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Prof. Cesar Ades no centro e Lucas a direta da foto.

Por Lucas Peternelli*

O professor César Ades era uma daquelas pessoas que só aparecem de tempos em tempos. Um cientista excepcional, com uma sabedoria ímpar, e um entusiasmo que não se encontra facilmente por aí. Um apaixonado pelo o que fazia e um grande motivador de seus alunos e colegas. Com um espírito pioneiro foi responsável pela formação de diversos profissionais e fonte de inspiração para outros tantos.

Mais do que um grande cientista e responsável pelo estabelecimento de toda uma área do conhecimento no Brasil, César Ades se destacava por sua humanidade e nobreza. Sempre com muita alegria recebia a todos que o procuravam, tinha um bom relacionamento com todos os que conviviam com ele. Desconheço alguém que pudesse dizer: “Eu não gosto do César Ades”. Estava sempre sorrindo e fazendo brincadeiras. Sua alegria de viver e fazer ciência eram contagiantes. O professor César Ades foi e é para mim e para muitos outros colegas, um modelo, um horizonte, algo que almejo ser um dia. Não que isso seja possível. Talvez não, pois como disse, pessoas assim só surgem de tempos em tempos. Mas que a busca por me tornar pelo menos metade do que ele era me transforme em um profissional e uma pessoa melhor. Que seu caráter inspirador continue servindo de exemplo para todos os acadêmicos e amigos que sempre o cercaram.

O professor César estava prestes a se aposentar, mas isso era algo que ele jamais faria de verdade. Com todo aquele entusiasmo, acredito que muita coisa ele ainda haveria de fazer. Hoje a ciência e o mundo perdem um cidadão ilustre. A Etologia chora, a Psicologia sofre e a Biologia lamenta. Toda a comunidade científica está órfã de seu pai, avô, enfim, de um de seus maiores mestres.

Em uma das últimas conversas que tive com ele, há apenas algumas semanas, ele folheava sua agenda a fim de encontrarmos uma data para a realização de mais um de seus projetos. Ele parou em determinada página, sobre a qual estava o ramo seco de uma planta. Ao ver minha curiosidade sobre que planta era aquela, ele perguntou: Você sabe o que é isso? Eu respondi que não. Então ele disse: Esfrega na mão… cheire. Abriu um sorriso ao ver que tinha me surpreendido com o aroma e disse: É lavanda! Então destacou uma folha do ramo e me deu (- Pega pra você). Desde então levo guardada a folha de lavanda na carteira e sempre levarei comigo para me lembrar do professor César e, quando que me sentir desorientado, lembrar porque sou também apaixonado pelo o que faço.

Obrigado por tudo Professor!

*Lucas Peternelli é doutorando do Dep. de Psicologia Experimental do Instituto de Psicologia  – USP, onde o professor César Ades lecionava. Além, de colega de departamento, foi aluno do professor durante o curso de Comportamento Animal e monitor em uma de suas disciplinas.

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