Os Autores

Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutorando pela Biotecnologia da USP. Realiza pesquisa na área de terapia gênica do câncer.

Gabriel Cunha - Outra cria da Biologia UNESP/RC, começando o Doutorado em Biologia Molecular na UNIFESP. Também é professor e anda viciado em criação de conteúdo.

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fevereiro 8, 2010

Cuidado com a prática ortomolecular e biomolecular

Category: lei

ORTOMOLecular.jpgO Conselho Federal de Medicina falou, tá falado. Algumas práticas ortomoleculares e biomoleculares não podem ser realizadas por não terem comprovações científicas. - Aliás, quem inventou esses nomes? Parece até essas coisas pseudocientíficas bioquânticas

Agora reposição de nutrientes que estejam faltando, como vitaminas, ou tirar outras substâncias nocivas, como metais pesados e pesticidas, só podem ser feitas nos parâmetros internacionais e se forem medidas e comprovadas a falta ou excesso de substância.

E para essa medição não vale o famoso teste do cabelo, que todo ortomolecular pede. Este só funciona em caso de intoxicação ou contaminação por metais tóxicos. Fora isso não funciona e está proibido de ser usado.

Alguns trechos interessantes da resolução (leia aqui na íntegra):

  • Art. 8º A remoção de minerais, quando em excesso, ou de minerais tóxicos, agrotóxicos, pesticidas ou aditivos alimentares se fará de acordo com os seguintes princípios:
  • I) O excesso de cada substância tóxica deverá ser considerado isoladamente;

  • II) Existência, na literatura médica, de fundamentação bioquímica e fisiológica sobre o efeito deletério do excesso da substância tóxica considerada, bem como de dados que comprovem a possibilidade de correção efetiva por meio da remoção proposta;

  • III) Além da melhoria dos parâmetros laboratoriais, deverá haver comprovação científica de utilidade clínica;

  • IV) O valor terapêutico da remoção de determinada substância tóxica deverá ser avaliado para cada tipo de distúrbio.

  • Art. 9º São destituídos de comprovação científica suficiente quanto ao benefício para o ser humano sadio ou doente, e por essa razão têm vedados o uso e divulgação no exercício da Medicina, os seguintes procedimentos da prática ortomolecular e biomolecular, diagnósticos ou terapêuticos, que empregam:
  • I) Para a prevenção primária e secundária, doses de vitaminas, proteínas, sais minerais e lipídios que não respeitem os limites de segurança (megadoses), de acordo com as normas nacionais e internacionais e os critérios adotados no art. 5º;

  • II) EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) para remoção de metais tóxicos fora do contexto das intoxicações agudas e crônicas;

  • III) O EDTA e a procaína como terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas;

  • IV) Análise do tecido capilar fora do contexto do diagnóstico de contaminação e/ou intoxicação por metais tóxicos;

  • V) Antioxidantes para melhorar o prognóstico de pacientes com doenças agudas, observadas as situações expressas no art. 5º;

  • VI) Antioxidantes que interfiram no mecanismo de ação da quimioterapia e da radioterapia no tratamento de pacientes com câncer;

  • VII) Quaisquer terapias antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para doenças crônicas degenerativas, exceto nas situações de deficiências diagnosticadas cuja reposição mostra evidências de benefícios cientificamente comprovados.

GiovannaAntonelli.jpg

Chiques, famosas e "ortomoleculadas"

Várias destas práticas, agora proibidas, vem sendo feitas e divulgadas a muito tempo. Como acontece com Giovanna Antonelli, uma das estrelas da Novela das Oito "Viver a Vida" (por ser uma entidade, "Novela das Oito" deve ser escrita em maiúsculas, por respeito a sua divindade) . É o que diz sua terapeuta numa reportagem de dietas dos Famosos (também com F maiúsculo por se tratar de divindade): "Giovanna Antonelli chegou ao consultório querendo emagrecer. Uma das providências foi prescrever doses extras de minerais que baixassem sua vontade louca de comer doce na fase pré-menstrual". Hum... mas sem medir nada pra ver se tava faltando mesmo? 

samara_felippo.jpgO fato é que resolve mesmo. Pelo menos pra emagrecer. Afinal a Global (G maiúsculo) chega no consultório querendo perder 8kg pra ser a próxima capa da Playboy e a terapia molecular, com todo seu conhecimento, receita o que? Ouça nas palavras de Samara Fellipo: "Não precisei passar fome e sequei 8 quilos em dois meses, reduzindo carboidrato e cortando doce e fritura". Isso não é terapia ortomolecular Samara, é COMER DIREITO, DIETA, e todo mundo sabe como funciona!

Quem tiver dados REAIS de reposição de nutrientes usadas nessas terapias, pode me mandar.


Não apela, Folha

Agora, esta notícia da Folha resumindo a resolução está muito ruim e errada.

Diz que a resolução confirma a ausência de comprovação científica da prática, o que não é verdade. Ela regulamenta, ou seja, algumas práticas estão autorizadas e outras não. E afirmar "Entre os prejuízos estão o aumento do risco de câncer", é senssacionalismo, já que não é exatamente isto que a resolução fala, como você pôde ler acima.

E outra, a Folha definiu as práticas ortomoleculares e biomoleculares com o que estava escrito na resolução. Custava dar um "google" pra aprofundar pelo menos um palmo?

fevereiro 3, 2010

Melhor que ficar brilhando é ficar da cor que precisar, quando precisar, viu, Avatar?!

Category: animais

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Aproveitando que minha veia artística está acelerada, compartilho com vocês um vídeo de um dos animais que mais me impressionam, os camaleões.

Existem cerca de 160 espécies em todo o mundo, mas poucas pessoas sabem que nem todas são capazes de mudar de cor. O registro fóssil mostra estes lagartos adaptados para escalada e caça visual habitam a Terra há pelo menos 26 milhões de anos (com desconfiança que possam ser tão antigos quanto 100 milhões de anos).

Mas, voltando ao assunto, a primeira pergunta quando o assunto é "camaleões" é: como eles conseguem essas mudanças de cor?

Vocês sabiam que a pele dos camaleões é transparente? Pois é, as células responsáveis por sua coloração, chamadas cromatóforos, ficam abaixo dessa primeira camada de pele, e são altamente especializadas.

As células da camada superior são chamadas xantóforos (pigmento amarelo) e eritróforos (pigmento vermelho). Logo abaixo estão os iridóforos (ou guanóforos), que contém guanina, uma substância de aparência cristalina que reflete a parte azul da luz incidente. Se a camada superior de células aparecer principalmente amarela, a luz refletida se torna verde (azul + amarelo, lembram das aulinhas de Educação Artística?). Ainda há uma camada de melanina (pigmentação escura que dá nosso tom de pele e nos protege contra o ultravioleta - UV - da radiação solar) numa camada ainda mais profunda nas células refletoras, influenciando na intensidade da luz refletida.

Explicações dadas, vamos ao resultado de toda essa coordenação celular, que, afinal, é o motivo de eu ter escrito esse pequeno texto:

Querem uma curiosidade antes de terminar? Ao contrário do que se pensa, os camaleões normalmente alteram sua cor em função do estado comportamental em que se encontram. As mudanças são também um tipo de indicador social para seus semelhantes, e há pesquisas que sugerem que a pressão inicial para evolução do sistema cores tenha sido a sinalização social, e que os métodos de camuflagem tenham sido um efeito secundário.

Vi (e PIREI) na Chamaleonshops
Imagem do início do texto à venda na iStockphoto (que tem uma quantidade impressionante de fotos lindas desses animais malucos)

Pro final, deixo uma pergunta: e aí, @kenmori e @Efarsas, esse vídeo é real?!


***UPDATE: o Gilmar do www.e-farsas.com é um cara muito rápido e já me avisou que o vídeo é falso. Aproveitem e vejam mais "causos" como esse no site!

fevereiro 1, 2010

Vidro, maçarico, e a "real" aparência das coisas.

Category: arte

Observe as imagens abaixo (clique para ampliar):

ImagensGolgi.jpg

No painel acima, A, B e C são diferentes maneiras de se observar o Complexo de Golgi, uma estrutura celular responsável pelo processamento e distribuição de um grande número de proteínas sintetizadas por nossas células. Em A o Golgi é observado por uma técnica chamada Microscopia Eletrônica de Transmissão (MET), em B temos uma imagem de MET colorida artificialmente, e em C temos uma imagem do Golgi marcado com reagentes fluorescentes (que existem em várias cores, como o verde que observamos aqui).

OK, e qual a importância disso?

Em biologia celular e molecular, por exemplo, várias imagens que vemos são fruto de técnicas de coloração artificial, como por marcação com reagentes fluorescentes, por exemplo. Mas, convenhamos: existem células ou moléculas realmente COLORIDAS? Se afirmativo, quais as cores CORRETAS de cada uma delas?

Pensando nisso, e na hipótese de as pessoas assimilarem as cores artificiais vistas em Ciência com a realidade de uma célula, o artista plástico Luke Jerram buscou criar modelos transparentes tridimensionais de organismos importantes e de fácil reconhecimento por todos.

lukejerram_with_glass_0.jpg

Luke com seus modelos.

Os vírus HIV (AIDS), H1N1 (Gripe Suína ou Gripe A), e a bactéria Escherichia coli (que habita o intestino humano, mas pode ter formas patogênicas), por exemplo, podem ser vistos sem todos os "adereços carnavalescos" que precisamos utilizar no laboratório para identificar as regiões pesquisadas.

E, prá completar: os modelos são feitos de vidro! Vejam alguns deles (clique em cada imagem para ampliar):

ecoli_lukejerram.jpg

round_swine_flu.jpg

large_hiv_luke_jerram.jpg

Lindos, não? E, além disso, enquanto contribui para melhorar o entendimento do público em geral sobre a aparência mais "correta" de alguns organismos, Jerram aproveita prá expandir os limites da fabricação de esculturas de vidro assoprado. É preciso grande conhecimento técnico para que os modelos vistos aqui não colapsem em seu próprio peso, uma vez que são estruturas extremamente delicadas.

Outros textos que tratam sobre o assunto: Vírus de vidro (Massa Crítica), Gripe e Arte (H1N1 - Influenza A Blog), Glass Microbiology (Seed Magazine).

Para ver mais trabalhos de Luke Jerram, acesse o site Lukejerram.com.

janeiro 28, 2010

Quando a esmola é demais, até Darwin desconfia.

Category: cultura pop

Juro que achei bacana achar uma menção a Darwin na página do GuiaSP, um site de dicas de programação na cidade de São Paulo. A dica é sobre uma série de vídeos que serão exibidos no Museu de História Natural da USP (fica no Ipiranga, quem não conhece, VÁ!).

Mas ao entrar na reportagem sobre o passeio, vi que a esmola era demais.

Convido você a ler o texto. Diga se não esta MUITO mal escrito.Fora que aparece a foto de Sir David Attenborough debaixo do nome de Darwin.

Só um trechinho:

A biodiversidade é estudada e reconhece espécies de plantas e animais de apenas algumas regiões do Brasil, e de onde tiram suas descrições e classificações.

A erudição de ecossistemas naturais é incluído nesse campo de pesquisas, e os profissionais que mantém o Museu, conservam o arquivo zoológico sempre atualizado.

Bom, deixa que Darwin seleciona, fazer o que...

janeiro 22, 2010

Enchentes até na capa da Science

Category: mudanças climáticas

capa science.gifGente, tá tudo alagando. Alagou São Paulo, Santa Catarina, Rio de Janeiro, suas ruas, avenidas e casas. Alagou até a capa da revista Science desta semana!

Ok, não tem nada a ver com Brasil, ou excesso de chuvas, mas sim com furacões. Esta foto é de Pinar del Rio, em Cuba, após o furacão Ike.

ResearchBlogging.org

Mas dá pra prever as consequencias do aquecimento? E as nossas enchentes?

Estudos usando modelagem matemática mostraram que a tendência com o aquecimento global é que os furacões diminuam mas fiquem mais fortes, causando mais estragos do que causam hoje

modelo furacão.gif

Mas muita calma nessa hora, porque os próprios pesquisadores afirmam que os modelos não são definitivos.
O que estes caras fizeram foi unir várias projeções de condições climáticas para o fim do século 21 (a projeção é que vai aquecer), e colocar esses dados num modelo de formação de furacões. Tudo isso calculado para o Atlântico Norte.

O resultado é: menos tufões só que mais fortes. Calcula-se um aumento dos prejuísos de 30% comparando com a média atual.

Agora mais um momento "Muita Calma Nessa Hora": As enchentes destes meses no Brasil não podem ser ligadas diretamente a aquecimento global. Qualquer um que disser isso está se precipitando (sim, a televisão e os jornais se precipitam e erram, vcs não sabem o quanto). Não tem como dizer num curto período de tempo, em eventos isolados, o que causou o que.

Prever o clima deve ser a coisa mais difícil de se fazer. Afinal é muita variável! É como dizem: dependendo das condições, até o bater de asas de uma borboleta pode gerar uma enchente na marginal Tietê.

  • Artigo (para assinantes):
Modeled Impact of Anthropogenic Warming on the Frequency of Intense Atlantic Hurricanes

Bender, M., Knutson, T., Tuleya, R., Sirutis, J., Vecchi, G., Garner, S., & Held, I. (2010). Modeled Impact of Anthropogenic Warming on the Frequency of Intense Atlantic Hurricanes Science, 327 (5964), 454-458 DOI: 10.1126/science.1180568

janeiro 20, 2010

"Publicar na Nature? Eu nem queria mesmo..."

Category: ciência

O vídeo abaixo está ilustrando, de um jeitinho todo especial, como os pesquisadores decidem para qual revista científica vão mandar seu trabalho de pesquisa.

AVISO 1- Tentem ignorar o "show de interpretação" dos pobres posgraduandos que atuam neste filme.
AVISO 2- Nem todos os pesquisadores são idiotas maus-atores assim (só 75%). A intenção foi boa, vá!

Mesmo sem saber inglês dá pra entender né?
O pesquisador manda o artigo pra uma revista "sonho de consumo" naquela vã esperança. E se não der, vai descendo, até conseguir publicar numa revista online de conteúdo aberto mas que ele tem que pagar para publicar (mais de 2mil verdinhas). Aqui eles tiram sarro mostrando a Nature totalmente fechada, e a última revista aceitando sem nem revisar o artigo. Essa revisão é mais conhecida como peer-review

Nas portas aparece um número pra cada revista, que é o fator de impacto (Fi). É um número "cabalístico" que serve para quantificar a relevância da revista.
Esse número é calculado dividindo o número de artigos publicados pela revista pelo número de vezes que os artigos da revista foram citados. Assim, se uma revista publica 10 artigos e são citados, ou seja, usados como referência, em 200 outros artigos, temos: 200/10 = 20. Este é o fator de impacto da revista.

Só que existem várias fórmas de se medir a relevância das revistas. Esse é só um e muito criticado. Veja o exemplo: uma revista que publica quinzenalmente semanalmente como a Nature, teve 1748 arigos publicados em 2004, citados 56255 vezes. Isso dá um Fi de 32,2.
Agora uma revista como a Annual Review of Immunology, que publica apenas uma vez por ano 51 artigos e é citada 2674 vezes tem um impacto de 52,4. Bem maior que a Nature, mas também é um número de artigos bem menor e uma vez só por ano.

A Nature é o Arroz com feijão que mantém a coisa toda funcionando, enquanto a Annual Review of Immunology é o peru de natal esperado por todos no final do ano.

Nesse caso, qual a mais importante?
Depende do que você considera importante.

Com esta pergunta na cabeça, leia mais sobre o assunto no ScienceBlogs Brasil.

janeiro 15, 2010

Contemplem o animal mais evoluído da terra, humanos inferiores!

Li antes de ontem sobre o animal mais evoluído que já habitou esse planetinha condenado ao fracasso por problemas de gerência. Ainda não o conhecia, mas foi fácil o artigo ganhar minha atenção...

Trata-se da Elysia chlorotica, uma grande e gosmenta lesma que habita a costa leste da América do Norte, desde a Flórida até o Canadá. E sim, eu disse lesma. Taí um soco no estômago prá quem vive falando que os seres humanos são o state-of-the-art da evolução animal.

Mas o que diabos essa lesma faz prá estar aqui, recebendo esse destaque?

Ela é verde, meus queridos... e não é verde só porque é bonito não. Ela tem CLO-RO-FI-LA.

Touché, mes amis!

green_sea_slug.jpg

Clorofila: eu tenh-ô, vocês não tê-êm!

O melhor: ela utiliza essa clorofila para fazer fotossíntese, o recurso mais "animal" (perdoem o trocadilho) que qualquer organismo pode querer... bom, talvez o segundo, depois da bioluminescência (ainda mais em tempos de 'Avatar').

Agora a pergunta de ouro: como esse bichinho conseguiu tal façanha?

A Elysia chlorotica já possuía a reputação de "sequestrar" as organelas e alguns dos genes responsáveis pela realização de fotossíntese, o que caracteriza um processo de transferência horizontal gênica único nos animais. Aliás, parafraseando o Kentaro Mori, Lamarck ficaria deveras contente com essa descoberta...

O que descobriu-se agora é que a lesminha conseguiu se apoderar de genes suficientes para organizar a sua própria "via fotossintética", mandando uma banana pros outros animais, tadinhos, que precisam ir atrás de seu próprio alimento (ou acionar o delivery da pizzaria).

As novidades foram apresentadas dia 7 de Janeiro, na Reunião Anual da Society for Integrative and Comparative Biology.

Depois que comecei a escrever "descobri" (aah, a internets) que a nossa querida Elysia não é assunto novo. O Carlos Hotta (do Brontossauros) e o Kentaro (100Nexos) já haviam escrito sobre ela em 2008 (cheguei bem atrasado dessa vez, mas ninguém acerta sempre, né?), então leiam mais sobre o assunto por lá!

Aliás, tem outro cara que é fã desse animalzinho, o Luís Felipe, do blog O Amigo de Wigner (ele até homenageia a querida em seu banner!), que também escreveu sobre o assunto, e comenta uma história engraçada envolvendo a mesma.


E agora eu tenho que ir, porque estou com fome e preciso buscar meu próprio alimento #invejinha


via Wired Science / 80 Beats (Discover Magazine)

janeiro 14, 2010

Universo numa casca de noz... ou "grandeza não é sinônimo de tamanho".

Category: biologia molecular

Recebi do Kentaro Mori (autor do 100Nexos) uma indicação do mapa Biochemical Pathways (em Português, "vias bioquímicas"), e, como tenho um quadro igual pendurado na parede da sala da minha casa (junto a Einstein e Jimi Hendrix), resolvi compartilhar com vocês.

Carl-Peter-Von-Dietrich.jpg

Esse mapa já é produzido faz bastante tempo, tanto que a versão que tenho aqui é de 1974, e dá dó vê-la toda amarelada. Ainda mais por ser herança de um dos maiores cientistas que esse país já viu, o Prof. Dr. Carl Peter Von Dietrich, um dos fundadores do programa de pós-graduação em Biologia Molecular, do qual faço parte desde 2006. Infelizmente o professor faleceu em 2005, antes que o pudesse conhecer pessoalmente, motivo que só me deixa mais fã do quadro.

Cada via metabólica que estudamos é uma série de reações químicas nas quais uma reação fornece o substrato para a reação seguinte, de modo que a reação seguinte quase sempre é dependente da anterior.

Essas reações normalmente são aceleradas por enzimas, e também podem ser necessários inúmeros minerais, vitaminas, e outras moléculas que agem como cofatores em cada uma dessas milhares de reações diferentes, e interligadas.

Agora pense que todas essas reações, compostas por enzimas, cofatores, substratos, e etc, são de fundamental importância para que o organismo mantenha sua homeostase, ou seja, o seu equilíbrio metabólico. 

Com esse pensamento, olhem o mapa:


BiochemPath.jpg

Clique na imagem para ampliar

Aqui temos uma pequena amostra da complexidade que está em todo o organismo vivo. Lembrem disso da próxima vez em que estiverem pensando em algo como "por que as curas de doenças demoram tanto?" ou "esses cientistas só pensam no projetinho deles".

Pensem que, para cada enzima que um pesquisador se dispõe a estudar, todo esse mapa pode ser afetado e, em muitos casos, ainda não conseguimos enxergar na totalidade o que está ocorrendo.

O motivo? NADA é simples como parece, mesmo em tempos como os nossos, em que tudo é banalizado, e poucas coisas são tratadas com a importância real que têm.

Para olhar o mapa em detalhes, com legendas, acessem o link abaixo do ExPASy e sintam um pouco do gostinho de se tentar entender esse emaranhado químico que é o nosso metabolismo.


Crédito das Imagens: UNIFESP, ExPASy, haha.nu

janeiro 6, 2010

Espiões, a CIA, e o aquecimento global.

Category: política

urso polar se escondendo.jpg

Legenda:"Malditos espiões, escondam-se!"


"Temos uma tecnologia que faz imagens de satélites muito, mas muuuito precisas. Pra que você quer usar: pra monitorar o descongelamento de geleiras e outros usos científicos, ou para espionar seus inimigos subdesenvolvidos que nunca seriam páreo militar pra você?"

Adivinha o que qualquer governante responderia?

Fantástica a capacidade do ser humano de descontar o futuro, ou seja, apostar no curto prazo em detrimento do longo.

A CIA dos EUA está colaborando com cientistas do clima liberando imagens da região ártica tiradas por seus satelites-espiões. Mas não não foi fácil convencer, pois os agentes não acham estratégico mostrar estas imagens. Claro, elas mostram um pouco do como eles tiram as fotos, revelando alguns segredinhos de espionagem, como o nível de definição das fotos, posição dos satélites, etc.

spy_vs_spy_counterserveilla.jpgConcordo que este perigo existe e tem sua importância. Existe para os EUA, mas o que o resto do mundo tem a ver com isto? Aquecimento global não é ainda uma prioridade maior que ataques terroristas? Agora pode não ser, mas aguardemos 50 anos que eles vão ver.
Não sou ingênuo, mas quero ainda acreditar que devemos sempre desejar o bem maior.

Esta iniciativa é bem vinda, mas é só uma fresta por onde a gente pode ver a diferença de força entre diferentes interesses nacionais/globais ou político/científico

Pra se ter uma idéia, a definição das imagens cedidas para estudo pela CIA tiveram a definição diminuida para não mostrar ao mundo a capacidade real dos satélites-espiões (provavelmente por serem capazes de ler a etiqueta da sua calça de lá do espaço).

O que me deixa fulo da vida é a militarização da tecnologia, sempre a frente de questões mais nobres. Agora tão lá, os mega-satelites (sem falar em outras pesquisas militares que são as mais fortemente financiadas), nas mãos não dos cientistas que os criaram, ou de comissões de ética responsáveis, mas nas mãos de políticos. Se você confia no seu, ótimo. Se não...

E é essa apropriação da ciência, ou tecnociência que é a regra. O cientista não tem controle sobre suas descobertas. Depois de adquirido pulveriza-se o conhecimento tecnocientífico, que acaba sendo controlado por poderes econômicos e políticos.
Já aconteceu antes, no caso da bomba nuclear, e vai continuar acontecendo

Os cientístas e os cidadãos têm que ficar mais espertos e engajados. Afinal temos que saber quem é que tem autorização para a pertar o grande botão vermelho.Pentagono.jpg

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