Em busca das primeiras máquinas híbridas.
Fato interessante: nesse estudo descobriu-se que o movimento de natação coordenada que as bactérias Bacillus subtilis realizam em suspensão é peculiar à concentração mencionada anteriormente (de 10 bilhões/cm3). Em concentrações menores, os movimentos das bactérias parecem aleatórios, enquanto em soluções mais concentradas (acima de 40 bilhões/cm3) os organismos adotam um comportamento diferente, criando biofilmes.
Apesar de os estudos estarem em seu início, já foi aberta uma possibilidade real de se projetar, no futuro, máquinas microscópicas que utilizem esse tipo de abordagem. Na imagem abaixo há uma sequência de fotografias demonstrando os movimentos realizados:
Interessante, não? E isso é só um aperitivo do que pode vir a ser feito… Quem sabe as novas máquinas que veremos na próxima década?!
Fontes: Wired e Argonne National Laboratory (que também tem FLICKR!)
Papai Noel ameaçado de extinção?!
Convicções à parte, vou seguir uma das tradições natalinas, e escrever uma cartinha com meus pedidos.
Mas, ao contrário do esperado, minha cartinha – o texto de hoje – não é para o o bom velhinho. É para o Sr. Nathan Grills, um especialista em Saúde Pública da Universidade Monash (Austrália) que aproveitou o final de ano para aparecer na mídia.
Como ele conseguiu isso? Publicando um artigo no periódico British Medical Journal fazendo críticas ao… Papai Noel.
É, ao Papai Noel. A patrulha do ‘politicamente correto’ quer fazer mais uma vítima e, do jeito que as coisas andam, logo mais o mundo perde toda a pouca graça que ainda tem. Já começaram a assassinar as fábulas e canções infantis, mas esse pessoal não vai se satisfazer nunca.
Para Grills, o bom velhinho representa um péssimo exemplo para as crianças retardadas e imbecis do nosso mundo. E eu digo ‘crianças retardadas e imbecis’, porque só fazendo essa premissa para acompanhar o raciocínio desse australiano idiota. Vejam alguns exemplos de incentivos ruins do bom velhinho e as ‘soluções’ propostas por essa pessoa iluminada que é o Sr. Grills:
- Direção irresponsável/alcoolismo: a tradição anglo-saxã de deixar um copo de brandy ou vinho do Porto para ajudar o Papai Noel em sua viagem noturna (por causa do frio) pode levar as crianças à noção de não haver problema em beber e dirigir, e, a longo prazo, aumentar as chances de as mesmas desenvolverem alcoolismo. Além disso, ele argumenta que Papai Noel nunca foi visto usando CINTO DE SEGURANÇA, e que, para conseguir entregar todos os presentes na noite de Natal, tem que ignorar todas as leis de trânsito (especialmente os limites de velocidade).
- Obesidade/sedentarismo: deixar biscoitos, tortinhas ou um copo de leite para o coitado Noel. Grills propõe que ele receba o mesmo lanche que a Rudolph (aquela rena de nariz vermelho, que parece o Maradona
fuuuuuuuuuuuuu), de cenouras e aipo. Prá piorar, para melhorar a ‘imagem sedentária’ que ele passa viajando de trenó, sugere também que ele tenha um modo de locomoção mais ativo, entregando os presentes de bicicleta, ou à pé. - Esportes radicais: aqui ele lista exemplos como “surfe de telhado” e “salto na chaminé”, o que aumentaria os riscos de as crianças se acidentarem, tentando imitar as peripécias do Papai Noel. Realmente, será que esse cara tem família?
- Disseminação de doenças: agora ele extrapola, afirmando que as pessoas que trabalham durante as festas vestidas de Papai Noel possam ser vetores de doenças infecciosas, e propõe a realização de mais exames médicos, e melhor monitoramento dos mesmos.
Finalizando essa ‘pérola de Natal’ que Grills criou, ele conclui que “há decepcionante falta de pesquisas rigorosas sobre o efeito do Papai Noel na saúde pública”, e acredita que mais pesquisas habilitariam as ‘autoridades’ a agir para regular as atividades do Papai Noel. Esse cara não é demais? Depois de uma frase dessas, quem é o retardado? As crianças, os pais, ou Nathan Grills?
Eu já escolhi a minha resposta… e vocês?
Aliás, só prá terminar meu recadinho pro Sr. Grills: se vocês conseguirem estragar mais essa parte da minha infância, espero, de coração, que a cena (com ‘C’, viu, Sasha?) seguinte nos jornais seja essa aqui:
- Fonte: BBC Brasil
Os 10 assuntos científicos mais comentados de 2009
Recordar é viver (desde que não se fique apenas por essa relembrança). Então antes de prever o ano de 2010, relembremos o quase-findo 2009.
Aqui eu vou colar. Copiar e colar, na verdade. Saiu aqui na Scientific American os top 10 assuntos científicos do ano. Do LHC até a “estrela da morte”, vamos a eles:

- Grande Colisor de Hádrons – Engasopou ano passado, mas esse ano foi! O colisor de partículas finalmente está em uso, e já bateu todos os recordes da sua categoria “colisor peso pesado”. E ele próprio já é uma previsão para 2010, afinal resultados vão começar a sair logo mais.
- Influenza A H1N1 – “Craro Cróvis”, como esquecê-la. Nos fez prestar atenção na gripe comum, no nosso sistema de saúde nacional e mundial. Mostrou a fragilidade da informação rápida para o cidadão, onde o único meio de comunicação com informação, explicativa, ajustada e de confiança foi o blog colega Rainha Vermelha, mostrando a força e importância dos blogs de ciência nacionais. Este é outro assunto previsto para bombar em 2010, com a segunda leva do vírus que ninguém sabe como virá. Até o Obama já se vacinou.
- Ardipithecus ramidus – chocante fóssil estudado por mais de 15 anos antes de ser publicado em edição especial da revista Science (imagino a politicagem ferrenha que deve ser pras revistas “comprarem” este tipo de trabalho que dá muito ibope). Simplesmente este fóssil tem colocado em cheque o que define um hominídeo (ou mesmo o que nos define). Belo presente de aniversário para os 200 anos de Darwin e 150 do seu livro
- Cop15 esperança e fiasco – tanta preparação pra nada. Ou pelo menos para perceber a fragilidade do nosso sistema político frente a tomadas de decisão rápidas e embasadas em informação científica. Escrevi mais aqui.
- Vacina contra a AIDS – um mega estudo na Tailândia vacinou 16 mil pessoas. Conclusão: não funciona muito bem. Mas abriu várias janelas de oportunidades para estudar a reação do vírus à vacinação.
- Hubble tunado – Esse é um que não morre. 19 anos com corpinho de 12 e meio, e agora com novos aparatos, vai continuar em atividade por mais 5 a 10 anos. Isso que foi projetado pra durar só 5! “Conta o segredinho pra essa vida longa e tão lúcida.”
- Epigenética de pai pra filho – no ano de Darwin descobrem que Lamark estava certo?! Então características adquiridas pelos pais podem passar para os filhos e netos! Pois é, mas sem alterar o DNA, só as travas que comandam a sua leitura. E sim, isso sim muda muita coisa!
- Água na Lua – 40 anos após a Apolo 11 a Lua revela um novo segredo: água. Danadinha essa Lua, surpreendendo a gente mesmo com um seco Mar da Tranquilidade
- O laser “Estrela da Morte” – sim é um monte de raios laser que se juntam num ponto só. Se você colocar hidrogênio lá, ele sofre fusão! E fusão é basicamente o q acontece no coração de uma estrela! Servirá para estudos astrofísicos, nucleares e energéticos.
- Solução pra crise: grana pra ciência – O país está em recessão? O governo tem que soltar uma grana. Obama liberou quase 800 bilhões para salvar a economia, dos quais 21,5bi foram para pesquisa. Áreas de interesse como meios de transporte e energia foram favorecidas e podem fazer a diferença no futuro. O Brasil cortou investimentos nessa área e dizem que nem teve crise por aqui.
E vocês, o que acharam da lista? Alguma sugestão de alteração?
O que um cientista sente ao sacrificar seus animais
Hoje sacrifiquei meu primeiro animal de experimentação.
Um camundongo.
Claro que já entrei em contato com a morte antes. Desde animais de experimentos de colegas ou mesmo morte de parentes. Todas estas ocasiões acabam mostrando uma nova face da morte. Até mesmo já havia matado camundongos invasores de uma antiga república onde morava.
Mas sacrificar MEUS animais, para completar o MEU experimento, e aliás, fazer isto com as MINHAS próprias mãos, coloca a morte em uma nova perspectiva.
Irei ignorar comentários me chamando de sádico matador de animais. Eu gosto de animais. Até mesmo crio gerbils de estimação. Sinto empatia por eles, e este é o problema. Esta empatia que nos coloca no lugar deles, que insiste em colocar a nossa consciência humana nos seus corpinhos de roedores.
Mesmo sofrendo com esta empatia, não quero me livrar dela. Não quero perder esta sensibilidade pelo animal. Sei que seria muito mais fácil para o trabalho, mas a falta de sensibilidade acaba na banalização da coisa toda, e isto seria péssimo. Seria um passo a mais para se sair do trilho ético no lido com animais.
E infelizmente não podemos deixar de usar os animais nos experimentos. Tudo in vitro ou in silico (computador) é apenas uma dica, é mentira, ilusório como um vôo simulado. O experimento que se faz em animal é o primeiro vôo de um piloto. Os animais que tornam nossos experimentos elegantes, e é neles que as respostas se mostram realmente complexas e desafiadoras. Eles são a porta de entrada das hipóteses dos pesquisadores para a “natureza selvagem”.
Aos que já estão acostumados a lidar e sacrificar animais, não riam da minha empatia talvez ingênua neste meio acadêmico da biologia. Continuarei os experimentos até o fim. Mas entendam que não é algo trivial e que devemos sempre ter os animais em um nível de consideração mais elevado que uma simples “cobaia”, palavra que acaba ficando até mesmo pejorativa.
São animais, oras. Mamíferos muito próximos de nós, evolutivamente falando.
Por isso dedico este texto aos meus camundongos sacrificados. Em homenagem à sua importância para minha formação e para o conhecimento humano. Farei o máximo para aproveitar cada dado extraído, cada experiência profissional, e também pessoal, de meu contato com eles.
Obrigado.
Na verdade este é o meu camundongo. Chama “nude” (pelado), porque não tem pêlos e nem sistema imune. Feinho mas gente boa.
Já que a COP15 não resolveu, nos dê o poder para ajudar.
COP15 chegando ao fim e chegam ao fim nossas esperanças de uma revolução política e econômica no assunto ambiental. Ações locais e algumas ações concretas foram firmadas, ok. Mas a revolução necessária para resolver o problema não foi nem esbarrada. Não que eu tivesse grandes expectativas quanto a isso, afinal perdi a minha ingenuidade há algum tempo. Mas esperava pelo menos uma abordagem maciça da mídia, que até tentou fazer a sua parte sim, não recrimino. Mas o cidadão continua blindado contra informação de profundidade. Falar na TV sobre clima não é suficiente. Este é um tema que requer uma base de conhecimentos que o cidadão não tem, e chegamos, como sempre, ao ponto crucial que é educação básica.
Então tudo bem, a COP15 não salvou o mundo. E o que um jovem doutorando empolgado e com um sentimento de obrigação social de melhorar o mundo pode fazer? NADA.
É isto que sentimos. Eu e mais vários jovens que iniciam sua vida produtiva agora. Bem neste momento em que entramos em maior contato com o mundo percebemos que quem comanda o mundo falhou, e nós ainda não temos o poder minimamente necessário para fazer a diferença. Para pelo menos sermos ouvidos.
Quem disser “Mas jovens descolados podem se unir e fazer grandes ações. A internet está aí como uma ferramenta de mobilização, de divulgação…” está muito enganado. Talvez a internet seja a pior das maldições dos nossos dias. Ela traz esta falsa idéia de mobilização e ação. Como se escrever um blog pudesse ser uma ação social válida. Como se clicar num banner para plantar uma árvore ou alimentar uma criança fosse resolver algum problema. E feito isto podemos dormir com a consciência tranqüila da boa ação feita. Com isso o cidadão lava as mãos.
Quem acha que isto é o suficiente não tem noção real do problema. E a noção real do problema é: NINGUÉM TEM NOÇÃO REAL DO PROBLEMA!
O problema climático depende da ciência, da política, da economia, da sociedade e da educação. Cada uma com seus nuances, metodologias e agentes.
E os agentes de poder atuantes hoje, falharam. O seu sistema é lento. Quando surge um resultado científico tão alarmante quanto o aquecimento global, deveria haver como este sistema se auto-regular a tempo. Ainda mais quando os estudos também já determinam metas a serem atingidas. Aliás, estes estudos que deveriam ser a parte difícil do problema. Mas a complexidade política, que deve levar em conta todas as outras áreas e suas complexidades individuais, parece um obstáculo intransponível.
Diante desta complexidade as pessoas travam, e não há como culpá-las. A coisa é difícil mesmo.
Mas ver jovens, melhor preparados que muitos agentes formadores de opinião ou tomadores de decisão, sempre a margem da discussão é doloroso.
Sabemos que um dia tomaremos o poder. Estes jovens serão os formadores de opinião e tomadores de decisão em alguns anos. (e eu estou sendo otimista aqui, afinal poderiam me perguntar “onde estão os jovens visionários das décadas passadas agora?” Eu não saberia dizer)
Mas a questão climática coloca uma coisa em perspectiva: Certos problemas, não só o climático, precisam ser corrigidos num tempo certo. É como comprar uma Harley-Davidson: Quando se é jovem e se tem energia, força e espírito de aventura para USAR uma moto destas, não temos o dinheiro para comprá-la. Quanto juntamos o dinheiro para tal, já estamos velhos demais para usá-la como se deve.
Talvez depois, quando a competência chegar ao poder, já seja tarde demais.
Congresso científico fantasma
Calma, não é um congresso científico SOBRE fantasmas, o que seria um paradoxo.
Mas um congresso-SPAM. Isso mesmo. E maldoso.
Imagine receber um email com uma programação de congresso na China com pesquisadores top da sua área. E ainda te convidam para dar uma palestra e por isso se oferecem a pagar, ou melhor, reembolsar, sua estadia e inscrição.
“Ora, nunca fui pra China. Seria uma ótima oportunidade!”
Não só você se interessa e se inscreve como reenvia a outros colegas, como é praxe. Manda seus dados, número do cartão de crédito e BINGO, não existe congresso.
Isso não é novidade no mundo corporativo. Calotes com congressos ou cursos fantasmas são muito comuns. Mas geralmente são temas mais abrangentes, com listas de email inespecíficas. Cursos de “venda mais”, ou “Quem Mexeu no Meu Queijo e A Arte da Guerra para pequenos empresários”.
O diferente aqui destes dois casos de congressos científicos fantasma é o nível de sofisticação. A programação contém nomes de pesquisadores importantes da área, e os emails foram para pesquisadores e interessados nas tais áreas.
O primeiro caso aconteceu em agosto de 2009, o suposto Congresso Internacional de Cardiologia na China. Aqui o caso foi de roubo ou mal uso de informação de uma empresa chinesa que estava realmente organizando um congresso. Mas as informações, programa e email de pesquisadores, vazaram e foram utilizadas para divulgar o “evento” antecipado. Alguns pesquisadores fizeram inscrição com cartão de crédito e compras não autorizadas foram feitas com eles.
O segundo irá acontecer em Dezembro de 2010 (ou não). É o “Conference on Human Welfare and the Global Economy”, organizado por uma entidade chamada Action World International Organization (AWIO). Este engodo foi descoberto pela revista The Scientist, que ligou para o local do evento indicado no email e descobriu que não há reserva para a data, e os palestrantes contatados não estão sabendo de nada!
É minha gente, por isso digo que é cada vez mais difícil ser cidadão hoje em dia. Agora pra cada convite de congresso que queira ir você tem que ligar para o local onde se realizará o evento e perguntar “Vai rolar mesmo?”. Ou ligar para o palestrante programado e perguntar “Você vai mesmo?”. Ou pior, você pode ser o próprio palestrante e ter que ficar recebendo emails de confirmação de presença. Haja saco.
Mas é o preço das facilidades da vida moderna.
A neurose do aquecimento global e as consequências na mídia.
Com o andamento da COP-15, amplamente comentada por gente muito mais competente do que eu (vide DiscutindoEcologia, EcoDesenvolvimento, Rastro de Carbono, etc.), vou comentar algo que aconteceu hoje no Twitter.
Olhando uma notícia da Reuters.com indicada por Felipe Rocha, um estudante de graduação em Ecologia de Belo Horizonte, fiquei meio cabreiro.
A notícia: “Exclusive photos: Polar bear turns cannibal” (Tradução: ‘Fotos exclusivas: urso polar vira canibal’)
Como as fotos são de gosto duvidoso para quem não está acostumado à ‘falta de tato’ da mãe natureza, coloquei aqui a menos agressiva, quem tiver curiosidade, o link para a fonte está logo abaixo, onde tem uma foto bem mais “explícita”.
Gosto à parte, o que me irritou nessa notícia foi o fato de estar com as seguintes TAGs (marcadores para indexação): cannibal | climate change | cub | eat | exclusive photos | polar bear
Canibal? OK. Mudanças Climáticas? OK. Filhote? OK. Fotos exclusivas? OK. Urso polar? OK.
… peraí, MUDANÇAS CLIMÁTICAS?! Segundo QUEM, querida Reuters?!
Isso é uma coisa que me deixa fulo da vida. COP-15 em andamento, a crise do aquecimento global nunca esteve tão em evidência (e com razão, sou totalmente a favor de tudo no sentido de se ‘consertar’ os problemas atuais), e, de repente, TUDO é culpa de aquecimento global.
Ou, claro, de Satanás. Só que isso é outra história, o demônio da vez, nas próximas semanas, são as emissões de CO2.
Mas, como o pouco que lembro de Comportamento Animal da graduação já serve prá me lembrar sempre que ‘a natureza não é fofa’, desconfiei, e dei uma lida com calma em tudo que escreveram na Reuters. E, claro, já saí atrás de outras fontes de consulta.
E não é que na própria página em que estão as fotos do “urso polar canibal” catalogadas como ‘mudanças climáticas’, no SEGUNDO parágrafo, está escrito que um morador local (e líder da comunidade Inuit > esquimós) relatou que o fato de os ursos polares cometerem atos de canibalismo é algo recorrente, e não necessariamente um subproduto do aquecimento do planeta.
Encontrei outra notícia, no NationalPost, que trata justamente desse fato: não gente, os ursos polares não são uns coitados que começaram a comer seus filhotes por causa do derretimento das calotas polares. Algumas coisas ‘feias’ na natureza simplesmente acontecem, e pelos mais variados motivos.
Espero que esse episódio sirva de exemplo para que todos nós prestemos BASTANTE atenção em tudo o que lemos sobre ‘mudanças climáticas’ atualmente.
Aquecimento global é real, extremamente perigoso, e precisa ser encarado (e solucionado) o quanto antes, para o bem de todos os habitantes do planeta (humanos ou não).
No entanto, manipular fatos para aumentar os impactos do aquecimento global é tão errado quanto manipular fatos para negá-lo.
E, claro, torço prá que algo de real saia da COP-15. Apesar de ser pessimista em relação à reunião.
Notícia original > Reuters.com
Notícia do NationalPost
Quer saber mais sobre ursos polares? Sugiro o portal Polar Bears International, tem muita informação interessante.
E sim, este post está indexado como ‘mudanças climáticas’, coé, algum problema?
Derrubando Torres de Marfim – o RNAm vai à Escola!
Existem diferentes motivos para se trabalhar com divulgação científica, dentre os quais se destacam, na minha opinião:
- Diminuir o abismo que existe entre os cientistas – produtores do conhecimento – e a população em geral, que muitas vezes têm acesso somente a matérias superficiais que costumam exagerar na simplificação do conteúdo cometendo erros conceituais gravíssimos;
- Promover um processo de educação não-formal que, pelo menos idealmente, pode se tornar um fator importante de difusão de conhecimento, de modo acessível a todos.
Claro, ainda estamos a anos-luz de atingir o grau de qualidade/interação/penetração que esperamos das nossas ações junto ao grande público. E, apesar de eu saber que essa não é ideia de todos os divulgadores de Ciência, tenham certeza que eu sou uma das pessoas que sonha em conseguir esses feitos.
O próprio título é menção direta ao conceito da “Torre de Marfim”, que designa um mundo ou uma atmosfera em que intelectuais se envolvem em questionamentos desvinculados das preocupações práticas do dia-a-dia. Fácil perceber o quanto eu sou contra isso, não?
Assim, foi com grande prazer que eu e o Rafael integramos o grupo de convidados do “I Ciclo de Palestras de Biologia” da E.E. Myrthes Therezinha Assad Villela, que aconteceu dia 17/10/2009, em Barueri – SP.
Faz tempo que aconteceu, eu sei, mas achei uma pena não termos comentado nada até o momento. Depois de algumas conversas excelentes que tenho tido com outros educadores, resolvi tirar esse texto da gaveta, e compartilhá-lo com todos.
Essa atividade idealizada e realizada pelo Prof. de Biologia Flávio Rodrigues Grassi teve como principal objetivo levar pesquisadores de diversas Universidades (Federais e Estaduais) e Institutos de Pesquisa à Unidade Escolar para expor aos alunos do Ensino Médio um pouco da realidade do meio acadêmico-científico.
Além das nossas palestras, tiraramos dúvidas sobre nossas especialidades, e tentamos abordarar de maneira diferente assuntos do conteúdo programático do ano letivo e para vestibulares.
Foi uma manhã muito interessante, em que pudemos ter bastante contato com uma grande quantidade de alunos que mostrou-se bem interessada, e, claro, com uma grande quantidade de dúvidas que esperamos ter esclarecido. As palestras, e seus respectivos palestrantes, foram:
Animais Peçonhentos.
Biól. André Marsola: Bolsista PAP (Programa de Aprimoramento Profissional) do Laboratório de Artrópodes do Instituto Butantan.
Entendendo as Células-tronco.
M.Sc. Gabriel Cunha: Doutorando em Biologia Molecular da Disciplina de Biologia Molecular/Depto. de Bioquímica da Escola Paulista de Medicina (UNIFESP/EPM).
Alimentos x Câncer
M.Sc. Márcia Miyuki Hoshina: Doutoranda do Laboratório de Mutagênese do Depto. de Biologia Celular e Biologia Molecular da UNESP (Campus Rio Claro)
O que é Câncer?
Biól. Rafael Soares: Doutorando pelo programa de pós-graduação em Biotecnologia da USP
Obesidade e Diabetes Mellitus
Dra. Talita Romanatto: Doutorado em Fisiopatologia Médica pelo Depto. de Clínica Médica da Fac. de Ciências Médicas da UNICAMP, iniciando o pós-doutorado na USP.
Foi um grande prazer participar dessa manhã dedicada à interação cientista-aluno, em que todos pudemos fazer um pouco de divulgação científica in loco, com respaldo imediato do público-alvo. Sem dúvida foi a primeira de muitas e aguardamos ansiosamente novos convites!
Ciência ruim num estalar de dedos? IgNobel prá você!
Mais um texto da nossa série sobre o IgNobel 2009, e, prá começar, temos aqui um exemplo de como o IgNobel não premia somente pesquisas “inusitadas” ou de resultados pouco práticos, como o Rafael comentou em nossa entrevista ao Programa E-farsas. Muitas vezes, o prêmio é dado a um trabalho realmente idiota.
Então, melhor estalar os dedos e começar duma vez!
Ganhador do Prêmio IgNobel de Medicina de 2009, o Dr. Donald L. Unger, um médico de Thousand Oaks (California, EUA), deve ser uma das pessoas mais controladas – ou mentirosas – que eu já ouvi falar.
Por que? Cansado de ouvir sua mãe, tias e outras pessoas sobre os “malefícios” de se estalar as juntas dos dedos, o pequeno Donald, num insight ou não cético teve a brilhante ou não ideia de conduzir um estudo de caso que comunicou ao periódico Arthritis & Rheumatism no ano de 1998.
Nessa comunicação (PDF em Inglês), publicada na seção “Letters” do periódico, afirmou não haver conexão entre o ato de se estalar os dedos e o desenvolvimento de artrite, de acordo com dados coletados durante o espantoso período de 50 anos!
Estalos ocasionais ou espontâneos, como costuma acontecer nos pés e tornozelos depois de levantarmos da cama, são inócuos. Mas se forem repetidos com freqüência, aumentam a produção do líquido interno das juntas, o que pode causar engrossamento, dor e perda de flexibilidade, como afirmou o Dr. Isidio Calich (Faculdade de Medicina da USP) à Super Interessante.
Existem dois tipos de estalo, e, conforme o tipo, podem acontecer danos aos tendões e à cartilagem que recobre a extremidade dos ossos. O primeiro tipo acontece quando esticamos a junta (puxando um dedo, por exemplo, como na imagem da esquerda), o que gera uma espécie de vácuo que faz o líquido no interior das juntas se movimentar com violência (por isso o ruído). O outro tipo é quando dobramos a articulação, no qual o estalo é decorrente do atrito entre as cartilagens dos ossos (como quando apertamos os dedos contra a palma da mão, como na imagem abaixo).

Agora, se me perguntarem, tenho certeza que o IgNobel veio por causa do desenho experimental do inspirado aspirante a cientista: ele passou 50 anos da vida dele estalando os dedos da mão esquerda duas vezes ao dia. E não fez o mesmo com a mão direita. Bom, “a não ser em casos de distração, ou quando aconteceram estalos espontâneos”… então tá.
De acordo com seus “dados”, no período de “estudos” ele contabilizou ter estalado os dedos da mão esquerda por aproximadamente 36500 vezes (!!!), e não observou nada que indicasse o desenvolvimento de artrite na mão esquerda, além de não observar nenhuma diferença significativa entre os dedos das mãos esquerda (estalada constantemente) e direita (só de vez em quando).
Portanto, segundo nosso querido Dr. Donald (farei um esforço hercúleo para não chamá-lo de pato nenhuma vez, prometo… bom… desconsiderem essa, por favor), os dados que observou corroboraram (adoro essa palavra) os dados de um estudo publicado 25 anos antes por Swezey RL. e Swezey SE., entitulado “The consequences of habitual knuckle cracking.” (West J Med 1973;122:377-9).
Para mim, a cereja do bolo está no final da comunicação, quando o autor sugere que outros “mitos” que ouvimos quando crianças sejam verificados, e dá como exemplo “espinafre te deixa mais forte”, e relata:
“This study was done entirely ut the author’s expense, with no grants from any governmental or pharmaceutical source.”
Tradução: “Este estudo foi totalmente custeado pelo autor, sem qualquer tipo de financiamento governamental, ou farmacêutico.”
Só me faltava essa mesmo… por isso, além do IgNobel, ele ganha do RNAm um macaquinho do Chongas, que reflete tudo o que senti ao escrever esse texto.
Quer saber mais sobre esse assunto? Sugiro essa matéria da HowStuffWorks (em Português) e uma página de “perguntas e respostas” do Centro de Artrite do Johns Hopkins (em Inglês).
Entrevista no Programa E-farsas!
Como vocês sabem ou deveriam saber! dia 28/11/2009 nós participamos do Programa E-farsas, transmitido pela JustTV.
Promessa é dívida, então aí vai a a entrevista na íntegra!
Você que perdeu, esqueceu, ou simplesmente tinha mais o que fazer num sábado à noite, aproveite para ver o “casal mais bonito do EWCLiPo” (palavras do Mauro, do Você que é Biólogo) se engraçando com as câmeras!
Uma pena o programa estar com duração limitada a 30 minutos, a conversa realmente estava muito boa, e já estamos com vontade de voltar a gravar com o Gilmar, que, além de ser maior figura, nos recebeu extremamente bem junto com todo o pessoal do estúdio da JustTV.
Divirtam-se então com um bate-papo descontraído sobre alguns de nossos textos, Ciência, e um pouco sobre nossa vida de pesquisador (não falamos só do blog, quem gosta de Caras vai A-DO-RAR!).
Posts citados:
Gravidez, lordose e evolução… curvinhas que fazem a diferença.
O que é mais sustentável: comprar CD ou baixar da net?
Ratos flutuantes: não é feitiçaria, é tecnologia
Bicarbonato de sódio NÃO cura o câncer
Bicarbonato de sódio FUNCIONA contra Câncer
Comentários, críticas, sugestões, elogios? Libere toda a sua fúria nos comentários!



Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

