Design + Arquitetura + Ciência = …
“Design e arquitetura traduzem idéias em objetos que podemos segurar, tocar, ou ocupar, ou em imagens que podemos interpretar e entender. No seu limite, o design nos leva a confrontar nossas questões mais inspiradoras e problemáticas, nos forçando a confrontar implicações que de outra maneira jamais teríamos imaginado. Cada vez mais a ciência e a tecnologia estão conduzindo este diálogo.As Mentes Revolucionárias apresentadas aqui são a vanguarda deste novo movimento, com seu trabalho bem embasado na ciência. Os desenhos, estruturas, representações e esculturas desses designers e arquitetos expandem e esclarecem o entendimento do mundo à nossa volta, demonstrando que o design é um estágio constituído no método científico.”
Vanity Fair homenageia defensores da natureza. E no Brasil?
A famosa revista de entretenimento e cultura Vanity Fair traz perfil e fotos de pessoas engajadas nas questões ambientais. De “prêmios-nobel” a atores e músicos e com toda superprodução das fotos, que lhe é característica, a revista não hesita em chamá-los de heróis.
E no Brasil, quem colocaríamos numa reportagem assim? Marina Silva?
Christiane Torloni e a dupla Dom Cappio e Letícia Sabatela com certeza estariam. Afinal, a quem o povo vai ouvir?
Transmissão ao vivo direto do oceano sob o gêlo da Antartida!
Ouça o mar sob a calota polar e veja pela webcam da base alemã PALAOA!
É, não deve ser o melhor lugar para passar férias, mas é bom saber que posso ver como está o tempo por lá. Afinal nunca se sabe, com esse aquecimento global…
Comentando: Cientistas criam primeiros embriões híbridos do Reino Unido
da Efe, em Londres via Folha
Cientistas da Universidade inglesa de Newcastle foram os primeiros no Reino Unido a criar embriões híbridos de humanos e animais, afirmou nesta quarta-feira a “BBC”.De acordo com a emissora, estes embriões, desenvolvidos a partir da inserção de material genético de células epidérmicas humanas em óvulos sem núcleo de vaca, sobreviveram até três dias.
Veja o que já foi escrito sobre o assunto aqui no RNAm.Comentando: Pesquisa mostra o câncer como doença gerenciável dentro de dez anos
RAFAEL GARCIA
da Folha de S. PauloDentro de dez a quinze anos, provavelmente ainda não haverá algo que possa ser chamado de uma cura para todos os tipos de câncer, mas esta será uma doença “administrável”. É a opinião do oncologista Júri Gelovani, do Centro M.D. Anderson de pesquisa contra o câncer, da Universidade do Texas.
“Provavelmente, no futuro, nós converteremos o câncer em uma doença que poderemos detectar cedo e que possamos administrar, da mesma forma que administramos hipertensão, diabetes e epilepsia”, disse Gelovani à Folha. “Deixaria de ser uma doença que chamarmos de ‘grave’ para se tornar gerenciável.”
Porque a cura seria impossível? Primeiro que o câncer não é uma doença só, mas várias. Suas características dependem do tecido em que se inicia e das mutações que o geraram. Caímos aqui no fatídico clichê “cada caso é um caso” (e vice-versa, como algum piadista diria).
Mesmo assim isto torna a doença difícil mas não impossível de ser curada. O principal problema do câncer é que ele é uma falha em um mecanismo muito importante na vida de uma célula: o seu próprio ciclo de vida. O tratamento ou prevenção ideal para o câncer seria o envelhecimento precoce ou a morte, pois são nestes dois casos que as células não estão se duplicando. Mas enquanto houver reprodução celular, com replicação (duplicação) de DNA, haverá chance de erro (mutação), o que uma hora ou outra dentro de um organismo com milhares de milhões de células vai acontecer. Ou seja, se tudo der certo na sua vida, nenhum acidente ou ataque cardíaco, provavelmente haverá um câncer.
Mas não é tempo de desespero. É isso que o doutor da reportagem prevê e que em parte já é uma realidade. Não se pode dar 100% de certeza de cura para alguém, mas temos métodos diagnósticos e tratamentos que estão se desenvolvendo cada vez mais, o que permite tratamento eficaz nos primeiros momentos da manifestação de cada tumor. Quantas pessoas já tiveram câncer várias vezes e estão firmes por aí? A questão é tornar o tratamento mais leve, com menos efeitos colaterais e ação mais específica. Quem sabe então o câncer deixará de meter tanto medo.
Insetos ciborgues
O que uns eletrodos e um computador não podem fazer com os músculos e o cérebro destes insetos.
Isso mesmo, controle de vôo, das patas e a última engenhoca usa os olhos da mariposa acoplada para guiar o robô.
Doping cerebral
Até agora nenhum pesquisador teve sua bolsa revistada ou sua urina coletada, mas mesmo assim a preocupação que tem surgido sugere que uma moda de drogas para aumento da cognição tenha inicio em não muito tempo.
“Apesar dos potenciais efeitos colaterais, acadêmicos, músicos, executivos, estudantes e até profissonais de pôquer têm usado drogas para clarear suas mentes, melhorar sua concentração e controlar suas emoções.”-Baltimore Sun.
O problema está ficando tão sério que existe até uma organização anti-doping cerebral: World Anti-Brain Doping Authority, que ajuda federações a implementar testes de detecção destas drogas, mantém uma lista de substâncias proibidas para uso por acadêmicos e mantém também um código com regras anti-doping. Até mesmo o NIH (Instituto Nacional de Saúde dos EUA, principal órgão financiador de pesquisa de lá) irá adotar tais medidas em colaboração com a World Anti-Brain Doping Authority. Isso inclui testes anti-doping em pesquisadores financiados pelo instituto, tanto no ato da validação do pedido de verba, como a qualquer momento enquanto durar o projeto financiado.
Mas pensemos na diferença do doping esportivo e o intelectual, o que seria importante já que o primeiro parece estar servindo de base para lidar com o segundo. No esporte o que se busca é a paridade, a igualdade na competição. Numa atividade intelectual, a finalidade pode ser mais diversa e talvez mais justificável. Claro que em ocasiões competitivas como vestibulares e concursos o melhor a se fazer seria controlar o uso de drogas como se faz com atletas. Mas fora esta situação, ponderando-se os efeitos colaterais, não há porque impedir o uso de drogas por pesquisadores, músicos e executivos. Claro que todos devem ser alertados, e bem, com relação aos efeitos colaterais, mas onde não há competição cabe a cada um escolher até que limite quer levar seu corpo. Virar noites trabalhando uma vez que esteja empolgado com resultados de sua pesquisa pode ser uma justificativa, e tomar uma pílula para manter a atenção com poucos efeitos colaterais não parece mau negócio.
Poderíamos abrir precedentes e cair na discussão das drogas ilícitas, já que o argumento que usei aqui poderia justificar o uso de drogas como maconha ou extasy. O problema é que a sociedade quer se proteger dessas drogas que alteram em muito o estado de uma pessoa o que pode trazer riscos a outras pessoas. E ainda temos as “drogas” como cafeína e álcool, que vêem agindo como doping intelectual há séculos. Isto tudo só prova que a humanidade ainda não aprendeu a lidar com este assunto.
E logo mais proibirão café, música durante o trabalho e noites viradas no laboratório?
No caso dos cientistas o que está em jogo não é uma querela olímpica vã. Para desenvolver a Ciência, como a ferramenta que ela é para melhor entendermos o mundo, talvez valha tudo sim! Tudo que o pesquisador estiver disposto a fazer por livre e espontânea vontade, levando seu próprio corpo até onde lhe parecer melhor.








Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

