RNAm no Superpop. Será o fim do mundo?
O RNAm, na pessoa de @Rafael_rnam, estará hoje (31/5/10) no programa Superpop, com Luciana Gimenez AO VIVO(!!!) às 22hs.
Falando sobre um assunto que é super-atual e super-a-nossa-praia: o fim do mundo em 2012!
Fomos contactados pela produção graças ao post de caça ao paraquedista. Esta blogagem coletiva do ScienceBlogs Brasil tinha como objetivo atrair pessoas desavisadas pela busca no Google. Como esse tema 2012 está tão em voga, escrevemos um título bem chamativo: O fim do mundo não será em 2012. Será em 2019
Este é um dos posts dos quais eu mais me orgulho, mas não fala nada da profecia maia!
Isso só prova que estagiários de televisão não leem, e que blogagens de caça a paraquedistas funcionam. E neste caso não foi um paraquedista, mas sim um zepelim hinderburguiano!
Agora é só tomar muito calmante e discutir os “argumentos” dos fatalistas lá no palco.
Direitos dos animais: permitindo o diálogo saudável
Transcrevo aqui o comentário do leitor José Gustavo Vieira Adler em nosso post sobre o debate de direito animal.
Achei interessante o seu ponto conciliador, mostrando a importância da pesquisa – inclusive para o embasamento dos ativistas pelos direitos animais -, mas também mostrando que não devemos nos acomodar com as práticas atuais, afinal temos o poder de continuar mudando técnicas e conceitos.
Mas antes… BÔNUS: Aqui está o link para o Conselho de Cuidado Animal do Canadá (CCAC), que são as diretrizes seguidas pelo conselho de ética animal do Instituto de Biociências da USP. Ou seja, é o que a USP segue no que se refere a bem-estar dos animais em experimentos, nos seus míííííííínimos detalhes. Vale a pena dar uma olhada (em inglês).
O comentário foi transcrito com mínima intervenção minha; o original está aqui.
(…)
Quanto aos experimentos, dizer que se tem que acabar com osexperimentos é realmente difícil uma vez que nossa crença, nossos
conhecimentos e nossa cultura é baseado no metodo de pensar ciência e
como tal é impossível no estagio que estamos abdicar por completo do
uso de animais em experimentos. Mas usar isto como travas, correntes e
poltronas cômodas do costume é um equívoco, uma aberração contra a
nossa própria natureza, que é o avanço cultural. Muito já se mudou, sendo que
hoje a pesquisa não depende de experimentação animal como dependia
em anos atrás, devido em grande parte graças ao movimento
ativista (que engraçado ter surgido por conta da visão mecaniscista dos
animais que eram vistos quase como máquinas e portanto não os
consideravam seres dotados de sentimentos e conhecimentos). O
diálogo só surgiu porque surgiu a emergência dos valores
intrínsecos aos demais animais, graças a luta pelos “direitos
animais”, e se faz necessário a continua luta e diálogo para forçar
financiamento para que mais e mais sejam desenvolvidas novas técnicas,
métodos e pensamentos voltados para a contínua retirada dos animais
dos laboratórios.Agora, essas brigas de ego (macaco-alfa) de muitos que defendem os
direitos dos animais com ciêntistas que tem plena consciência da
problemática, a demonização dos que praticam a, realmente, enfadonha
tarefa de utilizar os animais em experimentos é um erro de julgamento,
um disturbio da idealização. Fazendo um paralelo com um argumento
muito usado pelos que lutam a favor dos valores dos outros animais,
vemos a escravidão do periodo colonial como uma ação demoníaca
dos donos de escravo, mas na verdade em muitos casos os donos de
escravo julgavam-se tratar da melhor forma possível seus escravos,
criavam empatia e um certo estreitamento. Quando esses escravos atacavam
ou matavam alguns de seus donos e fugiam pros quilombos eram julgados
como animais sem alma, selvagens, assim como um elefante mata seu
treinador ou uma orca afoga sua treinadora. Os julgamos como animais
selvagens, indomáveis. Os julgamentos e crenças são frutos do
contexto de cada época e cultura – condenar a caricaturas malevólas os
escravocratas é um desvio da valoração idealista. Os escravocratas
em grande parte acreditava que os negros eram realmente animais, ou que
seus sentimentos não valiam por não terem a consciência que seus
donos tinham a respeito da moral e costumes. Foram precisos muitos anos
de luta e uma mudança de interesses comerciais e econômicos para que
houvesse uma mudança no modo de julgar os negros, de enxergar os
negros, para depois entender que os negros são tão brancos quanto
nós e nós somos tão negros quanto eles, que somos todos humanos, da
mesma espécie, da mesma raça.Para mudar o contexto socio-cultural que estamos imersos é preciso de
tempo, de muito diálogo, confronto de idéias, aquisição de
conhecimentos novos, aberturas de perspectivas, e PRINCIPALMENTE uma
mudança e um avanço no enfoque, nas ferramentas que temos para obter
nossos conhecimentos, criando alternativas viáveis e interesses
morais, éticos e economicos diferentes quanto a utilização de
animais, da coisificação de outras espécies.Tratar os cientístas como demônios, assim como muitos humanistas,
esquerdistas tratavam os escravocratas como demônios é um erro de
julgamento, quando o que tem que ser combatido é a ação. O que tem que se
fazer é forçar cada vez mais a necessidade de se utilizar de outras
ações que dispensem o uso de outras espécies. Mesmo porque, ironia
do destino, a valoração dos animais ganhou visibilidade cética
graças a muitos experimentos com animais em cativeiro,
experimentações que chegavam até a ser invasivo.Ou seja, é verdade que os que lutaram pelos direitos animais
empurraram a necessidade por uma abordagem dos valores dos outros
animais, também é verdade que que as pesquisas crescentes na
cognição e na sua evolução deram conteúdo, embasamento, para
tornar a visão de valores animais encorporada no contexto da Cíencia,
tornar o assunto tema de respaldo e de valor cientifico. Os dois lados
caminharam em convergência para alcançar o grau de entendimento e
questionamento que chegamos atualmente. Muitos dos ativistas usarão o
discurso de que a inteligência animal era óbvia e clara, e que não
precisava de experimentos para atestar o que se podia averiguar
bastando conviver com os animais em seus habitats. Mas sem o respaldo
da Ciência, dos seus métodos e critérios, a idéia de inteligência
nas demais espécies estaria fadada a um saber local, ilhado,
desconectado dos processos do saber do homem contemporâneo. Estaria
reclusa na crença popular, em valores de povos regionais, não teria o
alcance e nem o corpo investigativo e criterioso em que uma metodologia
experimental de uma investigação científica dá à crença.Ainda somos dependentes dos animais para nosso avanço como ser
cultural, mas não podemos tornar essa dependência como uma
naturalidade, como uma situação imutável.
Animação: Como uma célula morre
Essa animação é a que mais se aproxima com o que realmente ocorre numa célula que está com problemas e precisa morrer. É a chamada APOPTOSE, ou morte celular programada.
Eu digo que é o mais parecido com o que realmente acontece porque muitas animações por aí mostram uma molécula indo diretamente em direção a outra como se fosse uma coisa consciente e direta. Mas a célula é mais bagunçada que isso, é um sopão que se organiza com alguns trilhos e sinalizações. As proteínas ficam boiando e eventualmente, casualmente, encontram a proteína que se encaixa nelas. Não é um caos, mas também não é um programinha linear.
Fora esta idéia do contexto celular, a animação não é muito didática pra quem não tem uma certa noção do que cada proteína faz. Ela é boa para alunos de medicina, biologia, farmácia ou outros interessados.
A apoptose é importantíssima, por exemplo, pra quem estuda câncer, pois a célula tumoral consegue driblar alguns desses passos inutilizando algumas das proteínas que aparecem na animação, quebrando este efeito dominó molecular. Assim ela permanece viva.
Essa nossa vidinha sintética
Com certeza a notícia científica mais importante desta semana foi o anúncio de que, 10 anos e 40 milhões de dólares depois, a equipe liderada por Craig Venter conseguiu “criar vida artificial”. Será?
Como sintetizar uma vida passo-a-passo:
1- tenha muito dinheiro, tempo, fama e nenhum medo de polêmica. [seja Craig Venter]
2- descubra qual o mínimo de informação que uma célula precisa para viver. [em 1995 o pessoal do Craig sequenciou o menor genoma conhecido, do Mycoplasma genitalium com 500 genes, e ainda conseguiram tirar uns 100 deles]
3- transplante pelo menos um cromossomo natural para outra célula antes de inventar moda! [fizeram isto em 2007]
4- sintetize o cromossomo, ou seja, coloque as letras ATCG na ordem certa. [feito em 2008, com algumas "marcas d´agua" para sabermos que é realmente o construído e não o natural. Essa assinatura é um código que transforma em ATCG alguns nomes de pesquisadores e até uma frase do James Joyce "To live, to err, to fall, to triumph, to recreate life out of life." (Viver, errar, cair, triunfar, recriar vida apartir de vida) ]
5- coloque o tal cromossomo sintético na outra célula sem DNA e cruze os dedinhos para ela não morrer e se reproduzir. [isso que aconteceu agora]
Como você pôde ver, a tal vida não é totalmente sintética, afinal usaram uma célula já existente para ler o programa sintético que é uma cópia de outro genoma já existente.
Eu não estou desmerecendo a pesquisa. Ela é muito legal e abre várias portas mesmo mas, como sempre acontece, o hype é exagerado. Tá longe de construirmos um organismo para os fins alardeados – como bactérias que comem capim e o transformam em petróleo. E outra, bactéria é fácil, quero ver com eucariontes como plantas, vermes, eu e você. Aí literalmente o bicho pega.
O Sérgio Abranches falou (dia 21/5) que este trabalho foi uma quebra de paradigma, mas ele caiu na velha armadilha desta palavra que é a mais prostituída de toda a filosofia da ciência. Na verdade é bem o oposto: este experimento é o ápice do paradigma atual da engenharia genética! Isso vem sendo feito há muito tempo. Há muito que construímos organismos genéticamente modificados: picotando DNA, colando genes, inserindo proteínas e criando animais inteiros transgênicos. Criamos, crescemos, comemos, cheiramos e injetamos seus produtos.
Novos problemas éticos? Acho que não. Só um sôpro a mais nas já turbulentas questões levantadas pela engenharia genética há pelo menos 30 anos. Nada novo aqui.
Agora o que este avanço tem a ver com Blade Runner é que eu não sei!!! UPDATE 23/05: me explicaram esta relação nos comments. Dê uma olhada (mas ainda acho q não tem nada a ver considerando a distância tecnológica).
Veja o tema do fórum do programa Rádio Blog da rádio Eldorado de São Paulo do dia 21 de maio:
Cientistas conseguiram pela primeira vez produzir uma forma de vida sintética em laboratório. Eles conseguiram reavivar uma célula morta, transplantando uma cópia do genoma de uma bactéria.
O objetivo do experimento é produzir micro-organismos para funções específicas, como limpar manchas de petróleo.
Na sua opinião, essa descoberta pode ajudar o ser humano? Pode ser perigosa? Você acredita que no futuro teremos andróides criados por empresas, como os do filme Blade Runner?
BIOLOGIA SINTÉTICA NÃO TEM NADA A VER COM ROBÔS!!! ai ai…
Lady Gaga no laboratório: Lab Romance
Tive que roubar este vídeo do blog Humor na Ciência que por sua vez roubou daqui.
Ladrão que rouba ladrão tem perdão, então to bem!
Music by Lady Gaga, lyrics by Tami Lieberman and Jake Wintermute, performed by Jake Wintermute, editing by me and Patrick Boyle, dancing by the Silver Lab.
Oh-oh-oh-oh-oooh!
Oh-oh-oooh-oh-oh!
Caught in a lab romance
Roma-Roma-ma-ah!
Ga-ga-ooh-la-la!
Want your lab romance
Roma-Roma-ma-ah!
Ga-ga-ooh-la-la!
Want your lab romance
I’ll cure your ugly
I’ll cure your disease
I’ll publish papers
As
long as they’re free
I’ll wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a
glove
I want your carbon
The touch of your genes
Alter your genome to
make my machines
And wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
You know that I want you
And you know that I need you
Go to the lab
Lab romance
I want your loving
And I want your revenge
You and me could write a
lab romance
I want your loving
All your love is revenge
You and me
could write a lab romance
Oh-oh-oh-oh-oooh!
Oh-oh-oooh-oh-oh!
Caught in a lab romance
Oh-oh-oh-oh-oooh!
Oh-oh-oooh-oh-oh!
Caught in a lab romance
Rah-rah-ah-ah-ah!
Roma-Roma-ma-ah!
Ga-ga-ooh-la-la!
It’s a lab romance
Carbon storage
Genetic design
I’ll own the patents
And the profits are mine
And wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
Track your cell cycle
and learn all your tricks
to cure your cancer
’cause baby your sick
And wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
Glove-glove-glove
I’ll wear a glove
You know that I want you
And you know that I need you
Go to the lab
Lab romance
I want your loving
And I want your revenge
You and me could write a
lab romance
I want your loving
All your love is revenge
You and me
could write a lab romance
Oh-oh-oh-oh-oooh!
Oh-oh-oooh-oh-oh!
Caught in a lab romance
Oh-oh-oh-oh-oooh!
Oh-oh-oooh-oh-oh!
Caught in a lab romance
Rah-rah-ah-ah-ah!
Roma-Roma-ma-ah!
Ga-ga-ooh-la-la!
It’s a lab romance
Work work passion baby
make that model work crazy
I want your loving
And I want your revenge
I want your loving
I don’t want to be friends
Je veux ton amour
et je veux ta science
j’adore la science
I don’t want to be friends
You know that I want you
And you know that I need you
Go to the lab
Lab romance
Um relato sobre o incêndio no Butantan
Este é um post de luto. E não é porque a grande maioria dos animais perdidos já estava morto que diminui a dor da perda. Aliás ela só aumenta quando percebemos a sua importância e propósito.
Segue aqui o relato de um grande amigo que trabalha, ou trabalhava, no Instutúto Butantan, e teve o seu laboratório totalmente destruído pelo incêndio da manhã do dia 15 de maio. Aqui ele mostra a importância real desta perda, não só para a ciência, mas para a sociedade brasileira e mundial.
A essa altura do campeonato vocês já devem ter escutado sobre o incêndio no Butantan. Infelizmente ele foi no meu laboratório.
Era um sábado tranquilo… daqueles que a gente levanta sem pressa e, no meu caso, enrola pra começar a trabalhar (até porque estou nas vésperas de entregar a minha dissertação e sábados são dias de trabalho). Acordei com o celular tocando e a notícia de que tinha um incêndio no Butantan. No começo não dei muita bola, mas logo que vi no video os bombeiros jogando água no meu lab cai na real.
O meu trabalho talvez tenha sido o menos afetado, até porque estou escrevendo a dissertação e já tenho toda a parte mais importante no computador e a salvo, mas queria dividir algumas coisas com vocês…
Ontem, a maior coleção de aranhas da américa latina e a maior coleção de serpentes do mundo foram severamente danificadas . A nossa coleção tinha mais de 150.000 lotes de aranhas, considerando que cada lote pode conter de uma a mais de 10 aranhas da pra ter uma ideia do número real de animais que estavam ali preservados.
A coleção da herpetologia tinha por volta de 80 mil exemplares de serpentes, algumas espécies que podem estar em extinção e exemplares tombados pelo próprio Dr. Vital Brazil, que fundou o Instituto Butantan 109 anos atras.
Não só pelo valor histórico dessas coleções e pelo respeito que devemos ter por elas queria discutir algumas coisas para esse não virar mais um e-mail sensacionalista de desabafo de alguém que está muito triste.
Uma coleção como esta, no olhar de um leigo pode até parecer coisa de um naturalista que coleciona besouros, mas tirando o fato de que Darwin criou a teoria mais importante para a biologia fazendo isto, estas coleções, como as que existiam no butantan, tem um valor inestimável para os estudos de biologia, taxonomia e ecologia. E não só para estes estudo de ciência básica. Toda a produção de ciência aplicada do Instituto depende desses laboratórios. Não adianta nada você fazer os estudos mais avançados sobre as proteínas tais dos sítios de clivagem alfa dos canis iônicos glutamatérgicos se ninguém identificar os animais que você coletou para este trabalho ou ainda se você não tiver um lugar para depositar alguns exemplares de testemunho para futuros trabalhos.
Uma coisa que acontece com essas coleções, principalmente no nosso país, é que ninguém dá valor. A impressão que dá é que os poderosos realmente acreditam que isso é coisa de naturalista do século passado que fica colecionando besouros. Quando as pessoas pensam no Instituto Butantan só estão preocupadas com a produção… com as vacinas e com o soro, mas esquecem ou não sabem que essa produção toda começa lá naquele laboratório.
Tudo isso que vocês escutam falar sobre ecologia, meio ambiente e principalmente sobre BIODIVERSIDADE uma hora ou outra passa pelas mãos das pessoas que trabalham nessas coleções. Um trabalho de formiguinha… pra organizar, catalogar e preservar todos aqueles exemplares que representam a nossa fauna de aranhas. Cada aranha tem um número de referência, uma etiqueta com informações de onde foi coletada, por quem e quando. É lá que descobrimos novas espécies e principalmente… é lá que conhecemos nossa BIODIVERSIDADE… se a gente não conhece. Pode ter certeza que os gringos vão vir aqui e catalogar tudo, e guardar nas coleções deles.
Mesmo no meio daquele caos e da tristeza de ver uma parte da minha casa virando pó, ainda tenho que escutar a conclusão da reportagem dizer “O instituto Butantan é responsável por 80% da produção de vacinas e soros no país e essas atividades não foram atingidas”. Como se estivesse tudo bem… Só que a produção do soro depende do trabalho daqueles garotos, que não ganham nem de longe o que merecem, mas levam esse laboratório com o coração. Garotos que passam os seus dias cuidando das aranhas como vocês cuidam dos cachorros e gatos que tem como pet para conseguir extrair alguns mililitros de veneno para a produção do tal soro. Garotos que pulam de alegria quando descobrem uma nova espécie… garotos que ficam tristes e preocupados quando alguma coisa com o livro tombo está errado… E garotos que ontem eu vi chorar e que mesmo sabendo dos riscos daquele prédio vir abaixo entraram lá pra tentar salvar pelo menos os exemplares que chamamos de “tipos”, aqueles que foram utilizados para descrever as espécies e que sem eles… não podemos mais ter certeza se a aranha que vamos coletar amanhã pertence de fato àquela determinada espécie.
Desculpe pelo e-mail de desabafo… mas é complicado ver um laboratório que você passou momentos alegres e dificeis virar pó e ferro retorcido!
Anexei algumas fotos… de como era… e como estava quando entrei pela ultima vez lá… aquela pilha de caderno sujos na ultima foto é tudo que sobrou do meu lab.Danilo Guarda
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Veja também a manchete comentada pelo Ciência à Bessa: Incêndio no Butantan Destroi Importante Coleção Zoológica
No blog do Luis Nassif um relato sobre a condição de outras coleções zoológicas, por Hugo Fernandes Ferreira
Mancada da Veja com índios, quilombolas e antropólogos
A Veja precisa de mais veja
Semana braba esta viu! Primeiro descobri o plágio descarado da revista Época, depois a impossibilidade de comentar as reportagens da revista Time, e agora esta pérola da Veja.
Vi no Bule Voador e choquei. De cara se percebe uma reportagem descaradamente tendenciosa. Ataca índio, quilombola, o Lula, e os antropólogos. Índio e Lula tudo bem, porque estão acostumados (brincadeira), mas antropólogo não!
Aqui você pode ler a Veja (página 154)
Aqui uns trechos da carta da Associação Brasileira de Antropologia (ABA), com o apoio da Sociedade Brasileira para o Pregresso da Ciência (SBPC) que é a entidade que representa os cientistas no Brasil:
Via Jornal da CIência
Subtítulos como “os novos canibais”, “macumbeiros de cocar”, “teatrinho na praia”, “made in Paraguai”, “os carambolas”, explicitam o desprezo e o preconceito com que foram tratadas tais pessoas. Enquanto nas criticas aos antropólogos raramente são mencionados nomes (possivelmente para não gerar demandas por direito de resposta), para os indígenas o tratamento ultrajante é na maioria das vezes individualizado e a pessoa agredida abertamente identificada. Algumas vezes até isto vem acompanhado de foto.
A linguagem utilizada é unicamente acusatória, servindo-se extensamente da chacota, da difamação e do desrespeito.As diversas situações abordadas foram tratadas com extrema superficialidade, as descrições de fatos assim como a colocação de adjetivos ocorreram sempre de modo totalmente genérico e descontextualizado, sem qualquer indicação de fontes. Um dos antropólogos citado como supostamente endossando o ponto de vista dos autores da reportagem afirmou taxativamente que não concorda e jamais disse o que a revista lhe atribuiu, considerando a matéria “repugnante”. O outro, que foi presidente da Funai por 4 anos, critica duramente a matéria e destaca igualmente que a citação dele feita corresponde a “uma frase impronunciada” e de “sentido desvirtuante” de sua própria visão. Como comenta ironicamente o jornalista Luciano Martins Costa, na edição de 03-05-2010 do Observatório da Imprensa, “Veja acaba de inventar a reserva de frases manipuladas”.
(…)uma reportagem intitulada “Os Falsos Índios”, publicada em 29 de março de 2006, defendendo claramente os interesses das grandes mineradoras e empresas hidroelétricas em terras indígenas, inverteu de maneira grosseira as declarações do antropólogo (pg. 87). Apesar dos insistentes pedidos do antropólogo para retificação, sua carta de esclarecimento jamais foi publicada pela revista. O autor da entrevista não publicada e da reportagem era o Sr. Leonardo Coutinho, um dos autores da matéria divulgada na última semana pelo mesmo meio de comunicação.
E por aí vai.
A SBPC, e outras associações representantes de classes científicas, tem o dever de não só defender seus filiados mas também de discutir assuntos ligados aos seus ramos de especialização, tanto no nível da mídia, quanto politicamente e socialmente.
Bom, mas não preciso dizer que se deve ler estas revistas, principalmente a Veja, com os dois pés atrás.
Aliás, peço que leiam também este blog que vos escreve agora com os dois pés atrás (dois ou mais em caso de leitor não-humano, vai saber) porque não? Afinal é o pensamento crítico (característica que eu muito admiro da ciência) que permite a discussão saudável em qualquer âmbito.
Evolução da consciência e direito animal – o debate
Aconteceu em São Paulo, na Livraria Cultura, dia 3 de maio de 2010, a palestra “Evolução da consciência e direito animal”. Consciência por si só já é o assunto mais espinhoso e difícil de debater, afinal sobram, e por isso mesmo faltam, definições só pra poder começar a conversa. E misturar a isto “direito animal”, é a mesma coisa que juntar nitroglicerina e um moleque do interior em época de festa junina. “Será que explode?!”
Organizada pelo escritório de advocacia do advogado Rubens Naves [adendo -difícil chamar advogado de doutor. Para mim doutor é quem tem doutorado, mas parece que D. Pedro Segundo estipulou o tal título para bacharéis em direito e eles adoram jogar isto na nossa cara], teve a presença ilustre de Cesar Ades, psicólogo que trabalha com etologia ou comportamento animal e o cientista mais gente boa dos trópicos; Sidarta Ribeiro, famoso neurocientista que foi o braço direito do mais famoso Nicolelis; eu (Zé ninguém) e mais uma porção de pessoas interessantes, alguns amigos e outros nem tanto; e um grupo organizado de um instituto de proteção dos animais.
(veja o prospecto com mais sobre os participantes aqui)
Tudo começou com uma explicação de porque raios um “adEvogado” tem que se meter em assuntos de animais. Naves já avisou que o escritório tem atuado em algumas causas relativas a direitos animais, e citou outros casos emblemáticos como a farra do boi no Paraná e problemas de saúde pública, as sempre presentes zoonoses. Ou seja, o direito tem q estar atento ao assunto sim.
Chegou a hora do bom velhinho falar, Cesar Ades. Como sempre cativou todo mundo com seu jeito moleque e deslumbrado perante a natureza e o comportamento animal. Lembrou que os animais sempre nos acompanharam durante nossa evolução, e que a própria definição do que é ser humano vem mudando conforme vai se entendendo mais o animal. E ele deu aqui vários exemplos de o quanto animais podem se sobressair em relação a nós, com chimpanzés mais rápidos que estudantes universitários [nenhuma novidade aqui], e até corvos resolvendo problemas que uma criança de 5 anos não resolveria [confesso que mesmo este blogueiro não teria resolvido a parada].
Veio então Sidarta tentar buscar as diferenças entre animais humanos e não-humanos. Tamanho de cérebro? Não, golfinhos e baleias tem cérebros maiores e passarinhos com cérebros minúsculos fazem coisas incríveis.
Comunicação? Não também. Animais conversam entre sim das mais diversas e sofisticadas formas.
Capacidade de entender símbolos? Hum…não. Macacos e pássaros podem entender símbolos se forem acostumados a tal.
Então por que “coisificamos”, ou utilizamos os animais como coisas? Bom, isso foi vantajoso pois foi o que nos trouxe até aqui: evoluimos puxados à charrete e comendo um bom bife. E além do mais fazemos a mesma coisificação com os próprios homens, como em Auschwitz. Sidarta conclui que não estaríamos aqui sem nos utilizar de animais (e homens), e que o problema do direito animal toca também o direito humano.
Começa o quebra-pau
Foi então que esquentou. As perguntas começaram inocentes, mas o grupo de proteção animal ficou com uma comichão na cadeira, se remexendo e falando alto. Deu pra perceber o nervosismo antes mesmo de eu entender que aquele grupo estava junto e sob a mesma causa.
Algumas coisas desse grupo me irritaram:
Acusaram o Sidarta de ter usado de ironia na apresentação para sacanear os defensores de animais que ele supostamente sabia que estariam lá. – Não procede. Não houve cinismo e acho que esse pessoal foi com pedras na mão. A atitude deixou isso mais claro.
Não argumentaram, só atacaram. Um dos adEvogados do grupo de defensores usou o brilhante e inédito argumento “e se fosse você sendo torturado para pesquisa em lugar do rato”, o que eu acho bem infantil para um doutor em direito.
Aí a coisa descambou. O Sidarta disse que fato é que mata animais profissionalmente, apesar de não gostar disso e compensar o fato dando um fim maior ao que faz, e enfatizando que a sociedade como um todo, democraticamente, lhe deu este direito.
Perguntou até quem mais matava animais profissionalmente e eu tive que levantar a mão, né (veja aqui o porquê).
[Se bem que se pensarmos bem, profissão é o que se faz por necessidade, se comemos por necessidade, todo mundo que come algum animal está matando profissionalmente, mas esse não foi o ponto levantado]
Na saída da palestra o grupo, que descobri ser do Instituto Nina Rosa, distribuiu CDs com um documentário sobre experimentação animal, que eu prometo assistir e contar pra você.
E é isso, meu amigo. Peço mais serenidade neste tipo de debate.
E para não pensarem que sou tendencioso, afinal eu uso animais no laboratório, veja aqui um relato do debate de uma advogada (o único comentários que achei sobre o debate até agora, inclusive olhando no site do Instituto Nina Rosa).
Plágio da revista Época e mordaça da revista Time.
Compare aqui a imagem da revista Época:![]()
E a reportagem da revista TIME:
![]()
Desenho bem parecidinho, não? E não é só o desenho não. Se você leu a reportagem e o infográfico verá que o conteúdo foi todo kibado (copiado na cara dura sem citar referência).
O impressionante é que este post, que seria para chamar a atenção da Época (mais uma vez) e fazer da Time uma vítima, acabou virando contra o feiticeiro.
Na Época eu pude mandar um comentário pedindo explicações do ocorrido. Já na Time, o link Contact Us leva para a área de registro de assinantes. Ou seja, não posso comentar ou mesmo avisar que estão plagiando o conteúdo da revista se eu não for assinante!
Azar o deles.
Ainda bem que a internet transmitiu grande parte da responsabilidade da informação ao leitor, que deve estar sempre alerta e preparado. É o preço da liberdade, a eterna vigilância. Melhor assim.
Greve na USP matará meus animais?!
Não que a culpa seja dos funcionários da USP, que por um lado foram apunhalados pelas costas (até onde sei aboliram o RH do Instituto de Biociências e eles perderam plano de carreira e outras confusões), mas o que meus ratos tem a ver com isso eu não sei.
Contarei a história e você será o juiz.
Vou eu para a USP cuidar de meus ratinhos como faço duas vezes toda semana. Na verdade são camundongos pelados sem sistema imune, mas não entremos em detalhes agora.
Como eles não tem sistema imune, a água e a comida tem que ser esterilizadas, o que é feito numa mega panela de pressão chamada autoclave.
A autoclave do laboratório onde crio os bichinhos está quebrada a meses, já que o funcionário não tem tempo de consertar – erro 1. Então estou usando a autoclave geral, que só pode ser operada pelos funcionários do andar – erro 2.
Para minha agradável surpresa, tais funcionários estão em greve e não podem esterilizar a água dos meus ratos – erro fatal!
É aí que o pug torce o rabo: Eu vou passar o fim de semana do dia das mães inteiro sem saber como conseguir água para meus filhotes da próxima vez.
Calcule cada coisa com que os pesquisadores tem que se preocupar, além da pesquisa, é claro.
PS: Conte você também seu caso aqui nos comentários ou no twitter usando a tag #divãdapós



Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

