Se o Radiohead fez, porque não os conservacionistas?


Não preciso dizer aqui sobre o tal do carbono e o rastro que todos nós, consumidores vorazes, deixamos deste elemento no ambiente em que vivemos (para mais veja nos blogs especializados Ecodesenvolvimento e Rastro de Carbono).
Mas esse “ecochatismo” às vezes me irrita. Mas só às vezes, e depois passa. É que eu que adoro a banda Radiohead e sempre quis presenciar um show ao vivo dos caras vou ficar a ver navios (ou aviões no caso). A banda não fará mais viagens de avião para reduzir seus rastros de carbono.
E O MEU SHOW AQUI NO BRASIL COMO FICA?!?!?!
Mas tudo bem, passada a raiva de momento eu respiro fundo (enquanto ainda há ar para respirar) e devo concordar com os caras. Avião é uma das coisas que mais pesa nas contas de carbono de uma pessoa, podendo triplicá-las.

Daí esbarrei numa carta na NATURE de um pesquisador da área de biologia conservacionista dizendo que em sua área de estudo a maior parte dos pesquisadores estão em universidades no hemisfério norte, e as áreas de estudo e coleta, o que chamamos de “campo”, estão nos países ao sul do equador, nos países em desenvolvimento. Assim, os estudiosos gastam toneladas de combustível nesse vai-e-vem para coleta de dados ou congressos. Chegam a gastar 10 vezes mais carbono do que a média de seus conterrâneos.
Claro que um executivo de empresa gasta bem mais que isto. E podemos pensar também que a pesquisa realizada nessa área de conservação pode trazer benefícios maiores que os gastos do pesquisador.
Mesmo assim, reduzir é uma boa idéia. Não parem as pesquisas, por favor, mas incentivar pesquisas locais em áreas privilegiadas, estimulando pesquisadores locais e treinamento in loco pode ajudar. Também não se proíbam viagens, mas em menor número e com maior tempo de estada seriam meios de contribuir para dar o bom exemplo.
E não desconsideremos a tecnologia. Videoconferências e afins podem dar uma mão também.
E falando em tecnologia, sem show ao vivo eu me contento com o Youtube mesmo, afinal nem os DVDs são indicados por serem de plástico. Ou será que eu estou exagerando no ecochatismo?

Espirro de ratos

aaaAAAAAHHHH... TCHIM!!!!!
aaaAAAAAHHHH... TCHIM!!!!!

Lá vai uma informação pseudo-inútil: foi dito durante uma palestra, na qual estava presente, que um espirro de rato pode atingir 1,20 metros!
Legal né, mas e daí?
Eu chamei de pseudo-inútil porque não tem utilidade pra gente, mas pra quem trabalha com animais de experimentação é importante. Principalmente em biotérios, que é onde se cria e se mantém os animais utilizados em pesquisa.
Um animal doente pode infectar outros, e saber o raio de ação de um agente infeccioso transmitido pelo ar é importantíssimo no controle da saúde de toda a bicharada.
Já pra quem não trabalha diretamente com isto, esta informação pode ser interessante em algum jogo de mesa de bar com perguntas e respostas esdrúxulas: Quão longe vai um espirro de rato? 1,20 metros é a resposta.

As melhores imagens da Antartida


Neste site há 32 das mais belas fotos de vários anos. Fantástico.
A Antartida é o continente científico por exelência. Afinal, só podem ir para lá pesquisadores. Poucos jornalistas também foram, mas a atividade principal realizada no frio continente é a pesquisa científica. Estuda-se a biologia dos animais vivos e mortos, pois há  fosseis também. Mas o maior destaque hoje em dia tem relação com o aquecimento global, pois este continente intocado diretamente pelo homem tem sido o termômetro do planeta.
Mas só a beleza inóspita já instiga sonhos de poder explorá-lo. Alguém topa escrever um projeto de pesquisa só pra poder por o pé lá?

Entendendo a ligação do Sol, do envelhecimento e do câncer.


Hoje é dia de campanha nacional de combate ao câncer de pele. Mas não se acha em nenhum lugar como que a luz pode causar um crescimento descontrolado das células, afinal o câncer é isso aí. Não se acha em linguagem acessível, eu quero dizer.
A pessoa que não é da área da saúde, sabe como a luz do Sol pode afetar o destino de nossas células?
A radiação UV é uma das várias ondas presentes na luz branca, e tem uma quantidade de energia grande. Essa energia toda pode ser transferida para outras moléculas sensíveis a luz. Isso pode gerar radicais livres, que são moléculas de oxigênio que uma molécula libera quando recebe energia extra, por exemplo, da luz UV. Esse oxigênio é muito instável, e ao tentar se estabilizar, ele rouba energia de outras moléculas e as desestabilizam. E se estas moléculas atacadas estiverem formando uma membrana ou uma fita de DNA os danos acontecem.
O DNA pode ser atacado diretamente.
A luz UV pode jogar sua energia diretamente nas bases de DNA. Com essa energia extra, duas bases timidinas podem se unir e assim as proteínas que lêem o DNA param ali, atrapalhando a fabricação normal do produto daquele DNA.
Com tantas células e tanta luz (pois mesmo essa luz de lâmpadas frias irradia UV), é impressionante que não tenhamos um câncer por dia. Mas as células têm mecanismos de reparo. Proteínas que percorrem o DNA, e ao encontrar estes dímeros de timidina o retiram e recolocam duas timidinas normais.
Sol e o pé-de-galinha
Claro que, em sistemas biológicos, nada é perfeito. Uma hora esse sistema falha e a mutação fica.
Quando uma célula acumula algumas mutações importantes, ela passa a se comportar de um jeito diferente do normal. A própria célula, as suas vizinhas, ou o sistema imune, podem detectar esta mudança e fazer com que ela pare de se dividir e gerar outras células. Assim, estas mutações não seguem em frente nas células-filha. Mas um tecido com muitas células paradas não se renova. Se um pedaço da pele se dobra muito, ele precisa ser elástico, suas células tem que produzir colágeno, elastina, e trocar as células frequentemente para manter a estrutura daquela região. Mas se as células estiverem paradas, por causa dos freios impostos pelas mutações, aquele tecido não se renova. Envelheceu. Este é o princípio do pé-de-galinha ou qualquer marca de expressão, as famosas rugas.
Mas e o câncer?
E se essa mutação for bem num gene que produz uma proteína que controla as divisões da célula, que controla seu ciclo celular ou o próprio sistema de reparo do DNA? Aí temos um passo para a formação do câncer.
Digo um passo porque são necessárias mais de cinco mutações para se ter um câncer. Mas não se engane, temos várias células que já podem ter acumulado um bom tanto de mutações e estão só esperando pelo próximo banho de Sol.

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