Tradução de proteínas psicodélica.

A tradução das proteínas na era de aquário. Ah os anos 70…!

Via Marcoevolutivo

Sequenciamento do gato doméstico

Esta é para os leitores-de-paper de plantão. Um trabalho fajuto de brincadeira. Pode ser um passatempo legal fazer essas bobagens.
Aqui vai a bibliografia do trabalho como aperitivo:

Sequenciamento do gato em pdf

Sexto Sentido para calorias

Por Fábio de Castro

Agência FAPESP – O paladar desempenha um papel importante na busca dos animais por nutrientes, estimulando-os a procurar os alimentos mais calóricos. Mas, mesmo na ausência de qualquer estímulo gustativo, o cérebro é capaz de escolher o alimento com mais calorias, de acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos.

Utilizando camundongos geneticamente modificados para perder a capacidade de sentir sabores doces, os cientistas demonstraram que os animais dão preferência ao alimento mais calórico, contrariando uma das explicações mais recorrentes para o consumo exagerado de calorias.

Segundo os autores, o trabalho pode ter importantes implicações para a compreensão de causas da obesidade. Os resultados foram publicados na edição desta quinta-feira (27/3) da revista Neuron, com Ivan de Araújo como primeiro autor. O trabalho contou com a participação de outros brasileiros, entre os quais Miguel Nicolelis, professor titular do Departamento de Neurobiologia da Universidade Duke.

“O estudo sugere que pode ser ineficaz tentar diminuir o consumo de calorias por meio da substituição do alimento por uma versão menos calórica, mas com gosto parecido. Graças aos mecanismos cerebrais que regulam o comportamento ingestivo, a pessoa pode acabar, a longo prazo, preferindo a versão mais calórica”, disse Araújo à Agência FAPESP.
Os camundongos puderam escolher entre beber água ou uma solução de água com sacarose. Enquanto os animais normais apresentavam preferência pela água com sacarose, os geneticamente modificados se mostraram indiferentes.

Em seguida, os pesquisadores associaram um dos lados de uma caixa comportamental à presença ou ausência da solução de sacarose. Em um dia a solução era colocada no lado direito e o esquerdo permanecia vazio. No outro dia, água pura era colocada no lado esquerdo e o direito permanecia vazio. E assim por diante.

“Ao longo do tempo, os animais desenvolveram forte preferência pelo lado da caixa que fora associado à sacarose. Apesar de não detectarem o doce, eles lentamente começaram a mudar seu padrão de preferência em favor do lado que tinha a solução doce”, disse.

Segundo o cientista, que graduou-se pela Universidade de Brasília e completou os estudos nas universidades de Edimburgo e Oxford, isso mostra, em nível comportamental, que o animal desenvolve preferência clara pela caloria mesmo na ausência de qualquer prazer específico ligado ao paladar.

“Depois fizemos o mesmo experimento substituindo a água com sacarose por uma solução de água com sucarose – um adoçante artificial utilizado no mercado. O animal normal gostava muito desse adoçante, mas os animais mutantes não mostravam preferência nenhuma quando não havia conteúdo calórico”, disse.

(…)Os animais geneticamente modificados, segundo ele, mostraram alto nível de emissão dopaminérgica quando consumiam a água com sacarose. Quando se tratava da água com adoçante, no entanto, os níveis de emissão não eram detectáveis. Nos animais normais, os níveis de dopamina aumentavam em ambos os casos.

Então não é o gostinho bom que faz a gente preferir a batatinha-frita ao brócolis. nosso cérebro “sabe” que está sendo enganado quando colocamos adoçante no cafezinho. De algum jeito a gente sente as calorias. Daí o porquê destes pesquisadores usarem o termo “sexto sentido” para calorias.

O artigo Food reward in the absence of taste receptor signaling, de Ivan E. de Araújo e outros, pode ser lido no site da Neuron em www.neuron.org.

Deu na Science

  • - Liberdade de Expressão Gênica: a última edição da resvista Science traz alguns artigos focados num grande enigma da biologia celular e molecular: já que as células de um mesmo organismo têm a mesma seqüência de DNA, como uma célula de coração pode ser tão diferente de um neurônio? O que se sabe é que diferentes proteínas são produzidas e em diferentes quantidades nos vários tipos celulares. Logo, não parte exclusivamente do DNA este controle do destino das células, mas sim das interações dele com o RNA, proteínas e ambiente em que a célula se encontra. Feliz ou infelizmente, o mundo é muito mais complexo do que a genômica previa.

Os editores comentam sobre o tema neste vídeo

  • - Você é o que você come: Realmente muita coisa influencia a expressão dos genes, ou são os genes que influenciam muitas coisas? Bom, o fato é que mesmo o que se come pode interferir no desenvolvimento de um organismo. O maior exemplo disto são as abelhas. Numa colméia todos os indivíduos têm o mesmo genoma, como gêmeos idênticos. As rainhas férteis, e as operárias estéreis se diferenciam graças a uma coisa: geléia-real, que tem este nome não por acaso, pois só as larvas que a comem viram rainhas. Isto já se sabia. A novidade é que ao silenciar um gene (apagar seu efeito) em larvas, obteve-se um efeito semelhante ao da geléia-real, em larvas com alimentação comum. Assim, o alimento age de algum modo no gene, usando um mecanismo chamado metilação.

Texto Science

  • - Wikiscience: A Wikipedia é uma iniciativa que ficou muito famosa por ser uma fonte aberta de informação, se baseando na participação livre de qualquer um para escrever, atualizar e corrigir seus textos. Uma empresa está fazendo o mesmo na área científica. Disponibilizando online, a quem quiser, desafios técnicos e teóricos. Quem manda uma boa idéia ou uma solução pronta pode ganhar de 5000 a 1 milhão de dólares. Há vários problemas e empresas interessadas em pagar pelas soluções.

InnoCentive

Texto Science

Quem disse que Lamarck está errado?

Esta postagem é parte integrante do Carnaval de Blogs idealizado pelo Atila do Transferência Horizontal, e se baseia no tema “E se Lamarck estivesse certo?”.

Três coisas sobre Lamarck:

  • Ele é o famoso cara que ERROU a evolução. Passou raspando, Lamarck, foi mal… Mas algo que todo biólogo sabe, mas nem todo professor de ensino médio conta é: esse cara criou a idéia de que os organismos evoluem. ANTES do Darwin. Pode-se pensar até mesmo que a teoria de Darwin é uma correção que refina a idéia de Lamarck. Isso é um imenso mérito.
  • Quem disse que ele estava errado? Ele só errou o alvo. A evolução das espécies não acontece do jeito bacana que ele sugere, com a natureza recompensando os esforços dos pais com essa herança passando para seus filhos e lhes facilitando a vida. Mas outras áreas de nossa vida funcionam assim sim. Imagine a evolução do guarda-chuva. Ele foi criado com um objetivo (coisa que na teoria de Darwin não existe), e as melhorias vão se acumulando em projetos posteriores (herdabilidade), enquanto que as idéias que não funcionam são abandonadas de imediato (uso e desuso) refinando o guarda-chuva para melhor se ajustar ao seu fim. Uma tendência apareceu para estudar a evolução das idéias na sociedade, se chama Memética.Mas mesmo na própria biologia algumas coisas podem mudar ainda. Alguns processos que alteram a ação do gene, sem mudar a sua sequência, podem ser herdadas (epigenética). Isso seria a lei de herdabilidade do Lamarck em ação. Ainda não se sabe se essa participação no processo evolutivo tem alguma significância, mas é o Lamarck aí gente!
  • A famosa história da girafa. Que faz a idéia do Lamarck ficar até simpática. Parece tão lógico não? Estica, come, estica mais um pouco, come mais um pouco, filho mais pescoçudo come também e assim vai. Legal mesmo. Mas nem o Lamarck usou essa história pra se justificar! Então porque ficou ela tão famosa? Uma Malla já escreveu sobre isto neste carnaval de blogs, só venho reforçar a idéia com uma citação do saudoso Jay Gould sobre este tema:


Se seguíssemos de volta os rastros desse exemplo onipresente até os primeiros fragmentos de especulação e não descobríssemos fundamento algum, ou. Ainda, encontrássemos apenas um engraçado pontinho de origem equivalente a um rei querendo ir ao banheiro, então aprenderíamos duas lições de potencial importância: primeiro, que a repetição de uma história não necessariamente se correlaciona com o seu valor de verdade, e que mesmo as certezas mais pias devem ser periodicamente reexaminadas até os seus fundamentos; e segundo, que a relevância e a finalidade atuais de um fenômeno não nos fornecem nenhuma compreensão em particular sobre as circunstâncias de sua origem histórica.

Pois é. De repente, ninguém sabe o porquê, o exemplo hoje em dia tido como clássico de evolução acaba se revelando uma história da carochinha que nunca preocupou Lamarck e mal incomodou Darwin. Será que a memética explica?

Visite os blogs do Carnaval de Blogs

Células-tronco: Críticas aos dois lados

Votação adiada, e não se sabe ao certo quem foi o vencedor parcial. Mas algumas análises dos argumentos podem ser feitas.

Gostaria de analisar dois argumentos bem sucintamente. Um a favor e outro contra o uso das células em questão.

A favor do uso – o advogado Luiz Roberto Barroso pede a liberação para que as pesquisas tragam esperança a quem tem urgência de tratamentos ainda inexistentes. Sinto informar, mas nem o mais otimista dos pesquisadores pode dar esperanças para quem já precisa de tratamento. Isto terá que esperar anos para se tornar realidade. Haverá muito o que se estudar e testar antes do tratamento ser disponibilizado, coisa que talvez esta geração não veja. Logo, urgência não é um bom argumento.

Contra o uso – argumento recorrente é o de que a célula inicial é um ser humano por ter todas as informações necessárias para a formação de um indivíduo. Caímos aqui na faceta mais controversa da biologia atual que é o determinismo. É como se todo indivíduo, seu físico e comportamento, dependessem exclusivamente da informação genética. A própria biologia do desenvolvimento é que traz os maiores exemplos de que o genoma é apenas parte de um processo muito mais complexo, onde o ambiente não age só ativando genes, mas determinando de forma mais independente e complexa as características do indivíduo.

Conforme o indivíduo se desenvolve, características surgem, ou emergem, de relações complexas. Ou seja, o indivíduo é produto de interações que se originam de outras interações anteriores. Se a questão for potencialidade, deveríamos nos revoltar pelo genocídio de espermatozóides na masturbação masculina (não estou exagerando, até isto já foi usado como argumento. Vide o blog do Marcelo Leite). É claro que isto é absurdo, mas a resposta da ciência para a pergunta “quando começa a vida” é apenas uma: 3,5 bilhões de anos atrás. Além disto qualquer resposta será de julgamento moral.

Para mais informações atualizadas, estou disponibilizando uma parte de meu netvibes especialmente para células-tronco, com vídeos, noticias e blogs.

Compilando informações científicas na internet

Uma nova ferramenta online irá ajudar e muito o trabalho de nós, divulgadores de ciência pela internet.
Eu já havia comentado sobre ela num post anterior, é o Netvibes. O interessante é que além de montar um compilador pessoal, com janelas das mais variadas origens (jornais, youtube, links, fotos, etc), agora pode-se criar uma página de compilação pública, ou seja, que todos podem acessar!

Sendo assim, criei a minha página de compilação de informação científica: Add to Netvibes

Com uma seleção de blogs nacionais, blogs internacionais, agências de noticia do Brasil e do mundo, links, vídeos e tudo que for interessante e novo sobre ciência.
Adicione aos favoritos e use à vontade.

www.netvibes.com/rnam

Células-tronco: votação, bastidores e conspiração

Está chegando o grande dia da votação da lei de Biosegurança que vai autorizar ou não o uso de embriões para pesquisas. Claro que a mídia está atenta a isso. Aqui está uma reportagem do Bom Dia Brasil da Globo, que foi ao ar recentemente. Muitos cientistas já velhos conhecidos da mídia apareceram: Mayana Zatz e Luis Gowdak (por sinal esta parte foi gravada no laboratório em que trabalho no INCOR), por exemplo.
O que chama atenção é a presença de uma ilustre desconhecida para mim e meu colegas de laboratório: Dra. Lilian Piñero Eça. E chama mais atenção ainda por falar de maneira pejorativa sobre células-tronco embrionárias. Dizendo que se forem injetadas em pessoas para tratamento de doenças elas podem gerar rejeição e tumores.

Bem, isso é verdade, mas o fato é que ninguém pensa em simplesmente injetar células-tronco de um embrião numa pessoa como tratamento! O que se quer é estudar a biologia de células-tronco para, a partir deste conhecimento, se pensar em tratamentos.
Mas como uma cientista pode ter falado algo tão impreciso e tendencioso num momento de tomada de decisão tão delicado como este? Simples: ela não é uma cientista.

Existe uma ferramenta online muito interessante, se chama Plataforma Lattes, e é onde qualquer um pode achar o currículo de todos os pesquisadores brasileiros ou que trabalham aqui. Vejam o currículo da tal Lilian . Como ponderar se um pesquisador é bom ou não? A primeira coisa que se olha é o número de publicações em periódicos, das quais Lilian Piñero Eça não possui nenhuma!

Mas por que raios alguém entrevistaria uma pessoa sem formação apropriada? Dois motivos: 1-jornalistas não conhecem a plataforma Lattes, e 2- Lilian foi a pesquisadora responsável pela orientação da abertura da Ação Direta da Inconstitucionalidade da Lei da Biossegurança – ADIN, em maio de 2006 a pedido do procurador geral da República Dr. Claudio Fonteles. Ou seja, foi ela quem “orientou” cientificamente a proibição do uso de células-tronco embrionárias em 2006.

E como alguém sem peso científico algum pode ser orientadora científica de uma ação política tão importante? Veja esta matéria reveladora de Dário Ferreira em seu blog (as opiniões da referência não refletem inteiramete as minha opiniões). Conspiração? Estaria a Igreja trabalhando nos bastidores usando Lilian como testa-de-ferro? Afinal, é estranho alguém trabalhando com células-tronco receber tantas menções de religiosos,posar para foto na defesa de tese e até receber prêmios da CNBB (Congregação Nacional dos Bispos do Brasil), como vemos também em seu currículo.
Nada contra a Igreja tentar colocar seu posicionamento na questão e usar cientistas que apóiem sua visão, desde que este apoio seja às claras e eles sejam cientistas de verdade!

Seja lá como for o estrago, se houve, já está feito. Quarta-feira a lei será votada e será definitiva sua decisão.
Está aí a importância de se transpor o conhecimento científico para os não cientistas. Afinal muitos deles são jornalistas ou importantes tomadores de decisão, e eles têm uma influência direta na pesquisa como estamos vendo com o caso das células-tronco.

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