Eu Sou a Lenda 2: o microondas

Nasce mais uma lenda urbana. Nada novo na verdade, pois em se tratando de microondas as lendas são inúmeras, e se dependesse delas os microondas estariam banidos da face da terra.

Este email que recebi, e em busca na internet percebi que muita gente pelo mundo recebeu, fala sobre os riscos em aquecer comida em recipientes plásticos ou congelar água em garrafas plásticas. Essas ações liberariam dioxinas que seriam prejudiciais e poderiam gerar câncer.

O email apesar de ser bem feito, com fotos ilustrativas, não passa de uma bravata alarmista.

Dioxinas estão ainda sendo estudadas. Seus efeitos parecem ocorrer apenas em grandes quantidades, quando plástico é queimado. As embalagens especiais para microondas são normalmente certificadas por agências de saúde, sendo que a quantidade liberada é muito pequena e segura. É o que diz a Associação Brasileira de Câncer e o dr. Rolf Halden do Hospital Jonhs Hopkins, hospital este que é citado no email como fonte do alarme contra as dioxinas.

Uma coisa que me chamou atenção foi que no email, quando é citada a fonte do alarme (uma entrevista de 2 minutos com um doutor de um hopital do Hawai), a palavra TELEVISÃO está em maiúsculas como aqui. Como se o fato de maior importância para a credibilidade da notícia fosse o fato de ela ter passado na TV. Está mais do que na hora das pessoas saberem que quase todos, senão todos os veículos de notícia, não possuem um assessor cientifico. Se não podemos nem acreditar na TV como podemos repassar uma notícia de email?

Uma dica, não acredite cegamente em nada. Nem da TV e muito menos da internet. É aí que encontramos um problema: este blog está também na internet! Bom, a única coisa que posso falar em minha defesa é: estou sempre aberto a críticas.

Mas que o microondas pode ser perigoso, ah isso pode:

“Eu sou a lenda” e o deserto do real

Um motivo inusitado me levou ao cinema esta semana. Não que eu não vá ao cinema regularmente, apenas o motivo desta vez foi diferente.

O filme “Eu Sou a Lenda” com Will Smith é um bom filme de entretenimento. Divertido, ele abusa de uma fantasia recorrente nas pessoas: e se somente eu sobrasse no mundo? Eu prometo não contar o final nem muitos detalhes do filme, apenas algumas coisas que aparecem bem no começo. O que se revela logo no inicio do filme é justamente o meu motivo especial. Uma entrevista com uma cientista falando que usando um vírus modificado foram capazes de curar o câncer. A metáfora usada é até bem feliz: imagine que o seu corpo é uma estrada, e um vírus um carro muito veloz com um motorista muito mau. Agora imagine que substituímos o motorista mau por um policial. Bom, isto não é pura ficção. Aliás, é com isso que eu trabalho no dia-a-dia. Trocando quem está por trás da direção do vírus.

O que nós fazemos é trocar alguns pedaços do DNA do vírus por outros que podem matar as células de câncer. É isso que chamamos de Terapia Gênica. Usamos genes, que são trechos de informação de DNA, ao invés de remédios comuns. As vantagens? Ao invés de tomar um remédio, que pode se espalhar pelo corpo todo, um vírus pode carregar o “gene-remédio” para apenas algumas células específicas, como as de câncer por exemplo. Claro que a história não é assim tão simples. Podemos usar vários vírus, e manipulá-los de diversas maneiras. E os focos sempre são dois: eficácia no tratamento e segurança. A principal preocupação é evitar que o vírus que usamos, que pode ser derivado da gripe, por exemplo, cause uma infecção de gripe. O que fazemos é tirar todo o DNA possível do vírus original.

Esses vírus são tão seguros que até mesmo vírus derivados do HIV são usados, pois eles não possuem a informação que o permite infectar as células a sua maneira. Mesmo alguns vírus já sendo tão seguros ainda não são usados amplamente na medicina. Simplesmente por se tratar de um organismo estranho ao corpo humano, os cuidados são redobrados, e as agências reguladoras das pesquisas são muito conservadoras, e com razão, nesse tipo de assunto. Muitos estudos em humanos estão sendo feitos, e estes pacientes devem ser observados por muito tempo para nos assegurarmos de que é seguro.

Até aqui só falamos da primeira cena do filme e o seu paralelo na realidade. Agora vem a segunda cena: a cidade de Nova Iorque totalmente abandonada, varrida por uma epidemia deste vírus apenas três anos após a fictícia entrevista da cientista. Não se explica o que aconteceu de maneira clara. Parece que o vírus sofreu uma alteração aleatória que o transformou em um matador transmitido pelo ar.

Isso me faz perguntar se as pessoas que assistem a este tipo de filme se impressionam com as informações “científicas” a ponto de a usarem como base para seus julgamentos. Gente falando, por exemplo, “aquele filme mostra como a ciência pode ser destrutiva.” Como o espectador pode saber até que ponto a informação do filme tem base no real (terapia gênica é real) ou é imaginação pura (o vírus usado na terapia não pode ser mais perigoso que o vírus que o originou). Este filme faz um serviço de divulgação científica ou um desserviço ao dar uma perspectiva catastrófica?

Não quero ser o chato a censurar a arte pelo rigor científico. O que me preocupa é a falta de conhecimento básico sobre ciência na população. Não que todos precisem de conhecimentos em biologia molecular, mas o pensamento crítico, tão característico da ciência, seria de grande ajuda para qualquer um poder interpretar a arte e a vida real de maneira mais profunda e proveitosa.

Geladeiras de laboratório

Essa é para os ratos de laboratório. Afinal, diga-me como é a geladeira do teu laboratório e eu te direi quão rígido teu laboratório é.

Aqui estão alguns diagramas das geladeiras mais comuns no mercado da pesquisa mundial.
Quem não encontrar algo que seja similar em sua geladeira que atire o primeiro tubo de ensaio!

fonte: PhDComics – site de quadrinhos sobre pós-graduandos

fonte: Evolgen – ganhador do prêmio de melhor postagem cômica em blogs de ciência de 2007

.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM