Fake shower app. Mais uma do Akatu

Vejam só que novidade interessante o Instituto Akatu trouxe para o Dia Mundial da Água: A app Fake Shower.

O Fake Shower é um aplicativo para iPhone que informa a quantidade de água que desperdiçamos quando abrimos o chuveiro ou a torneira sem necessidade.

Utilizando a intimidade de um casal como exemplo, o software mostra de forma bem humorada como o uso indevido do chuveiro pode levar para o ralo dezenas de litros de água tratada.

Em breve o aplicativo estará disponível na App Store. Enquanto isso, assista ao vídeo de divulgação:

Não conhece o trabalho do Akatu? Saiba mais aqui.

Dia da água: O óleo de cozinha

Passei todo o dia da água pensando em algo interessante para postar como resolver meus problemas com a química.

E falando na química e no día mundial da água, você tem ideia do por quê não se deve descartar óleos vegetais na rede de esgoto?

“Rede pública de óleo”

Os óleos vegetais que comumente utilizamos em casa são extraídos principalmente de sementes: soja, colza, semente de girassol e etc. Estes óleos, por serem menos densos que a água flutuam na sua superfície formando uma camada translúcida de gordura.

Quando na tubulação da rede pública de esgoto, agrega-se a outros resíduos que se encontram no local e pode provocar desde o refluxo de esgoto para dentro das residências até o entupimento da rede. Sem contar o encarecimento do tratamento de água para que ela possa chegar limpa novamente nas residências.

Peixes não fritam coxinhas

Nos rios, o óleo impede que a luz chegue em quantidade satisfatória aos organismos fototróficos (que dependem da luz para obter alimento), impede a troca de gases entre a atmosfera e a água, além de aumentar a quantidade de fósforo e nitrogênio dos rios causando a eutrofização das águas.

Da soja virás, à soja não retornarás

Já no solo, os óleos vegetais podem causar a impermeabilização das raízes e das folhas dificultando as trocas gasosas e a absorção de nutrientes das plantas.

Para onde, manolo?

Para a nossa alegria (hehe), existem milhares de Postos de Entrega Voluntária de Óleos de Cozinha espalhados pelo país, basta se informar na sua cidade. Além disso, condomínios residenciais e grandes empresas tem seus próprios postos de recolhimento. Normalmente, este óleo coletado será utilizado na fabricação de sabão caseiro e depois vendido. Conheço até empresas que destinam a renda dos sabões à instituições de caridade locais.

Acomode seu óleo de cozinha usado em garrafas pet 2L e leve até um posto mais próximo!

Aproveitando o assunto, gostaria de compartilhar com vocês este vídeo rápido, muito rápido mesmo do Ideia Sustentável, que mostra uma reação em cadeia provocada pelo descarte incorreto do óleo de cozinha usado.

Solo Amazônico. Uma riqueza por si só mantida

O Monitoramento feito pelo Boletim do Desmatamento, do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) detectou, durante o mês de Dezembro de 2011, 40 quilômetros quadrados de área desmatada na Amazônia Legal. A maior parte do desmatamento está em áreas privadas ou outros tipos de posse, seguidas de assentamentos de reforma agrária, unidades de conservação e terras indígenas.
O solo amazônico é composto em sua maior parte por minerais argilosos ou mesmo arenosos, caracterizando um solo pobre em matéria orgânica. Toda sua diversidade e beleza é mantida em virtude de uma fina camada de nutrientes proporcionada pela biomassa da floresta (folhas, galhos e frutos senescentes), aliada a um regime pluviométrico favorável e aos microrganismos que habitam o solo.
Os solos desmatados, como os detectados pelo Imazon, perdem rapidamente a matéria orgânica original e seus microrganismos, tornando-se infértil e deixando produtores locais sem meios para recuperar a fertilidade observada no início do cultivo.
Há importantes estudos brasileiros sobre os impactos ambientais do desmatamento na Amazônia, dentre eles podemos destacar o trabalho de Lira et. al., o qual avaliou os impactos ambientais do uso da terra em áreas de assentamento. Este estudo levou em consideração os processos migratórios para a região estudada e os impactos ambientais ocasionados por eles.
Os autores destacam em seu trabalho sistemas de produção inadequados para as condições agroecológicas locais, como o corte e queima (da vegetação primária e secundária) e a adoção da pecuária extensiva em larga escala.
A superexploração dos recursos extrativistas, a ausência de critérios ecológicos e o curto ciclo de utilização da terra, são outras práticas que produzem impactos ambientais negativos, citados por Oliveira (1998) em seu trabalho com os seringueiros do estado do Acre, trabalho também citado por Lira et. al.
Por este motivo, e por tantos outros,  é importante a produção associada a planejamentos que considerem a manutenção dos ecossistemas naturais e também a recuperação de áreas degradadas. Estes planejamentos compõem os Sistemas de Uso da Terra, também chamados de SUT.

Os microrganismos, principalmente a  mesofauna, atuam indiretamente na decomposição da matéria orgânica. José W. de Moraes et. al., em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto do Rio Solimões,  registrou os primeiros dados sobre a riqueza da mesofauna do solo em SUTs de comunidades ribeirinhas da Amazônia Ocidental. Este estudo mostrou que SUTs do tipo roça parecem manter uma gama de organismos do solo semelhantes ao da floresta primária, ao passo que o sistema agroflorestal apresenta composição semelhante ao das pastagens.

Outros organismos importantes na manutenção da saúde do solo que são perdidos com o desmatamento são os fungos micorrízicos arbusculares (FMAs), os quais garantem uma absorção rápida dos nutrientes do solo pelas raízes antes que estes sejam levados pela lixiviação. A eficiência destes fungos em sistemas de uso na Amazônia foram analisados por pesquisadores brasileiros, trabalho de Silva, G. A et. al., publicado na Revista Acta Amazonica, no ano de 2009.

Portanto, estudos sobre as melhores formas de utilização do solo e ações que valorizam os produtos amazônicos, é de suma importância para manutenção dessas áreas. Auxiliar os produtores locais na escolha do uso da terra e reconhecer os limites da exploração dos recursos da região, permite que o manejo preserve condições cruciais encontradas em sistemas naturais e que mantém sua diversidade, quando utilizadas corretamente.

Referências bibliográficas e leituras sugeridas:

  1. SILVA, Gláucia Alves e; SIQUEIRA, José Oswaldo; STÜRMER, Sidney Luiz. Eficiência de Fungos Micorrízicos Arbusculares Isolados de Solos Sob Diferentes Sistemas de Uso na Região do Alto Solimões na Amazônia. Acta Amazonica, v. 39, n. 3, p.477-488, 2009.

  2. MORAES, José W de et al. Mesofauna do Solo em Diferentes Sistemas de Uso da Terra no Alto Solimões, AM. Ecology, Behavior And Bionomics: Neotropical Entomology, v. 39, n. 2, p.145-152, abr. 2009.

  3. OLIVEIRA, R. L. Extrativismo e Meio Ambiente: conclusões de um estudo sobre a relação do seringueiro com o meio ambiente. In: HOMMA, A. K. O. Amazônia: meio ambiente e desenvolvimento agrícola. Brasília, 1998.

  4. de LIRA, E. M.; Wadt, P. G. S.; GALVÃO, A. de S.; RODRIGUES, G. S. Avaliação da capacidade de uso da terra e dos impactos ambientais em áreas de assentamento da Amazônia ocidental. Revista de Biologia e Ciências da Terra, v. 6, n. 2, 2006.

Danoninho para plantar versão 2011

Esta semana, mais uma vez acompanhei o plantio das mudas obtidas pela campanha Danoninho Para Plantar, realizada pela Danone.

Assim como no ano de 2010-2011, as mudas estão sendo plantadas pelo competente Instituto Ipê, que há 20 anos atua no ramo de pesquisas ecológicas.

O reflorestamento está ocorrendo às margens da represa Atibainha, a qual faz parte do complexo de abastecimento Cantareira, responsável por disponibilizar água para aproximadamente metade da cidade de São Paulo. A área, de propriedade da SABESP, estava tomada pelas gramíneas e por outras espécies exóticas. Aos poucos a área está sendo recuperada e deixando de ser pastagens para cavalos e gados.


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Atualmente, já foram plantadas 89.092m² de espécies da mata atlântica, as quais estão recebendo as devidas manutenções até que atinjam um estágio independente de maturidade. Para o ano de 2012, está previsto atingir 220.000m² de reflorestamento.

A campanha Danoninho Para Plantar também conta com projetos de educação ambiental nas escolas de Nazaré Paulista. No ano passado, as escolhas que utilizaram a Cartilha do Dino e enviaram seus relatórios de atividades, foram premiadas com cursos de formação em educacão ambiental ministrados também pelo Instituto Ipê, que apresenta esta linha de pesquisa.

Este ano, a novidade do projeto é o Álbum do Dino, um álbum de figurinhas virtual com animais em extinção, informações sobre os biomas brasileiros em que vivem e curiosidades sobre estes animais.

Me deixa muito contente saber que a Danone firmou esta pareceria tão sólida com os pesquisadores do Ipê, o qual tem realizado trabalhos belíssimos durante esses 20 anos.

Abaixo, fotos do plantio feito pelas crianças da região.


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Acabou a sacolinha grátis. E agora?

Lixo na Julio Mesquita - Blog do Mílton Jung - Creative Commons

Entra em vigor hoje, 25 de Janeiro de 2012, o acordo entre a Associação Paulista de Supermercados (APAS) e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente que interrompe a distribuição gratuita de sacolas plásticas descartáveis (biodegradáveis ou não) aos consumidores. Isso significa que além de chover releases de supermercados eco-friendly na minha caixa de entrada, a partir de hoje, se você quiser acomodar suas compras em sacolas plásticas descartáveis você terá que pagar por elas. Os valores giram em torno de R$0,19 por unidade.

Todos os supermercados aderiram? Não. Mas 1,2 mil aceitaram o acordo, o que representa aproximadamente 95% dos associados da APAS.

E não adianta arrancar os cabelos e vir com aquela desculpa de que você não terá onde pôr seu lixo. Você terá, mas dessa vez, aposto que você vai levar só as sacolas necessárias para casa. Além disso, separando o lixo corretamente e destinando-o para a coleta seletiva, haverá espaço de sobra para aquilo que realmente interessa ser descartado.

Sei que muitos consumidores estão sofrendo antecipadamente com esta medida, mas a dica da vez é se informar. Sabemos que estas medidas podem ser eficazes se a população foi instruída a lidar com o lixo doméstico, a dá-lo o destino correto. Ou seremos apenas uma população com lixo solto, ao invés de lixo ensacado.

Alguns supermercados já começaram a veicular folhetos informativos e a preparar seus funcionários para informar a população sobre o acordo. E apenas a exemplo, este não é um post pago, o Carrefour São Paulo promoveu um programa de informação e conscientização para 32 mil colaboradores que visa ajudar seus clientes nesse processo de mudança. O programa consiste em informar sobre os danos causados pelas sacolas, soluções alternativas de transporte de compras e como manejar corretamente o lixo doméstico.

Sinceramente acho que o acordo tem seu valor, apesar das lacunas que sempre ficam para trás. Portanto, o questionamento remanescente é o seguinte: e o resto do lixo?

Gostaria que os consumidores aprendessem a destinar corretamente o lixo antes de uma medida que retira do seu cotidiano algo que eles ainda nem aprenderam a abrir mão. Nem mesmo sabem que a vida doméstica pode ser a mesma em tempos de sacolas racionadas.

Duas horas dentro de um supermercado. Infernal.

Sou uma criatura que odeia aglomerações de pessoas como shoppings lotados e etc. Se eu pudesse, compraria até pães pela internet. Mas como isso não é possível, sou obrigada a gastar minha saúde em caldeirões infernais chamados supermercados.

Nesta sexta-feira, saímos de casa mais cedo (Panaggio e eu), para fazer compras no supermercado mais “barato” próximo da nossa casa: o Wal-Mart do Shopping Dom Pedro, aqui em Campinas.

Chegando lá, meu namorado e eu, encontramos vários produtos na promoção e enchemos o carrinho. Entretanto, ao passar pelo caixa, a surpresa: 4 itens com preços errados. Eu achava que o supermecado lotado era o inferno, mas foi aí que o caldeirão ferveu.

É direito do consumidor, caso haja discrepância entre o valor da etiqueta e aquele passado no caixa, o pagamento do menor valor apresentado.

Um gerente do loja disse que teríamos todo o nosso dinheiro gasto com aqueles produtos com preços incorretos devolvido. Mas a moça do atendimento se recusou a devolver na ausência do gerente (que nos deixou ao relento e foi resolver “coisas mais importantes que nós”).

Passamos mais de uma hora para resolver o problema dos preços errados e procurando o gerente dentro do supermercado, até ele ser anunciado e mandar outro gerente no lugar para tentar resolver nosso problema.

Veja bem, quase 90% da minha compra de supermercado são produtos congelados. Eu não tenho tempo para cozinhar, portanto, eu como essas coisas todas que nós colocamos no freezer e depois esquentamos no microondas.

Depois deste tempo todo esperando um outro gerente resolver o nosso problema, adivinha o que aconteceu com a nossa comida? Derreteu, óbvio. Um calor infernal, um shopping lotado feito fila do bandejão, só podia dar nisso.

Eu passei este tempo todo buscando meu direito de consumidora e de brinde perco aquilo que paguei?

Exigimos que todas as nossas compras derretidas fossem trocadas por outras. E foram, finalmente. Junto com elas, recebemos R$16,00 que gastamos comprando coisas com preços diferentes daqueles apresentados nas prateleiras.

Sempre conferimos a nota fiscal antes de seguirmos para casa, e mesmo que a diferença seja de R$0,10, pedimos nosso dinheiro de volta. É um direito nosso.

Para nós que compramos um item apenas, a diferença parece pequena, mas para as pessoas que compram 100 itens com a diferença de R$0,10, são R$10,00 de prejuízo! Logo, me sinto no dever de zelar pela compra de outras pessoas, afinal, gostaria que elas fizessem o mesmo por mim.

Agora, o Mr. Wal-Mart que jura ser uma empresa preocupada com o meio ambiente, além de ensacar minhas compras em outros estabelecimentos com outra sacola plástica para evitar roubos (assunto para outro post) ainda me faz desperdiçar comida e meu precioso tempo? Faça-me um favor…

Rapidinha Curiosa da Semana: Rios Voadores

Ventos alísios (que alisam a superfície terrestre) vindos do Oceano Atlântico, ficam mais úmidos quando passam pela floresta Amazônica. Isto ocorre devido a grande quantidade de terpenos liberados pela floresta, que juntamente com a grande concentração de radiação incidente na região formam núcleos de condensação, consequentemente, nuvens!

Ao passar pela floresta, os ventos úmidos seguem em direção ao Chile e batem no imenso paredão da Cordilheira dos Andes. Este “choque” direciona a chuva para o interior do continente fazendo com que estas regiões também recebam chuvas, as quais não chegariam na mesma concentração se o relevo da Cordilheira não fosse o que conhecemos atualmente e se a floresta não existisse ali. Mais um ponto para a Floresta Amazônica!

Mas, por que Rios Voadores?

Nesse esquema todo são transportados em torno de 3000m3 de água, volume maior que a vazão do Rio São Francisco.

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Rapidinhas de períodos de prova na Unicamp, a gente vê por aqui. 😉

Rastro de Carbono de cara nova!

Tenho certeza que todos vocês já perceberam que a rede Science Blogs Brasil ficou mais chique e digna nas últimas semanas!

Para fazer jus a novidade, estreamos também de cara nova e com um plano de fundo digníssimo que ganhamos de presente da premiada artista plástica Flor Dias.

Além da arte do Photoshop e dos desenhos vetoriais, a Flor também tira fotos lindas das chamadas Bonecas Blythe.

Vocês podem conferir o trabalho dela no Flickr: www.flickr.com/hanakosu

Obrigada Flor, pelo presente!

 

 

 

Carona, quem nunca pegou?

Recentemente encontrei um “serviço” que tem me ajudado muito na vida universitária. A carona.

Desde décadas passadas que universitários, com grana ou não, aproveitam movimento das cidades universitárias para arranjar aquela vaguinha no carro alheio para voltar para suas cidades natal.

O fato é que as caronas facilitam muito a vida dos universitários, tanto no quesito financeiro quanto no quesito praticidade. Mas todas essas vantagens se esbarram no grande problema da segurança das cidades universitárias.

Foi pensando neste problema que um grupo de alunos aqui da Unicamp criou o Unicaronas, um site onde apenas alunos das principais universidades do país podem compartilhar suas caronas para casa.

Quem tem carro oferece caronas, quem não tem também pode se inscrever para procurar sua vaga.

As caronas são pagas, mas nem se compara ao preço que pagaríamos para chegar de ônibus, mesmo que a uma cidade próxima da universidade. Sem contar a comodidade de sair da porta da universidade e ser deixado no lugar combinado.

Por cima, eu por exemplo, gastaria para sair da Unicamp e chegar na casa dos meus pais:

R$20,00 e aproximadamente 2h de viagem – via transporte público

R$40,00 e aproximadamente 40min de viagem – via carro próprio

Via carona eu gasto R$10,00 e 40min de viagem.

O sistema do Unicaronas é muito fácil de usar e recentemente estreou com uma cara nova: www.unicaronas.com.br. Confira se sua universidade participa da rede e aproveite a oportunidade de conhecer pessoas novas e economizar uma graninha no final do mês.

Vale lembrar que mesmo com um sistema que facilite e aumente a segurança das caronas, devemos tomar muito cuidado nas escolhas, para não cair numa fria sem volta.

‘Unicaronas é mais amigos e menos poluição, menos engarrafamentos e menos dores de cabeça com o transporte público medíocre da sua cidade.’

twitter: @unicaronas

Parques flamejantes de inverno

A cada ano que passa, basta chegar o inverno, que os noticiários já exibem as perdas devido a seca e os consequentes incêndios ocasionados pela irresponsabilidade humana aliada à baixa umidade do ar.

Durante esta estação do ano, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste do Brasil são as mais castigadas pelas doenças respiratórias e queimadas ocasionadas pela seca. Chove pouco neste período e vai ser nesta época que aquele seu vizinho que adora atear fogo em mato seco vai fazer seu ritual anual. E ele acha que tem controle sobre o fogo que ateia, mas na verdade, não tem.

No ano passado, relatei em outro blog, um dos mais tristes “incidentes” ambientais brasileiros devido à seca, o incêndio no Parque Nacional da Serra da Canastra, que abriga nada mais nada menos que a Nascente do Rio São Francisco. Sim, aquele que nasce no sul de Minas e deságua no mar lá em Sergipe.

O Parque Nacional da Serra da Canastra tem aproximadamente 71. 525  hectares e engloba parte do território de 3 municípios:  Sacramento, São Roque de Minas e Delfinópolis no sudoeste da minha querida Minas Gerais.
O parque está localizado predominantemente no Bioma Cerrado e como tal, além da nascente do Velho Chico abriga diversas espécies de animais selvagens como:

O Veado-Campeiro, vulnerável à extinção:

O Tamanduá-Bandeira, também vulnerável quanto ao seu estado de conservação:

O Pato-Mergulhão, em perigo crítico de extinção, dentre outras importantes espécies da fauna brasileira. Sem contar a riqueza da flora regional, que compõe uma linda paisagem muito requisitada por turistas.

Falemos então, da vegetação daquela região.

O Cerrado apresenta duas estações do ano bem definidas: o inverno seco e o verão chuvoso. Na região do parque, na ocasião do incêndio, não chovia há quase dois meses e isto facilitou muito a dispersão dos focos de incêndio.

Então no dia 26 de Agosto de 2010 surgiram os primeiros focos de incêndio no parque, e já no dia 31 mais de 40% da reserva já havia sido tomada pelo fogo. O laudo da perícia concluiu que o incêndio foi criminoso e que foram encontradas pegadas humanas formando uma trilha entre a área de origem de um dos focos e a floresta ao norte do parque.

Desde a sua criação, a Serra da Canastra sofre com a ação de fazendeiros que desejam ver a reserva fora de questão. No ano de 2006, ocorreu o maior incêndio criminoso já enfrentado pelo parque, no qual foram queimados 40.000 hectares, o que corresponde a mais da metade da unidade de conservação.

Se você pensa que atear fogo propositalmente é demais para seu coração, não tenha dúvidas de que os fazendeiros dificultam também o reflorestamento da região, como constatei na minha visita ao parque juntamente com a Paula, no ano passado. Muitas vezes são movidos pela ignorância e falta de informação, sem mencionar a ganância por ocupar imensas áreas de floresta nativa com pastagens para o gado.

E se você acha que impedir o reflorestamento de áreas degradadas também é demais para o seu coração, saiba que no inverno de 2010, 21 incêndios invadiram áreas de conservação e todos eles são suspeitos de ação criminosa. Desses 21 parques flamejantes, 13 ainda queimavam, depois de um mês da descoberta do primeiro foco.

Estou aqui hoje, basicamente para informar sobre a importância destes parques, não só para a fauna e flora, mas para a população dessas regiões, que tem seu ganha pão no turismo ecológico e nas pessoas que apreciam uma natureza diversa como a que possuímos em nosso país. Também aproveito a oportunidade para chamar a nossa responsabilidade à tona, para que não tenhamos mais surpresas desagradáveis neste inverno.

Então, se você não deseja ver nossas belezas em grayscale, aí vão algumas algumas dicas:

  • Evite jogar bitucas de cigarro acesas na pista. Com o tempo seco, elas podem não se apagar e este fogo pode resultar no que temos presenciado todos os dias na TV.
  • Se você está aproveitando o calor para acampar na mata, evite acender fogueiras e se você acende, faça isto em locais permitidos, e ao deixar o local, certifique-se de que ela está totalmente apagada.
  • Não solte balões.
  • Não solte fogos de artifício em matas.
  • Não coloque fogo em terrenos baldios, você pode perder o controle das chamas e elas podem chegar até a sua residência.

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