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Ontem, 14 de Março de 2012, foi confirmada a morte de César Ades em decorrência de traumatismos ocasionados por um atropelamento sofrido na região da Avenida Paulista (São Paulo, SP) na semana anterior.

Esse texto é destinado a criar um pouco mais de conteúdo a respeito dessa personalidade tão importante para a ciência brasileira, mas desconhecida do grande público. Algo que, já comentei com os colegas do SBBr, considero uma das obrigações dos divulgadores de ciência no Brasil.

Prof. César Ades (1943-2012)

César Ades era professor titular do Departamento de Psicologia Experimental da USP desde 1994 e foi um dos grande responsáveis pelo início e desenvolvimento dos estudos na área e comportamento animal no Brasil.

Participou da área acadêmica desde a metade da década de 1960, quando se formou psicólogo. Em sua longa e produtiva carreira, orientou e formou 34 mestres, 22 doutores. Além de ter publicado centenas de artigos científicos ou de divulgação científica e livros, foi um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Etologia.

Como parte da homenagem, indico uma entrevista para a revista Scientiae Studia em 2011. Para acessá-la é só clicar no link da referência abaixo:

KINOUCHI, Renato Rodrigues  and  RAMOS, Maurício de Carvalho. Psicologia e biologia: entrevista com César Ades. Sci. stud. [online]. 2011, vol.9, n.1, pp. 189-203. ISSN 1678-3166.

Nela, o professor César conta um pouco de sua história científica e dos momentos que o fizeram se decidir sobre sua área de pesquisa e carreira acadêmica. Achei interessante reproduzir aqui o motivo de ter feito psicologia:

“A filosofia era obviamente uma das alternativas, mas, embora me seduzisse o seu aspecto de reflexão e de análise essencial, parecia-me, na época, abstrata demais, lidava com as coisas, por assim dizer, num segundo nível de intencionalidade, a partir do pensamento de outros pensadores ou da atividade científica. Sentia-me mais atraído pela observação e manipulação diretas de fenômenos naturais. A biologia, de outro lado, parecia empírica demais e sem propostas a respeito de mecanismos mentais. Fui para o justo meio, a psicologia.”

Menciona também o início de seus estudos experimentais e sobre a publicação de seu primeiro artigo, que teve como objeto de estudo o comportamento exploratório espontâneo de ratos brancos. Também lista, com a humildade que lhe era notória, algumas de suas principais referências:

“São tantas as influências, serei muito incompleto.”

Sobre a área mais “administrativa” da academia, é interessante seu relato sobre os problemas e resistência dos colegas em sua luta para instalar uma comissão de ética em pesquisa com seres humanos quando foi diretor do Instituto de Psicologia. Ele também foi responsável pela criação, no mesmo instituto, da Comissão de Ética em Pesquisa com Animais (CEPA).

O final da conversa aborda a carreira de pesquisador, responsabilidades como cientista e sobre a satisfação proporcionada por uma vida dedicada à descoberta científica.

Resumindo, considero a entrevista uma aula para quem se interessa por ciência e pelas pessoas envolvidas nesse meio. César era um dos mestres que extrapolavam títulos e conquistas, sendo querido por todos que o conheciam.

Aproveitem para conhecer um pouco mais dessa grande personalidade da ciência brasileira e preencher um pouco do vácuo que existe sobre o nosso conhecimento de pesquisadores brasileiros importantes, mas exteriores à grande mídia.

Outras homenagens e links sobre o professor:

Currículo Lattes

César Ades na Wiki-PT (atualizada)

César Ades, psicólogo (In memorian)

Um memorial ao Cesar Ades (Ciência à Bessa)

 

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