Falimos como sociedade?

Cena 1

17:30. Onibus lotado. A chuva faz as pessoas que estão sentadas fecharem as janelas. Calor, calor, calor, misturados com a umidade de fora. O motorista para em um ponto, duas pessoas descem, vinte e cinco sobem. Assim que as duas pessoas descem, o motorista fecha as portas de descida. Eu, na minha inocência mais do que infantil, xingo a mãe do motorista três vezes. Porra, velho! Não podia deixar a porta aberta pra dar uma ventilada? Saímos do ponto. No ponto seguinte, parece que Deus ouviu as minhas preces e o motorista deixa as portar traseiras aberta. Cinco pessoas sobem no ônibus sem pagar. Os erros? Ônibus lotado, caro e sem qualidade. Pessoas que se aproveitam de seus pequenos poderes e ligam de fato o foda-se para o mundo e fazem o que querem. Não há leis. Não há regras. Nada é respeitado.

Cena 2

Pessoas precisam de atenção, carinho, ajuda. Há milhares de maneiras de satisfazer as necessidades de atenção, mas cada pessoa é única e suas vontades para satisfazer seus desejos mais básicos é variável. Algumas buscam palavras. Fé. Escolhem um mestre para que sejam guiadas, para que acreditem que é possível ter esperança, ter uma vida melhor, ter salvação. Um mestre e guia com má índole traz mentiras fáceis, verdades dúbias. Traz ódio. Ódio contra o que é diferente dele. Ódio contra o que ele, o próprio guia teme. Até onde quem busca palavras é manipulado pelas palavras que ouve? Quem deve dar ao cidadão a capacidade de ser crítico e avaliar, duvidar até, do mestre que escolheu? Mudar de mestre? Mudar de fé? Deixar de ter esperança?

Cena 3

Estou cercada de pessoas que tiveram oportunidades de estudar. Algumas tomam Herbalife. Algumas tomam remédios para hipotireoidismo. Márcio Atalla, na CBN, traz o dado de que remédios para hipotireoidismo estão sendo vendidos a rodo. Por que? Porque se alguém toma remédios para hipotireoidismo sem ter a doença aumenta seu metabolismo. Resultado imediato? Perda de peso. E a saúde? Quem?

falencias

ScienceBlogs na Rio+20

O ScienceBlogs como um todo está ajudando a divulgar uma pesquisa que foi lançada pelo governo brasileiro, com o suporte do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas chamada Diálogos da Rio+20.

Para a conferência que ocorrerá logo mais no Brasil, as Nações Unidas e o governo brasileiro buscaram indicações de políticas públicas junto à 10000 atores, especialistas, cientistas de várias áreas e com várias experiências de vida e profissionais e chegaram a uma lista com 100 recomendações relevantes que poderiam ser discutidas na conferência. Essa lista de 100 recomendações pode ser votada por todas as pessoas com acesso à internet, através de um site, lançado pelo secretário geral das nações unidas, Ban Ki-moon.

O site vote.riodialogues.org é uma plataforma onde podemos votar sobre quais dessas 100 indicações consideramos mais relevantes. Os votos serão recolhidos até o dia 14 de junho, ou seja, até amanhã. A promessa é de que a opinião das pessoas poderão ajudar na seleção de 10 temas ou pilares que nortearão as discussões que ocorrerão entre 130 chefes de estado que estarão presentes na Rio+20.

Entre os temas podemos encontrar Cidades Sustentáveis, Inovações para o desenvolvimento da sustentabilidade,  Luta contra a pobreza, Alimentação e nutrição, entre outras. Dê a sua opinião e participe!

 

Acabou a sacolinha grátis. E agora?

Lixo na Julio Mesquita - Blog do Mílton Jung - Creative Commons

Entra em vigor hoje, 25 de Janeiro de 2012, o acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interrompe a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis (biodegradáveis ou não) aos consumidores. Isso significa que além de chover releases de supermercados eco-friendly na minha caixa de entrada, a partir de hoje, se você quiser acomodar suas compras em sacolas plásticas descartáveis você terá que pagar por elas. Os valores giram em torno de R$0,19 por unidade.

Todos os supermercados aderiram? Não. Mas 1,2 mil aceitaram o acordo, o que representa aproximadamente 95% dos associados da APAS.

E não adianta arrancar os cabelos e vir com aquela desculpa de que você não terá onde pôr seu lixo. Você terá, mas dessa vez, aposto que você vai levar só as sacolas necessárias para casa. Além disso, separando o lixo corretamente e destinando-o para a coleta seletiva, haverá espaço de sobra para aquilo que realmente interessa ser descartado.

Sei que muitos consumidores estão sofrendo antecipadamente com esta medida, mas a dica da vez é se informar. Sabemos que estas medidas podem ser eficazes se a população foi instruída a lidar com o lixo doméstico, a dá-lo o destino correto. Ou seremos apenas uma população com lixo solto, ao invés de lixo ensacado.

Alguns supermercados já começaram a veicular folhetos informativos e a preparar seus funcionários para informar a população sobre o acordo. E apenas a exemplo, este não é um post pago, o Carrefour São Paulo promoveu um programa de informação e conscientização para 32 mil colaboradores que visa ajudar seus clientes nesse processo de mudança. O programa consiste em informar sobre os danos causados pelas sacolas, soluções alternativas de transporte de compras e como manejar corretamente o lixo doméstico.

Sinceramente acho que o acordo tem seu valor, apesar das lacunas que sempre ficam para trás. Portanto, o questionamento remanescente é o seguinte: e o resto do lixo?

Gostaria que os consumidores aprendessem a destinar corretamente o lixo antes de uma medida que retira do seu cotidiano algo que eles ainda nem aprenderam a abrir mão. Nem mesmo sabem que a vida doméstica pode ser a mesma em tempos de sacolas racionadas.

3º dia em Manaus: Eu, o Porto, os animais selvagens e o Teatro Amazonas

Em nosso terceiro dia na capital do Amazonas, acordamos cedinho (como todos os outros dias) para caminhar até o porto da cidade e então partir para a visita ao encontro das águas. Já havíamos fechado o passeio com uma empresa certificada antes mesmo de viajarmos.
Na calçada do porto encontramos muitos agentes de turismo ilegais. Preços incríveis para visitar o encontro das águas e pegar animais selvagens no colo. Pegar animais selvagens no colo? Naquele momento imaginei uma preguiça na forma de um poodle pulando no meu colo.
Na pressa, ignoramos o tiozão que bradava na calçada e seguimos adentrando o porto.

Como qualquer porto, este recebe todo o lixo jogado às margens do rio em questão, neste caso o Rio Negro.

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Na foto vocês podem observar também as marcações dos maiores níveis já atingidos pelo Rio Negro nas cheias e o nível em que ele se encontra hoje.

Não me lembro quanto tempo levou para enfim chegarmos ao encontro das águas do Rio Negro com o Solimões, mas minha ansiedade diz que demorou. Abaixo uma foto do encontro.

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Elas seguem por aproximadamente 6km sem se misturarem devido a diferença de temperatura e de densidade entre elas.

No encontro, peguei alguns turistas jogando moedinhas na água e fazendo pedidos, dizem que dá sorte. Mas sorte mesmo tem quem mergulha ali em busca de moedas. =D

Na volta, com mais calma, resolvemos parar na calçada do porto e conversar com o guia clandestino que nos abordou, para saber as características do tal passeio imperdível com contato com animais selvagens.

Ele nos disse que a empresa que contratamos não leva para ver o animais e que com ele poderíamos pegar animais como preguiças e cobras por um preço muito melhor. Ah! Ele ressaltou que os animais são domesticados. Oi?

Mais uma vez a preguiça em forma de poodle pulou no meu colo.

É uma covardia gigante prender estes animais em cativeiro para mostrar para turistas sedentos pela vida selvagem! Um absurdo! Não quero uma Preguiça lambendo meu rosto e se fingindo de morta, porque isto não é uma Preguiça!

Ah, mas eles não tem outra alternativa para sustentar suas famílias. A justificativa de que não há outra alternativa para os guias clandestinos é muito descabida. O que eles fazem é crime e coloca em risco a vida selvagem e a vida dos próprios turistas, independente de ser em prol do seu sustento.

Manaus não vive apenas do turismo (pelo contrário), mas este o caminho mais rentável, saca?

Agora daremos um salto, um salto para a noite! Ah… a noite Manauara!

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A praça do Teatro Amazonas se transforma numa praça de cidade do interior, um lugar ótimo para passear com a família, para namorar e comer comidinhas gostosas! Tem até atrações culturais!
Sensacional!

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No dia seguinte fizemos uma visita guiada ao interior do Teatro, ele é simplesmente esplêndido! O terrível é pensar que em 1896 era uma construção no meio do nada. Vocês conseguem imaginar de onde veio o dinheiro e a mão de obra para construção desta obra? Yes baby, trabalho escravo e suor das seringueiras, vulgo látex. Tudo isso para ter a França em plena Floresta Amazônica. No teto do teatro há uma homenagem a Paris, a Torre Eiffel vista debaixo.

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Esta viagem foi cheia de detalhes, tenho certeza que não consegui passar a metade do que vivemos nestes quatro dias. Por isso, convido vocês a visitarem o blog do fotógrafo Rodrigo Baleia, da National Geographic, que conhecemos nesta viagem. Lá vocês vão encontrar muito mais a respeito deste paraíso chamado Amazônia e fotos maravilhosamente belas. Ao contrário das minhas.

Convido vocês também a visitarem Manaus, vocês vão se apaixonar e com certeza, assim como eu, vão querer voltar correndo para os braços da floresta.

Postado por: Thanuci

2º dia em Manaus: Presidente Figueiredo

 Em nosso segundo dia em Manaus, saímos da cidade bem cedo para visitar Presidente Figueiredo, que fica a 107Km da capital e é conhecida como a Terra da Cachoeiras e do Cupuaçú.

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Nossa primeira visita foi à Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Cachoeira da Onça, reserva que abriga a Cachoeira da Onça, batizada assim por um famoso curandeiro da região quando avistou pela primeira vez uma Onça Pintada às suas margens.
 
A cachoeira fica a 3Km do início da Trilha do Tauarí e a caminhada por ali é muito tranquila, há poucas raízes no caminho e o trajeto é plano, facilitando a caminhada de sedentárias como eu.

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 Naquele dia fomos as primeiras a percorrer aquele trajeto e no meio do caminho fomos surpreendidas pela pegada de outro visitante (ou morador):

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Vocês arriscariam palpitar de quem seria esta pegada? Eu particularmente não quis pensar nisto enquanto ainda estava na trilha, um procedimento pertinente eu diria, para quem de cara percebeu que era grande demais para ser de um cachorro ou de um gato.
 
Eis que chegamos à cachoeira! Um lugar maravilhoso que toda a família pode visitar, porque o poço é relativamente raso e as corredeiras abaixo da cachoeira são tranquilas. Mas todo cuidado é pouco quando se trata das pedras escorregadias, afinal a Floresta Amazônica é muito úmida e os musgos A D O R A M.

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E falando em musgos, gostaria de pedir aos visitantes que não escrevessem nas pedras da cachoeira porque os microrganismos que vivem ali são removidos mecânicamente quando você resolve deixar sua marca. Por mais pequenos que sejam, eles estão presentes e fazem uma falta danada para aqueles que tem neste substrato seu principal alimento.
  A trilha do Tauarí é uma ótima pedida para quem deseja aprender mais sobre as árvores da Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) realizou um excelente trabalho identificando algumas espécies de árvores ao longo da trilha.
 
Deixando a Cachoeira da Onça para trás, seguimos em direção às corredeiras do Rio Urubuí, um local muito visitado pelos moradores da região.
 
Lá aconteceram alguns eventos que descreverei resumidamente: apertei meu dedo na porta do carro, desci as corredeiras a bordo de uma boia, bebi uma quantidade considerável de água do rio, perdi a ternura e fui embora. Mas o lugar é lindo, basta ser um poquinho mais esperto que eu que dará tudo certo. Dica: desça as corredeiras com a boca fechada. A foto abaixo indica o que você não deve fazer.

urubui.jpg
 
Depois do episódio constrangedor seguimos para a RPPN Reserva Ecológica Cachoeira do Santuário, um lugar maravilhoso!
 
Devido a época chuvosa na Amazônia, os níveis da cachoeira estão mais altos e isto aumenta sua beleza na mesma proporção em que aumenta os riscos de acidentes. Portanto, nesta época não é recomendado se aproximar da queda d’água, principalmente com crianças. Uma queda desta cachoeira só pode resultar em duas coisas: morte ou vários ossos quebrados. Não dê trabalho!
 
Abaixo uma foto da cachoeira nesta época de cheias:

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  Depois da visita a Presidente Figueiredo, voltamos a Manaus, exaustas, mas ainda ansiosas para curtir a noite na praça do Teatro Amazonas, um lugar extremamente agradável e aconchegante nas noites dos fins de semana.
 
No nosso terceiro dia na cidade, contarei mais a respeito da praça, do Teatro e das atrações gratuitas promovidas ali.

Algumas informações importantes:
Entrada para a Cachoeira da Onça: R$10,00
Entrada para a Cachoeira Santuário: R$ 10,00
Entrada para as Corredeiras do Urubuí: Grátis

Postado por: Thanuci

1º dia em Manaus: A Capital

Esta foi a viagem mais distante que já fiz em toda minha vida. Nunca havia percorrido mais que 700Km para chegar ao meu destino e chegar até a Amazônia me parecia surreal comparado às minhas experiências turísticas. Foram 7 horas de “viagem” com escala em Brasília para enfim chegarmos a Manaus.

Fiz esta viagem esperando encontrar uma cidade grande como São Paulo, aquela correria toda, pessoas pra lá e pra cá apressadas, engarrafamentos, um grande centro comercial.
Mas Manaus não é apenas assim, a situação lá é um tanto quanto mais complicada e delicada por se tratar de um ponto muito procurado por turistas. Isso traz muitos benefícios para a população local, mas o trabalho ilegal também existe.

Encontrei uma cidade imensa, com ruas lotadas como uma boa metrópole, mas com certo descaso quanto à sinalização e tamanho das ruas, dos pontos de ônibus e das placas de trânsito. Lendo o jornal da cidade percebi que os acidentes de trânsito são problemas graves da capital.

No nosso primeiro dia, precisávamos sair do centro e chegar até o Bosque da Ciência, mantido pelo INPA, que fica a aproximadamente 14Km do local onde estavámos hospedadas. Infelizmente as placas dos pontos de ônibus não apresentavam informações corretas sobre as linhas que circulavam ali e segundo o morador para o qual pedimos informações, se fôssemos pelas placas não chegaríamos a lugar algum. Uma pena.

Então, depois de um parto para encontrarmos o ônibus e 40min de viagem pela cidade para chegar em nosso destino, finalmente encontramos o bosque. Quando entramos no local, vi as ariranhas, os peixes-boi, nos perdemos dentro do parque e fomos embora pela primeira saída que encontramos, já que não havia nenhuma pessoa que pudesse nos ajudar a ver mais alguma coisa. Sempre soube que o trabalho do INPA é sensacional, mas não foi dessa vez que consegui bater um papo com eles, talvez o dia e horário não fossem propícios.

Na volta do passeio no parque fiquei impressionada com a quantidade de ruínas pela cidade. Casarões antigos pichados com barcos abandonados “estacionados” na sua garagem, muito lixo nas calçadas e crianças “trabalhando” como guias turísticos e motoristas de barcos como forma de reabilitação para usuários de drogas. Reabilitação? Foi muito triste ver as crianças trabalhando de forma ilegal em prol do seu sustento.

Manaus será uma das cidades que abrigará jogos da copa do mundo e um novo estádio está sendo construído na cidade. Mas e o resto?

Considero Manaus as portas para a Amazônia, mas para o turista que a visita se motivar a descobrir o que há por trás daquela selva de pedras, muita coisa tem que mudar.

No próximo post contarei as belezas de Manaus e da região, então vocês saberão porque vale a pena visitá-las e porque já estou com vontade de voltar!

Postado por: Thanuci

A Ciência, por Claudio Angelo

Hoje, o jornalista Claudio Angelo se despediu da posição de Editor de Ciências da Folha de São Paulo com um post no blog Laboratório. Para um divulgador de Ciências, a troca do editor de Ciências de um jornal ou revista de grande circulação no país tem mais ou menos o mesmo gosto que a troca do técnico da seleção brasileira de futebol para a maioria da população. Isso porque, assim como o técnico da seleção, o editor de Ciências tem por objetivo traçar estratégias, escalar os melhores profissionais e lutar bravamente por um gol, neste caso, por uma pauta, por um assunto, que equilibrem a vontade de vender do dono do jornal/revista com a importância que a notícia representa no mundo científico.
Com o post “A Ciência não sabe de nada“, Claudio Angelo explica como ninguém o que é Ciência e como ela funciona: “A ciência é melhor em produzir dúvidas e perguntas”. É isso que provavelmente gera insegurança nas pessoas e produz correntes anti-ciência e negação da ciência por aí a fora – a luta às vezes disfarçada, às vezes descarada contra avanços tecnológicos e científicos como as vacinas, novos tratamentos à doenças, novos materias ou novas formas de cultivo de plantas ou de criação de animais, uso de energia nuclear, negação da participação do homem no aquecimento global, etc, etc, etc.
Talvez a maior pergunta que fica para a população geral é: Como podemos investir tanto investimento em dinheiro, pessoas, tempo, na produção de dúvidas e não de certezas? Citando o monólogo “Letting Go of God” interpretado por Julia Sweeney, Claudio Angelo enfatiza ainda mais essas dúvidas: “Os cientistas não conseguem decidir se café é bom ou ruim para a saúde, se o planeta está esquentando muito ou pouco, se o homem tem 100 mil ou 20 mil genes, se o Sistema Solar tem oito ou nove planetas.” E as dúvidas nunca acabam, nunca acabam, e é dessa insatisfação dos cientistas que as Ciências andam. O importante para os cientistas é, a todo custo, tentar refutar a todo tempo, a todo experimento, as hipóteses que ele ou seu grupo de pesquisa levantam. E é assim que tem que ser. Ciência sem a vontade louca do cientista de provar-se errado (e não certo!) não é Ciência.
Claudio Angelo deixa a Editoria para voltar a ser repórter, agora em Brasília, e deixa o cargo para Reinaldo José Lopes, um dos jornalistas de ciências mais competentes da atualidade e companheiro de condomínio, no Chapéu, Chicote e Carbono-14. Vida longa e próspera ao Reinaldo e que tenha forças para lutar por notícias, escalar profissionais e traçar estratégias para trazer o melhor da Ciência do mundo para a divulgação científica brasileira.
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Não deixem de ler a despedida do Claudio Angelo em “A Ciência não sabe de nada” clicando AQUI

Você vende carbono, mas eu posso não querer comprar.

Ah… as relações de compra e venda…

Vai lá o cidadão, trabalha, se esforça, bota um produto no mercado e nada de alguém querer comprar. Sei lá, pode ser o preço, pode ser a qualidade, pode ser que ele seja feio e de mau gosto e só você não notou, pode ser só que a hora de vender não era adequada pro produto (tipo tentar vender bronzeador em dia de chuva, sabe?)… Mas a verdade cruel é que pode ser que ninguém esteja interessado naquele momento.

Isso aconteceu ontem.

A BM&F (Bolsa de Valores Mercadorias e Futuros) realizou ontem, dia 8 de abril de 2010, o primeiro leilão de créditos de carbono voltados ao mercado voluntário (os outros dois leilões organizados pela BM&F foram do Aterro Bandeirantes e do Aterro São João, ambos do mercado regulado e ambos foram arrematados). 

Foram postas para leilão 180.000 unidades de redução de emissão verificadas de gases do efeito estufa, divididos em três lotes de 60.000 unidades cada. Uma unidade de redução vale 1.000 toneladas de carbono equivalente (Ceq), e tinham como preços iniciais de R$ 10,00 a R$ 12,00 a unidade, variando conforme o período em que foram gerados os créditos. Ou seja, para um lote de 180.000 mil unidades, esperava-se um faturamento mínimo de 1,8 milhões de reais.

Resumindo:

1 unidade = 1000 toneladas de Ceq = R$ 10,00 (no mínimo)

180.000 unidades = 1,8 x 10ˆ8 toneladas em Ceq = R$ 1,8 milhões (no mínimo)

Mas…

Nada foi arrematado.

Os créditos (validados pela UNFCCC) eram de titularidade e administrados pela Carbono Social Serviços Ambientais e referiam-se a redução de emissões gerados a partir da troca de combustíveis fósseis por biomassa renovável (bagaço de cana-de-açúcar, caroço de açaí, casca de arroz, entre outras) em fábricas de porcelana localizados em São Paulo (Panorama, Paulicéia), Pará (São Miguel do Guamá), Pernambuco (Lajeado, Paudalho), Sergipe (Itabaiana), Minas Gerais (Ituiutaba) e Rio de Janeiro (Itaboraí).

Isso me lembrou muitíssimo a reunião de ontem na FIESP, onde se propôs a constituição de uma comissão para definir normas para um mercado de carbono tupiniquim. Saiba aqui.

O GP de F1 e a Braskem

Hoje aconteceu o GP de Fórmula 1 aqui no Brasil. Grandes expectativas giravam em torno de Rubens Barrichello mas, de novo, não foi dessa vez. Mesmo com toda a festinha de “secar” o Button, os acidentes das primeiras voltas, o safety car, o pneu furado do Rubinho e seu famoso azar do cão, fizeram do britânico campeão da temporada antes mesmo da temporada acabar.

Só que quem levou pra casa o troféu do GP Brasil foram Webber, Kubica e Hamilton.

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Imagem de Rede Notícia.

Diferente dos troféus que são vistos por aí, cheios de pompa e riqueza, o troféu brasileiro foi ousado, moderno e deu para o mundo um exemplo de é possível transformar lixo em arte e beleza.

Ousadia e modernidade na forma de plástico reciclado – uma pequena parte das prováveis toneladas de lixo produzidos durante os três dias de GP. Arte e beleza na forma de Oscar Niemeyer, um grande arquiteto moderno reconhecido aqui e no exterior, mesmo design do ano passado, com novo material.

O troféu foi produzido bem ali, no autódromo, por técnicos especiaizados da Braskem.

A Braskem é uma petroquímica brasileira formada em 2002 pela fusão da Copene, Trikem, OPP, Proppet, Polialden e Nitrocarbono (empresas dos grupos Odebrecht e Mariani). Em 2007, mais uma fusão, dessa vez com a Ipiranga Petroquímica num negócio de bilhões de dólares envolvendo a Petrobras e a Ultrapar.

A empresa produz polietileno, polipropileno, benzeno, butadieno, tolueno, xileno e isopreno, ou seja, não é nada “green”. Mas, tenta minimizar suas intervenções ao meio ambiente. Tenta investindo dinheiro em pesquisa e desenvolvimento para a produção de etileno a partir do etanol produzido pela cana-de-açúcar. Tenta participando de promoções como essa do GP brasileiro de F1 ou produzindo briquedos feitos com o plástico verde (o tal do etileno de cana-de-açúcar).

Vale a pena ficar de olho nessa empresa – vale a pena pesquisar o que de fato é verde e o que não passa de green washing por exemplo. Vale lembrar que, de cana-de-açúcar ou não, etileno é etileno e vai poluir do mesmo jeito, causando os mesmos problemas que o plástico de petróleo se não for adequadamente descartado e manejado. Ainda assim, parabéns ao Brasil pela ousadia de fazer um troféu que vai enfeitar de modo especial as estantes já cheias desses pilotos de F1. Tomara que a ideia se propague por aí. Quem sabe na Copa ou nas Olimpíadas, continuamos transformando lixo em prêmios?

Tem cachoeira? Tem sim senhor!

—- Bem me diziam que a terra

se faz mais branda e macia
quando mais do litoral
a viagem se aproxima.
Agora afinal cheguei
nesta terra que diziam.
Como ela é uma terra doce
para os pés e para a vista.
Os rios que correm aqui
têm água vitalícia.

[…]

Mas não avisto ninguém,
só folhas de cana fina
somente ali à distância
aquele bueiro de usina
somente naquela várzea
um bangüê velho em ruína.

Trecho de Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Porto de Galinhas é um distrito da cidade de Ipojuca/PE. Ipojuca, do tupi-guarani Iapajuque (Água escura), fica a apenas 57 Km de Recife e tem o município de Escada como cidade vizinha.

Segundo o Guia Quatro Rodas, de Porto de Galinhas à Escada são 42 Km e cerca de uma hora de viagem. Diga-se de passagem, 42 Km de estradas federais e estaduais, canaviais e canaviais, usinas, estrada de terra e cachoeiras.

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Caminho para Escada

Em Escada, seguindo o Rio Ipojuca, várias cachoeiras podem ser interessantes pontos de visitas, como a Cachoeira do Urubu, a Cachoeira da Purificação e a Cachoeira do Convento. Para chegar a elas, recomenda-se a contratação de um jipeiro, que pode ser feita nos próprios hotéis em Porto de Galinhas.

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Cachoeira do Urubu

Na Cachoeira do Convento fica o Restaurante Moquém, onde delicia-se com a excelente culinária típica nordestina, como o Baião de Dois e Bolinhos de Aipim. Vale muito a pena. A comida acompanha excelente forró nordestino e uma vista belíssima para a cachoeira.

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Cachoeira do convento

No caminho para as cachoeiras, prepare-se para ver casas extremamente simples e trabalhadores do corte da cana. Espere para ver crianças crescendo peladas no chão de terra e crianças pedindo por moedas, canetas ou qualquer outra coisa que você esteja carregando. Aguarde para ver quilômetros e quilômetros de cana, sinais de fumaça da queima da colheira ou das chaminés das usinas. Espere para ver o que 500 anos de colonização fizeram a mata da zona da mata, transformando-a em zona da cana.

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