Como melhorar, na prática, a qualidade da pesquisa no Brasil
Como melhorar o nível da pesquisa brasileira?
Primeiro vamos comparar a nossa pesquisa com a de outros países para ver se realmente estamos tão mal assim. E estamos.
Usando o exemplo dos laboratórios de pesquisa da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) que trabalham com câncer, apesar dos trabalhos publicados terem subido de 4 para 100 por ano nos últimos 20 anos, a qualidade ainda deixa a desejar. Qualidade para o pesquisador básico é a qualidade da revista onde foi publicado o trabalho, onde Nature e Science são os sonhos de consumo, mas há diversas outras com diferentes impactos.
Comparando com a Espanha, que investe o mesmo montante em pesquisa básica, estamos 20% abaixo em qualidade e 40% abaixo da média mundial. Como melhorar?
Uma idéia apresentada em uma palestra na FMUSP sobre o Instituto do Câncer de São Paulo (ICESP) vem justamente tentar melhorar a qualidade da pesquisa em câncer, pelo menos na FMUSP.
Existem entre 30 e 35 grupos nos laboratórios de investigação médica (LIM), com linhas de pesquisas e objetivos diferentes dentro da FMUSP. Aumentar a interação destes labs para alguns objetivos comuns ou mesmo orientá-los para focos que a sociedade tenha urgência, pode gerar trabalhos mais amplos, completos e de maior qualidade (= maior impacto). Este é o objetivo do setor de pesquisa básica do ICESP, que ainda levará um tempo para estar funcionando, mas terá técnicos e aparelhos para servir à demanda destes labs, oferecendo serviços e colocando os diferentes grupos em maior contato.

No esquema acima, a base da pirâmide mostra os diferentes grupos com suas diferentes orientações e objetivos.
Ao utilizarem o ICESP, podem reconhecer as características e se agruparem por semelhança de estilo. Facilitando assim o pedido de financiamento para projetos maiores e amplos, ou mesmo se tornando um foco para secretarias estaduais e ministérios (como os de Saúde ou Ciência e Tecnologia) poderem propor problemas de saúde pública e inovação de interesse do estado.
Parece legal, mas aumentar interação entre grupos é complicado. Cientista é um bicho tinhoso, cheio de manias, e só ter um setor multi-usuário não resolve tudo. O importante é que tenha simpósios, palestras e, minha teoria, FESTAS!!! Só assim pras pessoas interagirem e se conhecerem.
Esperemos que dê certo.



Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.


Discussão - 6 comentários
O título está errado. Você escreveu esquisa em vez de pesquisa
Ops!
Valeu mesmo Felipe. Corrigido.
Hahaha, festas seriam uma boa. Mas tem que arrumar um jeito levar os professores, porque os alunos (graduação e pós) sempre se esforçaram pelo entrosamento.
De qualquer forma, eu concordo contigo, aumentar a interação é complicado. Existem muitos departamentos com picuinhas que dificultam qualquer aproximação. Até mesmo um aluno consultar um professor que tem problemas com o orientador pode ser motivo de confusão.
Uma professora minha da graduação já comentou que essa dificuldade é bastante comum no Brasil e em outros países da América Latina. Aparentemente, parece estar relacionada à cultura dos latinos. Não sei até que ponto isso procede, mas é algo a se pensar.
Eu acho q falta segurança profissional na área, a maioria dos cientistas corre risco de ficar desempregado qd uma pesquisa acaba e precisa sair correndo atrás de financiamento pra se manter, muitas vezes precisando trocar de instituição no processo, e as bolsas do governo são uma lástima.
Valorização do profissional mesmo, parar de ver o cientista como um cara q tá mamando no governo (místicos chegam a ver cientista como cabide de emprego) e reconhecer ele como um elemento essencial pro progresso e pro avanço da sociedade. Um investimento e naum um gasto. Deixar de ver a pesquisa como um bico temporário ou um hobby e passar a reconhecer ela como uma profissão, onde o profissional deve ter renda estável pra se manter sem necessidade de se ocupar em empregos secundários, e tb permitir q ele deixe de ver a pesquisa como uma forma de aumentar a qualificação pra no futuro abandonar a ciência e se jogar no mercado de trabalho onde aí sim ele vai ter o salário q merece.
E tb formação do profissional. Naum adianta nada falar em qualidade da pesquisa se o pesquisador passa no vestibular totalmente debilitado e na graduação aprende só o básico do básico. Além de apresentar a pesquisa como profissão a se considerar, fazendo essa apresentação ainda no início do 2º grau, pro cara já ir preparando pro vestiba pensando em entrar numa universidade onde ele já vai fazer Iniciação Científica e seguir carreira. Muita gente só vai pensar em mestrado qd tá acabando a graduação, e só tem contato com pesquisa no PCC.
Mais aí já entra nos entraves do governo, naum adianta nada fazer um ensino básico de qualidade e depois jogar numa 5ª série fudida, ou fazer um 1º grau eficiente e depois atravancar tudo no 2º grau. A gente precisa dum governo sério q aja hoje pensando no futuro e tenha continuidade.
legal
legal o post