Cheiro de mato

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A Estação Ciência, localizada na Lapa, em São Paulo, está com uma novidade muito cheirosa.

Em parceria com a Fundação O Boticário, a Estação Ciência convida para uma viagem de estímulo aos sentidos. Com uma nova tecnologia, pesquisadores foram capazes de capturar os cheiros da Mata Atlântica e produzir em laboratório um perfume capaz de mimetizar seus cheiros, dando a impressão ao viajante dessa aventura, que está mesmo no meio da floresta.

A viagem também inclui outros biomas brasileiros, como os Pampas, a Mata de Araucária, o litoral e o Cerrado, e além do olfato, outros sentidos também são estimulados. No Cerrado, por exemplo, a sala é climatizada e passa ao viajante a sensação térmica vivenciada por quem mora lá.

Estímulos visuais, com fotos, vídeos e sonoros, com cantos de aves e o barulho da floresta também estão pra lá de presentes, mas o diferencial dessa exposição é mesmo o cheirinho de mato.

A exposição é permanente e está localizada em cinco vagões de trens “estacionados” ao lado da Estação. Embarque nessa viagem de sensações e deixe-se emocionar pelos biomas brasileiros. Os organizadores da exposição e da Estação Ciência garantem que estímulos sensoriais ajudam os visitantes a se interessarem ainda mais pelo meio ambiente.

Certamente essas iniciativas produzem efeitos colaterais fantásticos como uma vontade louca de preservação e conservação. 

Escola podem agendar visitas monitoradas!

Endereço:
Rua Guaicurus, 1394, Lapa, São Paulo/SP

Horário de funcionamento:
A Estação fica aberta de terças a sextas feiras, das 8 às 18 horas e sábados, domingos e feriados, das 9 às 18 horas, mas os portões se fecham as 17:30 hs.

Preços:
Os ingressos variam de R$ 1,00 (isso mesmo! UM REAL) por pessoa para famílias com mais de 4 pessoas a R$ 5,00.
Menores de seis anos, maiores de 60 anos, portadores de necessidades especiais com acompanhante, professores e comunidade USP tem entrada gratuita. Promoção nos primeiros sábados e terceiros domingos de cada mês com entrada gratuita para todo mundo.

Estação Ciência na internet:

A Estação Ciência também tem um blog e pode ser acompanhado no Twitter pelo @eciencia.

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Vi na TV USP

Fala leitor: vídeo sobre as árvores da Marginal Tietê

O Rafael Tadeu comentou no post anterior sobre as árvores e as obras da Marginal Tietê e postou o link de um vídeo. Eu acho que o vídeo vale a pena ser postado e comentado, então lá vai ele.


Minhas considerações

O vídeo é muito bem feito, mas do mesmo jeito que há exageros do lado do governo, também há do lado dos produtores do vídeo.

Os políticos

“melhorar a qualidade de vida”, aumentando os investimentos em transporte individual invés de transporte coletivo? É ruim, hein?

“esverdear, o que não é mal, para a beleza da cidade, para tudo o mais” – tudo mais o quê, governador? Para o ambiente? Para a saúde das pessoas? Para o aumento da área de lazer da cidade (se é que o parque vai poder ser visitado, invés de ser como na Marginal Pinheiros)?

+ tenho alguns problemas com EIA/RIMA. Supostamente eles são a ferramenta legal que possibilita ou não a construção de uma obra no local onde há fauna e flora (originais ou não). Tenho problemas porque sei quanto tempo esses documentos demoram para ser elaborados (muito pouco) e sei quais são os tipos de pressão que uma empresa de consultoria recebe para realizá-los (muitos).

+ parque linear e ciclovia me parecem decisões tão boas para a marginal! O trânsito vai provavelmente continuar, o número de carros vai provavelmente aumentar, mas uma ciclovia é uma alternativa para quem quer deixar o carro em casa. Só espero que a ciclovia seja bem planejada e não um caminho que “leve nada a lugar nenhum”.

Os produtores do vídeo

+ tenho para mim que se alguém usava o canteiro central da marginal para caminhar, como o vídeo sugere, no mínimo tinha arriscado sua vida para atravessar a pista local, o que é muito perigoso. Fora que respirar o excesso de aerosóis que deve ter na marginal não vale a caminhada.

+ cobrar do governo manejo de fauna??? Que fauna???

+ dizer que a poluição vai aumentar e que a temperatura vai subir sem nenhum estudo científico adequado é uma tentativa enganosa de convencer pessoas de que a obra é ruim. A obra é ruim. Mas não por esses motivos. E, se não gosto de ser enganada pelos políticos, também não gostaria de ser enganada pelos manifestantes e organizações civis.

E você? O que achou do vídeo? Exagerei?

O causo das obras da Marginal Tietê

O post passado, sobre as árvores da Marginal do Tietê que estão sendo derrubadas para a ampliação da via, causou alvoroço nos comentários e trouxe outros aspectos da polêmica obra.

Veja, dizer que as árvores do Tietê não são empecilho para que a obra
aconteça (porque vão ser transplantadas, substituídas e um parque linear está no projeto) não quer dizer que a obra deva ser feita ou vá trazer soluções para o caos do trânsito na cidade. A obra tem problemas
muito maiores do que as árvores que hoje ocupam a Marginal, mas não são
as árvores que poderiam barrar a construção ou até mesmo, não são elas que seriam um bom jeito de unir a população em torno do
problema.

O problema gira em torno de um imenso nó da cidade de São Paulo, já discutido no post anterior e referendado por alguns colegas do Twitter: o trânsito. O trânsito, que não é só exclusividade da cidade de São Paulo mas de todos os centros urbanos de grande adensamento populacional, nasceu há muito tempo. Muito mesmo. Antes de qualquer um desses prefeitos, governadores e presidentes em quem nós, mais jovens, tenhamos sonhado em votar. O problema do trânsito é derivado de uma política pública de adoção dos automóveis como meios de transporte e da gasolina, derivada do petróleo como nosso meio de energia para movimentar esses automóveis. Foi uma escolha política, que beneficiava algumas relações comerciais e algumas relações pessoais e sociais.

Fato é: eu vejo duas escolhas para a resolução de um problema de trânsito – uma solução rápida, barata e que a curto prazo não vai mais funcionar, e uma lenta, gradual, com investimento alto em diversos setores, que deve funcionar a longo prazo.

A primeira é fácil! Usa-se o espaço disponível (que já é pouco e elimina o canteiro central), faz-se túneis, viadutos, pontes, outro andar de marginal, sei lá! Qualquer solução que busque aumentar a área para aumentar o fluxo de carros. Essa alternativa funciona por um tempo: tempo suficiente para outros carros invadirem as ruas, a frota aumentar, e tudo ficar insuportável de novo – que parece ser a saída adotada pela prefeitura e governo do Estado de São Paulo.

A segunda é muito mais difícil. Requer educação da população, investimento em transporte público de qualidade e em ciclovias, alternativas inteligentes para o transporte de suprimentos para a cidade, principalmente os atualmente feitos por caminhões, soluções para períodos de feriados e férias, ALÉM DE obras que facilitem o transporte de carros nos dias de semana.

Para a segunda escolha, não bastam investimentos em dinheiro, mas investimentos no social, no ambiental e no econômico, que permeiem outros setores que não só o de transportes. A logística da cidade deveria ser realinhada como um todo, para permitir um fluxo mais eficiente de abastecimento e de transporte de resíduos. As pessoas deveriam ter a disposição um transporte público de qualidade, com pontualidade e preços justos, que servisse toda a cidade com eficiência. As ruas e avenidas deveriam ser pensadas de modo a permitir um fluxo rápido para quem usa transportes públicos e também para permitir o uso de bicicletas. Projetos específicos para facilitar o escoamento de pessoas em períodos de férias e feriados deveriam ser estudados e implementados. 

Mesmo com um imenso investimento financeiro por parte do governo, nada disso seria útil se as pessoas que ocupam a cidade não forem educadas para usar transporte público sem preconceitos, para pensarem duas vezes antes de tirarem seus automóveis de casa e andarem a pé ou de bicicleta, para se educarem para o trânsito defensivo e não ofensivo.

Para isso, também é necessário investimento na área de segurança. E, nesse sentido, talvez fossem necessários menos investimentos na área de saúde. E a qualidade de vida de todos aumentaria muito.

Sinto que sonhei… E você? Acha que isso é possível, ou só fazendo uma nova São Paulo?

O causo das árvores da Marginal Tietê

Até onde vale a pena “brincar” com a natureza em detrimento do progresso? 

Com essa pergunta, do @interney, lá no Twitter, é que eu tiro o pó desse teclado, as aranhas desse mouse e recomeço a blogar.

A pergunta do Sr. Edney era um chamado para a leitura de um post do Cris Dias, sobre as obras na marginal do Tietê. Para a construção de 23 Km de extensão de cada um dos lados da via, além de novas pontes e viadutos (aqui), o canteiro central, que abriga hoje cerca de 4589 árvores adultas, deixará de existir. Dessas árvores, 935 serão transplantadas. As demais, algumas já condenadas, outras não, serão ou estão sendo derrubadas (aqui e aqui).

Minha discussão sobre esse assunto começou lá no twitter. Eu escrevi “dizer que as árvores da marginal são “natureza” é discutível.” E é mesmo. As árvores da marginal estão bem longe de ser um exemplo de mata ciliar, que é um tipo de mata original da várzea de rios. Aliás, o rio também não é mais o mesmo faz tempo. Assim como o Pinheiros, do qual já escrevi um pouco aqui, perdeu seus meandros ao longo dos anos, e foi perdendo cada vez mais a mata original, dando lugar não só a marginal, mas também a prédios comerciais e residenciais. 

Rio_tiete.jpg

Fonte da fotografia: Wikipedia

Dizer que as árvores da marginal são sumidouros de carbono também não é verdade. Árvores adultas retêm uma quantidade mínima de carbono. Árvores jovens, das que estão sendo prometidas pelo governo em substituição as que serão cortadas agora, essas sim podem contribuir para a diminuição da concentração de gás carbônico (mas só um pouquinho… 15 mil árvores retêm apenas algumas toneladas de carbono e não podem ser responsabilizadas por nada em termos de aquecimento global).

Uma questão interessante dessa história toda é a permeabilidade da via. Fato é que uma área de asfalto não absorve nada de água de chuva. A troca da área de gramado e árvores para maior área asfaltada, sem dúvida trará problemas de permeabilização de água. Mas acredito que já existam técnicas na engenharia civil capazes de auxiliar o escoamento de água (a verificar).

Agora, há uma outra coisa interessante nessa história. Fiz ainda a pouco uma perguntinha no Twitter: View image

Qual é, na sua opinião, o maior problema da cidade de São Paulo, hoje em dia?

Tive até agora 10 respostas. Nove delas, relacionadas à transporte: uma sobre ônibus fretado (@clauchowi), dois sobre transporte público (@carloshotta e @nelas) e seis sobre trânsito e mobilidade urbana (@djmisscloud, @UREU, @dbonis, @robertaavila, @docouto, @Joao_Gil). Também tive uma resposta sobre desigualdade social e miséria (@kekageorgino). 

Qualquer obra que permita maior fluxo de carros, menos congestionamento e maior mobilidade podem ajudar e muito, não só o bem-estar das pessoas que usam as marginais, como o meio ambiente. Menos trânsito = menos tempo de carros ligados = menos emissão de poluentes. Dizer que as obras da marginal não vão ajudar em nada é precipitado. Dizer que é melhor manter o canteiro central em detrimento da melhoria do fluxo de veículos, é um pouco duvidoso.

Restam duas dúvidas. A primeira sobre o paisagismo da área: vai ficar só concreto e asfalto ou vai sobrar verde para alegrar os olhos do paulistano? A segunda: até onde vale a pena brincar com a natureza em busca do progresso?

Parem de ajudar o Planeta, por favor!

Estou em um momento de mudança de paradigmas, de vai ou racha. Tento, desde que comecei esse blog, ter uma visão positiva das ações verdes que vejo por aí. Mesmo detestando “green washing” busco ver o que há de bom na propaganda, ou na ação promovida por uma empresa. Mesmo duvidando de vários produtos “ecologicamente corretos”, busco ver o que há de bom nisso, se há enriquecimento de uma cultura, preços justos, respeito aos trabalhadores, entre outras coisas.
O momento “estou em dúvida quanto às minhas tentativas de ver pontos positivos” veio por conta de três acontecimentos essa semana. Estes três acontecimentos estão me levando a abandonar o velho pensamento e iniciar um novo, que estou chamando atualmente de “parem de ajudar o Planeta!”. Ele precisa de uma folga de tantas intenções de ajuda. Creio até que ele deve ficar melhor sem elas.
Atente! Não estou dizendo sobre TODAS as intenções. Só das representadas pelos três acontecimentos da semana.
Pare.jpgBy elNico on Flickr
Primeiro acontecimento: veio através da lista de discussão dos sciblings. Estarrecedor! O dito gestor ambiental da DERSA, Marcelo Arreguy Barbosa tem a cara de pau de dizer que “a natureza é a responsável pelas mortes, jamais o empreendimento”, justificando (se é que isso é possível) a morte de animais (inclusive de espécies ameaçadas de extinção), direta ou indiretamente relacionadas com a construção do trecho sul da obra do Rodoanel, em São Paulo. [Saiba mais aqui.]
Como não? Seguindo a lógica do dito gestor ambiental, a natureza é obviamente responsável pelo derretimento das calotas polares (afinal, quem mandou a natureza subir a temperatura média global?) e também pela escassez de água para beber em algumas áreas do globo (natureza boba, chata e feia! quem mandou programar a deriva continental e a distribuição de fontes de água potável desta maneira?)
Segundo acontecimento: veio de uma conversa com a Claudia Chow e, depois, da minha leitura dos posts (aquele e esse) sobre uma certa ação, provavelmente relacionada ao programa Aprendiz Universitário. Clau Chow, aproveitando seu momento Roberto Justus, demitiu todo mundo e com razão! Se os profissionais que estão preparados para ingressar no mercado de trabalho tem, frente aos recursos apresentandos pela dita operadora, essa visão pobre e burra sobre os potenciais de projetos sustentáveis de uma empresa estamos ferrados!
Gente!!!! Não pode!!! Estou estarrecida de novo, e é só terça-feira! Pára com isso! É ótimo plantar árvores? Fato! Todo mundo gosta de ganhar “eco-brindes”? Fato também! Mas até quando os profissionais vão empurrar a responsabilidade para o SOS Mata Atlântica ou para alguma empresa de brindes?! Bora fazer algo novo?!
O terceiro acontecimento: esse veio do Discutindo Ecologia e foi o mais decepcionante de todos. Juro… fiquei triste mesmo, fiquei chocada, fiquei mal o dia todo (e por isso estou escrevendo esse post). Numa ação desajeitada e aparentemente mal planejada, o Greenpeace enfiou os pés pelas mãos. A ideia – muito boa, mas de boas intenções… – era chamar a atenção dos líderes mundiais reunidos no encontro do G20, para que olhassem para as pessoas e para as mudanças climáticas antes de tomarem suas decisões.
Pois bem… o próprio Greenpeace contrariou suas reivindicações e os próprios ativistas, bem ali, no local da manifestação, causaram transtornos para as pessoas e para o meio ambiente. Parece pouco, mas, por conta da ação foram produzidos centenas de quilômetros de congestionamentos, pessoas ficaram atrasadas, estressadas e enlouquecidas, nem sei quantificar a quantidade de gases do efeito estufa emitidos. Bela ação para mostrar o despreparo e a falta de planejamento logístico dessa instituição que merecia mais de seus ativistas.
Por favor, Marcelo Arreguy Barbosa, aprendizes universitários e Greenpeace! Se for desse jeito, pelamordedeus: Parem de ajudar o Planeta!

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