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Esta postagem é parte integrante do Carnaval de Blogs idealizado pelo Atila do Transferência Horizontal, e se baseia no tema “E se Lamarck estivesse certo?”.

Três coisas sobre Lamarck:

  • Ele é o famoso cara que ERROU a evolução. Passou raspando, Lamarck, foi mal… Mas algo que todo biólogo sabe, mas nem todo professor de ensino médio conta é: esse cara criou a idéia de que os organismos evoluem. ANTES do Darwin. Pode-se pensar até mesmo que a teoria de Darwin é uma correção que refina a idéia de Lamarck. Isso é um imenso mérito.
  • Quem disse que ele estava errado? Ele só errou o alvo. A evolução das espécies não acontece do jeito bacana que ele sugere, com a natureza recompensando os esforços dos pais com essa herança passando para seus filhos e lhes facilitando a vida. Mas outras áreas de nossa vida funcionam assim sim. Imagine a evolução do guarda-chuva. Ele foi criado com um objetivo (coisa que na teoria de Darwin não existe), e as melhorias vão se acumulando em projetos posteriores (herdabilidade), enquanto que as idéias que não funcionam são abandonadas de imediato (uso e desuso) refinando o guarda-chuva para melhor se ajustar ao seu fim. Uma tendência apareceu para estudar a evolução das idéias na sociedade, se chama Memética.Mas mesmo na própria biologia algumas coisas podem mudar ainda. Alguns processos que alteram a ação do gene, sem mudar a sua sequência, podem ser herdadas (epigenética). Isso seria a lei de herdabilidade do Lamarck em ação. Ainda não se sabe se essa participação no processo evolutivo tem alguma significância, mas é o Lamarck aí gente!
  • A famosa história da girafa. Que faz a idéia do Lamarck ficar até simpática. Parece tão lógico não? Estica, come, estica mais um pouco, come mais um pouco, filho mais pescoçudo come também e assim vai. Legal mesmo. Mas nem o Lamarck usou essa história pra se justificar! Então porque ficou ela tão famosa? Uma Malla já escreveu sobre isto neste carnaval de blogs, só venho reforçar a idéia com uma citação do saudoso Jay Gould sobre este tema:


Se seguíssemos de volta os rastros desse exemplo onipresente até os primeiros fragmentos de especulação e não descobríssemos fundamento algum, ou. Ainda, encontrássemos apenas um engraçado pontinho de origem equivalente a um rei querendo ir ao banheiro, então aprenderíamos duas lições de potencial importância: primeiro, que a repetição de uma história não necessariamente se correlaciona com o seu valor de verdade, e que mesmo as certezas mais pias devem ser periodicamente reexaminadas até os seus fundamentos; e segundo, que a relevância e a finalidade atuais de um fenômeno não nos fornecem nenhuma compreensão em particular sobre as circunstâncias de sua origem histórica.

Pois é. De repente, ninguém sabe o porquê, o exemplo hoje em dia tido como clássico de evolução acaba se revelando uma história da carochinha que nunca preocupou Lamarck e mal incomodou Darwin. Será que a memética explica?

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