Pra que tanto PS3? Cálculo, meu amigo. Muitos cálculos.
Quando você quer analisar muitas informações ao mesmo tempo, um só processador não agüenta. Daí você junta mais um, e mais um, e mais outro, até que eles agüentem fazer todos os cálculos num tempo hábil.
É para isso que a pesquisadora Monica Pickholz da UNICAMP usa as máquinas tão desejadas pela molecada (de 10 a 40 anos): calcular a interação de anestésicos locais com membranas biológicas.
“São muito mais estáveis que qualquer cluster [aglomerado de PCs] com que já trabalhei”, diz Monica. Os videogames funcionam 24 horas por dia, sete dias por semana. Só pararam uma vez, quando "acabou a força e o gerador não funcionou". Durante todo o tempo, os videogames fazem cálculos para simular dinâmicas de comportamento entre átomos.
E saíram mais barato, claro. Afinal, esse é o único argumento que realmente convenceria o órgão financiador a comprar umas belezinhas dessas.
Interessante como o mercado define áreas a serem desenvolvidas. Desenvolver poder de processamento para a área de pesquisa? Não. Jogos é que dão mais retorno.
O mesmo acontece com o repasse posterior de tecnologia militar para usos pacíficos. Desde o avião, até o microondas e o teflon. Todos eram usados militarmente antes de terem suas aplicações no dia a dia.
Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutorando pela Biotecnologia da USP. Realiza pesquisa na área de terapia gênica do câncer.



Comments (3)
Muito bom. Colocando internet neles então o bicho ia pegar!
Posted by: Luiz Bento | fevereiro 27, 2009 7:52 PM