Vermicomposteira gringa

Minha vermicomposteira (mais aqui) vai bem, obrigada. Produz uma quantidade de chorume muito maior do que minhas plantas são capazes de consumir, processa todo o meu lixo orgânico (com raras exceções como carnes, gorduras e frutas cítricas ou vegetais fedorentos), é pequena, não cheira nem fede e as minhocas estão crescendo como nunca.

Hoje vi o design de uma vermicomposteira gringa. Pra minha necessidade pessoal não serve. É grande. E o espaço que tenho para uma vermicomposteira não toma muito sol, o que acabaria com a ideia toda do produto que é ser um “jardim de ervas vertical”. As ervas não cresceriam jamais nesse espaço. Entretanto, achei o design interessante deveras. Só não gostei da cor. Branco não combina com terra, minhocas ou chorume. Olhem que bonitinha:

vertical_garden.jpg

A ideia toda é simples: três prateleiras, com três “vasos”. Os “vasos” podem ser retirados da prateleira, e neles se vê um buraco por onde passa líquido (que, no caso, é o chorume). Como o chorume é rico em sais minerais e água, taí o meio perfeito para regar e nutrir as plantas de uma só vez. O processo todo pode ser visto no esquema abaixo, dividido em 6 partes e livremente traduzidos do site oficial por mim.

1. Os restos orgânicos são colocados na vermicomposteira (a tradução bonitinha é “fazenda de minhocas”).

2. O processamento do alimento pelas minhocas produz o chorume, que, pela ação da gravidade, acumula-se na parte inferior da vermicomposteira. Mais chorume poderá ser recolhido quanto mais água se adicionar à vermicomposteira.

3. Acionando-se a bomba com o auxílio dos pés, o chorume é levado pra o reservatório em cima dos “vasos”.

4 e 5. Do reservatório, o chorume vai escoando lentamente através dos vasos, fazendo a irrigação e a fertilização da terra dos vasos (que tem um buraco em cima e outro embaixo).

6. O excesso de chorume é recolhido na parte inferior da prateleira que tem comunicação com a vermicomposteira e então, pode ser novamente bombeado para a parte superior do sistema.

Bacana, né?

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Fontes:

Blisstree.com
Xavier Calluaud

Vermicomposteira e a reciclagem de orgânicos

Grande parte dos resíduos domésticos são materiais de embalagens, que podem ser recolhidos pela coleta seletiva. Outra parte dos resíduos é orgânico, ou seja, são restos de comidas, frutas e folhas que geralmente vão para o lixo de não recicláveis.

Uma pena, pois esse lixo orgânico todo é material rico em nutrientes que podem servir para adubar plantas. Para não queimar as raízes das plantas, não atrair insetos ou produzir cheiros, os resíduos de alimentos devem passar antes por um processo de compostagem.

composteira_X.jpg
Créditos: Flickr Mr. Bsod

Há algum tempo, construi uma vermicomposteira que fica na varanda do apartamento. Os materiais necessários para a construção são extremamente simples e fáceis de se encontrar. Tanto os materiais quanto o modo de fazer, foram descritos antes, neste post.

Existem vermicomposteiras prontas para se vender, que já vem, inclusive com as minhocas, pelo correio. É o caso das minhocasas. Mas, se você, como eu, prefere construir com as próprias mãos ou não tem recursos suficientes para comprar uma pronta, fica a dica do post sobre vermicompostagem.

É importante tomar algumas dicas:

– A minhocasa comercial tem, na última caixa, (a que não tem furos), uma torneira. A torneira não é necessária – o que é necessário é explicar a função dessa última caixa. Ela serve como depósito de xorume, um líquido extremamente nutritivo que é liberando pelos alimentos no processo de decomposição. O xorume deve ser recolhido nessa caixa a parte para regular a umidade dentro da vermicomposteira. O excesso de água no solo das minhocas e torna o ambiente desagradável a elas. A torneirinha da minhocasa comercial serve para ajudar a retirar o xorume, mas ela é dispensável se você não se importar em colher o xorume de outra maneira, com a ajuda de copos ou virando a caixa e recolhendo o xorume em outro recipiente. O que eu costumo fazer é recolher o xorume em um recipinte com um spray e aplicar nas plantas que cultivo na varanda, como nos meus tomates (nas folhas e no solo).

– Depois de construir a estrutura da vermicomposteira, é hora de colocar as minhocas! Claro, as minhocas não podem ficar sozinhas na caixa – minhocas não vivem em caixas, afinal. Vivem no solo. Portanto é extremamente necessário colocar antes das minhocas um substrato, onde as minhocas vão viver. Melhor dos mundos é colocar o próprio substrato onde as minhocas já viviam antes. Outra possibilidade é colocar húmus de minhoca, comprada em algum lugar (foi o que eu fiz) e outra possibilidade ainda é colocar solo que você mesmo pode coletar, mas é importante que ele não seja muito pobre em nutrientes, senão as minhocas vão sofrer.

– Antes de colocar qualquer resíduo para a reciclagem, as minhocas vão precisar de umas duas semanas para se acostumarem com a nova casa. Esse tempo também é interessante para equilibrar o ambiente dentro das caixas. É o tempo que todo um conjunto de organismos associados às minhocas, bactérias por exemplo, precisam para crescer e se multiplicar. Esses outros organismos, assim como as minhocas, são essenciais para a decomposição dos alimentos, e para a velocidade da decomposição deles também (quanto mais rápido, melhor – a demora em decompor pode emitir cheiro e não vai ser bom…). É nesse período também que você vai precisar estar bastante atento a umidade dentro da caixa e colocar mais água se o substrato estiver muito seco e colocar folhas secas, papel picado ou serragem caso o substrato estiver muito molhado.

– Minhocas, organismos associados e substrato equilibrado, pode-se começar a colocar os resíduos. Os resíduos devem ser enterrados no substrato, aumentando a possibilidade de contato deles com um ambiente agradável para as minhocas. Reserve um lado da caixa para não colocar resíduo nenhum, para as minhocas retornarem para o ambiente a qual já estão acostumadas, caso seja necessário. Prefira colocar os alimentos picados, pois isso facilita a decomposição e aumenta a velocidade do processo (e evita cheiros).

– Teoricamente, qualquer alimento pode ser colocado na vermicomposteira. Eu, particularmente, optei por fazer algumas restrições. Por exemplo:

  • Evito colocar frutas cítricas em excesso. Isso torna o substrato muito ácido, e como não quero adicionar nada para neutralizar a acidez, prefiro contralar não colocando cítricos.
  • Não gosto de colocar restos de alimentos que tenham muita gordura, como alimentos que foram fritos ou cozidos com muito óleo ou manteiga e gordura animal.
  • Também não coloco carnes. Elas são de difícil decomposição e produzem muito cheiro.
  • Alguns outros vegetais produzem cheiros com os quais eu não me incomodo, mas podem ser incômodos para algumas pessoas, como brócolis, repolho e couve-flor.
  • Não tive uma experiência muito boa colocando pães… eles acabaram fungando e as minhocas se recusaram a comê-los. Tive que tirar com a mão (usando luvas sempre, claro!)
  • Sementes não são uma boa ideia também. Elas adoram o ambiente cheio de nutrientes e germinam. Como não tem luz na caixa, germinam brancas (estioladas é a palavra). Elas germinam e obviamente começam a absorver nutrientes do substrato, o que não é uma boa ideia se você quer usá-lo como fertilizante para as plantas depois.

E vocês? Tem alguma dica ou tiveram alguma experiência interessante? Gostaria de fazer uma vermicomposteira também e tem alguma dúvida?

Vermicompostagem – ano zero

Desde um pouco antes da ação do Aldeia Sustentável no ano passado, eu e o Carlos vínhamos estudando sobre vermicompostagem. Tínhamos até trocado algumas idéias com o Ricardo, que vem estudando mais sobre permacultura. 
O Ricardo nos passou alguns links, e começamos de fato a estudar. Vários dos textos que achamos na internet eram, infelizmente, cópias uns dos outros, e tivemos dificuldade em achar os originais (tenho dúvidas se conseguimos). Tudo parece ser um amontoado de histórias e conhecimentos populares que foram se desenvolvendo ao longo dos anos. Uns testes aqui, outros acolá, e voalá! A vermicompostagem funciona.
Vou fazer uma série de posts contando mais sobre a minha própria experiência com a minha vermicomposteira. Espero achar mais informações e conseguir com isso abrir um espaço de trocas de idéias e também de dúvidas (eu ainda tenho várias). Espero que vocês se divirtam.
Para inaugurar, um #comofas
Como construir uma vermicomposteira
Há várias maneiras. Vou descrever como fizemos a nossa, um vermicompositor pequeno, para uma casa de duas pessoas, que não fazem todas as refeições em casa.
Ingredientes:
Três caixas de 15 L; 42,5 cm de comprimento; 34,0 cm de largura e 14,5 cm de altura, como estas daqui.
Uma tampa para a caixa.
Uma furadeira e brocas para furar madeira de ø0,5 cm e ø0,15 cm (ou de 0,1 cm).

Terra vegetal, composto (húmus de minhoca).
Minhocas do tipo “vermelhas californianas”.
Um “spray” e um ancinho de pontas rombas.
Modo de preparo:
1) Em DUAS das três caixas, faça furos no fundo, usando a furadeira e a broca para madeira de ø0,5 cm. Atenção: Tem de ser a broca para furar madeira, que tem três pontas bem afiadas. A broca para cimento não funciona muito bem. Os furos devem ser bem espalhados pela caixa. Eles permitem que a água escorra e as minhocas transitem entre as caixas. Reserve a caixa que não foi furada e as duas com furos.

2) Faça furos na tampa, usando a broca de 0,15 cm de diâmetro (ou de 0,1 cm). Elas permitem trocas gasosas da caixa com o ambiente. Quanto menor os furos e mais espassados, melhor. Os furos devem ser pequenos para evitar a saída das minhocas e a entrada de mosquitos, moscas e outros insetos. Reserve a tampa.
3) Pegue uma das caixas com furos e coloque cerca de 3 cm de terra vegetal. Sobre esta camada, coloque mais 3 cm de composto. Ajeite a terra e o composto com o ancinho. Evite misturar as camadas.
4) Coloque as minhocas.

5) Umedeça com a ajuda do “spray”. Lembre-se que minhocas gostam de lugares úmidos, mas não gostam de nadar. Reserve.
Montagem:
1) A caixa que não tem furos deve ser a que vai ficar em contato com o chão. Ela recolherá o excesso de água e o xorume liberado pela vermicomposteira.
2) A segunda caixa da pilha, deve ser a que tem furos, mas ainda está vazia.
3) Por fim, a caixa mais superior deve ser a caixa com a cama e as minhocas. Tampe. Deixe as minhocas se acostumarem com a casa por uma ou duas semanas, apenas observe a umidade.
4) Mantenha a caixa em local arejado e sombreado.
Observações:
+ Se sua família for maior, opte por caixas um pouco maiores.
+ As caixas e a tampa devem se encaixar perfeitamente, evitando a fuga das minhocas e a entrada de insetos.
+ Uma caixa a mais na pilha pode significar mais uma caixa para recolher umidade.
+ Observe a temperatura da sua caixa. As minhocas não gostam de temperaturas muito frias, nem muito quentes. Basicamente, o que for confortável para você, também será confortável para elas.

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