte no estado de São Paulo.

Durante o ensino fundamental, nas rodas de amigos, já discutíamos o que faríamos quando terminássemos o então “colegial” e que rumos tomariam nossas vidas quando chegássemos no ponto em que teríamos que escolher nossas carreiras, um desafio um tanto quanto difícil, para quem iria terminar o terceiro ano com 16 anos de idade.

Quando ingressei no Ensino Médio os papos das rodas mudaram, e não se ouvia falar em universidade, nem mesmo em carreira. A vontade dos meus colegas de classe era terminar aquilo logo para ser ver livres de tanta chateação, vontade que não condizia com a minha e que me fazia uma pessoa chata, tanto para os colegas quanto para os professores, que muitas vezes de deslocavam para levar apenas um formulário de simulados de vestibular: o meu.

Minha escola não era melhor do que as da atualidade, eu não tinha base alguma para prestar um vestibular, tanto é que eu fazia os simulados mas não acertava quase nada. 

Minha família continuava não possuindo condições de me colocar em uma escola melhor, nem mesmo de me matricular em um curso pré-vestibular. Foi aí que o desespero bateu e eu pensei: será mesmo que estou fadada a terminar o Ensino Médio e fim da linha?

Então decidi arrumar um emprego. Mas eu precisava de um curso profissionalizante para um emprego que pudesse arcar com as despesas de um curso pré-vestibular e eu não podia pagar um curso profissionalizante.

Veja bem, eu arrumei um emprego para fazer um curso profissionalizante, para então ter a esperança de arrumar um emprego melhor e finalmente pagar o curso pré-vestibular.

Finalmente fiz os cursos profissionalizantes, mas não arrumei um emprego melhor.

Depois de passar um ano inteiro sem estudar para o vestibular, consegui um emprego de secretária na frente do cursinho mais barato da cidade, que além disso, me pouparia algumas passagens de ônibus, bastando apenas atravessar a rua. Mas o salário ainda não dava para custear os estudos. O cursinho não era caro, eu é que ganhava pouco.
Foi então que eu tive a estúpida idéia de ficar sem jantar para poder economizar mais alguns.

Em suma: fiquei doente, emagreci 9Kg (que nunca foram recuperados) e não passei no vestibular, arrá!

No ano seguinte, vendo minha situação calamitosa, meus pais fizeram um esforço bruto no orçamento da família para pagar este cursinho e eu finalmente pude me dedicar integralmente aos estudos do vestibular. Para pagar as taxas absurdas de inscrições das provas, eu vendia brigadeiros para os colegas e professores. Faço brigadeiros ótimos, sério!

Eu estudava em torno de 9 horas por dia e nos fins de semana também para passar em Ciências Biológicas. Minha cabeça só pega no tranco, amigos.

Terminei o Ensino Médio em 2004 e só entrei na universidade em 2008, quando passei nas 3 melhores universidades do país: USP, Unicamp e Unesp. Resolvi escolher a Unicamp, onde estou até então.

Hoje, as dificuldades do dia a dia universitário continuam comigo. E quem disse que iria ser fácil? Atualmente minha bolsa de Iniciação Científica não paga nem meu aluguel.
Mas posso dizer que estou a caminho da minha realização pessoal e acredito que as coisas melhoram com tempo, mas isso não significa que vai ser rápido, por isso é necessário paciência.

Sem contar as novas experiências que a universidade me proporciona, como aprender um novo idioma, viajar pelo país e para fora dele (um dia eu chego lá) para mostrar meu trabalho, sem gastar um centavo.

Sou uma pessoa imensamente feliz por ter persistido com toda esta loucura e tenho certeza que terei uma vida melhor futuramente.

O governo pode não fornecer as melhores condições para que você leve a frente seus sonhos, mas se você quiser, dá até para “ignorá-las” e dar o seu jeitinho. 🙂

A água nossa de cada dia

Hoje estou meio contemplativa e por isso, minha participação no Blog Action Day 2010, cujo tema é ÁGUA, foi se transformando em imagens. Dependendo da fotografia que você escolha contemplar comigo, é difícil entender alguns números e algumas estatísticas. Por exemplo… pra mim, olhando uma fotografia do Planeta Terra (tem uma que eu gosto muito neste post aqui), é absolutamente impossível ter a noção exata do que significa a seguinte matemática: de todo o 3/4 de superfície terrestre menos de 2% é de água doce e, desse tanto de água doce, uma parte mínima está diponível para consumo (porque parte está congelada em geleiras ou no solo, parte está na atmosfera, parte está poluída… vai vendo). Tem um gráfico bem bom sobre essa matemática toda da água bem aqui.

Então, vamos às imagens que eu escolhi pra dividir com vocês e depois, vamos aos números.

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+ A Organização das Nações Unidas calcula que, sejam necessários, por dia, 40 a 50 litros de água por pessoa para que sejam realizadas todas as suas necessidades. No Brasil, nosso consumo é de mais de 200 litros de água, por dia, por pessoa. Nos Estados Unidos são mais de 400 litros de água por dia, por pessoa.

+ 12% da água doce do mundo está no Brasil.

+ Por dia, 2 milhões de toneladas de lixo humano são despejados em fontes de água. Fonte: UN Water.

+ 1,2 bilhões de pessoas não tem acesso a água tratada. 2,6 bilhões não tem acesso a rede de esgoto ou qualquer forma de saneamento básico. Human Development Reports.

+ Aproximadamente 38.000 crianças morrem todas as semanas porque consumiram água contaminada e imprópria para consumo. Fonte: Charity: Water.

+ Se contarmos todas as crianças que perdem aulas por estarem doentes com diarreia ou com vermes por terem consumido água contaminada, teremos uma perda de 443 milhões de dias letivos por ano. Sem contar que essas doenças podem causar diminuição do aprendizado e atraso no desenvolvimento cognitivo. Fonte: Water Advocates.

+ Você pode calcular quanta água foi consumida para produzir seu alimento favorito. É só baixar este aplicativo para o seu iPhone.

+ Por falar em iPhone, cada vez que você carrega o seu, calcule um gasto de 500 ml de água. Considere também que existem 80 milhões de iPhones (e subindo) no mundo, que precisam ser recarregados pelo menos uma vez por dia. Fonte: IEEE Spectrum.

Outras fontes de dados:

FAO Water

E o Blog Action Day 2010 vai para…

Mais um ano, mais um Blog Action Day. Você não sabe o que é o Blog Action Day???? Você pode ter as melhores informações clicando AQUI, ou pode ler meu humilde resumo: o blog action day é uma iniciativa, que ocorre todo dia 15 de outubro, dia no qual todos os blogs do universo são convidados a escrever sobre um mesmo tema. Quando milhões de blogs escrevem sobre o mesmo tema, faz-se uma correte e força-se que todos os leitores de blog – mesmo que seja de um só – pensem a respeito dele.

E, o Blog Action Day deste ano foi escolhido e será sobre: ÁGUA! Veja o vídeo, sinta-se convidadíssimo a participar, ou postando sobre esse assunto no dia 15 de outubro, ou lendo e comentando nos blogs inscritos.

Blog Action Day 2010: Water from Blog Action Day on Vimeo.

Para se inscrever no Blog Action Day, basta clicar AQUI. Estou inscrevendo o Rastro de Carbono agorinha mesmo.

Blog Action Day 2009 – Multipost

Todo ano é a mesma coisa. Eu fico pensando sobre mil assuntos que poderia tratar sobre o tema do ano do Blog Action Day. Aí eu escrevo um post, que até fica legal, mas sempre fica aquela dúvida: “Será que se eu tivesse feito um texto sobre aquele outro assunto, ia ser melhor?”

Enfim, esse ano resolvi fazer um multipost. Esse ano, não exatamente. Acabei de resolver. Estava numa dúvida tão grande sobre o que escrever que resolvi fazer um mix e escrever um pouquinho de tudo. O resultado? Não sei ainda. Só sei que se eu gostar, vou repetir nos próximos anos.

O tema desse ano do Blog Action Day é: mudanças climáticas. Esse blog nasceu para falar sobre esse tema. Ele, na verdade, só fala sobre esse tema, de um jeito um pouco disfarçado às vezes, para não cansar a autora e os leitores. Fala de como ações pessoais podem ser úteis para as mudanças do clima, fala sobre como os cientistas lidam com o tema, ou como os políticos, em geral, não lidam. Fala sobre livros que falam sobre isso e sobre minhas próprias ações, pequenas e para muitos irrisórias, porém, minhas ações.

Se esse post fosse feito só de um desses assuntos, eu não me sentiria feliz. Então vamos ao mix.

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Sobre ações pessoais

Segundo o relatório para tomadores de decisão do IPCC de 2007, WG III, as maiores emissões de gases do efeito estufa, medidos em carbono equivalente, são provenientes de gás carbônico liberado na queima de combustíveis fósseis. 

Sim, sim. E, além dos motores dos automóveis nos quais você deve estar pensando, some nessa conta combustíveis fósseis usados em usinas termelétricas a carvão para produção de energia para casas e indústrias, muito comuns em países como a China ou os EUA, ou no asfalto usado em rodovias de todo o mundo. Pense também em todos os derivados de petróleo que temos por aí, na composição de materiais de construção, garrafas e recipientes plásticos e muitos outros.

Sendo assim, mudanças pessoais no estilo de vida e consumo podem sim ser relevantes. Faça a sua parte diminuindo a quantidade de energia elétrica consumida (nos horários de pico, cidades como São Paulo são “ajudadas” com termelétricas a carvão), opte pelo transporte público invés de seu carro, diminua seu consumo de alimentos excessivamente embalados, use sacolas de pano ou de ráfia, que podem ser reutilizadas inúmeras vezes, diminua seu consumo de copos plásticos levando sempre uma caneca.

Por falar em transporte público, hoje passei pela região do Parque do Povo e descobri que o horário da faixa exclusiva para bicicletas aos domingos agora vai até as 14 horas, e não mais só até as 12 horas como antes. De duas em duas horas, conquistamos o domingo todo, a semana toda, o ano todo!

Sobre Ciência

Fiquei espantada com a notícia dessa semana, publicada hoje por Peter Griffiths, na Reuters, (com tradução aqui) sobre a velocidade do derretimento do Ártico. Segundo o artigo, o professor Peter Wadhams, da Universidade de Cambridge, afirma que em 20 anos uma nova rota marítima poderá ser traçada durante os meses de verão, ao norte da Rússia, hoje completamente tomado pelo gelo do Ártico. Pior do que isso, o derretimento no gelo no verão poderá deixar mais fácil a extração do petróleo que há na região.

Sobre políticas públicas

Chorei com outra notícia que eu ouvi hoje – essa de tirar o chapéu. O governo da Finlândia resolveu estimular uma meta de redução de 80% de suas emissões de gases do efeito estufa até 2050, tomando como base o ano de 1990 – ao qual o Protocolo de Kyoto também se refere – o que significa que, para os padrões de emissão atuais, é muito mais do que 80%. As reduções serão concentradas principalmente sobre o consumo de energia em novos e antigos prédios e uso de tecnologias para produção de energia renovável.

Triste mesmo é comparar essa notícia com outra que eu ouvi hoje cedo na CBN sobre os gastos com poltronas de couro no congresso nacional. Ridículo.

Sobre livros

Interessantíssimo o livro que atualmente estou lendo sobre petróleo e a indústria de petróleo, principalmente norte-americana. Como ela interfere nas decisões políticas, como investe em futuros parlamentares e como obtém benefícios do governo. É impressionante e assim que eu terminar, obviamente vai sair uma resenha de “A Tirania do Petróleo” da Ediouro. O livro foi gentilmente enviado a mim pela Agência Frog.

Sobre mim

Hoje cai da escada. Foi feio. Feio mesmo. Estou com um hematoma gigantesco na perna, obviamente já sendo cuidados com compressas frias – e, se não melhorar até amanhã, com compressas quentes e frias.

Cai da escada que dá acesso a Estação Cidade Universitária, estação de trem. Tava chovendo, a escada que é provisória é lisa, eu me esborrachei. Graças aos céus nada de grave aconteceu, só o hematoma mesmo.

Aí fiquei pensando sobre o uso de transporte público, sobre as condições que o governo deve dar para as pessoas, sobre o custo do transporte em São Paulo, sobre as péssimas condições da escada provisória da estação e sobre como seria fácil, fácil o governo deixar sua população mais feliz e colocar de uma vez uma cobertura provisória na passagem provisória. Poxa vida… a gente cobra tanto que as pessoas realizem ações pessoais para melhorar a vida do planeta, então temos que cobrar dos governos ações para melhorar a vida das pessoas. Só pessoas felizes vão dedicar mais tempo para cuidar dos outros invés de cuidar de seu próprio umbigo.

Sobre o dia dos professores

Professores: o salário é baixo. Ameaças existem. Bullying não é exclusividade entre os alunos. Mas são vocês que devem iniciar pensamentos críticos sobre o meio ambiente e sobre essa nossa casa provisória chamada Terra. A casa fica para nossos filhos, netos, e netos dos nossos netos, e deve estar limpa para recebê-los, né? Professores, estimulem seus alunos com atividades sobre o tema, com textos e palestras, campanhas. É na escola que amadurece o pensamento crítico para esses e outros temas.

Feliz dia do Professor! Vocês são nossos mestres, nós, apenas aprendizes.

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Esse post é minha participação no Blog Action Day 2009

Blog Action Day 2009

Acabei de receber o email da organização do Blog Action Day!
Eles escolheram o tema desse ano! Adivinha?

Bora lá? Já cadastrei o Rastro de Carbono!

A Corrente do Bem!

Uma vez postei um vídeo aqui que trazia uma mensagem que acredito muito. Quando a gente fala em “salvar o planeta” estamos na verdade pensando em nos salvar como espécie. Quando dizemos “salvem as espécies” também temos um fundo de egoísmo pois queremos mesmo é salvar o que nos dá comida e em alguns casos o que pode vir a nos dar comidas e remédios. Sim, sim. Você pode ter ficado chocado. Mas é egoisticamente que muitos de nós pensamos. Infelizmente.

Tem uma vez que pensamos egoisticamente (como espécie, pelo menos) que só traz coisas boas. Não é pra “salvar o planeta” com já disse anteriormente (o vídeo é ainda mais claro – o planeta está aqui há 4,5 bilhões de anos, e nós?), e sim para “salvar a nós mesmos”. Essa é uma das atitudes que considero mais belas e louváveis que alguém pode fazer, por um parente próximo ou  não: DOAR SANGUE.

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DOAR SANGUE não doi, não machuca, nem provoca manchas. DOAR SANGUE faz bem para o organismo e para a alma.

Infelizmente, nem todos podem doar, então é bom que o doador esteja bem atento às condições:

  • Deve estar se sentido bem
  • Deve ter entre 18 e 65 anos de idade
  • Deve pesar mais do que 50 Kg
  • Não pode estar em jejum
  • Deve estar descansado
  • Não pode ter consumido álcool 12 horas antes da doação
  • Não pode ter fumado por pelo menos 2 horas antes da doação
  • Deve evitar alimentos com muita gordura por pelo menos 3 horas antes da doação
  • Para as mulheres, não pode estar grávida ou amamentando
  • Não pode ser do grupo de risco ou possuir doenças transmissíveis pelo sangue como AIDS, hepatite, sífilis e doença de chagas
  • Não pode ser usuário de drogas (todas sem exceção, até aquelas que alguns não consideram drogas)

Parece muito mas não é. Basta estar com a saúde em dia. É preciso pensar que o sangue doado pode ser dividido em hemácias, plaquetas, soro e pode ir para qualquer pessoa, até mesmo crianças recém-nascidas, pessoas vítimas de acidentes sérios ou que tiveram  necessidade de uma cirurgia, além de hemofílicos de todas as idades e idosos. É para ajudar a saúde do próximo sem causar problemas a sua própria saúde que todos os cuidados acima devem ser exaustivamente tomados.
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Esse post é parte da blogagem coletiva proposta pela Euba, lá no Monalisa de Pijamas

Uma semana luminosa no ScienceBlogs Brasil

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Semana que vem será uma semana iluminada e luminosa no ScienceBlogs Brasil.
Os blogueiros prometem tentar escrever sobre mil temas relacionados a LUZ, desde fenômenos ópticos, economia de energia elétrica, usos da luz nos mais diversos campos do conhecimento científico, e muito mais!
Os sciblings querem convidar você para participar desse papo cheio de energia e esperam ansiosos as mais diversas contribuições!
Quer participar? Faça um post e deixe seu comentário no Raio-X!

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