Só acaba quando termina…
Traduzi – porcamente, concordo – uma das últimas tirinhas do PHD Comics. Mais uma vez o autor acertou na mosca e ilustrou uma situação familiar a quase todos que se metem a fazer mestrado e/ou doutorado.
Aproveito para acrescentar a essas observações minha experiência de mestrado (que parece estar se repetindo no doc): só deixe de fazer experimentos para a sua tese quando estiver na data limite para escrevê-la. E volte aos mesmos assim que escrita/entrega/defesa tiverem terminado.
Ah, e sem chorar, hein?
Para ler mais acesse o PHD Comics em http://www.phdcomics.com/comics.php.
Canais de ciência e educação no Youtube produzidos pelo próprio Google
O Google pela primeira vez vai produzir conteúdo original em canais criados por ele no Youtube. E qual não é a nossa surpresa em saber que haverá canais de ciência e educação! Você pode pensar: “Incrível, maravilhoso, é um sinal de que os tempos estão melhorando!”, mas devagar aqui. Dos 100 canais que o Google vai produzir, 4 serão mais científicos e 5 educacionais. Eles estão na sessão “notícias e educação” neste link.
Tem o Numberphilie (algo como “numerofilia”) feito por matemáticos e falando das histórias por trás de alguns números (muita sorte pra eles); o SciShow e o CrashCourse, ainda a serem feitos pelos irmão Vlogbrothers, já famosos por seus videos (eu não vi, minha mulher viu e disse que é muito bom); e o DeepSkyVideo, um cara de brinco tentando tirar boas fotos de galáxias com seu telescópio.
Mas e os outros 91 canais? CELEBRIDADES, COMÉDIA E CARROS!!! Viu, o mundo ainda continua o mesmo.
Ok, eu sei que tem coisas bacanas também por lá que não tem nada a ver com ciência ou educação, e que 9 já é um bom começo. Concordo. Vamos torcer para que façam sucesso.
E aqui no Brasil? Vamos fazer conteúdo independente e em português, minha gente?
Vi no Notes & Theories
Debate com o RNAm sobre uso de animais em experimentação.
Saiu o podcast que eu gravei para o Bule Voador sobre uso de animais em pesquisas. Se você não conhece o Bule Voador veja do que se trata aqui. São amigos bem polêmicos do RNAm.
Foi um ótimo papo. Eu estou meio sério porque é um assunto delicado e eu não quis acabar fazendo uma brincadeirinha que podia ser mal interpretada.
De qualquer forma pude mostrar todo meu pessimismo com relação a uma solução definitiva para este problema, mas mostrei também meu otimismo com o diálogo entre as partes, que deverá ser constante e respeitosa como foi neste podcast.
Ouça o podcast: Bulecast nº 4: Pesquisas com animais na ciência
Leia o que mais já falamos aqui sobre o assunto, principalmente estes dois primeiros:
Evolução da consciência e direito animal – o debate
O que um cientista sente ao sacrificar seus animais
E ainda:
Terrorista que acredita em Exterminador do Futuro manda bomba a cientistas
Cientistas e governo em campanha pelo uso de animais em pesquisa
Resultados do Ato Público contra a nova distribuição dos royalties do petróleo.
Dias atrás comentei a realização de um Ato Público encabeçado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) contra o projeto de lei que prevê a redistribuição dos royalties do petróleo.
As críticas à Proposta de Lei Substitutiva 448 extrapolam a cobertura da mídia sobre o entrave entre os Estados e Municípios produtores e não produtores, baseando-se no fato de a nova proposta extinguir itens que tratam da destinação de percentagens específicas para Ciência, Tecnologia & Inovação previstos na legislação vigente.

Salão Nobre lotado para o início das discussões. Ato Público realizado em São Paulo no dia 7 de Novembro de 2011. (Imagem: arquivo pessoal)
O evento terminou com a decisão das entidades organizarem um movimento para solicitar aos deputados da Câmara Federal mudanças no PLS 448 que destinem por lei percentuais para as áreas supracitadas. Um resumo do Ato foi publicado pela SBPC em “Já a partir de 2012, os fundos setoriais perderão quase metade do valor atual“.
O ScienceBlogs Brasil manifestou seu apoio à questão pela publicação do artigo “Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448” no blog Raio-X. O texto contém explicações sobre o tema e foi elaborado para que todos tenham mais conhecimento sobre o assunto.
Acessem!
Atlas da musculatura humana: ache a si mesmo
[Post patrocinado por Software Anatomia Musculatura Humana]
Quem já usou sabe a maravilha que é o Google Maps. Você precisa ir para algum lugar que não conhece? É só digitar o endereço, ele dá aquele zoom do mundo para a sua rua de destino. Com a opção StreetView você ainda pode realmente ver imagens do endereço, caminhar pela rua para saber exatamente onde ir, ou mesmo ver um ponto turístico que sempre quis conhecer em qualquer lugar do planeta.
Aí alguém teve uma idéia fantástica baseada num problema: se vou ao médico com uma dor no braço, ele me diz que tenho um problema no deltóide e eu me pergunto – “mas onde raios fica o deltóide?”- Então façamos o Google Maps do corpo humano! Digite o nome e descubra o endereço dele, onde fica, como ele é, dê um zoom, gire, e tudo mais. Nascia assim o Body Browser, mais um projeto bacana do Google.
Biólogos, médicos, fisioterapeutas, educadores físicos e professores adorariam, certo? Mas pelo visto só eles não foram o suficiente para manter o projeto. O body Browser foi descontinuado.
Uma pena, porque a idéia é muito legal. Na verdade é fantástica. Um bom atlas do corpo humano é uma viagem, uma obra de arte. Coloque um na frente de uma criança e veja quantas horas ela ficará folheando. Agora imagine um modelo digital 3D que ela pode girar a vontade?
Sorte que a idéia não morreu com aquele projeto. Uma iniciativa nacional é uma alternativa bem bacana – o Musculatura Humana. Por enquanto é só para músculos e ossos, mas está sendo expandido para outros sistemas
O que eu achei realmente interessante no programa é que ele resolve de uma maneira bem simples um problema que eu sempre imaginei difícil de abordar quando pensava em um atlas virtual: como mostrar todas as estruturas de um corpo que é uma massa compacta de tecidos e órgãos?
A solução em livros de anatomia clássicos é dividir o corpo em centenas de grupos, que têm sua coerência, mas caem na limitação de nunca dar para ver aquele grupo no contexto geral. Nunca dava para ver o morto inteiro, por assim dizer.
Mas se você quiser ver o corpo todo e achar o tal músculo escondido o software Musculatura Humana resolve isto assim: você controla o número de camadas que quer ver. Na abertura do programa temos um homem nu em pele (literalmente). Daí você pode começar tirando a pele, como aquele clipe do Robbie Williams (fica legal a partir dos 2min50), lembra? Chegando na musculatura você já vê o peitoral, mas se quiser ver o peitoral menor, que fica logo abaixo, é só tirar uma camada de músculo e chegar ao seu destino.
Melhor que isso só quando inventarem a miniaturização do filme Viagem Insólita para viajarmos mesmo pelo interior do corpo.
Então fica a dica: Software Anatomia da Musculatura Humana.
Ato Público na SBPC sobre a distribuição dos royalties do pré-sal!
Sei que está muito em cima da hora, mas não posso deixar de divulgar o evento que acontecerá hoje na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC, em São Paulo.
Trata-se de um Ato Público que começará às 14h30 no Salão Nobre da entidade e tem como objetivo chamar a atenção e tentar reverter o quadro atual de distribuição dos royalties do petróleo que não inclui um percentual de destinação para as áreas de educação, ciência, tecnologia e inovação (C,T&I).
O evento é aberto ao público e reunirá dirigentes de instituições de educação e C,T&I, docentes, pesquisadores, parlamentares e autoridades dos governos estadual e federal.
Eu estarei lá. Quem não puder comparecer saberá tudo o que aconteceu aqui pelo RNAm.
Mais informações sobre o evento em Entidades científicas fazem novo ato público em favor da Educação e C,T&I.
Já escrevi sobre a situação dos royalties do pré-sal no post Royalties do pré-sal: como transformar óleo em desenvolvimento nacional.
Aproveite a oportunidade para contribuir com a sua assinatura e ajudar essa importante causa!
Cientistas derrubam a Lei da Gravidade! NOT!
Uau, ficaram sabendo que existem religiosos questionando a Lei da Gravidade e buscando o ensino do princípio da “Queda Inteligente” nas escolas dos EUA! Pois é!
Calma, eu não enlouqueci. Explico: quem pensa que o costume de encaminhar “notícias”, “revelações” e “polêmicas” sem nem ao menos se dar ao trabalho de verificar a veracidade do conteúdo é exclusivo de gente com pouco estudo, desfavorecida e blablabla, engana-se. O causo abaixo chegou ao Rafael e a mim por um amigo em comum, com a mensagem:
“Biólogos: mensagem que está circulando na lista de e-mails da graduação em
CURSO Xda USP. Nem li, mas se interessar… Abraço”
O e-mail encaminhava uma mensagem indignada de um dos alunos. Uma descoberta que, sem dúvida, agitaria todos que ensinam Ciências. Leiam por si próprios:
“http://www.theonion.com/articles/evangelical-scientists-refute-gravity-with-new-int,1778/
Cara, só pode ser piada…. Não basta a disputa entre o ensino do evolucionismo X criacionismo, agora alguns religiosos norte-americanos (sempre eles) questionam também a lei da gravidade!!! Palhaçada….
Traduzo um trechinho para os preguiçosos que não quiserem ler tudo em inglês, ou simplesmente traduzir tudo com algum tradutor:
“Vamos dar uma olhada nas evidências,” disse pesquisador sênior do ECFR (Centro Evangélico para o Raciocínio baseado na Fé), Gregory Lunsden. “Em Mateus, 15:14, Jesus disse, ‘se um cego guiar outro cego, ambos cairão na cova.’ Ele não diz nada sobre a gravidade fazer eles caírem – apenas que eles cairão. Então, em Jó 5:7, nós lemos, ‘Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar.’ Se a gravidade puxa tudo para baixo, por que as faíscas voam para cima com grande certeza? Isso claramente indica que uma inteligência consciente governa tudo que cai.”
Dá para acreditar nesses caras???”
Minha pronta resposta para a tal mensagem foi “Não, gente, não dá.” Desse modo, logo parti em busca da notícia original para tirar essa história bizarra a limpo.
Óbvio, me deparei com mais um belo exemplo de como muita gente perde tempo – e talvez cérebro – simplesmente confiando em qualquer coisa disponível na internet. Existe um passo a passo básico para filtrar bobagens como essa e não pagar mico, como vocês lerão a seguir. Além disso, sugiro que aproveitem essas dicas em qualquer leitura, conversa ou aula daqui em diante. Pensamento crítico, crianças, só não é melhor que canja de galinha =)
Primeiro: encontrar a fonte original. Nesse caso específico só essa ação que não vai tomar mais do que 5 minutos do seu precioso tempo já resolve qualquer dúvida. O artigo encaminhado como “polêmico”, “absurdo” e “inimaginável” foi publicado pelo The Onion. Case closed, next!
“Ué, peraí, e daí? Nunca ouvi falar!”
Não tem problema, o titio explica: o The Onion é famoso por criar sátiras de notícias reais ou simplesmente inventar conteúdo absurdo sobre assuntos importantes. No caso, uma sátira que aplicação semelhante à maluquice do Desing Inteligente para explicar a Lei da Gravidade. E pensar que alguém levou essa notícia a sério, tsc tsc.
Segundo: descobrir a data de publicação e encontrar a mesma notícia veiculada em outros portais, jornais, blogs etc. O artigo em questão é de 2005 e todas as notícias semelhantes são meras reproduções da nota original do The Onion. Preciso falar mais? Como algo que teria tanto impacto e geraria tanta discussão só foi destacado por UM veículo de comunicação? E porque ficou ao léu por tantos anos?
Geralmente, a resposta para as duas perguntas é: você está diante de uma mentira/bobagem/piada. Simples assim.
Para quem ainda duvida, outro link de 2005 que encontrei sobre o tema é da Ciência List e pode ser acessado em http://br.groups.yahoo.com/group/ciencialist/message/49892. Lógico, menos de 1 dia depois da mensagem inicial a discussão entrou em uníssono: piada piada piada.
Resumão: normalmente descobrir se a “grande notícia polêmica” que chegou a você é real ou não dificilmente tomará mais do que 10 minutos do seu tempo.
Se você acha que é muito tempo para perder com isso, a solução é simples: não a encaminhe. Assim você poupa o seu tempo e de todos que a receberiam.
Ah, e o meu. Especialmente o meu.
Como é um curso multidisciplinar na prática
Ainda sobre interdisciplinaridade, posto aqui um comentário da leitora Dannyelle Novaes sobre o post Quer Multidisciplinaridade? Vá para a Áreas de Saúde . Ela conta como foi estudar em um curso que aplica multidisciplinaridade na prática. Obrigado Danny!
Quando vi o título do último post, tive logo que ler e comentar…
Digo, por que esse assunto esteve presente diariamente nos meus últimos 4 anos. Me formei ano passado pela Unifesp/ Baixada Santista e a graduação de lá tem sido bem focada em multidisciplinaridade. E especialmente lá, diferente de outros Campi, temos tentado uma nova metodologia bem diferente de ensino, mas bem bacana.
Desde o primeiro ano, somos incentivados a pensar de modo multiprofissional. No primeiro ano, temos aulas com todos os cursos, menos o nosso. Temos aula com nosso curso apenas 1 vez na semana, com aquelas matérias básicas de história da Nutrição (aah, sou nutricionista!) e assim por diante. Assim, aulas básicas para todos os cursos são assistidas juntas, como ética, iniciação em pesquisa, metodologia, bem como microbiologia, anatomia, fisiologia, histologia. Para cada matéria temos uma sala diferente, com todos os 5 cursos do campus, claro, todos da saúde. E todo tipo de trabalho que tinhamos, precisávamos de pelo menos 1 representante de cada curso. Além disso, durante todo o curso, desde o primeiro semestre, tinhamos atividades de campo, onde entravamos nas palafitas e nos centros urbanos, para conversar com a população mais carente, e aos poucos (conforme tinhamos conhecimento), agir para ajudar a população, mas SEMPRE em grupos multi. Por exemplo, no primeiro semestre, apenas conversávamos com a população sobre a importância da saúde, no segundo semestre, já poderíamos sugerir procurar os serviços especializados, depois podíamos reunir um grupo e realizar atividades de prevenção e promoção na área da saúde, depois tínhamos casos clínicos particulares, na qual podíamos agir plenamente, conforme orientação dos professores, até os estágios e formaturas.
Apenas no último ano ficamos mais próximos da nossa sala mesmo, com 4 aulas na semana sobre nosso curso, e ainda 1 dia com a matéria de ir a campo.
Na época, por vezes achávamos complicado ficar procurando gente de todo curso pra fazer grupo, mas hoje sinto uma enorme diferença entre minha formação e a de alguns colegas, por que a geração que se formou nesse contexto consegue colocar na prática a interdisciplinaridade muito mais facilmente, entende a importância e entende que é sim possível de uma forma muito mais fácil, percebemos o quanto a opinião de outros cursos, de outras visões é sim importante.
Ainda sou uma generalista, sem saber se corro ou se fico, ou se compro uma bicicleta, mas gostaria sim de me especializar. Acho ainda que especializar não impede a interdisciplinaridade, já que precisamos de contribuições e contribuímos ao mesmo tempo, só que em situações mais específicas… Acho também que na saúde é o lugar mais visível esse pedido de interdisciplinaridade, já que na saúde, uma pessoa doente é uma pessoa doente, e não um rim doente que não tem nada a ver com o sistema circulatório que não tem nada a ver com coração. Está tudo ligado, e precisamos uns dos outros sim! Agora só falta colocar em prática nos serviços de saúde, o que pode ser muito complicado, já que a maioria dos sistemas não é muito flexível. E já que a burocracia sempre empata tudo.
Espero que eu tenha contribuído em algo! Espero que abram suas mentes pra interdisciplinaridade!
Um Grande Abraço,
Danny.
Quer multidisciplinaridade? Vá para áreas da saúde.
[Post patrocinado por EducaEdu: Cursos Saúde e Medicina]
A trans-inter-super-ultra-mega-blaster-multidisciplinaridade estána moda, certo? Todo mundo fala disso. Mas eu acho que a coisa ainda está muito mais no discurso do que na prática. O mundo ainda compensa mais as pessoas super-especializadas. Isso é o que eu acho, mas podemos discutir. Se não concorda ou me apóia, comente este post com sua idéia.
Apesar de não ver isso na prática da pesquisa, pelo menos tenho visto algo parecido surgir em aulas da pós-graduação. Ou pelo menos algumas. E vejo que a área de saúde é a que tem estado na frente nesta multidisciplinaridade.
Dou alguns exemplos:
Como eu estou entrando na área das neurociências eu tenho feito disciplinas de pós-graduação na psiquiatria da USP, e comecei por uma disciplina mais amistosa para mim, biólogo que sou – isto é, com um “molecular” ou “genética” no nome. Afinal, em estudos do câncer ou do cérebro, molecular é molecular e genética é genética. Elas são ferramentas que podem ser aplicadas a muita coisa, e os termos, técnicas e jargões são os mesmos. Começando assim eu pude me sentir menos patinho feio dentro da psiquiatria.
Assim comecei com a disciplina Genética e Transtornos Psiquiátricos. Pode parecer bem clínico, mas no programa dava pra ver que abordaria conceitos básicos, indo de interação gene x ambiente, passando por estudos epidemiológicos, moleculares e até bioinformática e modelos animais.
Mas a multidisciplinaridade mais interessante não estava no conteúdo das aulas, mas nos alunos que apareceram por lá.
Havia biólogo (eu e não sei se mais algum), psicóloga clínica, um psiquiatra beeeem clínico mas interessado por pesquisa e epigenética, psiquiatra epidemiologista, e até um neurocirurgião!!!
Sério, eu nunca tinha conversado com um neurocirurgião. Para mim eles carregam um estigma de serem os seres mais inteligentes do mundo. Não que eu ache isso, mas parece que quando as pessoas pensam em uma profissão absurdamente difícil, pensam em neurocirurgião.
Claro que o cara era normal, bem gente boa, muito inteligente, principalmente uma inteligência bem técnica, eu diria, mas nada fora do comum para um bom cirurgião. E deu contribuições fantásticas nas discussões da aula. Sério, agora eu quero ter sempre um neurocirurgião por perto pra conversar e tirar dúvidas.
Agora estou em outra disciplina, esta bem mais voltada para pesquisa, mas ainda sim temos certa diversidade com psiquiatras (na maioria), psicólogos e eu, o biólogo fora do nicho.
E foi muito legal contribuir para a discussão quando a conversa foi sobre o papel da evolução nas doenças psiquiátricas. Eu como biólogo pude ajudar com conceitos que para biólogos são banais, mas para médicos e psicólogo são mais distantes.
Estou gostando de estar nessa área médica ou de saúde. Afinal eu tenho essa tendência generalista, de gostar de tudo, e vejo que há muita multidisciplinaridade por aqui. Claro que ainda faltam áreas importantes entrarem na roda, como, no caso da psiquiatria, os psicólogos comportamentais, neurocientistas e pessoal do comportamento animal, entre outros.
Juro que isso tudo chegou a gerar uma certa inveja-boa da prática clínica. Mas ainda bem que passa rápido.
Por isso, se você é um generalista como eu, gosta de interagir com várias áreas, e ainda não sabe o que fazer da vida (vai prestar vestibular ou entrar em uma pós-graduação), as áreas da saúde são uma boa pedida.
Veja aqui as opções do nosso parceiro EducaEdu em Cursos Saúde e Medicina.
Aprendendo por demonstração… ou não!
Mais uma fantástica série “motivacional” de tirinhas feitas por Jorge Cham, criador do PHD Comics. O diálogo, que vai relembrar episódios na vida acadêmica de muitos leitores, está traduzido abaixo. Divirtam-se!
Tradução
Orientador (O): Fiz alguns ajustes no rascunho do artigo que você me enviou.
Aluno (A): Você… reescreveu tudo.
O: Sim, acho mais fácil reescrever do que mostrar a você todas as coisas que fez errado. Chamo isso de “aprendizado por demostração”.
A: O que você está demonstrando?
O: Que você escreve mal.
A: O que está errado com a minha escrita?
O: Bom… para começar, você usa frases demais. Sua escolha de palavras é comumente incorreta. E sua pontuação é estranhamente posicionada. Na verdade, o problema começou quando você apertou a primeira tecla do teclado.
A: Mais alguma coisa?
O: Suas figuras são feias.
A: Não leve pelo lado pessoal. Quando eu era um estudante de Doutorado, meu orientador reescrevia todos os meus primeiros artigos. Prometo que quando vocês estiver escrevendo a versão final da sua tese não encontrará uma só edição ou comentário meu.
A: Eu estarei escrevendo bem assim?
O: Eu não ligarei mais.
Antes da tirinha eu escrevi “divirtam-se”. Mas “chupa essa manga” serve tão bem quanto =).













Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

