Falsas imagens de falsa ciência
Não podemos nem confiar nos nossos próprios olhos. O caso da foto apresentada aqui é um exemplo do que pode acontecer em várias áreas de nossa vida, inclusive na ciência.
Esta foto foi premiada com medalha de bronze em um concurso promovido pela tv estatal da China.
Fonte: Nature
Este concurso premiou as fotos mais influentes de 2006 e esta teve influencia porque mostra os antílopes muito calmos enquanto passa um trem pela planície. E esta ferrovia fez barulho justamente porque ambientalistas a viram como uma ameaça aos tímidos antílopes e sua migração anual. A foto da convivência pacifica entre antílopes e o trem seria prova em favor da ferrovia. Seria se ela fosse real, mas é uma sobreposição de duas fotos do mesmo lugar, mas uma com trem e outra com os bichos. Claro que o governo chinês tinha muito interesse nessa foto, pois foi ele quem construiu o trem.
Muitos trabalhos em biologia molecular também dependem de imagens como resultados: géis com bandas de DNA, RNA ou de proteínas, ou fluorescências. Uma preocupação constante é a veracidade das imagens apresentadas em trabalhos científicos. As revistas que publicam estes resultados têm até mesmo enviado fotos de trabalhos muito relevantes e polêmicos para especialistas forenses antes de publicar o tal resultado. Podem também pedir que outros laboratórios repitam o mesmo experimento para ver se o resultado se repete. Daí a importância dos métodos estarem sempre muito claros e completos nos trabalhos.
É nessa liberdade para replicação de experimentos que se baseia nossa confiança em resultados publicados. Se um resultado de experimento só ocorreu para um pesquisador, contrariando as estatísticas, ou ele está mentindo, o que ocorreu foi algo raro, o que não pode ser considerado um padrão.
Mas porque um pesquisador mentiria ou forjaria dados? Bem, é um mundo competitivo que vivemos. A produção do cientista é o que vai determinar seu salário, suas verbas de pesquisa e seu status entre os colegas. Há muita pressão para que se publique muito e bem, e o pesquisador pode fraquejar. Existem também outros tipos de pressão como é o caso da China, que quer a todo custo despontar cientificamente, mas é ainda controlado por um governo rígido em certos aspectos, e foge um pouco dos padrões internacionais de liberação de drogas e tecnologias (algumas terapias ainda em teste no resto do mundo já são autorizadas na China). Mas a ciência tem se mostrado resistente a esse tipo de erro. Justamente por essa repetição de confirmação que caracteriza o pensamento científico.
Entrevista no programa WebDivã
Devido ao artigo publicado na revista Psique e seguindo os passos de meus amigos e parceiros Marco Antônio, Isabella e José Henrique, fui convidado a participar do programa Webdivã, transmitido via internet pelo site www.alltv.com.br. Os temas escolhidos pela produção do programa serão baseados nos posts deste blog “Meu genoma, minha privacidade” e/ou “Dez mandamentos contra o câncer e a modernidade” .
Por ser ao vivo, o programa permite interação do público através de um chat. Fiquem a vontade para participar.
Quando: sexta dia 22/2/08, às 20hs
Onde: www.alltv.com.br
Dia de São Valentino ou Valentine´s day
Dia 14 de fevereiro, dia de São Valentino. O dia dos namorados em países de língua inglesa. Esta data já era comemorada desde épocas pré-católicas, quando se comemorava o deus Eros e festas de fertilidade. A igreja aproveitou e pegou carona no tema pagão da festa.
História aparte, dê um destes cartões para o seu cientista do coração.
“Eu naturalmente seleciono você”
Fonte: Ironic Sans
Bebida diminui produção de pesquisadores
Este estudo foi realizado na República Tcheca talvez não por coincidência, afinal este é o país com maior consumo de cerveja do mundo. São 156,9 litros de cerveja por pessoa num ano.
Claro que não devemos ser alarmistas. O estudo é pequeno, foi realizado somente em um país, com pesquisadores de apenas um tema (evolução, ecologia e comportamento de aves). Mas ao comparar pesquisadores de diferentes regiões da Republica Tcheca, a famosa Bohemia, mais beberrona (200 litros por pessoa no ano), e a Moravia, mais moderada (35 litros), houve diferença significativa na produção destes pesquisadores.
Em estudos com estas abordagens sempre temos que ter cautela na interpretação. A bebida tem diferentes significados em cada cultura. Também o consumo é realizado de diferentes maneiras, pode ser um ato social ou solitário, pode ser bem ou mal visto pela sociedade. Assim também a ciência é realizada de maneiras diferentes. Não nos seus métodos (que se forem diferentes deixam de ser ciência), mas na sua dinâmica, financiamento, organização hierárquica, relação inter-pares, etc.
A quantidade e qualidade da produção científica são as principais medidas de sucesso de um pesquisador. Disso vai depender o status e o emprego do cientista. Saber que esses fatores sociais, comportamentais e psicológicos estão diretamente relacionados à sua produção é importante. E quem não é pesquisador precisa ter isto em mente também. Saber que a ciência é uma atividade humana como tantas outras, e está sempre sendo influenciada por esses fatores.
Tomas Grim – “A possible role of social activity to explain differences in publication output among ecologists” – Oikos, 2008
Aqui vai um brinde pra quem não liga pra esse tipo de pesquisa:
Mais um rosto em Marte
Finalmente os ufólogos de todo o mundo têm o que queriam, uma confirmação da NASA com relação a rostos na superfície de Marte. Por muito tempo houve uma briga com relação a fotos de uma montanha que lembrava um rosto humanóide.
Mas vista de outros ângulos a figura não lembrava mais um rosto.
A imagem mostrada agora é incontestável prova de uma inteligência superior em solo marciano. Afinal, já conheciam os emoticons do MSN!

Fonte da imagem: G1
O rosto para os humanos é muito importante, e mais importante é reconhecer as expressões de um rosto com quem se conversa, para saber se está dizendo a verdade ou mentindo. Assim, nós desenvolvemos uma habilidade fantástica de reconhecer rostos e expressões, mesmo em coisas que não são rostos. Qualquer borrão com pontos aleatórios vai conter algo que nos lembre um rosto. Sempre veremos mais rostos do que patos ou qualquer outra forma. Faça o teste olhando para um pedaço de granito bem manchado. Quantos olhinhos e bocas você vê?









Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

