Reflexões sobre o dia mundial sem carro

logodiamundialsemcarro.gifHoje é dia 22 de setembro. Desde a década de 1990, comemora-se nesse dia o Dia Mundial sem Carro

Mais do que o dia das pessoas deixaram (ou tentarem deixar) seus carros em casa, esse é um dia de reflexão sobre a mobilidade urbana, sobre como contribuimos com a cidade onde vivemos. É o dia que deixamos (ou tentamos deixar) o universo particular do nosso carro e nos deixamos envolver pelo universo de pessoas, situações, coisas boas e problemas da cidade que geralmente passam despercebidos ou não nos incomodam quando estamos parados no trânsito, no aconchego do nosso automóvel.

Vamos aos fatos… eu não tenho números, mas posso apostar um braço que a quantidade de carros nas ruas da década de 1990 pra cá, só aumentou. O que penso sobre isso? Mais do que “as pessoas não estão refletindo o suficiente e estão comprando carros extras para fugir do rodízio” penso que de lá pra cá poucas políticas públicas que buscam melhorar a mobilidade em grandes centros urbanos foram postas em prática. Penso que deixar única e exclusivamente a responsabilidade sobre cada um, pessos físicas, funciona no começo, mas não vai funcionar para sempre. 

É hora de investimentos em transporte público, ciclovia, carros eficazes para uso de energia renovável. É hora de sobretaxarmos carros velhos e poluentes e não fazer o que fazemos,  deixando o IPVA deles grátis. É hora de investimentos em segurança para ciclistas, pedestres e outros meios de transporte alternativos. 

Mas… O que vi por aí ontem e hoje foi isso: (aí vai uma amostra)

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Triste né? Triste que as campanhas para Dia sem Carro, Hora do Planeta, ou qualquer outra iniciativa semelhante tenham se reduzido a campanhas chatas e sem propósito e, por consequência sem adesão, até mesmo para pessoas inteligentes que sempre têm várias opiniões legais. 
Triste que não acreditemos que campanhas como a do Dia Mundial sem Carro vão fazer prefeitos e governadores, vereadores e deputados refletirem sobre suas próprias ações, ou mais, sobre políticas públicas que façam as ações pessoais serem melhores. 
Triste que, mesmo que os governos estejam se preparando para que as pessoas façam adesão à campanha, a gente consiga reclamar que se houver aumento de trânsito, vai ser culpa do governo, que aumentou os transportes públicos disponíveis.
Ano passado eu postei sobre isso. Estava mais otimista, eu acho. Isso porque, pra mim, deixar o carro em casa não é mais um sacrifício faz tempo. Mas refleti sobre algumas coisas. Por exemplo: 
1) Acho que a responsabilidade por seu transporte de casa até o trabalho, durante o trabalho, e do trabalho até em casa é da empresa e o que quer que seu carro tenha emitido nesse percurso é responsabilidade dela, portanto, se você tirou seu carro da garagem hoje SÓ para trabalhar, está participando ativamente do Dia Mundial sem Carro.
2) Acho que as opiniões públicas variam mais do que maré. Ora biocombustíveis são a solução da energia no futuro, ora o petróleo do pré-sal é que é sinônimo de poder. Ora estamos sendo ouvidos nas conferências internacionais sobre o clima por nossos exemplos, ora estamos planejando construção de termelétricas a carvão e carros movidos à diesel. Por essas e outras que não depositamos crédito nenhum em campanhas de cunho ambiental e ainda chamamos quem levanta a bandeira de xiitas ecochatos.
Nesse momento de reflexão, hoje, estou um pouco cética, talvez menos do que eu estava na Campanha da Hora do Planeta, mas ainda assim, cética. Acho que cá como lá, falta educação ambiental de qualidade. 
Cá menos que lá, admito. Tem uma porção de coisas sendo feitas por aí hoje. No site Catraca livre, por exemplo, algumas opções. No site Nossa São Paulo, mais umas tantas, que começaram dia 17 de setembro e vão até dia 24, quinta-feira próxima. E aí? Você vai aderir à campanha hoje? Vai refletir sobre isso?

Esse domingo é dia de…

Fórmula 1!

Não, esse não é assunto desse blog, mas não dá pra deixar de comentar a não largada do Rubens Barrichello. Muito menos ainda comentar o pódio de Giancarlo Fisichella em sua super Force India.

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Créditos: Site oficial da F1.

Projeto Ciclo Faixa!
A Prefeitura de São Paulo em parceria com a CET, inauguraram nesse domingo a Ciclo Faixa. Diferentemente da ciclo via, que é uma faixa reservada para o trânsito de bicicletas todos os dias da semana, a ciclo faixa é uma via para lazer, reservada apenas em períodos determinados. Em São Paulo, a ciclo faixa terá 5 Km, ligando os Parques do Ibirapuera e do Povo e funcionará apenas aos domingos, das 7 da manhã ao meio-dia. 
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A ciclo faixa ainda é um projeto piloto, e funciona num horário bastante restrito – ainda mais aos domingos, que as pessoas costumam acordar mais tarde -, mas tem grande potencial para se tornar um projeto permanente e, porque não, mais extenso (em quilometragens e em tempo para uso). 
Alguns relatos mostram que o projeto ainda precisa ser aperfeiçoado – hoje, há locais onde os ciclistas tem que descer da bicicleta para continuar o percurso e outros onde é necessário andar pela calçada. Eu por aqui, sem bicicleta por aqui, torço para que não hajam abusos dos motoristas (que são pra lá de conhecidos e denunciados pelos ciclitas), nem abusos dos ciclitas (que já se mostraram para mim desrespeitosos tanto para pedestres quanto para motoristas). – Claro, “motoristas” e “ciclistas” nessa frase, não devem ser entendidos como generalizações, obviamente os motoristas desrespeitosos e os ciclitas mal educados são seres não queridos por suas “classes”.
Marina Silva no PV!
Hoje Marina Silva formalizou oficialmente sua filiação ao Partido Verde, após uma vida no Partido dos Trabalhadores
A senadora pelo PT-AC, Marina Silva, assim como muitos brasileiros, mostrava-se há muito tempo descontente com a atuação do PT nas questões ambientais. Já no ano passado, Marina Silva pediu demissão do cargo de Ministra do Meio Ambiente por causa das pressões sofridas por conta do PAC e os licenciamentos ambientais associados às obras. 

Marina Silva com a Executiva do PV, no dia 25 de agosto de 2009.
Pelo menos na lista de discussão dos Sciblings, Marina Silva como pré candidata à presidência em 2010 já rendeu dezenas de e-mails, seja por conta de sua filiação ao PV, seja por conta de sua crença religiosa. 
Do meu lado, espero ver as cartas na mesa e as propostas de todos os candidatos antes de tomar uma posição e, embora seja fã da história de vida e luta de Marina Silva, ainda acredito muito pouco que ela tenha apoio suficiente na câmara e no senado para governar como presidente – o que dificultaria nossa vida de brasileiros (ainda mais) por pelo menos quatro anos.
Exploração pré-sal!
Hoje também esteve no palco das decisões o anúncio das novas regras para a distribuição das rendas da exploração do petróleo e gás natural no pré sal. 
A exploração de petróleo e gás natural nessa região, localizada nos litorais de Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo deve tomar ainda mais corpo pois parece ir na contra-mão das novas estratégias de produção de energia no mundo, que, até a COP-15, em Copenhagen e após essa reunião que deve definir o futuro do protocolo de Kyoto devem fazer os países optarem ainda mais por energias limpas e renováveis.
Ainda do ponto de vista ambiental, a exploração do pré-sal deverá emitir cinco vezes mais gás carbônico do que  os campos de extração normais, segundo o Ministro Carlos Minc.
Saiba mais:
Ciclo faixa
Marina Silva
Pré sal

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