Sobre a Monsanto, o problema com a cartilha “O Olho do Consumidor”, e as mentiras que circulam na internet…

Ontem recebi isto por e-mail um aviso de que a empresa Monsanto haveria entrado com uma liminar para retirar de circulação uma cartilha sobre alimentos orgânicos feita pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Segue o conteúdo do e-mail com a “notícia”:
“A multinacional de sementes transgênicas Monsanto obteve uma liminar de mandado de segurança para impedir a distribuição da cartilha “O Olho do Consumidor” produzida pelo Ministério da Agricultura, com arte do Ziraldo, para divulgar a criação do Selo do SISORG (Sistema Brasileiro de Avaliação de Conformidade Orgânica) que pretendia padronizar, identificar e valorizar produtos orgânicos, orientando o consumidor na sua escolha de alimentos realmente orgânicos.

O link do Ministério está “vazio” tendo sido retirado o arquivo do site. Em autêntica desobediência civil e resistência pacífica à medida de força legal, estamos distribuindo eletronicamente a cartilha.

Se você concorda com a distribuição envie para os amigos e conhecidos.Se você não concorda, simplesmente delete este e-mail.”

Essa cartilha sobre orgânicos é bastante conhecida, e o Ministério da Agricultura foi bastante inteligente ao convidar o ótimo Ziraldo para ilustrá-la. No material, é possível encontrar a definição de alimento orgânico, bem como orientações para que o consumidor possa identificar esses produtos no mercado.

A partir de 2010, todo produto orgânico brasileiro, exceto aqueles vendidos diretamente pelos agricultores familiares, levará o selo do Sisorg (Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica). Esse selo, que teve a marca escolhida pelo público, vai atestar que o produto está dentro de normas e foi avaliado por entidade credenciada do Ministério da Agricultura. O selo de referência já é utilizado nos Estados Unidos, no Japão e na Europa.

Quando vi a mensagem de que a Monsanto haveria entrado na Justiça contra o Ministério, fui buscar maiores informações, e as únicas fontes que tratavam do assunto eram blogs criticando a empresa, e disponibilizando a cartilha para download, seguindo as “diretrizes” do e-mail que citei acima. Prá piorar, o link que disponibilizaria a cartilha no site do MAPA realmente não continha mais o documento para download. Aparentemente, havia mesmo algo errado.

Como achei tudo isso muito estranho (um caso desses certamente teria algum tipo de repercussão nos grandes veículos de notícias), fui atrás da melhor fonte possível, na minha opinião: a própria Monsanto.

Segue a posição oficial da empresa sobre o episódio descrito no e-mail, que me foi dada por sua assessoria de imprensa ontem, logo que entrei em contato com eles:

“A Monsanto esclarece que não procedem os boatos de que a empresa teria entrado como uma ação judicial contra uma campanha educativa coordenada pelo MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) sobre os benefícios de alimentos livres de agrotóxicos.

A empresa desconhece a origem dessa informação e reafirma o respeito pela liberdade de opinião, expressão e escolha do mercado, instituições e empresas pela utilização de culturas convencionais, geneticamente modificadas ou orgânicas.

A Monsanto se orgulha de ser líder em biotecnologia agrícola e acredita profundamente nos benefícios das culturas geneticamente modificadas, que têm potencial para ajudar a aumentar a produção de alimentos, com menos recursos naturais e, ainda, melhorar a vida de agricultores em todo o mundo.

Abraços,

Cláudia Santos
CDI Comunicação Corporativa
(11) 3817-7925 / (11) 8192-4134
E-mail: [email protected]

Mas peraí… a Monsanto é aquela empresa diabólica, que quer escravizar todos os agricultores, então é de se esperar que a Assessoria da empresa esteja mentindo prá mim, não é? É, acho que só se eu tivesse uma posição do próprio Ministério é que eu poderia acreditar nessa empresa do mal!

Opa, peraí… eu tenho.

Lição de casa feita, tirem suas próprias conclusões lendo a transcrição de meu contato com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, feito hoje de manhã:

Descrição da Solicitação:
OLÁ, GOSTARIA DE SABER COMO FAÇO PARA ADQUIRIR A CARTILHA “OLHO DO CONSUMIDOR”, LANÇADA PARA DIVULGAR O SELO DO SISORG. MUITO OBRIGADO, GABRIEL L.A. CUNHA

Resposta/ Parecer da BINAGRI:
PARA ESCLARECER A POPULAÇÃO SOBRE O ALIMENTO ORGÂNICO, O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO/MAPA DISTRIBUIU UMA CARTILHA DO DESENHISTA ZIRALDO CHAMADA ‘O OLHO DO CONSUMIDOR’. NO MATERIAL HÁ O CONCEITO DE ALIMENTO ORGÂNICO E ORIENTAÇÕES PARA QUE O CONSUMIDOR POSSA IDENTIFICAR ESSES PRODUTOS NO MERCADO.

INFORMAMOS QUE O MAPA DISTRIBUIRÁ APENAS UM EXEMPLAR POR SOLICITAÇÃO E TERÁ DISPONIBILIDADE DE ENVIO A PARTIR DO DIA 03/08/2009.

CASO QUEIRA, PEDIMOS QUE PROCURE A SUPERINTENDÊNCIA FEDERAL DE AGRICULTURA DO SEU ESTADO PARA VERIFICAR A POSSIBILIDADE DE ATENDIMENTO.

INFORMAMOS QUE AINDA QUE, A PARTIR DO DIA 03/08/2009, A CARTILHA ESTARÁ DISPONÍVEL EM NOSSO SITE PARA DOWNLOAD.

Colocamo-nos à disposição para eventuais esclarecimentos através dos canais de contato de nossa Central de Relacionamento, conforme a seguir:

Telefone: 0800 704 1995
E-mail: [email protected]
Biblioteca Nacional de AgriculturaEndereço: Esplanada dos Ministérios, Bloco D, Anexo B, Térreo.
CEP 70043-900, Brasília DF
Caixa Postal 02432 – CEP: 70849-970 Brasília – DF

Atenciosamente,
Central de Relacionamento do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento

Dúvidas esclarecidas, só nos resta imaginar de onde saiu essa idéia da
liminar… Será que foi uma ação coletiva de ONGs e ambientalistas que
queriam promover mais a cartilha sobre orgânicos, e, como bônus, atacar
um de seus alvos preferidos?

Acho que essa eu não consigo esclarecer nem tentando…

Gostou desse texto? Siga-me no twitter @Gabriel_RNAm e clique aqui para assinar nosso Feed/RSS e receber conteúdo novo em primeira mão!

ps1: agradecimentos ao advogado Paulo Arthur Noronha Roesler, que me enviou o caso por e-mail, a Claudia Santos e Eleni Gritzapis, da assessoria de imprensa da Monsanto, e à Central de Relacionamento do MAPA.

ps2: quem não quiser esperar Agosto para ter acesso à cartilha, pode acessar o Blog VivoVerde

*UPDATE!

Tem mais sobre esse assunto no blog Maria Rê e o Fogão Azul, dica do @crisdias via Twitter em 03/08/2009.

Bronzeamento artificial dá câncer

UV bronzeamento.jpg

Associated Press – OMS passa a considerar cama de bronzeamento cancerígena

LONDRES – Especialistas internacionais em câncer levaram as camas de bronzeamento artificial e a radiação ultravioleta para categoria máxima de risco de câncer, colocando-as no mesmo nível do gás mostarda e do arsênico.

Há anos que os aparelhos de bronzeamento com lâmpadas e a radiação eram considerados “prováveis cancerígenos”. Agora, uma análise de 20 estudos conclui que o risco de câncer de pele aumenta 75% quando a pessoa começa a usar as camas de lâmpadas de bronzeamento antes dos 30 anos.

E não é brincadeira não. Só pra terem uma idéia, um dos meios de formar tumores em animais, com fins de pesquisa, é depilar os camundongos nas costas e ligar uma lâmpada de UV sobre a área pelada. E funciona bem.

bronzeamento artificial cancer.jpgAgora imaginem um primata, já sem pêlos, numa caixa cheia de lâmpadas UV. Qual a chance disto dar certo? 

Claro que as camas de bronzeamento são bem mais fracas que as usadas na indução de tumores, mas a questão é que não existem níveis seguros de UV.

É como gordura trans. Não tem um mínimo que você pode comer sem culpa. O mesmo com o cigarro.

Como uma luz gera um câncer?
É interessante que de tanto a gente ouvir falar que luz do sol dá câncer de pele, nem nos perguntamos algo que é muito estranho nisso tudo: como é que luz, pura e simples, pode gerar um tumor?

Já escrevi aqui antes sobre como exatamente uma luz pode iniciar um câncer. Recomendo fortemente a leitura:
Entendendo a ligação do Sol, do envelhecimento e do câncer.

E lembrem-se: a única coisa que pode ser usada sem moderação é a prudência. Nem a canja de galinha escapa.

Um argumento a menos para os “defensores dos animais”: Brasil regulamenta o uso de cobaias.

Demorou 13 (sim, TREZE) anos para sair (ou entrar, depende do referencial) do papel, mas o Ministério de Ciência e Tecnologia finalmente regulamentou a Lei Arouca, que trata do uso de animais para Ensino e Pesquisa no Brasil.

400px-Lab_rat.jpg

Os verdadeiros Heróis da Ciência


Quem tiver interesse em conhecer tudo à respeito dessa nova Lei, pode acessar o Portal do Ministério da Ciência e Tecnologia, que contém toda a informação necessária.
Agora os defensores de animais precisarão rever parte de seu discurso, já que a idéia de “uso indiscriminado e assassino”, em teoria, não se aplicará mais. Como o Lula adora dizer, “nunca antes na história desse país” houve qualquer tipo de controle oficial sobre a utilização de animais, mas agora isso faz parte do passado.
Formação do Concea
A lei nº 11.794 de 8 de outubro de 2008 havia sido sancionada em Outubro de 2008, e foi publicada no Diário Oficial da União do último dia 15 de julho (Decreto nº 6.899). Também ficou estabelecida a criação do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), que será presidido pelo ministro da Ciência e Tecnologia.
O Concea será formado por 14 integrantes, e incluindo dois membros de sociedades protetoras de animais legalmente criadas no país. No conselho também estarão representados órgãos públicos e associações científicas, como a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) e a ABC (Academia Brasileira de Ciências).
Todas as instituições que criam ou utilizam animais para fins científicos ou didáticos também deverão se adequar. Será considerado ilegal quem não criar ou se associar a uma comissão de ética em até 90 dias. Vale lembrar, no entanto, que todas as instituições de pesquisa e ensino sérias do Brasil já possuem seus comitês de ética há vários anos, de modo que o controle sempre foi exercido internamente (todos os projetos que envolviam experimentação animal de que eu participei até hoje foram avaliados e aprovados pelo comitê de ética da universidade em que trabalho.
Hoje, no Cobea (Comitê Brasileiro de Experimentação Animal), já existem 150 comissões de ética cadastradas. “A maioria das universidades federais e estaduais, assim como as particulares e as diversas instituições [públicas] de pesquisa e laboratórios particulares já tem sua comissão ou está criando”, afirmou Marcel Frajblat, pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (SC) e presidente do Cobea (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal), em entrevista à Folha de São Paulo.
O Estado chega atrasado mais uma vez
logo_sbcal.JPG

Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório


Apesar de a Lei Arouca ser de extrema importância, vale ressaltar que já havia uma noção consciente sobre o manejo dos animais usados em experimentação animal, sendo necessário dar destaque à atuação da Sociedade Brasileira de Ciência em Animais de Laboratório, a SBCAL, e dos Comitês de Ética em Pesquisa que já haviam sido formados muito antes de qualquer ação governamental, dada a importância desse controle.
* Em breve, teremos aqui no |RNAm| um parecer jurídico sobre o conteúdo da Lei Arouca, fiquem atentos!

Brilha muito no Corinthians! E em todos os outros lugares também!

ResearchBlogging.org
É, infelizmente caiu um adjetivo!
Não é privilégio do Ronaldo Fenômeno brilhar, como nosso querido Zina sempre diz!

Depois desse artigo que li, não vai ter graça se alguém, algum dia, por bondade ou pena que seja, falar que sou “brilhante” (pff, como se isso fosse acontecer…)!
Um estudo publicado na revista Plos One (conteúdo aberto, em Inglês) demonstrou que nós emitimos luz (numa quantidade baixíssima, claro) de modo variável durante diferentes momentos do dia.
Já se sabia por pesquisas anteriores (Sauermann et al., 1999) que o corpo humano realmente brilha, mas numa intensidade mil vezes menor do que nossos olhos conseguem captar. Essa emissão fraca de luz é característica de praticamente todos os seres vivos, e acredita-se que seja um subproduto das reações bioquímicas que envolvem radicais livres.
A captação da luz emitida pelo corpo dos voluntários deste estudo foi possível pelo aprimoramento de um sistema de captação de imagem MUITO poderoso, com capacidade de detecção de um único fóton, que são as partículas que formam a luz. As imagens resultantes desse experimento foram obtidas ao longo de três dias (das 10 horas da manhã às 22h da noite) em intervalos de três em três horas, quando os voluntários eram expostos a esse sistema de imagem por 20 minutos.
emission1.JPG

Imagens do experimento


A flutuação da intensidade da luz emitida pelos voluntários variou durante o dia, sendo que o resultado mais baixo foi registrado em torno de 10h da manhã, e o pico de emissão foi registrado em torno de 16h da tarde, fato que os pesquisadores acreditam estar diretamente ligado ao nosso relógio biológico.
Outro dado interessante foi a observação que o rosto dos participantes brilhou mais do que o resto do corpo (como pode-se ver nas imagens), sendo que os pesquisadores propuseram ser influência de componentes fluorescentes da melanina, o pigmento produzido por nossa pele para nos proteger da radiação solar.
Para um dos pesquisadores do estudo, espera-se que essa nova tecnologia de detecção de imagem seja capaz de auxiliar a constatação de condições médica, uma vez que essas variações na emissão de luz estão ligadas ao metabolismo do indivíduo.
Interessante, não? Já não precisamos mais ter tanta, pelo menos inveja dos vagalumes, afinal, também temos um tipo de bioluminescência!
Li na Plos One
Kobayashi, M., Kikuchi, D., & Okamura, H. (2009). Imaging of Ultraweak Spontaneous Photon Emission from Human Body Displaying Diurnal Rhythm PLoS ONE, 4 (7) DOI: 10.1371/journal.pone.0006256

Nós evoluímos na cozinha

macaco cozinha.jpgQual foi o truque inventado por nossos ancestrais a 1,8 milhões de anos que permitiu um dos maiores saltos na nossa evolução? Teria sido a faca ou a roda?

O primatólogo e antropólogo Richard Wranghan (talvez fosse melhor dizer um primatólogo especializado em antropologia, afinal humanos estão incluídos entre os primatas), acha que foi o ato de cozinhar alimentos que impulsionou tanto a nossa evolução neste momento.
“A forma de nossos corpos e o tamanho de nosso cérebro são produtos de uma dieta muito rica, que só pôde ser adquirida através do cozimento dos alimentos”, diz o primatólogo que lançou recentemente o livro “Catching Fire: How Cooking Made Us Human,” que trata justamente da importância do ato de cozinhar na nossa evolução.

O pesquisador baseia esta importância do cozimento ao observar chimpanzés selvagens na natureza, que segundo ele têm uma disponibilidade de alimentos parecida com a que nossos ancestrais tinham a 1,8 milhões, pouco antes do surgimento do Homo habilis, nosso primeiro ancestral Homo, ou seja, hominídeo (nenhuma relação com a opção sexual do espécime, por favor).

Menu bom pra macaco

comida macaco.jpg

Os pobres dos chimpanzés ficariam em êxtase se vissem um varejão cheio de frutas e verduras como os nossos hoje em dia. Na maioria das vezes o que ele encontram são frutos secos e de péssimo gosto, que eles precisam mastigar por horas. Alias é assim que nossos primos gastam a maior parte do tempo, procurando e mascando comida extremamente fibrosa.

E esse primatólogo sabe o que um chimpanzé come, afinal ele passou 40 anos estudando os bichos e até mesmo tentou por um tempo comer o mesmo que eles, para avaliar se seria possível manter um humano moderno com uma dieta de chimpanzé. Resultado: fome, muita fome. Até chegou a comer restos crus de macacos caçados por chimpanzés.

O interessante é que de duas espécies de macacos comidos pelo pesquisador e pelos chimpanzés, o pesquisador preferiu a carne de um determinado macaco por ser mais doce. E esse também é o predileto dos chimpanzés. Percebemos assim que nossos paladares têm algo em comum.

Mas e as fogueiras?

macaco fogueira.jpg

Essa estória é muito interessante, mas tem um probleminha. Se o cozimento foi tão importante, onde estão as fogueiras? A mais velha data de apenas 800mil anos.
Quanto a isto Wranghan não desanima. Segundo ele, realmente não há registro de fogueiras com 1,8 milhões de anos, mas as evidências biológicas são claras. Nossos dentes e nosso trato digestivo ficaram menores nessa época, e a única coisa que pode explicar este fato é a melhora na dieta. E que outro jeito de melhorá-la senão pelo cozimento?

E tem mais, segundo Wranghan, o próprio ato de se reunir perto do fogo nos diferenciou dos outros primatas. Afinal isto estreitou os laços sociais, forçando-nos a viver próximos ao fogo, agüentando os vizinhos chatos sendo mais tolerantes, e tudo que esta convivência forçada pôde trazer. Somos seres muito mais sociais que chimpanzés, por exemplo, talvez graças ao fogo e seus benefícios.

Bem, esta é uma idéia plausível, mas ainda não há dados suficientes para dizer quem realmente veio primeiro (paradoxo Tostines), se o cozimento nos deu energia para manter um cérebro grande, ou se um cérebro grande permitiu inventar o cozimento.

Cozinheiros forjando nossa evolução

Mas o futuro de nossa espécie esta nas suas mãos, cozinheiros de mão cheia. Afinal temos um problema sério hoje em dia de excesso de peso, obesos subnutridos e outros problemas relacionados ao nosso apetite voraz por calorias, vestígio dos tempos préhistóricos em que não havia essa fartura de alimento que há hoje.

Aliás quando vemos a dieta do Homo sapiens préhistórico, não é por coincidência que ela bate exatamente com a dieta ideal recomendada pela Organização Mundial de Saúde. Nosso corpo ainda está adaptado ao nosso ambiente ancestral.

Pensar na nossa alimentação levando em conta a nossa evolução, pode nos manter saudáveis ou nos forçar a mudar.

Ao leitor deixo uma informação final interessante. Para quem é requintado, de gosto apurado e que gosta de pratos finos, saiba que o maior salto evolutivo na história da cozinha foi o simples cozimento na fogueira, mais conhecido como churrasco. E pior, sem nenhum salzinho.


Leia entrevista com Richard Wranghan no The New York Times

RNAm Expresso vol.3 – Os links pertinentes

cogumelos cigarro nicotina.jpg

Imagem do dia: A vida sempre acha um caminho. No “canteiro/cinzeiro” em frente ao Hospital das Clínicas de São Paulo, cogumelos nascem em meio às bitucas. (Foto por Rafael Soares)


  • “Darwin e a Biologia” – excelente artigo especial que saiu na revista O Biólogo, do Conselho Regional de Biologia (1a Região)

  • The bio-comediant – O que há de engraçado na ciência? Muita coisa! – via The Scientist

  • Celular vira microscópio – um kit para celular permite ver parasitas e bactérias. Ajuda onde há pouca infraestrutura. – Agência Fapesp

RNAm no Prêmio TopBlog!

Atenção leitores!!! O RNAm está no Prêmio TopBlog 2009!
O prêmio é um sistema interativo de incentivo cultural e inclusão digital, e os melhores blogs são escolhigos por Votação Popular e votação por Júri Acadêmico.
Nosso blog está cadastrado dentro da categoria Variedades, e vocês devem podem votar clicando no selo abaixo, e também no selo que está na margem esquerda da página principal do blog.

Infelizmente não há uma categoria mais adequada, e nossa área de atuação acaba enquadrada em Variedades mesmo. Nós até achamos que a mais correta seria Cultura, mas como não somos nós que decidimos o que caracteriza cada categoria…
A votação vai só até o dia 11 de Agosto de 2009, portanto, votem logo para não perder o prazo!!! Com seus votos, temos mais um meio para dar maior visibilidade à divulgação científica brasileira!
Maiores informações sobre o Prêmio no site TopBlog!

CONTAMOS COM VOCÊS!!!

Gripe Suína (gripe A; vírus H1N1) atinge até a alma!

padre gripe suina.jpeg

Notícia no jornal Estado de S. Paulo:
Religiões adaptam tradiçoes à gripe suína

Esta gripe A não é mole não. Mais poderosa na mente e no social que efetivamente no corpo das pessoas, ela atingiu orgãos sociais diversos. A via usada para a infecção foi a mídia, sempre aberta e com poucas defesas para este tipo de ataque. Por irrigar todo o corpo social, logo o vírus pôde se alastrar por todo o mundo, atingindo outros orgãos.
Orgãos públicos por exemplo. Ministérios da saúde se mobilizaram em dizer que estavam preparados; polícias e vigilância sanitária de olho nas fronteiras; hospitais e cientístas atentos.

Vírus da alma

Até a alma deste corpo social se debilitou, ou pelo menos se compadeceu, pelo ataque viral.
As igrejas estão tendo que adaptar suas tradições para minimizar o alastramento da doença.
É a primeira vez que a OMS e organizações religiosas conversam.
E não é pra menos. Imaginem a peregrinação para Meca, tradição obrigatória dos muçulmanos e que reúne 3 milhões de pessoas de todo o mundo! Por isso representantes do islã já recomendam que, se com medo da gripe, melhor evitar a visita ao cubo negro em Meca e Medina. Missas católicas todos os domingos com um padre argentino colocando a hóstia na sua boca?! Melhor não. A argentina está com o um número imenso de infectados. Por isso sua igreja Católica recomendou cautela: sem hóstia na boca e sem abraço da paz. E na Inglaterra a igreja Anglicana até água benta cortou. “Mas e as bênçãos?” Ora, Deus entende. (daí a pergunta que fica é “pra quê a água benta antes, então?”mas deixa pra lá)
Tem ateu até achando alguma vantagem na gripe pra mostrar que as próprias igrejas perecebem que não dão mais o conforto necessário a seus seguidores. Afinal, durante a peste negra, na Idade Média, e a gripe espanhola as igrejas foram as únicas instituições que não fecharam, mas hoje “elas se renderam.”
Mas acho que o caso não é pra tanto. Pelo menos mostra que as tradições podem ser adaptadas aos maus do corpo terreno. Está reconhecida a importância da dignidade neste mundo de carne e osso. O que ainda não invalida acreditar em que quer que seja no além.
E dizem até que crer pode ser um santo remédio, aumentando longevidade e resistência a infecções (procurarei mais artigos sérios sobre isto).
Assim ficamos num político 1 X 1. Ponto para os ateus e ponto para os religiosos.
(E eu escolhi neste post o “caminho do meio”, mesmo não sendo budista)

Chá Verde FUNCIONA contra câncer

folha cha verde cancer.jpgResearchBlogging.orgO chá é a bebida mais consumida no mundo, depois da água claro. E os mais conhecidos deles são o chá verde e o preto, ambos feitos da Camellia sinensis. Os benefícios do chá já foram até citados neste blog anteriormente, mas agora vamos ver exatamente o que é que faz o chá ser eficiente na prevenção do câncer (segundo um artigo de revisão publicado na revista Nature Reviews Câncer).

Uma das coisas que torna o chá verde interessante para estudo é que já se conhece todas as substâncias presentes em sua constituição.

Por exemplo, catequinas (uma família de polifenóis) são as principais substâncias presentes no chá. Elas neutralizam os radicais livres, que são grandes responsáveis por provocar danos ao DNA que podem começar o desenvolvimento de câncer.

Estudos realizados em animais, utilizando o chá verde ou suas catequinas purificadas, mostraram inibição da formação e crescimento de tumores em diferentes modelos animais, como pulmão, trato digestivo (boca, cólon intestino) e próstata.
Esta inibição está associada à diminuição da proliferação celular, aumento da morte celular (apoptose), e inibição da formação de novos vasos sanguíneos utilizados pelo tumor em crescimento para obtenção de nutrientes (angiogênese).

Claro que todos os estudos já feitos em animais tiveram diferentes abordagens de tratamento e diferentes focos de observação, mas de 147 trabalhos científicos publicados até dezembro de 2008, 133 descrevem uma melhora na prevenção e mesmo na inibição de tumores.

Além de antioxidante, a catequina EGCG do chá verde é uma substância que comprovadamente se liga a vários receptores e moléculas de sinalização da célula, que também podem estar ligadas à geração de tumores.

Os famosos flavonóides também estão presentes no chá e possuem efeito antioxidante, mas parece que as catequinas têm um papel mais importante na prevenção tumoral justamente por este efeito adicional de se ligar a outras proteínas.

Mas e em humanos?

Em humanos, alguns estudos de prevenção já vêm sendo feitos, e com resultados promissores.

Apesar destes estudos em laboratório, não há um estudo que deixe claro que pessoas que já vêm tomando chá verde têm menos câncer. Estes estudos chamados epidemiológicos não são muito controlados e mesmo pessoas que tomam chá podem ter rotinas totalmente diferentes umas das outras, como variação na quantidade de chá ingerido, algumas podendo ser fumantes outras não, consumo de álcool, etnia, entre outros fatores difíceis de serem analisados.

Mas os estudos que levam tudo isto em conta mostram sim uma relação entre consumo de chá e menor aparecimento de tumores.

Por exemplo, em um dos estudos, homens e mulheres que não fumavam e nem bebiam álcool, mas bebiam chá, apresentaram menor risco de adquirir câncer. Já fumantes que tomam chá não apresentam este menor risco.

Interessante observar que a composição do chá varia de acordo com o clima, modo de cultivo, variedade e idade da folha. Os diferentes métodos de produção também alteram a composição química das folhas secas.
Por isso melhores estudos epidemiológicos neste sentido devem ser realizados.

Quanto a gente deve tomar de chá afinal de contas?

Em dois trabalhos epidemiológicos que mostraram resultados positivos, foi relatado que consumir o chá de mais de 250 gramas de folhas secas por ano já foi o suficiente para aumentar a proteção. Isto daria de 2 a 3 xícaras de chá por dia. Nada exorbitante.

chá verde monte fuji.jpgEfeitos colaterais e contra-indicações

Mas nem tudo são flores, afinal de contas o chá contém uma boa quantidade de cafeína, que pode ser um problema para hipertensos, gestantes e lactantes, já que a cafeína passa para o leite materno e pode ser prejudicial para o desenvolvimento do feto ou do bebê.
O consumo exagerado pode causar sintomas como taquicardia, náusea, dor de cabeça e problemas gastrointestinais.

Mas segundo profissionais de saúde, não ultrapassando 4 xícaras por dia não há problema. Mesmo porque uma xícara de café expresso deve conter bem mais cafeína q 4 xícaras de chá. E um pouco de cafeína também faz bem, tanto para evitar câncer quanto até mesmo para prevenir o Alzheimer.

Diferenças entre os chás verde, branco e preto

Todos vêm da mesma planta, o que muda é a forma de processamento das folhas após a colheita.

O chá verde tem as folhas aquecidas e secas, resultando na inativação de alguns componentes oxidativos e outras enzimas. Este processo permite a preservação da atividade dos polifenóis.

O chá preto tem as folhas maceradas e passam por um processo de fermentação, gerando substâncias como as teoflavinas que dão a cor vermelha ou alaranjada e o sabor característico do chá preto.

O chá branco é elaborado a partir do broto da Camellia sinensis e não passa por esse processo de aquecimento, assegurando uma concentração maior dos princípios ativos.

O chá Oolong também deriva da mesma planta, mas seus benefícios são menos evidentes. É feito apenas da parte tenra das folhas e passa por um processo rápido de fermentação. Este é o que mantém maiores concentrações das benéficas catequinas

Como preparar o chá

A receita para o chá não foi aprimorada em laboratório, mas é a receita tradicional que os asiáticos em geral usam e provavelmente a que foi usada pelas pessoas entrevistadas nos estudos que mostraram resultados.

  • Esquente a água até que quase ferva e sem as folhas (um chá é uma infusão, não um cozimento de folhas)
  • Coloque 2,5 gramas de folhas em 250 mL de água quente (uma colher de sopa rasa por xícara)
  • Deixe tampado por 5 min.

Cada 2,5g em 250 mL de água contém de 620 a 880 mg de substâncias dissolvidas, sendo 1/3 de catequinas e 3 a 6% de cafeína
Como já foi dito, o tipo de chá e variações na preparação das folhas podem variar as características do chá.

Gostou desse texto? Siga-me no twitter @Rafael_RNAm e clique aqui para assinar nosso Feed/RSS e receber conteúdo novo em primeira mão!
Yang, C., Wang, X., Lu, G., & Picinich, S. (2009). Cancer prevention by tea: animal studies, molecular mechanisms and human relevance Nature Reviews Cancer, 9 (6), 429-439 DOI: 10.1038/nrc2641

Desafiando dogmas da Biologia!

ResearchBlogging.org

Vocês estão prestes a ler em primeira mão (no Brasil) uma notícia que acabou de ser divulgada.

Um grupo de pesquisadores canadenses que desenvolve pesquisas em Biologia Vascular encontrou indícios de que uma das concepções mais tradicionais em Biologia Molecular pode não estar de acordo com a realidade, como publicado na edição de Julho do periódico Human Mutation.

heart.jpg

Uma pegadinha comum para estudantes iniciantes em Biologia é perguntar: “uma célula muscular e um neurônio de um mesmo indivíduo são geneticamente iguais?”

Normalmente, metade responde “SIM”, e a outra metade “NÃO”.

Quer saber a resposta correta e ver qual dogma foi desafiado? Clique no link abaixo e leia o restante do post!

Continue reading “Desafiando dogmas da Biologia!” »

.

Sobre ScienceBlogs Brasil | Anuncie com ScienceBlogs Brasil | Política de Privacidade | Termos e Condições | Contato


ScienceBlogs por Seed Media Group. Group. ©2006-2011 Seed Media Group LLC. Todos direitos garantidos.


Páginas da Seed Media Group Seed Media Group | ScienceBlogs | SEEDMAGAZINE.COM