Solo Amazônico. Uma riqueza por si só mantida

O Monitoramento feito pelo Boletim do Desmatamento, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) detectou, durante o mês de Dezembro de 2011, 40 quilômetros quadrados de área desmatada na Amazônia Legal. A maior parte do desmatamento está em áreas privadas ou outros tipos de posse, seguidas de assentamentos de reforma agrária, unidades de conservação e terras indígenas.
O solo amazônico é composto em sua maior parte por minerais argilosos ou mesmo arenosos, caracterizando um solo pobre em matéria orgânica. Toda sua diversidade e beleza é mantida em virtude de uma fina camada de nutrientes proporcionada pela biomassa da floresta (folhas, galhos e frutos senescentes), aliada a um regime pluviométrico favorável e aos microrganismos que habitam o solo.
Os solos desmatados, como os detectados pelo Imazon, perdem rapidamente a matéria orgânica original e seus microrganismos, tornando-se infértil e deixando produtores locais sem meios para recuperar a fertilidade observada no início do cultivo.
Há importantes estudos brasileiros sobre os impactos ambientais do desmatamento na Amazônia, dentre eles podemos destacar o trabalho de Lira et. al., o qual avaliou os impactos ambientais do uso da terra em áreas de assentamento. Este estudo levou em consideração os processos migratórios para a região estudada e os impactos ambientais ocasionados por eles.
Os autores destacam em seu trabalho sistemas de produção inadequados para as condições agroecológicas locais, como o corte e queima (da vegetação primária e secundária) e a adoção da pecuária extensiva em larga escala.
A superexploração dos recursos extrativistas, a ausência de critérios ecológicos e o curto ciclo de utilização da terra, são outras práticas que produzem impactos ambientais negativos, citados por Oliveira (1998) em seu trabalho com os seringueiros do estado do Acre, trabalho também citado por Lira et. al.
Por este motivo, e por tantos outros,  é importante a produção associada a planejamentos que considerem a manutenção dos ecossistemas naturais e também a recuperação de áreas degradadas. Estes planejamentos compõem os Sistemas de Uso da Terra, também chamados de SUT.

Os microrganismos, principalmente a  mesofauna, atuam indiretamente na decomposição da matéria orgânica. José W. de Moraes et. al., em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto do Rio Solimões,  registrou os primeiros dados sobre a riqueza da mesofauna do solo em SUTs de comunidades ribeirinhas da Amazônia Ocidental. Este estudo mostrou que SUTs do tipo roça parecem manter uma gama de organismos do solo semelhantes ao da floresta primária, ao passo que o sistema agroflorestal apresenta composição semelhante ao das pastagens.

Outros organismos importantes na manutenção da saúde do solo que são perdidos com o desmatamento são os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), os quais garantem uma absorção rápida dos nutrientes do solo pelas raízes antes que estes sejam levados pela lixiviação. A eficiência destes fungos em sistemas de uso na Amazônia foram analisados por pesquisadores brasileiros, trabalho de Silva, G. A et. al., publicado na Revista Acta Amazonica, no ano de 2009.

Portanto, estudos sobre as melhores formas de utilização do solo e ações que valorizam os produtos amazônicos, é de suma importância para manutenção dessas áreas. Auxiliar os produtores locais na escolha do uso da terra e reconhecer os limites da exploração dos recursos da região, permite que o manejo preserve condições cruciais encontradas em sistemas naturais e que mantém sua diversidade, quando utilizadas corretamente.

Referências bibliográficas e leituras sugeridas:

  1. SILVA, Gláucia Alves e; SIQUEIRA, José Oswaldo; STÜRMER, Sidney Luiz. Eficiência de Fungos Micorrízicos Arbusculares Isolados de Solos Sob Diferentes Sistemas de Uso na Região do Alto Solimões na Amazônia. Acta Amazonica, v. 39, n. 3, p.477-488, 2009.

  2. MORAES, José W de et al. Mesofauna do Solo em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto Solimões, AM. Ecology, Behavior And Bionomics: Neotropical Entomology, v. 39, n. 2, p.145-152, abr. 2009.

  3. OLIVEIRA, R. L. Extrativismo e Meio Ambiente: conclusões de um estudo sobre a relação do seringueiro com o meio ambiente. In: HOMMA, A. K. O. Amazônia: meio ambiente e desenvolvimento agrícola. Brasília, 1998.

  4. de LIRA, E. M.; Wadt, P. G. S.; GALVÃO, A. de S.; RODRIGUES, G. S. Avaliação da capacidade de uso da terra e dos impactos ambientais em áreas de assentamento da Amazônia ocidental. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 6, n. 2, 2006.

Acabou a sacolinha grátis. E agora?

Lixo na Julio Mesquita - Blog do Mílton Jung - Creative Commons

Entra em vigor hoje, 25 de Janeiro de 2012, o acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interrompe a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis (biodegradáveis ou não) aos consumidores. Isso significa que além de chover releases de supermercados eco-friendly na minha caixa de entrada, a partir de hoje, se você quiser acomodar suas compras em sacolas plásticas descartáveis você terá que pagar por elas. Os valores giram em torno de R$0,19 por unidade.

Todos os supermercados aderiram? Não. Mas 1,2 mil aceitaram o acordo, o que representa aproximadamente 95% dos associados da APAS.

E não adianta arrancar os cabelos e vir com aquela desculpa de que você não terá onde pôr seu lixo. Você terá, mas dessa vez, aposto que você vai levar só as sacolas necessárias para casa. Além disso, separando o lixo corretamente e destinando-o para a coleta seletiva, haverá espaço de sobra para aquilo que realmente interessa ser descartado.

Sei que muitos consumidores estão sofrendo antecipadamente com esta medida, mas a dica da vez é se informar. Sabemos que estas medidas podem ser eficazes se a população foi instruída a lidar com o lixo doméstico, a dá-lo o destino correto. Ou seremos apenas uma população com lixo solto, ao invés de lixo ensacado.

Alguns supermercados já começaram a veicular folhetos informativos e a preparar seus funcionários para informar a população sobre o acordo. E apenas a exemplo, este não é um post pago, o Carrefour São Paulo promoveu um programa de informação e conscientização para 32 mil colaboradores que visa ajudar seus clientes nesse processo de mudança. O programa consiste em informar sobre os danos causados pelas sacolas, soluções alternativas de transporte de compras e como manejar corretamente o lixo doméstico.

Sinceramente acho que o acordo tem seu valor, apesar das lacunas que sempre ficam para trás. Portanto, o questionamento remanescente é o seguinte: e o resto do lixo?

Gostaria que os consumidores aprendessem a destinar corretamente o lixo antes de uma medida que retira do seu cotidiano algo que eles ainda nem aprenderam a abrir mão. Nem mesmo sabem que a vida doméstica pode ser a mesma em tempos de sacolas racionadas.

Duas horas dentro de um supermercado. Infernal.

Sou uma criatura que odeia aglomerações de pessoas como shoppings lotados e etc. Se eu pudesse, compraria até pães pela internet. Mas como isso não é possível, sou obrigada a gastar minha saúde em caldeirões infernais chamados supermercados.

Nesta sexta-feira, saímos de casa mais cedo (Panaggio e eu), para fazer compras no supermercado mais “barato” próximo da nossa casa: o Wal-Mart do Shopping Dom Pedro, aqui em Campinas.

Chegando lá, meu namorado e eu, encontramos vários produtos na promoção e enchemos o carrinho. Entretanto, ao passar pelo caixa, a surpresa: 4 itens com preços errados. Eu achava que o supermecado lotado era o inferno, mas foi aí que o caldeirão ferveu.

É direito do consumidor, caso haja discrepância entre o valor da etiqueta e aquele passado no caixa, o pagamento do menor valor apresentado.

Um gerente do loja disse que teríamos todo o nosso dinheiro gasto com aqueles produtos com preços incorretos devolvido. Mas a moça do atendimento se recusou a devolver na ausência do gerente (que nos deixou ao relento e foi resolver “coisas mais importantes que nós”).

Passamos mais de uma hora para resolver o problema dos preços errados e procurando o gerente dentro do supermercado, até ele ser anunciado e mandar outro gerente no lugar para tentar resolver nosso problema.

Veja bem, quase 90% da minha compra de supermercado são produtos congelados. Eu não tenho tempo para cozinhar, portanto, eu como essas coisas todas que nós colocamos no freezer e depois esquentamos no microondas.

Depois deste tempo todo esperando um outro gerente resolver o nosso problema, adivinha o que aconteceu com a nossa comida? Derreteu, óbvio. Um calor infernal, um shopping lotado feito fila do bandejão, só podia dar nisso.

Eu passei este tempo todo buscando meu direito de consumidora e de brinde perco aquilo que paguei?

Exigimos que todas as nossas compras derretidas fossem trocadas por outras. E foram, finalmente. Junto com elas, recebemos R$16,00 que gastamos comprando coisas com preços diferentes daqueles apresentados nas prateleiras.

Sempre conferimos a nota fiscal antes de seguirmos para casa, e mesmo que a diferença seja de R$0,10, pedimos nosso dinheiro de volta. É um direito nosso.

Para nós que compramos um item apenas, a diferença parece pequena, mas para as pessoas que compram 100 itens com a diferença de R$0,10, são R$10,00 de prejuízo! Logo, me sinto no dever de zelar pela compra de outras pessoas, afinal, gostaria que elas fizessem o mesmo por mim.

Agora, o Mr. Wal-Mart que jura ser uma empresa preocupada com o meio ambiente, além de ensacar minhas compras em outros estabelecimentos com outra sacola plástica para evitar roubos (assunto para outro post) ainda me faz desperdiçar comida e meu precioso tempo? Faça-me um favor…

Rapidinha Curiosa da Semana: Rios Voadores

Ventos alísios (que alisam a superfície terrestre) vindos do Oceano Atlântico, ficam mais úmidos quando passam pela floresta Amazônica. Isto ocorre devido a grande quantidade de terpenos liberados pela floresta, que juntamente com a grande concentração de radiação incidente na região formam núcleos de condensação, consequentemente, nuvens!

Ao passar pela floresta, os ventos úmidos seguem em direção ao Chile e batem no imenso paredão da Cordilheira dos Andes. Este “choque” direciona a chuva para o interior do continente fazendo com que estas regiões também recebam chuvas, as quais não chegariam na mesma concentração se o relevo da Cordilheira não fosse o que conhecemos atualmente e se a floresta não existisse ali. Mais um ponto para a Floresta Amazônica!

Mas, por que Rios Voadores?

Nesse esquema todo são transportados em torno de 3000m3 de água, volume maior que a vazão do Rio São Francisco.

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Rapidinhas de períodos de prova na Unicamp, a gente vê por aqui. 😉

Carona, quem nunca pegou?

Recentemente encontrei um “serviço” que tem me ajudado muito na vida universitária. A carona.

Desde décadas passadas que universitários, com grana ou não, aproveitam movimento das cidades universitárias para arranjar aquela vaguinha no carro alheio para voltar para suas cidades natal.

O fato é que as caronas facilitam muito a vida dos universitários, tanto no quesito financeiro quanto no quesito praticidade. Mas todas essas vantagens se esbarram no grande problema da segurança das cidades universitárias.

Foi pensando neste problema que um grupo de alunos aqui da Unicamp criou o Unicaronas, um site onde apenas alunos das principais universidades do país podem compartilhar suas caronas para casa.

Quem tem carro oferece caronas, quem não tem também pode se inscrever para procurar sua vaga.

As caronas são pagas, mas nem se compara ao preço que pagaríamos para chegar de ônibus, mesmo que a uma cidade próxima da universidade. Sem contar a comodidade de sair da porta da universidade e ser deixado no lugar combinado.

Por cima, eu por exemplo, gastaria para sair da Unicamp e chegar na casa dos meus pais:

R$20,00 e aproximadamente 2h de viagem – via transporte público

R$40,00 e aproximadamente 40min de viagem – via carro próprio

Via carona eu gasto R$10,00 e 40min de viagem.

O sistema do Unicaronas é muito fácil de usar e recentemente estreou com uma cara nova: www.unicaronas.com.br. Confira se sua universidade participa da rede e aproveite a oportunidade de conhecer pessoas novas e economizar uma graninha no final do mês.

Vale lembrar que mesmo com um sistema que facilite e aumente a segurança das caronas, devemos tomar muito cuidado nas escolhas, para não cair numa fria sem volta.

‘Unicaronas é mais amigos e menos poluição, menos engarrafamentos e menos dores de cabeça com o transporte público medíocre da sua cidade.’

twitter: @unicaronas

Parques flamejantes de inverno

A cada ano que passa, basta chegar o inverno, que os noticiários já exibem as perdas devido a seca e os consequentes incêndios ocasionados pela irresponsabilidade humana aliada à baixa umidade do ar.

Durante esta estação do ano, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil são as mais castigadas pelas doenças respiratórias e queimadas ocasionadas pela seca. Chove pouco neste período e vai ser nesta época que aquele seu vizinho que adora atear fogo em mato seco vai fazer seu ritual anual. E ele acha que tem controle sobre o fogo que ateia, mas na verdade, não tem.

No ano passado, relatei em outro blog, um dos mais tristes “incidentes” ambientais brasileiros devido à seca, o incêndio no Parque Nacional da Serra da Canastra, que abriga nada mais nada menos que a Nascente do Rio São Francisco. Sim, aquele que nasce no sul de Minas e deságua no mar lá em Sergipe.

O Parque Nacional da Serra da Canastra tem aproximadamente 71. 525  hectares e engloba parte do território de 3 municípios:  Sacramento, São Roque de Minas e Delfinópolis no sudoeste da minha querida Minas Gerais.
O parque está localizado predominantemente no Bioma Cerrado e como tal, além da nascente do Velho Chico abriga diversas espécies de animais selvagens como:

O Veado-Campeiro, vulnerável à extinção:

O Tamanduá-Bandeira, também vulnerável quanto ao seu estado de conservação:

O Pato-Mergulhão, em perigo crítico de extinção, dentre outras importantes espécies da fauna brasileira. Sem contar a riqueza da flora regional, que compõe uma linda paisagem muito requisitada por turistas.

Falemos então, da vegetação daquela região.

O Cerrado apresenta duas estações do ano bem definidas: o inverno seco e o verão chuvoso. Na região do parque, na ocasião do incêndio, não chovia há quase dois meses e isto facilitou muito a dispersão dos focos de incêndio.

Então no dia 26 de Agosto de 2010 surgiram os primeiros focos de incêndio no parque, e já no dia 31 mais de 40% da reserva já havia sido tomada pelo fogo. O laudo da perícia concluiu que o incêndio foi criminoso e que foram encontradas pegadas humanas formando uma trilha entre a área de origem de um dos focos e a floresta ao norte do parque.

Desde a sua criação, a Serra da Canastra sofre com a ação de fazendeiros que desejam ver a reserva fora de questão. No ano de 2006, ocorreu o maior incêndio criminoso já enfrentado pelo parque, no qual foram queimados 40.000 hectares, o que corresponde a mais da metade da unidade de conservação.

Se você pensa que atear fogo propositalmente é demais para seu coração, não tenha dúvidas de que os fazendeiros dificultam também o reflorestamento da região, como constatei na minha visita ao parque juntamente com a Paula, no ano passado. Muitas vezes são movidos pela ignorância e falta de informação, sem mencionar a ganância por ocupar imensas áreas de floresta nativa com pastagens para o gado.

E se você acha que impedir o reflorestamento de áreas degradadas também é demais para o seu coração, saiba que no inverno de 2010, 21 incêndios invadiram áreas de conservação e todos eles são suspeitos de ação criminosa. Desses 21 parques flamejantes, 13 ainda queimavam, depois de um mês da descoberta do primeiro foco.

Estou aqui hoje, basicamente para informar sobre a importância destes parques, não só para a fauna e flora, mas para a população dessas regiões, que tem seu ganha pão no turismo ecológico e nas pessoas que apreciam uma natureza diversa como a que possuímos em nosso país. Também aproveito a oportunidade para chamar a nossa responsabilidade à tona, para que não tenhamos mais surpresas desagradáveis neste inverno.

Então, se você não deseja ver nossas belezas em grayscale, aí vão algumas algumas dicas:

  • Evite jogar bitucas de cigarro acesas na pista. Com o tempo seco, elas podem não se apagar e este fogo pode resultar no que temos presenciado todos os dias na TV.
  • Se você está aproveitando o calor para acampar na mata, evite acender fogueiras e se você acende, faça isto em locais permitidos, e ao deixar o local, certifique-se de que ela está totalmente apagada.
  • Não solte balões.
  • Não solte fogos de artifício em matas.
  • Não coloque fogo em terrenos baldios, você pode perder o controle das chamas e elas podem chegar até a sua residência.

SWU 2010: um post para considerações futuras

No ano passado fui insider do Festival SWU e não gostei nada, nada do que vi. Este ano já estou vendo o quanto as pessoas estão se precipitando com relação a este evento, mesmo não tendo participado no ano passado, mesmo sem pagar para ver o que vai acontecer este ano.

Portanto, não vou tomar partido nenhum antes de conferir o que irá acontecer, prefiro acreditar que as coisas podem melhorar (mesmo que pouco), sem deixar de considerar a hipótese de que pode piorar ou mesmo não mudar em nada. Quero ser justa, apenas.
Por isso, quero deixar registrado aqui no Rastro de Carbono, meu post sobre o festival que presenciei no ano passado, mais alguns posts de colegas insiders e do nosso condomínio Science Blogs para minhas considerações futuras e minha então posição sobre o que será o Festival SWU.
Um festival

O Festival SWU se foi e muitas pessoas esperam as considerações daqueles que foram os divulgadores oficiais do movimento e do festival em si.

Existe muita informação passando pela minha cabeça neste pós-festival e eu tentarei ser o mais organizada possível para passar minhas sensações sem que este post vire um cabaré de cegos.

Acho que devo começar dizendo porque aceitei ser insider do movimento, colocando meu nome no tatame e o nome do Blog Radar Verde, que não é uma propriedade minha, mas é de minha responsabilidade e competência.

Enfim, aceitei ser insider do movimento SWU, por que eu estou de acordo com o Compromisso Público de Sustentabilidade e com o Plano de Ações de Sustentabilidade (que já tratarei neste post) divulgado pela organização. Não existem super-heróis que nos levarão a sustentabilidade, tudo isso realmente começa com nossas atitudes individuais.

Ninguém aqui é obrigado a conhecer meu íntimo, mas quem já o faz sabe que não sou uma pessoa que sai de casa apenas para ir a um festival, a não ser que este tenha alguma coisa relacionada à minha vida e/ou ao meu trabalho. Eu realmente levo estes assuntos como trabalho sério, afinal a vida de universitária não me permite determinadas regalias que muitos jovens tem hoje. Um festival qualquer, dispende dinheiro, todos nós sabemos que os custos dentro destes locais são altíssimos. E não adianta apedrejar o Festival por cobrar caro por bebidas e alimentação por que à qualquer show que você vá vão arrancar seu couro, relaxa.

Ficar ao lado dos meus amigos, reencontrar pessoas que não via há algum tempo e conhecer pessoas novas seriam consequências do meu trabalho e este post conta também porque fiquei apenas com as consequências do festival.

Não quero de maneira alguma culpar a agência de comunicação idealizadora do projeto #insiders #SWU, uma vez que já conhecia o trabalho deles de ante-mão, e não tive nenhum problema neste aspecto. Aliás, fiquei contente por me levarem à sério apesar da minha pouca idade e da pouca experiência que tenho com a blogagem e me tratarem com carinho, o que não acontece comigo todos os dias, exceto com pessoas deste meio que me consideram como se eu fosse alguém da sua própria família e me adotam com a maior paciência do universo.

Logo, acompanhando o evento com o olhar de quem não estava lá apenas para ver as bandas percebi que o caos estava em outros fundamentos.

Vamos lá, vejamos se eu consigo me organizar e colocar todas as questões que me incomodaram no Festival, utilizando como base os trechos a que dizem respeito. Estes trechos constam no Compromisso Público de Sustentabilidade do movimento SWU e seu Plano de Ações de Sustentabilidade, retirados destes links, respectivamente:

http://www.swu.com.br/pt/movimento-swu/swu-compromisso-publico-de-sustentabilidade/

http://www.swu.com.br/pt/swu/noticias-swu/swu-plano-de-acoes-de-sustentabilidade/

Os tópicos em negrito, são originais dos links acima e os trechos em itálico são as observações feitas por mim no festival:

Direitos Humanos Em todas as nossas atividades, atuamos conforme os princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos e outros padrões e tratados internacionais e não toleramos condições de trabalho degradantes, trabalho infantil, forçado ou análogo ao escravo.

    Ok, vamos começar por este trecho. Se você foi ao festival e ficou mais de 2 horas debaixo de um sol escaldante para ver sua banda predileta, fique tranquilo porque as pessoas que trabalharam nos estacionamentos e nas revistas passaram muito mais tempo torrando seus miolos naquele mormaço do fim de semana.

Não-discriminação Não aceitamos nenhuma forma de discriminação em função de cor, sexo, opção sexual, religião, origem, classe social, idade ou condições físicas nas relações com todos os nossos públicos.

No dia 10/10, eu estava dormindo sentada em uma cadeira na sala de imprensa do Festival, esperando meus amigos terminarem de assistir os shows, quando uma senhora desesperada veio implorar para que divulgássemos o descaso com seu irmão cadeirante, que foi impedido pela organização de assistir os shows que estavam rolando naquele dia.

Espaço “privilegiado” para deficientes físicos? Havia. Mas estavam abarrotados de pessoas em cima de suas próprias pernas, como se ali fosse a área VIP.

Educação em sustentabilidade Queremos conscientizar, mobilizar e transmitir os valores da sustentabilidade a todos que estiverem de alguma forma no movimento, seja como participante, seja na organização.

Educação ambiental não é horta e lixeiras coloridas não querem dizer que os valores da sustentabilidade estão sendo transmitidos. O fórum estava cheio de pessoas interessadas no assunto, mas as pessoas que realmente precisavam ser atingidas estavam lá fora, consumindo e jogando lixo para cima, como se fossem confetes.

Sem contar a proibição da entrada de alimentos e garrafas d’água no evento, gerando um enorme desperdício de comida já na portaria. Consumo consciente? Não se viu.

Sem contar as pessoas que foram proibidas de tomar suas cervejas nas latas e foram obrigadas a passar o conteúdo para um simpático copo descartável do patrocinador. Isso vale para os refrigerantes também.

Inclusão Social Em nossas contratações de serviços, daremos preferência, sempre que possível, à mão de obra local, cooperativas e micro e pequenos fornecedores, contribuindo assim para a geração de renda e inclusão social.

Não presenciei mão de obra local, mas vi várias famosas empresas de fast-food vendendo seus lanches pelo dobro do preço e pela metade do cozimento do alimento. Aliás, passei mal comendo um destes pequenos notáveis.

Ingressos caros, lanches caros, bebidas caras e o desperdício de comida. Inclusão social?

Saúde e Segurança Empenhamos-nos para propiciar um ambiente saudável e seguro a todos os envolvidos em nossas atividades e eventos, por meio do estabelecimento de padrões rígidos de saúde e segurança, da avaliação de possíveis riscos e definição de procedimentos para evitá-los.

Sou uma pessoa que antes de saber onde está o palco, deve saber onde está o posto médico. E como não podia ser diferente, depois de passar mal com o participante do item anterior, fui ao posto médico. Chegando lá me deparei com um cara gorfando sua cervejinha, enquanto as enfermeiras sugeriam para ele tomar coca-cola e comer espetinho de carne.

Não sei se ia servir para muita coisa, mas eu disse a elas quais remédios sou alérgica.

Transparência, ética e combate à corrupção O relacionamento com todos os parceiros deve ser baseado em ética e transparência. Além disso, repudiamos e combatemos a corrupção em todas as suas formas e não aceitamos parcerias com instituições de idoneidade duvidosa.

Agora, vocês podem me dizer: Ah, mas isso
que você citou acima acontece em qualquer festival! Eu sei. E se eu tivesse me tocado que o negócio estava tombando para um festival qualquer, eu teria pulado fora. Como eu já disse anteriormente, me falta experiência, mas isso tudo me serve como aprendizado.

Faltou transparência, todo o compromisso divulgado no site era de um festival e um movimento baseado nas políticas sustentáveis, mas percebam que tudo o que ocorreu foram políticas de um festival qualquer. A Paula Signorini, em um post do Blog Rastro de Carbono me chamou a atenção para este aspecto, que até então eu não tinha levado em consideração. Um evento verde não precisa ser sustentável, desde que isso seja colocado de maneira clara para os divulgadores e para seus participantes.

Teoricamente, todos estes tópicos disponibilizados pelo site do movimento SWU, deveriam ser utilizados em todas as ações, inclusive no festival.

Legislação Ambiental Todas as nossas atividades e de nossos parceiros devem estar em conformidade com leis e regulamentos ambientais.

Bom, com a legislação ambiental até a Vale diz que está de acordo. Até Aldo Rebelo diz estar de acordo. Essa parte é fácil.

Baixo Impacto Ambiental Buscaremos sempre reduzir, compensar ou eliminar nossos impactos ambientais. Dessa forma, em todos os nossos eventos e ações, buscaremos cumprir com os seguintes aspectos e metas: a) realização de eventos de baixo carbono e desenvolvimento de processos para redução e mitigação das emissões de gases poluentes; b) preferência pelo uso de materiais reciclados ou recicláveis e que tenham origem certificadas de acordo com padrões sócio-ambientais; c) destinação correta dos resíduos; d) desenvolvimento de processos para baixo consumo de água e energia; e) revitalização da área do festival.

Para este item, ler todos as minhas observações anteriores.
Enfim. Vocês podem deixar suas opiniões no espacinho ali em baixo. :)

Sugiro que vocês leiam alguns textos de convidados para o fórum e de outros insiders do festival.

http://www.isabellices.com/o-que-foi-o-swu/

http://www.rockinpress.com.br/2010/10/12/a-imprensa-contra-a-imprensa-o-porque-o-rockinpress-foi-expulso-do-swu/

http://scienceblogs.com.br/rainha/2010/10/o_swu_foi_otimo_e_coerente.php

http://scienceblogs.com.br/rastrodecarbono/2010/10/evento_verde_tem_de_ser_susten.php

http://uoleo.wordpress.com/2010/10/13/o-mais-longo-e-insustentavel-dos-dias/

Desabafo

Como ainda tem gente que joga lixo para fora da janela do carro sem nem ficar vermelha????
Já faz uns dias que venho observando. É latinha (de cerveja), é bituca de cigarro, é papel, embalagem de lanche, de bolacha.
[Grito silencioso]
PQP! Vai emporcalhar a sua casa!
[Fim do grito silencioso]
Fica só o luto. Aqui jaz uma cidade limpa.

Coca-cola

Não é intenção deste post discutir o que eu penso do consumo absurdo de coca-cola, nem dos milhões de latas e garrafas plásticas que vão parar só Deus sabe onde após o consumo, nem dos projetos de sustentabilidade da empresa, nem nada disso. Este post tem uma intenção. Dizer o quanto esses caras são bons de marketing.
Este é um dos vídeos:

Este é o outro, que eu só achei em espanhol, mas dá pra entender tudinho.

E aqui vai a letra da música que é cantada e a sua tradução:
Whatever
Oasis
I’m free to be whatever I
Whatever I choose
And I’ll sing the blues if I want
I’m free to say whatever I
Whatever I like
If it’s wrong or right it’s alright
Always seems to me
You only see what people want you to see
How long’s it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don’t cost much
Free to be whatever you
Whatever you say
If it comes my way it’s alright
You’re free to be wherever you
Wherever you please
You can shoot the breeze if you want
It always seems to me
You only see what people want you to see
How long’s it gonna be
Before we get on the bus
And cause no fuss
Get a grip on yourself
It don’t cost much
I’m free to be whatever I
Whatever I choose
And I’ll sing the blues if I want
Here in my mind
You know you might find
Something that you
You thought you once knew
But now it’s all gone
And you know it’s no fun
Yeah I know it’s no fun
Oh, I know it’s no fun
I’m free to be whatever I
Whatever I choose
And I’ll sing the blues if I want
I’m free to be whatever I
Whatever I choose
And I’ll sing the blues if I want
Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it’s alright
Whatever you do
Whatever you say
Yeah I know it’s alright.

Tudo Que
Oasis
Eu sou livre para ser tudo que eu
Tudo que eu escolho
E eu cantarei o Blues se quiser
Eu sou livre para dizer tudo que eu
Tudo que eu gosto
Se está errado ou certo está tudo bem
Sempre me parece
Você só vê o que pessoas querem que você veja
Quanto tempo vai ser assim
Antes de subir no ônibus
E sem causar confusão
Domine a si mesmo
Isso não custa muito
Livre para ser tudo que você
Tudo que você diria
Se trata do meu jeito certo
Você é livre para estar onde quer que você
Onde quer que você queira
Você pode atirar no ar se você quiser
Sempre me parece
Você só vê o que pessoas querem que você veja
Quanto tempo vai ser assim
Antes de subir no ônibus
E sem causar confusão
Domine a si mesmo
Isso não custa muito
Eu sou livre para ser tudo que eu
Tudo que eu escolho
E eu cantarei o Blues se quiser
Aqui na minha mente
Você sabe que pode encontrar
Algo que você
Você pensou que conhecia
Mas agora tudo desapareceu
E você sabe que isso não é divertido
Yeah, Eu sei que isso não é divertido
Oh, Eu sei que isso não é divertido
Eu sou livre para ser tudo que eu
Tudo que eu escolho
E eu cantarei o Blues se quiser
Eu sou livre para ser tudo que eu
Tudo que eu escolho
E eu cantarei o Blues se quiser
Faça o que quiser
Diga o que quiser
Yeah, Eu sei que isso é certo
Faça o que quiser
Diga o que quiser
Yeah, Eu sei que isso é certo

O que você vai fazer amanhã?

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Amanhã é a Hora do Planeta. Eu já discuti sobre esse tema outras vezes aqui, e já dei minha opinião sobre esse movimento.
Amanhã, dia 26 de março de 2011, entre 20:30 e 21:30.
O que você vai fazer?
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