Solo Amazônico. Uma riqueza por si só mantida

O Monitoramento feito pelo Boletim do Desmatamento, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) detectou, durante o mês de Dezembro de 2011, 40 quilômetros quadrados de área desmatada na Amazônia Legal. A maior parte do desmatamento está em áreas privadas ou outros tipos de posse, seguidas de assentamentos de reforma agrária, unidades de conservação e terras indígenas.
O solo amazônico é composto em sua maior parte por minerais argilosos ou mesmo arenosos, caracterizando um solo pobre em matéria orgânica. Toda sua diversidade e beleza é mantida em virtude de uma fina camada de nutrientes proporcionada pela biomassa da floresta (folhas, galhos e frutos senescentes), aliada a um regime pluviométrico favorável e aos microrganismos que habitam o solo.
Os solos desmatados, como os detectados pelo Imazon, perdem rapidamente a matéria orgânica original e seus microrganismos, tornando-se infértil e deixando produtores locais sem meios para recuperar a fertilidade observada no início do cultivo.
Há importantes estudos brasileiros sobre os impactos ambientais do desmatamento na Amazônia, dentre eles podemos destacar o trabalho de Lira et. al., o qual avaliou os impactos ambientais do uso da terra em áreas de assentamento. Este estudo levou em consideração os processos migratórios para a região estudada e os impactos ambientais ocasionados por eles.
Os autores destacam em seu trabalho sistemas de produção inadequados para as condições agroecológicas locais, como o corte e queima (da vegetação primária e secundária) e a adoção da pecuária extensiva em larga escala.
A superexploração dos recursos extrativistas, a ausência de critérios ecológicos e o curto ciclo de utilização da terra, são outras práticas que produzem impactos ambientais negativos, citados por Oliveira (1998) em seu trabalho com os seringueiros do estado do Acre, trabalho também citado por Lira et. al.
Por este motivo, e por tantos outros,  é importante a produção associada a planejamentos que considerem a manutenção dos ecossistemas naturais e também a recuperação de áreas degradadas. Estes planejamentos compõem os Sistemas de Uso da Terra, também chamados de SUT.

Os microrganismos, principalmente a  mesofauna, atuam indiretamente na decomposição da matéria orgânica. José W. de Moraes et. al., em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto do Rio Solimões,  registrou os primeiros dados sobre a riqueza da mesofauna do solo em SUTs de comunidades ribeirinhas da Amazônia Ocidental. Este estudo mostrou que SUTs do tipo roça parecem manter uma gama de organismos do solo semelhantes ao da floresta primária, ao passo que o sistema agroflorestal apresenta composição semelhante ao das pastagens.

Outros organismos importantes na manutenção da saúde do solo que são perdidos com o desmatamento são os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), os quais garantem uma absorção rápida dos nutrientes do solo pelas raízes antes que estes sejam levados pela lixiviação. A eficiência destes fungos em sistemas de uso na Amazônia foram analisados por pesquisadores brasileiros, trabalho de Silva, G. A et. al., publicado na Revista Acta Amazonica, no ano de 2009.

Portanto, estudos sobre as melhores formas de utilização do solo e ações que valorizam os produtos amazônicos, é de suma importância para manutenção dessas áreas. Auxiliar os produtores locais na escolha do uso da terra e reconhecer os limites da exploração dos recursos da região, permite que o manejo preserve condições cruciais encontradas em sistemas naturais e que mantém sua diversidade, quando utilizadas corretamente.

Referências bibliográficas e leituras sugeridas:

  1. SILVA, Gláucia Alves e; SIQUEIRA, José Oswaldo; STÜRMER, Sidney Luiz. Eficiência de Fungos Micorrízicos Arbusculares Isolados de Solos Sob Diferentes Sistemas de Uso na Região do Alto Solimões na Amazônia. Acta Amazonica, v. 39, n. 3, p.477-488, 2009.

  2. MORAES, José W de et al. Mesofauna do Solo em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto Solimões, AM. Ecology, Behavior And Bionomics: Neotropical Entomology, v. 39, n. 2, p.145-152, abr. 2009.

  3. OLIVEIRA, R. L. Extrativismo e Meio Ambiente: conclusões de um estudo sobre a relação do seringueiro com o meio ambiente. In: HOMMA, A. K. O. Amazônia: meio ambiente e desenvolvimento agrícola. Brasília, 1998.

  4. de LIRA, E. M.; Wadt, P. G. S.; GALVÃO, A. de S.; RODRIGUES, G. S. Avaliação da capacidade de uso da terra e dos impactos ambientais em áreas de assentamento da Amazônia ocidental. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 6, n. 2, 2006.

Ter ou não ter? Eis a questão!

Muitas mudanças ocorrem na vida das pessoas que engravidam. Depois que o bebê nasce, há necessidade de estabelecer uma rotina toda especial para acolher o novo ser, o novo morador da casa. Para alguns pais, a mudança é tão radical que a criança passa a ser o centro de todas as atenções, e tarefas ou eventos que antes eram parte do cotidiano do casal, deixam de existir. Em casos extremos, até o “casal” deixa de existir como casal e passam a ser apenas um homem e uma mulher (geralmente mas não exclusivamente) cuidando de outro ser.

Por conta dessas mudanças todas e mais outras que não sou capaz de relatar, muitos casais passam por um grande momento de reflexão. Ter ou não ter uma criança? Eis a questão.

Um dos pontos que podem passar na cabeça dos pais é a ambiental. Sim… acredito que esse tema passe na cabeça de alguns pais – a minoria deles. Nunca vi ninguém dizer que não gostaria de ter filhos POR CAUSA do impacto que isso teria no meio ambiente – em geral, o impacto ambiental é parte de uma lista de outros motivos para não ter filhos – o econômico, a saúde financeira, a liberdade do casal de fazer o que quer na hora que quer, a impressão de “incapacidade” de criar e formar um novo cidadão, etc, etc, etc.

Fiz até uma breve enquetezinha no Twitter. As respostas seguem:

@panaggio: Deixar de ter filhos não. Mas me limitar a ter poucos sim

@corinthiana: Óbvio, isso seria uma ótima desculpa hahaha

@clauchow: Unica e exclusivamente por essa causa? Nao, essa é só MAIS UMA causa…

@thanuci: Eu não deixaria de tê-los mas também não sairia me reproduzindo por cissiparidade também. ^^

@mabegalli: é a “causa ambiental” pode ser vista tb em 1 sentido cognitivo: sociedade,violencia, $

@dcoutosilva: Não..

@danielegal: Não e vc?

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Eu??? Eu não. Mas não consigo deixar de pensar na ideia de não ter. Tudo porque racionalmente eu sei que o excesso de seres humanos na Terra pode acabar levando a um colapso total, com ausência de recursos para a sobrevivência de todos. “Pode acabar levando” porque também tenho esperanças de que somos inteligentes o suficiente para trabalharmos em possibilidades de reutilização, reciclagem, redução de consumo, uso de energia renovável, agroecologia, etc, etc, etc.

Chega ser até bem simples pensar racionamente: quanto mais seres vivos dependem de um recurso essencial para viverem, como água, por exemplo, menos teremos desse recurso por indivíduo. Se, além de termos recursos finitos (como e exemplo da água), ainda temos problemas em mantê-los adequados para uso (limpa, potável, inodora, etc, etc, etc) então há de se esperar que esse recurso tende a chegar a zero quanto maior for a população e quanto maior o descaso com o recurso (poluição, desperdício, etc, no caso do nosso exemplo).

Uma alternativa é pensar em levar uma vida o menos impactante possível, e fazer da vida desse novo ser também o menos impactante possível. Infelizmente, ainda não somos uma sociedade preparada para sermos o “menos impactante possível”. E, algumas tentativas de fazer isso “cheiram” para alguns coisa de eco-chato, xiita do clima, hipponga e mais tantas outras coisas que já ouvi.

E você? Já pensou em não ter um filho pela causa ambiental? Já pensou que, no futuro, o índice de natalidade pode ser controlado por políticas públicas? O que pensa sobre ter ou não filhos?

A reconstrução do tempo

Há vários dias quero escrever sobre como anda minha percepção do tempo – principalmente nas grandes cidades – nos dias atuais. Tudo começou com uma reflexão em um feriado qualquer: ir ou não a um aniversário na quinta feira a noite do outro lado da cidade. Aniversário, boca livre, encontro com a família estavam de um lado. Caos, trânsito, estresse de congestionamento pré-feriado, do outro.

Ganhou, claro, o “vou ficar em casa”. Poxa vida… marcar aniversário numa quinta-feira a noite pré-feriado é muito ruim e muita sacanagem. E, depois da reflexão, votei que era um desrespeito enorme com as pessoas. Todas. As convidadas e as anfitriãs. 

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Relógio astronômico de Praga. Flicrk, crédito de simpologist.

Em outro feriado qualquer, festa em outra cidade. Quando? No domingo à noite, volta de outro feriado. Trânsito, trânsito. Caos. Litros de combustível queimados para ficar parado. Estresse. Nem preciso dizer que ganhou, de novo, o “vou ficar em casa”, né? Gente… não dá. Temos que nos readaptar às novas realidades do mundo. Temos um mol de carros das ruas, não vamos acabar com todos eles amanhã, o IPI continua baixo, o que só significará mais carros nas ruas. No caos das preparações pré e pós-feriado, até os transportes públicos são caóticos. E, nas duas condições acima, ir de bicicleta, a pé, de patins, estava absolutamente fora de cogitação.

Dia de semana. Reunião de trabalho. Nada mais justo, necessário e digno sair para uma reunião de trabalho. Hora marcada: 17:00 hs. Eu fico mesmo pensando se temos o direito de entrar em contato com quem marcou a reunião e dizer: “Amigo, pelamordedeus, não dá pra ser mais cedo? Sabe, é que, se locomover em São Paulo às 17:00 horas é um caos. E as 18:30 horas, estimado para o fim da reunião, é pior ainda.” 

Óbvio, que não pude me aguentar e entrei em contato. Vai que… né? Ainda bem que eram pessoas que entendem a lógica do trânsito e toparam adequar o horário. Aperta agenda daqui, aperta dali. Remarca um telefonema internacional, pede licençinha pra atender um telefonema durante a reunião. Nada disso, mesmo, me incomoda mais do que ficar horas no trânsito. Nada.

Sinto, de verdade, que o aniversário, a festa, a reunião, e tantos outros eventos que convidamos e somos conviados diariamente, não são marcados para “sacanear” com as pessoas. Definitivamente não são. Mas, me intriga o fato de ainda não termos nos dado conta – eu inclusive – de que alguns horários não são mais praticáveis, não são mais saudáveis.

Vai ser difícil se adequar aos limites temporais dos próximos tempos? Sem dúvidas. Mas eu vou tentar.

Ainda não flopou, mas eu voto que vai flopar*

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Fonte: http://nypost-se.com/news/world_news/flopenhagen-could-things-go-rotten-in-the-state-of-denmark/

*Flopar é um aportuguesamento (?) do verbo inglês to flop que significa mudar, falhar, ou melhor, miar.

* O termo “Flopenhague” tem sido usado mundo afora. No Brasil, por Claudio Angelo, no Laboratório.

A regra é clara: o Protocolo de Kyoto vale só até 2012. O Protocolo de Kyoto cumpriu seu papel na medida em que trouxe um monte de novidades: a inauguração de uma era onde pensar no meio ambiente tornou-se chave em diversos setores, a possibilidade de mudança de uma estratégia energética e econômica baseada em consumo de recursos para estratégias baseadas em recursos renováveis, a possibilidade de mudanças no estilo de vida de cada um, de modo que cada um pensasse mais no meio ambiente.

Fato é que, sem punições para os países que não cumprem com suas metas, o Protocolo de Kyoto fica meio “frouxo”. Eu entendo que, de repente, é óbvio que, nossos camaradas governantes, têm o DEVER SOCIAL, POLÍTICO E AMBIENTAL de cumprir com as metas – e por isso não precisavam de uma “punição”, porque, afinal, o descumprimento parecia, simplesmente, burrice. Estamos falando que, no caso de um descumprimento, as chances de tornar a vida na Terra um tanto mais insuportável são grandes. Veja. Tornar a vida insuportável pode significar extinção gradativa ou diminuição considerável na riqueza de centenas, milhares, de espécies animais e vegetais. Inclusive uma tal de Homo sapiens, que no momento, me parece pouco “sapiens”.

Então tá. Como bons “sapiens” que somos, já entendemos que o prazo de validade do Protocolo de Kyoto está chegando ao fim. Também parece óbvio que tenhamos que substituí-lo por alguma coisa, outro acordo mundial, outro compromisso com redução de gases do efeito estufa, outro compromisso com energia renovável, investimento tecnológico, crescimento baseado em eco-economia, respeito às comunidades mais vulneráveis, respeito à vida e à saúde da  população do mundo. Óbvio? Nem tanto. 

A COP-15 acontece o mês que vem, há exatos 20 dias (acompanhe o countdown aqui). Há um ano ela era a esperança da manutenção de um acordo mundial sem precedentes na história. Hoje, já duvido. Yvo de Boer, secretário-executivo da Convenção do Clima, disse oficialmente que os representantes dos países presentes na COP-15 devem chegar lá com decisões claras, de modo a garantir que essa reunião seja o marco de um novo tratado entre os países signatários de Kyoto (leia mais aqui). A ver pelo Brasil, tenho dúvidas de que “decisões claras” sejam de fato o que os representantes levarão. Atualmente voto mais num “eu só faço se o fulano fizer”, “só diminuo se meu vizinho diminuir”, “só proponho metas se os países emergentes também reduzirem”. Quer apostar? Eu espero perder.

Minha bola de cristal diz que China e EUA vão mijar no pé e chegar lá de mãos abanando. Os países emergentes, que tanto fizeram e significaram para a confecção do acordo de 1997, perderam totalmente as rédeas da liderança e agora só pensam em como tirar proveito do resto. Vide o Brasil, que não tem metas de redução baseadas nas emissões de 1994 (diferente do universo, as “reduções” brasileiras adotam critérios de “estimativas de emissões previstas para 2020” – ridículo), dificilmente adotará alguma meta decente e só quer saber de cobrar os outros. Conta os metros quadrados de não-desmatamento da Amazônia mas assiste de camarote a savanização do Cerrado e a transformação do nosso maior bioma em pasto – ou monocultura, depende de quem chegar primeiro. Discute de portas fechadas o novo código florestal e aos poucos torna mais enxutas nossas unidades de conservação.

Nosso Ministério do Meio Ambiente? Esse, sinto muito, perde qualquer discussão para o forte e poderoso Ministério da Agricultura, independente dos ministros que ocupem as casas. Com a Agricultura não tem tempo quente. Tem que ter produção. E pra produzir precisa espaço. E se aquela “mata feia” não dá dinheiro, arranca fora que tem o que nos dê. E assunto encerrado.

Mas uma vez, estou esperando ver essa COP-15 naufragar. Não vejo esforços dentro da nossa casa, não vejo esforços no exterior. E como acordos mundiais do porte de Kyoto dependem de boa vontade dos governantes, sinto que não teremos boas notícias em 20 dias. Uma pena. Mais uma vez o lucro e o dito “desenvolvimento a qualquer custo” vão vencer. 

Saiba mais:

+ Anfitrião de Copenhague e EUA já falam em adiar acordo sobre clima 

+ Prazo do Código Florestal não deve ser prorrogado, diz ministro

+ Brasil, UE e emergentes vão pressionar China e EUA para meta de CO2, diz Minc

Trafigura e a importação de lixo tóxico

É capaz de você já ter ouvido ou lido por aí sobre o mais novo escândalo do momento: a importação de lixo tóxico pela empresa Trafigura. É… é isso mesmo. Importação de lixo tóxico, você não leu mal.

Agradeça às mídias sociais por esse escândalo ter vindo à tona. O jornal britânico Guardian, pela primeira vez na sua história e contrariando os direitos de expressão dispostos em lei na Inglaterra desde 1688, foi proibido de falar sobre o caso. Foram pressões vindas de mídias sociais, como o Twitter – na qual #trafigura figurou entre os Trending Topics – que fizeram o bloqueio a censura cair, permitindo que os jornais britânicos seguissem com as denúncias.

O caso é o seguinte: Trafigura, com sede em Londres, é uma imensa comercializadora de óleo e commodities. A empresa é responsável pela morte e danos a mais de 30.000 africanos contaminados com lixo tóxico no que é chamado o pior desastre relacionado a poluição da atualidade.

Na semana passada, denuncias sobre o escândalo chegaram ao parlamento britânico em forma de uma pergunta sutil e de um relatório (conhecido como Minton report) – e foi aí que o jornal Guardian foi impedido de falar sobre o caso. O relatório dizia como o lixo tóxico de enxofre foi parar na região de Abidjan

Como aconteceu

O óleo de petróleo, comprado pela Trafigura no México, foi transportado pelo navio Probo Koala, e processado de modo, “porco” e barato – envolvia a chamada “lavagem cáustica” – nos tanques do próprio navio. Esse procedimento faz as impurezas do óleo de petróleo barato mexicano, basicamente derivados de enxofre, separarem-se do óleo tornando-o mais “puro” (e mais caro). Os resíduos de enxofre ficaram dessa maneira acumulados no fundo do tanque do navio e o óleo, pode ser comercializado a preços maiores.

Os resíduos que sobraram no fundo, após a retirada do óleo comercializável,  geraram uma forma de lixo tóxico, que após ser analisado em Amsterdan, recebeu uma proposta cara de manejo – não era o lixo tóxico habitual, era muito pior. Descontente com a proposta, o navio foi ordenado a buscar outros portos e seguiu para a África. 

Dia 19 de agosto de 2006 o lixo foi deixado em Abidjan. Assim que foi deixado, vários moradores locais começaram uma prática comum a eles: reviraram o lixo em busca de algo com valor suficiente para ser vendido.

O terrível cheiro tomou conta da região. Adultos e crianças morreram vítimas da intoxicação. Outras tantas ainda sofrem as consequências, como perda de seus bebês recém-nascidos. Rios foram contaminados, peixes morreram. Tudo isso para satisfazer a ganância por mais lucros da empresa Trafigura.

O que a empresa diz: Cheira, mas não é perigoso! 

Entretanto, em entrevista para a Newsnight, em 2007, o co-fundador da Trafigura, Eric de Turckheim não fica muito confortável com as peguntas: “Por que vocês mandaram o lixo para a África?” ou “Por que vocês mandaram para a África um resíduo que custaria meio milhão de euros para ficar seguro na Holanda?”

As respostas de Turckheim são vagas, e passam por “os resíduos eram apenas água, soda cástica e gasolina, não eram perigosos” ou “Ivory Coast é um ponto de comércio e tem autorização para lidar com os resíduos”. 

A entrevista vale a pena ser assistida se você entende inglês ou não, só para ver o desconforto do entrevistado – é o terceiro vídeo, nesse endereço.

Saiba mais

BBC News – Dirty tricks and toxic waste in Ivory Coast

Guardian – How UK oil company Trafigura tried to cover up African pollution disaster

Wikileaks – Minton report: Trafigura toxic dumping along the Ivory Coast broke EU regulations, 14 Sep 2006

Porque livro bom é livro livre

Livro bom é livro livre. A gente lê, armazena a informação interessante para nós, e passa pra frente. Alguém que não pode comprar livros novos (porque são caros) lê e armazena as mesmas informações que você, ou outras, que lhe parecem mais interessantes e passa pra frente de novo. Considerando que você goste de livros de papel (e não ebooks), bibliotecas públicas são fantásticas exatamente porque é possível ler praticamente qualquer livro sem ter que comprá-lo. Sebos são sensacionais para achar aquela edição antiga daquele livro que ninguém publica mais. Trocar, reutilizar, compartilhar, dividir. Tão legal e sustentável num mundo de tanta compra.
Eu estava há tempos com os livros para serem reutilizados em uma caixa lá em casa. Alguns amigos que foram me visitar nesse período saíram com exemplares pra eles, mas ainda assim sobraram livros. A semana passada resolvi que deveria libertá-los de uma vez por todas. São livros legais, que eu li, gostei, mas dificilmente vou ler de novo – OK… tem uns que eu não gostei… e esses eu não vou ler de novo mesmo.
Pensei em levar a um sebo, tentar vender ou conseguir créditos para pegar outros livros no sebo mesmo, mas só de pensar em carregar aquele monte de livros para algum lugar (não tem nenhum sebo perto de casa então havia necessidade de uma certa logística), desisti.
Tentei anunciar no Twitter, num esquema “dê seu lance, não precisa ser muito” mas não consegui nenhuma resposta.
Tentei registrá-los no site Estante Virtual mas descobri que só pessoas com CNPJ podem vender [UPDATE] – o Luiz Bento, nos comentários, diz que ele já cadastrou livros pra vender sem CNPJ, eu que não consegui/procurei direito [/UPDATE], embora qualquer um possa comprar – e de fato é uma excelente alternativa. Já comprei livros através da Estante Virtual e fiquem bem feliz!
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Pensei também em libertá-los num esquema mais “libertatório” ainda, mas a verdade é que ainda não me acostumei bem com essa ideia e por isso fiquei meio triste e me achei extremamente “loser” “conservadora”. Um dia, quando eu for grande, vou tentar deixar um livro ao relento, sujeito a ventos, chuvas e trovoadas, coco de pombos e afins. (Embora de fato eu acredite que alguém vai achar e salvar o livro bem antes de qualquer um desses problemas de origem natural).
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Qual a solução? Doar para uma biblioteca pública me ocorreu, mas me lembrei da logística associada ao sebo e também desisti. Tem uma escola pública DO LADO de casa, mas nenhum dos livros é exatamente literatura infantil ou infanto-juvenil. Tem livros em inglês, por exemplo, mas não são para iniciantes nos estudos da língua estrangeira, então também não adiantaria levar pra escola de inglês DO OUTRO LADO de casa.
Resolvi olhar o site Trocando Livros. Me pareceu uma alternativa interessante. Eu registro o livro, alguém escolhe, eu envio e pago a taxa de envio e ganho um ponto se for uma boa garota. O ponto serve pra eu escolher o livro que alguém registrou.
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Sexta feira (menos de uma semana antes de ter registrado os livros) ganhei meu primeiro ponto no Trocandolivros. Recebi o pedido, embrulhei o livro, paguei R$ 3,80 para enviá-lo ao Paraná e agora, com o meu ponto posso escolher qualquer livro – que eu de fato desejo que esteja em um estado de conservação tão bom quanto estava o que eu mandei. Gostei. Gostei muito. Essa alternativa me serviu muito muito bem.
E aí? Aposto que tem livros pra você libertar na sua casa. Escolha seu método e liberte-o. Livro bom é livro livre!
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Alternativa para os livros de papel:
Domínio Público

Reflexões sobre o dia mundial sem carro

logodiamundialsemcarro.gifHoje é dia 22 de setembro. Desde a década de 1990, comemora-se nesse dia o Dia Mundial sem Carro

Mais do que o dia das pessoas deixaram (ou tentarem deixar) seus carros em casa, esse é um dia de reflexão sobre a mobilidade urbana, sobre como contribuimos com a cidade onde vivemos. É o dia que deixamos (ou tentamos deixar) o universo particular do nosso carro e nos deixamos envolver pelo universo de pessoas, situações, coisas boas e problemas da cidade que geralmente passam despercebidos ou não nos incomodam quando estamos parados no trânsito, no aconchego do nosso automóvel.

Vamos aos fatos… eu não tenho números, mas posso apostar um braço que a quantidade de carros nas ruas da década de 1990 pra cá, só aumentou. O que penso sobre isso? Mais do que “as pessoas não estão refletindo o suficiente e estão comprando carros extras para fugir do rodízio” penso que de lá pra cá poucas políticas públicas que buscam melhorar a mobilidade em grandes centros urbanos foram postas em prática. Penso que deixar única e exclusivamente a responsabilidade sobre cada um, pessos físicas, funciona no começo, mas não vai funcionar para sempre. 

É hora de investimentos em transporte público, ciclovia, carros eficazes para uso de energia renovável. É hora de sobretaxarmos carros velhos e poluentes e não fazer o que fazemos,  deixando o IPVA deles grátis. É hora de investimentos em segurança para ciclistas, pedestres e outros meios de transporte alternativos. 

Mas… O que vi por aí ontem e hoje foi isso: (aí vai uma amostra)

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Triste né? Triste que as campanhas para Dia sem Carro, Hora do Planeta, ou qualquer outra iniciativa semelhante tenham se reduzido a campanhas chatas e sem propósito e, por consequência sem adesão, até mesmo para pessoas inteligentes que sempre têm várias opiniões legais. 
Triste que não acreditemos que campanhas como a do Dia Mundial sem Carro vão fazer prefeitos e governadores, vereadores e deputados refletirem sobre suas próprias ações, ou mais, sobre políticas públicas que façam as ações pessoais serem melhores. 
Triste que, mesmo que os governos estejam se preparando para que as pessoas façam adesão à campanha, a gente consiga reclamar que se houver aumento de trânsito, vai ser culpa do governo, que aumentou os transportes públicos disponíveis.
Ano passado eu postei sobre isso. Estava mais otimista, eu acho. Isso porque, pra mim, deixar o carro em casa não é mais um sacrifício faz tempo. Mas refleti sobre algumas coisas. Por exemplo: 
1) Acho que a responsabilidade por seu transporte de casa até o trabalho, durante o trabalho, e do trabalho até em casa é da empresa e o que quer que seu carro tenha emitido nesse percurso é responsabilidade dela, portanto, se você tirou seu carro da garagem hoje SÓ para trabalhar, está participando ativamente do Dia Mundial sem Carro.
2) Acho que as opiniões públicas variam mais do que maré. Ora biocombustíveis são a solução da energia no futuro, ora o petróleo do pré-sal é que é sinônimo de poder. Ora estamos sendo ouvidos nas conferências internacionais sobre o clima por nossos exemplos, ora estamos planejando construção de termelétricas a carvão e carros movidos à diesel. Por essas e outras que não depositamos crédito nenhum em campanhas de cunho ambiental e ainda chamamos quem levanta a bandeira de xiitas ecochatos.
Nesse momento de reflexão, hoje, estou um pouco cética, talvez menos do que eu estava na Campanha da Hora do Planeta, mas ainda assim, cética. Acho que cá como lá, falta educação ambiental de qualidade. 
Cá menos que lá, admito. Tem uma porção de coisas sendo feitas por aí hoje. No site Catraca livre, por exemplo, algumas opções. No site Nossa São Paulo, mais umas tantas, que começaram dia 17 de setembro e vão até dia 24, quinta-feira próxima. E aí? Você vai aderir à campanha hoje? Vai refletir sobre isso?

Troco toalhas por árvores

O que você acha de uma campanha que busca plantar 1 bilhão de árvores por ano? É loucura? É impossível? Não tem lugar? Nem dinheiro? Não tem apoio, investimento, vontade política, volutários? Pois bem… A Organização das Nações Unidas, através do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) lançou a iniciativa mas o objetivo deles não é mais plantar um bilhão de árvores… é plantar SETE bilhões de árvores!

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Como? Encorajando crianças, jovens, adultos, idosos, comunidades, cidades, empresas, indústrias, sociedade civil e governos a assumirem o compromisso de plantar quantas árvores conseguirem. Pode ser uma? Pode! As pessoas e instituições públicas ou privadas assinantes devem buscar um ambiente a ser reflorestado e estudar espécies nativas daquele ambiente. Também se responsabilizam por sair em busca de recursos para colocar a ação em prática! Como faz pra participar? Basta preencher esse formulário de comprometimento e atualizar as informações constantemente para o PNUMA monitorar o plantio e o crescimento das árvores!

A idéia é da Professora Wangari Maathai, queniana, bióloga, Prêmio Nobel da Paz em 2004 e fundadora do Movimento Cinturão Verde. A fundação da Professora Maathai já plantou mais de 30 milhões de árvores em 12 países africanos desde 1977 e agora serve de exemplo para o plantio de 7 bilhões de árvores no mundo todo.

Tem iniciativa acontecendo no Brasil? Tem! A Accor Hospitality, sob as marcas Sofitel, Pullman, Novotel, Mercure, Suitehotel, Ibis, all seasons, Etap Hotel, Formule 1 e Motel 6 contribuirá para o plantio de 3 milhões de árvores em sete diferentes regiões florestais do mundo e uma delas é o Brasil, na região da Bacia do São Francisco, através da Nordesta Reflorestamento e Educação! Outros locais contemplados são o sudoeste da França, com o Programa Forestavenir da Forestour no Senegal, na zona de Le Niayes, na Tailândia, através do Plant a Tree Today (PATT).

Em Minas Gerais, na região próxima ao Parque Nacional da Serra da Canastra, na cidade de Vargem Bonita, por exemplo, o trabalho da Nordesta já começou. Já foram plantadas mais de 3.000 árvores em propriedades como a da Pousada da Limeira, antigamente área de mineração intensa. Até o final desse ano, serão 90.000 árvores. O plantio deve acontecer em dezembro e janeiro, época de chuva, quando a terra está apta para receber as mudas. Atualmente, as mudas habitam o viveiro da Universidade Federal de Lavras.

Mas, de onde a Accor está tirando os investimentos para esse projeto? Essa é a parte mais legal e que dá nome a esse post. Os clientes dos hotéis são convidados a não disporem suas toalhas para lavar todos os dias (como já acontecem em vários lugares) e assumem eles próprios o compromisso da ação. A cada cinco toalhas não lavadas, 50% do dinheiro economizado vai para o plantio das árvores lá, do ladinho de uma das nascentes do Velho Chico. O Plant for the Planet fica inserido dentro do Programa Earth Guest que a Accor desenvolve desde 2006, buscando a preservação dos recursos naturais da Terra.

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A Accor me convidou para ver o local onde as árvores serão plantadas e para conhecer um pouco mais da Serra da Canastra e da nascente do São Francisco. A viagem foi espetacular, as pessoas, ainda mais. Espero poder voltar lá em dezembro para ajudar no plantio.

Rastro de Carbono ganha prêmio de divulgação científica

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Ontem foi divulgada a lista dos ganhadores do Prêmio ABC para blogs científicos. O Rastro de Carbono ficou em primeiro lugar na categoria “Ambiente e Ciências da Terra”. O anúncio foi feito pelo Professor Osame Kinouchi em seu blog, o Sem Ciência.

O Prêmio ABC é idealizado pelo Laboratório de Divulgação Científica da USP Ribeirão Preto. Os concorrentes aos prêmios pertencem ao Anel de Blogs Científicos e os votos são abertos somente para a própria comunidade.

O Anel de Blogs Científicos é composto por blogs de excelente qualidade, mantidos por pessoas incríveis, com conhecimento profundo sobre o que escrevem. Ficar em primeiro lugar em uma lista de blogs tão bons com eleitores tão críticos me deixa extremamente feliz.

A premiação ocorrerá no próximo final de semana, no II Ewclipo – Encontro de Weblogs Científicos em Língua Portuguesa.

As categorias e ganhadores são:

Ambiente e Ciências da Terra
1) Rastro de Carbono (BR) – 26 votos
2) Geófagos (BR) – 16 votos
3) Ecodesenvolvimento (BR) – 13 votos

Ciência Geral, Política Científica e Tecnologia
1) 100nexos (BR) – 20 votos
2) 42 (BR) – 14 votos
3) SemCiência (BR) e Xis-Xis (BR) – 11 votos

Ciências da Vida
1) Brontossauros em Meu Jardim (BR) – 23 votos
2) Rainha Vermelha (BR) – 16 votos
3) RNA Mensageiro (BR) – 12 votos

Química, Física e Astronomia , Matemática e Computação
1) Chi Vó Non Pó (BR) – 21 votos

2) Ars Physica (BR) – 12 votos
3) Big Bang Blog (BR), Física na Veia (BR), Desafios Matemáticos (PT) e [UPDATE] Café com Ciência (BR) [/UPDATE] – 6 votos

Ciências Sociais e Humanidades , Educação e Blogs Didáticos
1) Chapéu, Chicote e Carbono-14 (BR) – 22 votos

2) Tubo de Ensaios (BR) – 10 votos
3) Vídeos para o Ensino da Física e da Química (PT) – 7 votos

Mente e Cérebro, Saúde e Medicina
1) Ecce Medicus (BR) – 22 votos
2) A Neurocientista de Plantão (BR) – 17 votos
3) Blog da Revista Mente e Cérebro (BR) e Bala Mágica (BR) – 10 votos

UFA! Espero não ter me esquecido de linkar ninguém! Parabéns a todos!

Destino: Porto de Galinhas

Eu vou pra Maracangalha eu vou 
Eu vou de uniforme branco eu vou 
Eu vou de chapéu de palha eu vou 
Eu vou convidar Anália eu vou

Se Anália não quiser ir eu vou só
Eu vou só eu vou só
Se Anália não quiser ir eu vou só
Eu vou só
Eu vou só sem Anália
Mas eu vou

Maracangalha – Dorival Caymmi

Pois é… não é exatamente para Maracangalha que o Carlos Hotta vai. É para Porto de Galinhas, convidado pelo pessoal do Porto cai na rede. A ação – na minha opinião, uma das poucas na blogosfera que eu achei inteligente de fato – pretende promover Porto de Galinhas como destino turístico. O projeto é uma parceria da Secretaria de Turismo de Ipojuca, a Associação de Hotéis de Porto e Galinhas, a EMPETUR e a SETUR/PE. 

Simples e eficiente. Depois da ação, vai ser colocar no buscador “porto de galinhas” que qualquer cidadão vai dar de cara com pelo menos 45 manés posts falando sobre as belezas do lugar, dicas, passeios interessantes, compras, comida, etc, etc, etc.

A Anália aqui que vos fala vai. Claro. TOTALMENTE penetra. O Carlos podia levar um acompanhante e, por alguma conjunção dos astros que não posso explicar, ele me escolheu! Vou ter que comer alface, fazer reciclagem, tomar banho gelado e andar a pé o resto do ano para compensar a emissão de carbono dessa viagem? Fato (mas não vai adiantar nada porque eu já faço essas coisas – aparte do banho gelado – merda. Mas é Porto de Galinhas. De graça. Com mergulho, paintball, passeio de jangada… Entende o dilema?

Dizem por aí que vai ter mais gente. Mas quem se importa? Repito. É Porto de Galinhas.

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Do site IMDb. , o que eu imagino que seja o comportamento estranho dos pro-bloggers ao tomar “sol”- “Mas, tem Wi-fi?” – pena que nenhum deles deve se parecer com o Bill Compton. .

A ação pretende, claro, que cada blogueiro dê sua opinião acerca do assunto que domina escreve. Supostamente, eu não teria que me preocupar com isso, mas, quem disse que eu resisto? Vou dar meus pitacos como bióloga e eco-consciente, CLARO.

Antes da viagem, tudo o que eu e os outros viajantes precisarão saber é como ser um viajante consciente. Para isso, sugiro a todos a leitura atenta desse guia, que está lá no blog dos amigos Viajantes Conscientes que, por um motivo bem pequeninho, fofinho e que deve estar pintando na área por esses dias, não vai poder comparecer, nem pelo sorteio (Ah, sim! Tem mais cinco vagas na história).

galinhas.artesanato3.jpg

Do blog Porto Cai na Rede. “Valorize o artesanato produzido por pessoas da comunidade local” é uma das dicas para ser um viajante consciente.

Vou mandar notícias de lá. Porto de Galinhas deve ser um destino excelente para quem deseja conhecer um local preocupado com turismo de qualidade, sem deixar de lado o cuidado com o meio ambiente e as beleza naturais do lugar. Observarei e contarei. Ao que tudo indica, recomendarei.

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