Ajude a sequenciar um genoma e ainda batize uma proteína com seu nome!

Entrevista com a Marcela Uliano do LABIOMA, que colocou seu projeto de sequenciamento de DNA no Catarse. Quem contribuir com qualquer valor até o dia 11/6/2013 vai ter a chance de batizar uma proteína com seu nome, e isso é muito legal!!!

Contribua com qualquer valor até 11/6/2013 http://catarse.me/pt/genoma

 

 

Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada

tirinhas85

No post anterior, uma amiga me escreveu indignada com a falta de educação científica dos EUA, onde mais da metade das pessoas não acredita na evolução.

Uma vez, em uma palestra, fiz uma pergunta para o Marcelo Leite e Monica Teixeira, que são divulgadores de ciência famosos no Brasil: Como pode os EUA, que é o maior produtor de ciência no mundo, ter tantas pessoas que não acreditam em evolução?

O Marcelo Leite disse que o que acontece é que nos EUA têm muito espaço e recursos para todos os tipos de ideologias. E setores religiosos mais conservadores veem que a evolução não bate com o que eles acreditam. Não são todos os religiosos que pensam assim, mas principalmente os que acreditam exatamente no que está na bíblia, que acreditam na mulher vindo da costela de Adão, ou que Noé colocou TODOS os animais do mundo numa barca. Mas esses vão ter problemas sérios não só com a evolução mas com muito mais gente por aí. Por isso vamos deixar eles de lado.

Acontece que tem um pessoal que não é tão radical. E essas pessoas se dividem também. Tem os que acreditam que deus é uma entidade sobrenatural, ou seja, fora do mundo natural; e tem o pessoal que tenta ligar religião e ciência fazendo uma gambiarra, e isso é o tal do Design Inteligente. Os primeiros (deus é sobrenatural e por isso não vamos tentar explicar cientificamente) eu respeito, os outros (design inteligente: deus não fez a mulher da costela de Adão mas pôs o dedo em todas as mutações de DNA até o que viramos hoje) não tem o meu respeito porque tentam afirmar a sua fé com ciência, e quando fazem isso distorcem as duas: a fé e a ciência.

Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada. As duas podem conviver, mas não podem basear-se uma na outra.

Eu não vou indicar nenhum site sobre design inteligente, muito menos criacionistas, mas vou indicar um de um amigo de, quem eu sou fã, e que está escrevendo um blog chamado Darwin e Deus.

Ele sabe muito de ciência, evolução, história, é católico, e é da turma que coloca Deus no sobrenatural e tenta entender como conviver com isso.

Entre lá

 

Como um doutor em biologia pode ser anti-Darwin?

Three_Wise_Monkeys

Uma amiga minha, Rubia, me mandou este texto que mostra um inconformismo parecido com o que eu senti quando fiquei sabendo, nas palavras dela, que “ 51% dos norte-americanos não acredita na evolução darwiniana e eles dizem isso na maior cara-de-pau”. Absurdo né? Farei os meus comentários depois, talvez em outro post, mas agora veja o que ela tem a dizer sobre isso.

———————————————

Esta semana eu estava fazendo as leituras obrigatórias para uma disciplina que curso como ouvinte no Departamento de Comunicação da Universidade de Cornell. O tema é o debate sobre o ensino da teoria da evolução versus design inteligente (D.I.) nas escolas norte-americanas. Vale ressaltar neste ponto que sou formada em ciências biológicas e que acredito na evolução tanto quanto acredito na lei da gravidade.

Enquanto lia, visualizava os adeptos do D.I. como uma minoria caipira do tipo que vai fazer compras no supermercado vestindo a cueca por fora da calça. A cavalo.

Estava cansada de ler e as três gurias com quem eu moro estavam conversando sobre as aulas da semana, então resolvi aproveitar a pausa para falar do tema da minha aula. Falei por uns 3 minutos sobre as leituras e li em voz alta uma ou outra frase de uma entrevista que dizia que Darwin era o responsável pela difusão do ateísmo no mundo. Tudo com bastante sarcasmo e ironia, pois achei que estava falando de algo bastante óbvio. Uma delas então me perguntou o que eu achava da evolução. Não entendi a pergunta e ela repetiu, “você acredita na evolução? Acha que é verdade?” Ainda confusa com a pergunta (dãh!) respondi que sim, e com bastante medo praticamente sussurrei: “você…não?”

ATENÇÃO – OS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS PODEM CAUSAR ARRITMIA, CONFUSÃO MENTAL E TAQUICARDIA

Ela com a cara mais lavada me diz que não. E uma por uma, as outras três (tínhamos uma visitante) confirmaram que “também não acreditam na evolução”. E pasmem, também não acreditam na teoria do Big Bang.

Eu simplesmente não sabia o que dizer, estava horrorizada. Chocada. Triste. Com pena do Darwin. Para os desavisados como eu, saibam que algo entre 48% e 51% dos norte-americanos não acredita na evolução darwiniana e eles dizem isso na maior cara-de-pau, sem o menor medo de ser feliz. Aqui é normal.

A entrevista da qual eu falei foi feita em 2009 com o Jonathan Wells, um Doutor em biologia celular e molecular pela Universidade da Califórnia (ele também é Doutor em estudos religiosos pela Universidade de Yale). Selecionei dois trechos particularmente interessantes, a entrevista na íntegra pode ser encontrada aqui:

Entrevistador: “Este ano é o bicentenário de Darwin. O que você poderia dizer

que é um bom resumo, hoje em dia, dos seus escritos sobre evolução?”
JW: “Por quê não celebramos o centenário de Mendel nos anos 1920, ou o
tricentenário de Newton nos anos 1940? Ambos foram grandes cientistas.”

Pausa: Hein?! O que tem a ver o c….

Prosseguindo:

JW: “Darwin não é celebrado por suas contribuições científicas, mas porque sua
teoria se tornou o mito criador do ateísmo.”

Outro trecho peculiar:

JW: “(…) dados do projeto genoma estão revelando grandes inconsistências no
argumento Darwiniano de que todos os organismos compartilham um ancestral
comum, e que ninguém nunca observou a origem de uma nova espécie – muito
menos a origem de novos órgãos – por variação e seleção. Por outro lado, a
evidência para o design inteligente está aumentando. Mais cedo ou mais tarde,
evidência vencerá.”

O que não sai da minha cabeça é: como uma pessoa que passou por um doutorado em biologia celular e molecular pode ser anti-Darwin? Mais ainda, com uma quantidade irrefutável de evidências científicas e de consenso quanto à teoria da evolução, como é possível que de cada 2 norte-americanos, só 1 acredite nela?

Para Chris Mooney e Matthew Nisbet, a polêmica tem raízes religiosas mas grande parte da culpa é da mídia. Eles afirmam em um artigo intitulado “Undoing Darwin” (ou “Desfazendo Darwin”) que quando a evolução sai do campo científico e entra no campo político e jurídico, ela deixa de ser coberta por jornalistas com conhecimento científico para navegar entre páginas sobre política e opinião, e também nos jornais televisivos. Todos esses contextos, cada um ao seu modo, tendem a retirar a ênfase na forte evidência científica em favor da evolução para dar credibilidade à ideia de que há uma crescente controvérsia sobre a ciência evolutiva, e assim a mídia está cumprindo o seu papel e cobrindo “os dois lados” do tópico. Eles afirmam categoricamente que esta prática “pode ser politicamente conveniente, mas é falsa”.

O Estado é laico mas mesmo assim temos referencias religiosas no dinheiro, nas escolas, na política com o caso escandaloso do pastor Feliciano como presidente da Comissão de Direitos Humanos. É o verdadeiro samba do crioulo doido.

Algo semelhante acontece com o caso das mudanças climáticas e aquecimento global. Ao tentar veicular ambos os lados do debate de maneira “imparcial”, a mídia retrata de maneira bastante desproporcional a opinião partilhada pela maioria dos cientistas quando dedica o mesmo tempo no ar (ou o mesmo espaço na mídia impressa) para os céticos. Dá nisso, o público fica confuso e a ignorância se espalha feito fogo no milharal.

 

@rubiagaissler é doutoranda em ambiente e sociedade e estuda as relações entre mídia e ambiente. Seu blog, Ciência Sapiens, pode ser visto aqui: rubiagaissler.wordpress.com.

 

UPDATE: continue lendo sobre este assunto no próximo post:

Se a sua fé precisa de embasamento científico é porque está fazendo alguma coisa errada

 

Quer acessar artigos científicos sem assinatura ou melhorar sua leitura no computador? O NCBI pode ajudar!

O National Center for Biotechnology Information (Centro Nacional para “Biotecnologia da Informação”), ou NCBI, tem duas ferramentas excelentes para ajudar quem gosta de ler artigos científicos e também para quem não aguenta mais ler esses arquivos em PDF no computador.

A primeira recomendação é para quem não tem acesso às assinaturas caríssimas de periódicos científicos. Chama-se PubMed Central http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/ e é um braço da base dados PubMed que possui conteúdo 100% aberto, independentemente de qualquer tipo de assinatura, cadastro, afiliação etc.

PubmedCentral

É só acessar o link e fazer uma busca pelo assunto de interesse. Encontrou os artigos? Pode baixar quantos quiser!

A outra ferramenta do NCBI que quero indicar é uma novidade que me agradou muito: o PubReader http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/about/pubreader/ foi desenvolvido para oferecer uma leitura otimizada dos artigos disponíveis na PubMed Central. Direto do browser, sem PDF.

Cliquem na imagem abaixo para uma explicação rápida de como ele funciona e no link de exemplo para ver como um artigo é apresentado no PubReader:

PubReader

Exemplo: Correlation analysis of the side-chains conformational distribution in bound and unbound proteins (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3479416/?report=reader).

Pessoalmente, adorei a nova apresentação e torço muito para que essa ferramente seja replicada para outras bases! Aposto que vai ser especialmente bom para leitura em tablets e smartphones.

E vocês, o que vocês acharam do novo visual?

 

P.S. 1: Tenho que mencionar que o Brasil também possui uma opção muito boa de acesso livre a periódicos chamada Portal Periódicos CAPES http://www.periodicos.capes.gov.br/, mas vou escrever um texto específico sobre ele que vale à pena.

P.S. 2: Sim, estou vivo e a maior novidade de todas é que estou morando nos EUA desde Setembro. Vim para cá pelo programa Ciência Sem Fronteiras fazer um ano de doutorado-sanduíche no MIT, em Cambridge. More on that later =)

Qualidades de pós-graduandos bem sucedidos.

*** Esse texto é uma tradução autorizada de “3 qualities of successful Ph.D students: Perseverance, tenacity and cogency”, escrito pelo Prof. Matt Might da University of Utah ***

Todo outono uma nova safra de doutorandos chega à universidade. Desde que tenho procurado por esses estudantes, ouço a mesma pergunta uma dúzia de vezes todo ano: “Quanto tempo demora para se conseguir um Ph.D?”.

Essa não é a pergunta correta.

“Um doutorado pode levar tanto tempo quanto você quiser”, respondo a eles. Não existe um limite para quão rápido você consegue satisfazer todos os critérios da instituição. Uma questão melhor para se fazer é “O que faz um doutorando ser bem sucedido nesse processo?”.

Tendo acompanhado esses alunos em trajetórias de sucesso e fracasso em quatro universidades, percebi que o sucesso nessa pós-graduação está ancorado em três qualidades: perseverança, tenacidade e poder de convencimento.

Se você está fazendo doutorado ou pensando em começar um, leia.

O QUE NÃO IMPORTA
Existe uma concepção errada de que um Ph.D precisa ser esperto. Isso não pode ser verdade.

Uma pessoa esperta saberia que fazer doutorado não é lá uma ideia muito inteligente.

Qualidades de alguém “esperto” como brilhantismo e raciocínio rápido são irrelevantes numa pós-graduação. Estudantes que chegaram até esse ponto confiando apenas em seu brilhantismo e capacidade de raciocínio abandonam os programas de pós com uma previsibilidade irritante. Não duvide: ser brilhante e raciocinar rapidamente são características valiosas em outras empreitadas. Mas nenhuma é suficiente ou necessária na ciência.

É claro que ser esperto ajuda. Mas não dará conta do trabalho.

Ainda, como qualquer pós-graduando pode lhe dizer: muitos idiotas conseguem cruzar a linha de chegada e se vão, diploma de doutor em mãos.

Como meu orientador costumava me dizer, “Sempre que me sentia deprimido na pós – quando me preocupava em não conseguir finalizar meu doutorado – eu olhava para pessoas mais burras que eu terminando os seus, e pensava ‘se aquele idiota consegue um doutorado, droga, eu também posso‘“.
(Desde que me tornei professor tenho me percebido repetindo esse pensamento, só que eu troco o ‘conseguir um doutorado’ por ‘ganhar aquele financiamento’.)

PERSEVERANÇA
Para escapar da universidade com um doutorado você precisa estender de modo significativo a fronteira do conhecimento humano. Mais precisamente, você precisa convencer um grupo de experts que guardam essa fronteira de que o fez.

Você pode cursar disciplinas e ler artigos científicos para descobrir onde está essa fronteira.

Essa é a parte fácil.

Mas quando chega o momento de realizar essa expansão, você precisa entrar em sua fortaleza e se preparar para a carnificina de derrotas.

Muitos doutorandos desanimam quando chegam a essa fronteira porque não há mais um teste para realizar ou um procedimento a ser seguido. É nesse momento (entre 2 e 3 anos de doutorado) que os atritos chegam ao ponto máximo.

Encontrar um problema a ser resolvido raramente é difícil. Todos os campos de pesquisa são ricos em problemas abertos. Se encontrar esse problema for complicado, você está no campo errado. A parte difícil de verdade, claro, é resolvê-lo. Afinal, se alguém pudesse lhe dizer como fazê-lo não seria uma questão aberta.

Para sobreviver a esse período você precisa estar disposto a falhar do momento em que acorda até a hora de dormir. Você precisa estar disposto a falhar por dias, meses, talvez anos a fio. A habilidade que você adquire durante esse trauma é estimar a probabilidade de uma nova abordagem funcionar.

Se você perseverar até o final dessa fase, sua mente intuirá soluções para problemas de maneiras que não era capaz no passado. Você não saberá como ela faz isso (eu não sei como a minha faz). Ela apenas fará.

Enquanto adquire essa habilidade, você estará lançando artigos para revisão por pares para descobrir se os outros acham que o que você está fazendo se qualifica como pesquisa. Como a taxa de aceitação em bons periódicos varia entre 8% e 25% a maioria dos seus artigos será rejeitada. Você só pode esperar que, eventualmente, descobrirá como publicá-lo. Se você se dedicar e trabalhar duro o suficiente, conseguirá.

Para estudantes que se destacaram na graduação, a repentina e constante barragem de rejeição e falha é irritante. Se você tem um problema de ego, essa pós-graduação irá resolvê-lo. De modo vingativo. (Alguns egos parecem se recuperar após um tempo.)

Essa fase do doutorado exige perseverança – face a incerteza, a rejeição e a frustração.

TENACIDADE
Para aspirar a uma posição como professor titular após conseguir seu doutorado, você precisa de uma qualidade adicional: tenacidade. Como existem poucos desses cargos disponíveis, há uma competição feroz (porém civilizada) para consegui-los.

Na ciência da computação, um candidato competitivo terá aproximadamente 10 publicações, sendo entre 3 e 5 em periódicos de primeira linha (índice de aceitação de trabalhos inferior a 33%). Somente um título de doutor não garante nem uma entrevista.

Existem algumas boas razões para se conseguir um doutorado. “Porque você quer ser professor” pode ser a única realmente boa. Ironicamente, existe uma boa chance de você não perceber que tem essa vontade até o final da pós. Então, se você vai para a pós faça-a direito para o seu próprio bem.

Para se tornar professor você não pode ter uma única descoberta ou ter resolvido um único problema. Você precisa resolver vários e publicar cada solução. Ao terminar a pós, um arco conectando seus resultados deve emergir, provando aos avaliadores que sua pesquisa possui um caminho produtivo para o futuro.

Você também precisa criar relacionamentos com os acadêmicos do seu campo de modo ativo, agressivo até. Eles precisam saber quem você é e o que está fazendo. Também precisam estar interessados no que você está fazendo.

PODER DE CONVENCIMENTO
Finalmente, um bom aluno de doutorado precisa ser capaz de articular suas ideias de modo claro – pessoalmente e ao escrever.

A ciência é tanto um ato de persuasão como de descoberta.

Uma vez que tenha feito uma descoberta, você precisa persuadir os experts de que você fez uma contribuição legítima e significativa. Isso é mais difícil do que parece. Apenas mostrar “os dados” não funcionará. (Sim, em um mundo perfeito isso seria o suficiente.)

Ao invés disso, você precisa “alimentá-los de colherinha”. Enquanto escreve, precisa conscientemente minimizar a quantidade de tempo e gasto cognitivo que eles precisarão para entender que você fez uma descoberta.

Você pode precisar “sair em turnê” e dar palestras inspiradas para deixar seus pares animados com a sua pesquisa. Quando participar de conferências, você os quer esperando o próximo episódio ansiosamente.

Você precisará escrever resumos atraentes e introduções que fisguem o leitor e façam ele sentir vontade de investir tempo na leitura do seu trabalho.

Você aprenderá a balancear clareza e precisão, para que suas ideias se componham sem ambiguidade ou formalidade em excesso.

Geralmente, os alunos de pós não chegam com boas habilidades comunicativas. Isso é uma capacidade que eles forjam na pós. Quanto mais cedo isso acontecer, melhor.

Infelizmente o único modo de melhorar a escrita é fazê-lo repetidamente. 10000 horas é o número mágico que dizem ser necessário para se tornar um expert em algo. Você nunca chegará nem perto desse número escrevendo somente seus artigos científicos.

Assumindo a pouca prática em escrever para um público antes de se chegar à pós-graduação, se você ficar na pós seis anos até obter seu doutorado, é possível alcançar essas 10000 horas escrevendo 5 horas por dia. (Próximo do final de um doutorado não é incomum ultrapassar 12 horas de escrita diária.)

É por esse motivo que eu recomendo que novos estudantes comecem um blog. Mesmo que ninguém o leia, faça isso. Você não precisa nem escrever sobre o que pesquisa/estuda.

A prática do ato de escrever é tudo o que importa.

*** Esse texto é uma tradução autorizada de “3 qualities of successful Ph.D students: Perseverance, tenacity and cogency”, escrito pelo Prof. Matt Might da University of Utah ***

Doutorado, explicado.

*** Esse texto é uma tradução autorizada de “The illustrated guide to a Ph.D”, escrito pelo Prof. Matt Might da University of Utah ***

Toda primavera eu explico para um grupo de novos estudantes de doutorado o que um doutorado significa.

É algo difícil de se descrever com palavras. Por isso, uso figuras. Veja abaixo o guia ilustrado para um doutorado.

Imagine um círculo que contém todo o conhecimento humano:

Ao terminar o ensino fundamental, você sabe um pouco:

No final do ensino médio, você sabe um pouco mais:

Com um diploma de bacharel você ganha uma especialidade:

Um mestrado aprofunda essa especialidade:

A leitura de artigos de pesquisa em periódicos acadêmicos o leva ao limite do conhecimento humano:

Quando você chega à fronteira, você foca:

Você força essa fronteira por alguns anos:

Até que, um dia, a fronteira cede:

E, a expansão que você criou é chamada “título de doutor”, o Ph.D.

Claro, o mundo parece diferente para você agora:

Portanto, não se esqueça do cenário completo:

Continue forçando.

 

*** Esse texto é uma tradução autorizada de “The illustrated guide to a Ph.D”, escrito pelo Prof. Matt Might da University of Utah ***

P.S: Já fiz outra tradução do Prof. Might, confira aqui http://www.ciensinando.com.br/2012/05/dicas-blogueiros/

Reality check.

Uma das habilidades mais desenvolvidas pelos alunos de pós-graduação – incluindo este que vos escreve – é reclamar.

Achamos a vida de pós-graduando difícil, reclamamos dos horários muitas vezes malucos, da falta de reconhecimento, do pagamento injusto, da carreira concorrida na academia e da falta de desenvolvimento em P&D no Brasil para absorver os mestres e doutores formados. E apesar de muitas dessas reclamações serem válidas, gostaria de deixar um aviso: hoje (09/05/2012) às 14h Ana Amália Tavares Bastos Barbosa defende sua tese de doutorado “Além do corpo: uma experiência em arte/educação”.

“E daí?”, alguns podem perguntar. Começo a resposta pela imagem abaixo:

Ana Amália com seus alunos (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

Ana Amália sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e está paralisada faz 10 anos. Dependendo apenas de movimentos de seu queixo interpretados por computador, ela ensina arte para crianças com paralisia cerebral, pinta e, não satisfeita, desenvolveu um doutorado na Escola de Comunicação e Artes da USP.

Portanto, faça como eu farei de hoje em diante. Quando começar a entrar na espiral “pós-graduando desgraçado”, lembre-se dela, OK?

Fontes:

Mulher paralisada há dez anos por derrame defende tese de doutorado (Folha.com)

Escola de Comunicação e Artes (USP)

 

A valorização do pós-graduando importa?

*** Esse texto faz parte da blogagem coletiva “Qual é o valor do aluno de pós-graduação stricto sensu?” lançada pelo site Pós-Graduando ***

Quando recebi o convite dessa ação, comecei me informando sobre seus objetivos e aproveitei para conhecer a opinião dos autores que já haviam contribuído. E não é que foi exatamente da leitura desses textos que nasceu o meu? Explico.

Constante nos textos foi uma frase que todo estudante de mestrado e doutorado, após alguns momentos de quase surto, se acostuma a ouvir quase com indiferença: “mas você só estuda?”.

Essa indiferença pode ser adquirida de maneiras bem diferentes. Tem gente que desenvolve surdez seletiva, que aprende como um mestre a evitar essa discussão… No meu caso, entendi que quase ninguém que faz essa pergunta tem ideia do que são, como funcionam e quais são os propósitos de um mestrado ou doutorado na área de ciências.

Só que isso vai ser assunto para outro texto e vou aproveitar a oportunidade para escrever não sobre o pós-graduando, mas sobre o Brasil. E para isso vou adicionar à discussão outro ser incompreendido desse país: o professor. E ele tem que se acostumar às suas próprias frases cruéis, como “professor, você só dá aula?” e a campeã “quem não sabe fazer, ensina!”.

[abre parênteses] Imagina quando eu estava ao mesmo tempo na pós e dando aula? [fecha parênteses]

Essas frases, para mim, refletem um único problema: educação. Mais precisamente a importância (ou falta de) dada à Educação, o que tem impacto direto na importância dada à Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI). E essas concepções sobre pós-graduandos e professores são, em grande parte, subproduto da visão do estado brasileiro sobre o tema.

Tenham certeza: a falta de seriedade com que professores e pós-graduandos são encarados em nosso país resulta do descaso brasileiro – governo e cidadão – para com educação.

Não tá fácil prá ninguém... mas tem jeito.

Verdade seja dita, parte desse problema não é exclusividade nossa. Mesmo um país superdesenvolvido científica e tecnologicamente como os EUA têm problemas com a valorização de professores, e os alunos de pós são muitas vezes considerados subempregados. Duvida? Acesse os quadrinhos de Jorge Cham no PHD Comics e veja o cotidiano acadêmico retratado por lá. O conteúdo das tirinhas é humorístico, mas baseado na própria experiência acadêmica do autor. Também é muito comum ele elaborar seus desenhos de sugestões de undergrads e grad students norte-americanos.

Assim, o que esperar de um país que, verdade seja dita, ainda engatinha em direção ao time de “primeiro mundo” da Educação e CTI?

Felizmente isso não é um problema mundial. Na Holanda, por exemplo, grande parte de quem se dispõe a fazer um doutorado assina contrato de emprego e é um trabalhador como outro qualquer. Mesmo nos EUA, que têm problemas parecidos com os nossos, quem se dispõe a tocar um pós-doutorado faz isso como empregado (ao contrário do que acontece no Brasil, onde novamente o sustento é proveniente de bolsas).

Por essas e outras continuo, como um zumbi, recitando o “mantra da resolução dos problemas no Brasil”: educação, educação, educação. Investir com seriedade, paciência e competência em Educação Fundamental e Média formará cidadãos melhores e conscientes da necessidade de se investir em CTI.

Isso é um processo, não adianta investir um quadrilhão de dólares em CTI se a tal mão de obra qualificada for analfabeta funcional ou incapaz de pensar criticamente. Esse é o motivo de o investimento na formação de cidadãos ser mais importante do que gastar tubos de dinheiro com alta tecnologia. Como diz uma expressão em Inglês, quando entendermos isso e passarmos à ação, the rest follows.

E daí não será necessário realizar mobilizações sobre a importância do pós-graduando ou sobre o reajuste de bolsas… e sinceramente? Se você está passando por todo o estresse de um mestrado e/ou doutorado, da rotina (falta de rotina?) difícil, muitas vezes extenuante e comprometedora, e ainda fica chateadinho quando alguém tenta desqualificar sua escolha acadêmica, siga o conselho abaixo:

"Fique tranquilo, trabalhe muito e pare de mimimi". Sério.

Quer ver o início desse movimento e ler os textos dos outros participantes? Acesse o link do Pós-Graduando em http://www.posgraduando.com/pos-graduacao/qual-e-o-valor-do-aluno-de-pos-graduacao-stricto-sensu.

O CNPq e o papa são pop

CNPq pop

Três coisas interessantes estão acontecendo com o famoso e querido CNPq dentro da divulgação científica. Pra quem não conhece, o CNPq é o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que é ligado diretamente ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, e “tem como principais atribuições fomentar a pesquisa científica e tecnológica e incentivar a formação de pesquisadores brasileiros”.

O que você precisa saber é que esta é a maior investidora em ciência no país, financiando projetos e bolsas de estudo por todo o território nacional. Ou seja, em grande parte, é ela quem manda na ciência nacional.

Agora seguem aqui os três fatos interessantes que me chamaram a atenção no CNPq nestas últimas semanas:

1-      Divulgação no Lattes: a plataforma Lattes é um sistema que reúne os currículos científicos e profissionais de todos os cientistas e pós-graduados do país. Isso é algo que todos os gringos invejam porque isso não existe em outros países. Ela facilita a vida de qualquer um, incluindo você, que quer encontrar ou checar o passado profissional de um cientista (atenção jornalistas!). Mas só agora é que este currículo vai ter espaço para as atividades de divulgação, como artigos em jornais e revistas, programas de tv, blogs entre outros. Bom estímulo para cientistas se esforçarem para divulgar seu conhecimento.

2-      Popularização da ciência: Agora no site novo do CNPq, e ‘demorô’ pra dar essa repaginada, tem uma página com este título de Popularização da Ciência, com material voltado para a divulgação científica.

3-      MAS SÓ AGORA?!: outro fato importante é esta constatação de que até hoje não existia este tipo de preocupação do CNPq em popularizar a ciência brasileira. Claro que no discurso sempre há essa preocupação, mas ação efetiva é rara de se ver, e isto fica claro com o lançamento obviamente tardio destas duas iniciativas descritas acima.

Agora eu quero saber quem foi que botou pressão para estimular este caminho da popularização? Sei que tem um Comitê de Assessoramento de Divulgação Científica do CNPq, mas quem é o responsável e que tipo de coisas eles fazem eu terei que averiguar.

Só espero que essa vontade de popularizar se reverta também em bolsas de pesquisa na própria área de divulgação cientifica. Temos que saber como fazer divulgação científica bem feita.

 

 

Exposição com “baratas” que brilham

Réplica gigante de fungo

Todo mundo adora coisas que brilham, e é por isso que se tem um tema para exposição que é sucesso garantido é a bioluminescência. Vagalumes, água-vivas e fungos são algumas das fontes de luz que a natureza possui e que estão representadas na exposição Criaturas de Luz do Museu de História Natural de Nova Iorque.

Parece ser bem legal e é uma pena este tipo de exposição ser tão rara no Brasil.

Bônus sobre vagalumes:

1- Não é só carnavalesco não. As proteínas que fazem o vagalume brilhar são usados em laboratórios para marcar células, fazendo-as brilharem e facilitando a observação de eventos microscópicos. Sem essa proteína (luciferina) os estudos de todas as áreas de biologia celular estariam muito mais atrasados.

2- Pense numa noite escura, você caminhando por uma mata com sua amada quando um pequeno brilho verde pisca a meia distância, e pisca de novo mais adiante e novamente mais ali. A noite fica mágica, etérea, romântica. Luz é magia. Você com uma lanterna tenta acompanhar o brilho para ver o vagalume de perto. Ao chegar perto e iluminar o brilho verde sua amada grita de espanto e nojo: “UMA BARATA, MATA!!!”. As pessoas ficam impressionadas, e um pouco decepcionadas, quando veem um vagalume de perto, afinal ele parece mesmo uma barata. E neste vídeo dá pra ver o modelo gigante que fazem de um vagalume e o making of da exposição.

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