Exposição com “baratas” que brilham

Réplica gigante de fungo

Todo mundo adora coisas que brilham, e é por isso que se tem um tema para exposição que é sucesso garantido é a bioluminescência. Vagalumes, água-vivas e fungos são algumas das fontes de luz que a natureza possui e que estão representadas na exposição Criaturas de Luz do Museu de História Natural de Nova Iorque.

Parece ser bem legal e é uma pena este tipo de exposição ser tão rara no Brasil.

Bônus sobre vagalumes:

1- Não é só carnavalesco não. As proteínas que fazem o vagalume brilhar são usados em laboratórios para marcar células, fazendo-as brilharem e facilitando a observação de eventos microscópicos. Sem essa proteína (luciferina) os estudos de todas as áreas de biologia celular estariam muito mais atrasados.

2- Pense numa noite escura, você caminhando por uma mata com sua amada quando um pequeno brilho verde pisca a meia distância, e pisca de novo mais adiante e novamente mais ali. A noite fica mágica, etérea, romântica. Luz é magia. Você com uma lanterna tenta acompanhar o brilho para ver o vagalume de perto. Ao chegar perto e iluminar o brilho verde sua amada grita de espanto e nojo: “UMA BARATA, MATA!!!”. As pessoas ficam impressionadas, e um pouco decepcionadas, quando veem um vagalume de perto, afinal ele parece mesmo uma barata. E neste vídeo dá pra ver o modelo gigante que fazem de um vagalume e o making of da exposição.

RNAm na Campus Party

É isso aí, o RNAm junto com o Rainha Vermelha e o 100Nexos do Scienceblogs estarão numa mesa redonda sobre blogs de ciência na Campus Party. Teremos a presença ilustre do pessoal do Jovem Nerd, lindo modelo de negócios baseado em conteúdo que eu invejo e admiro, e do professor Dulcídio do site Física na Veia, uma celebridade dos blogs de ciência no Brasil.

Quando? Sábado, dia 11/2 às 16h45 e vai passar ao vivo neste site, eu acho (tem que se cadastrar no botão do facebook ou do twitter dessa página)

Aqui a descrição do evento:

O público internauta é muito interessado por ciência e tecnologia. No entanto, poucos blogs e podcasts tratam deste tema regularmente, e pouquíssimos se dedicam apenas à ciência. Esta mesa redonda trata de como e por que falar de ciência na internet, e quais resultados isso pode trazer. Participantes:

Atila Lamarino É biólogo, escreve sobre biologia e evolução no Rainha Vermelha e em blogs tão distintos quanto o Papo de Homem e o H1N1 da Biblioteca Regional de Medicina. Atualmente, coordena o ScienceBlogs Brasil, a versão brasileira da maior comunidade online de ciência.

Kentaro Mori Gerente de comunidade ScienceBlogs Brasil, criador e editor Ceticismo Aberto

Caio Lúcio Analista de Sistemas por profissão e especialista em tecnologia por vocação. Quando o assunto tecnologia, ciência ou história, Lúcio sempre é chamado nos podcasts do Jovem Nerd.

Dulcídio Braz Físico e Professor. Pioneiro no ensino de Física Moderna para jovens estudantes do ensino médio e início do curso superior. Autor do blog Física na Veia! www.fisicanaveia.com.br.

Rafael Bento da Silva Soares Biólogo, PhD em biotecnologia, Pós-Doutorando em Neurociências e divulgador de ciências através do blog RNAmensageiro desde 2006.

Deive Pazos Co-fundador do Grupo Jovem Nerd e Diretor Comercial do site. Trabalha com planejamento publicitário, mídias sociais e é especializado em campanhas de nicho e estampas desenvolvidas para a Nerdstore.

Alexandre Ottoni Co-fundador do Grupo Jovem Nerd. Além de gerenciar o conteúdo diário do Jovem Nerd, trabalha com planejamento publicitário e midias sociais entre partidas de Black Ops.

Resultados do Ato Público contra a nova distribuição dos royalties do petróleo.

Dias atrás comentei a realização de um Ato Público encabeçado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) contra o projeto de lei que prevê a redistribuição dos royalties do petróleo.

As críticas à Proposta de Lei Substitutiva 448 extrapolam a cobertura da mídia sobre o entrave entre os Estados e Municípios produtores e não produtores, baseando-se no fato de a nova proposta extinguir itens que tratam da destinação de percentagens específicas para Ciência, Tecnologia & Inovação previstos na legislação vigente.

Salão Nobre lotado para o início das discussões. Ato Público realizado em São Paulo no dia 7 de Novembro de 2011. (Imagem: arquivo pessoal)

O evento terminou com a decisão das entidades organizarem um movimento para solicitar aos deputados da Câmara Federal mudanças no PLS 448 que destinem por lei percentuais para as áreas supracitadas. Um resumo do Ato foi publicado pela SBPC em “Já a partir de 2012, os fundos setoriais perderão quase metade do valor atual“.

O ScienceBlogs Brasil manifestou seu apoio à questão pela publicação do artigo “Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448” no blog Raio-X. O texto contém explicações sobre o tema e foi elaborado para que todos tenham mais conhecimento sobre o assunto.

Acessem!

Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448

 

Ato Público na SBPC sobre a distribuição dos royalties do pré-sal!

Sei que está muito em cima da hora, mas não posso deixar de divulgar o evento que acontecerá hoje na sede da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC, em São Paulo.

Trata-se de um Ato Público que começará às 14h30 no Salão Nobre da entidade e tem como objetivo chamar a atenção e tentar reverter o quadro atual de distribuição dos royalties do petróleo que não inclui um percentual de destinação para as áreas de educação, ciência, tecnologia e inovação (C,T&I).

O evento é aberto ao público e reunirá dirigentes de instituições de educação e C,T&I, docentes, pesquisadores, parlamentares e autoridades dos governos estadual e federal.

Eu estarei lá. Quem não puder comparecer saberá tudo o que aconteceu aqui pelo RNAm.

Mais informações sobre o evento em Entidades científicas fazem novo ato público em favor da Educação e C,T&I.

Já escrevi sobre a situação dos royalties do pré-sal no post Royalties do pré-sal: como transformar óleo em desenvolvimento nacional.

Aproveite a oportunidade para contribuir com a sua assinatura e ajudar essa importante causa!

IgNobel 2011 – Não se divertir é altamente improvável!

Hoje à noite tem a entrega do Prêmio IgNobel 2011! Os interessados podem acompanhar a transmissão do evento ao vivo via internet às 20h30 do horário de Brasília (19h30 em Boston – EUA).

De acordo com a própria organização: “The Ig Nobel Prizes honor achievements that first make people laugh, and then make them think”. Uma tradução livre seria que esses prêmios honram conquistas que primeiro fazem as pessoas rirem, e depois as colocam para pensar.

Abaixo, a ótima chamada para a premiação:

Detalhes sobre o evento: http://improbable.com/ig/
Como acompanhar a transmissão via internet: http://improbable.com/ig/2011/#webcastinfo

Aproveitem para se divertir com as pesquisas altamente improváveis que caracterizam a festa!

189 motivos para comer ervilhas!

Se você entrou na página inicial do Google hoje, reparou em algo estranho: ERVILHAS!
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Sim, é uma homenagem aos 189 anos de um dos nomes mais importantes da Genética, Mendel!
MendelPeaSoup.jpg
Um feliz aniversário ao papai (ou tatatatataravô, se quiser dar o devido respeito aos 189 anos) da Genética!
Quer mais? http://www.ciensinando.com.br/2011/07/189-aniversario-de-mendel/
Não achei o cartoon original, mas a imagem veio de http://eebweb.arizona.edu/courses/ecol320/Mendel%27sPeaSoupSmall.jpg

Por dentro da SBBq 2011!

Semana passada avisei que estava prestes a viajar para a 40ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (SBBq), e que ao voltar compartilharia pontos interessantes do evento.

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Antes, no entanto, acho válido situar os leitores que não sabem exatamente o que são esses congressos, o que acontece nos mesmos e porque eles são importantes. 
O que são?
Os congressos são reuniões/encontros de entidades de classe ou associações para a apresentação de conferências, e podem ser científicos ou técnicos. Geralmente essas reuniões recebem os membros de uma Sociedade (que pode ser de Bioquímica, Genética, Microscopia etc.), os alunos (orientados) destes membros, pesquisadores convidados e expositores de produtos/serviços relacionados ao tema central.
O que acontece nessas reuniões e qual a sua importância?
De modo geral a programação do evento envolve palestras, simpósios, cursos e apresentações de trabalhos. Essas apresentações podem ser na forma impressa (com poster) ou oral, dependendo da ocasião. No caso da SBBq, a programação científica foi dividida da seguinte forma:
  • Conferências: um único convidado discorre sobre sua especialidade (ou linha de pesquisa, ou achados recentes etc.), geralmente com maior duração do que as palestras combinadas nos simpósios (ver próximo item). Esses espaços costumam ser destinados aos pesquisadores/convidados de “maior destaque”.
  • Simpósios: reunião com um tema geral em que três ou quatro convidados especialistas na área ministram palestras curtas (em torno de meia hora). São interessantes pois a diversidade de palestrantes sempre gera discussões boas, além do acesso a especialistas que muitas vezes seriam de difícil contato (por questões geográficas, por exemplo; pode-se conversar de uma vez com especialistas da sua área que sejam do seu estado, de estados longes do seu ou de fora do país). 
  • Poster1.jpgApresentações de trabalhos: nesse momento ocorrem as exposições dos trabalhos enviados pelos congressistas. Salões de exposição são montados e normalmente as apresentações acontecem em mais de um dia, organizados de acordo com as áreas abordadas (por exemplo: um dia para bioquímica celular, educação em bioquímica e glicobiologia, e outro dia para biologia molecular de procariotos, de eucariotos e assim por diante.). No momento de exposição os autores devem ficar junto a seus trabalhos para serem avaliados pela comissão e/ou responderem e explicarem seus resultados a outros congressistas interessados.

No final das contas, sou da opinião que a participação em congressos é importante para termos contato mais próximo a pesquisadores que normalmente seriam menos acessíveis e para conversarmos em geral com outros participantes sobre trabalhos relacionados (ou concorrentes), futuras colaborações ou mesmo assuntos que não estejam relacionados ao nosso dia a dia, mas despertem nosso interesse.

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Salão de exposição lotado durante a apresentação de trabalhos.

E as minhas impressões?
Foi consenso que a reunião estava mais “vazia” em relação a edições anteriores. Talvez isso seja reflexo de o evento ser realizado em uma cidade turística (no caso, Foz do Iguaçu e suas cataratas de cair o queixo) e de a grande maioria dos participantes serem estudantes bem novinhos mais preocupados com a viagem do que com o a programação científica do evento. 
Conversei com muita gente que reparou que existia muito movimento para conhecer Foz, o Paraguai e tudo o mais, enquanto algumas palestras ficaram bom pouco público e poucas perguntas e discussão. Justamente o que julgo mais importante nessa situação. Lembro que em 2007, quando a SBBq foi em Salvador e contava com aproximadamente três mil inscritos isso também aconteceu em alguns momentos.
Cataratas1.jpg
OK, OK, esse cenário não ajuda a acompanhar as palestras… mas dá prá conciliar melhor, né pessoal?!

De qualquer modo, gostaria de parabenizar a cúpula da SBBq por organizar o Simpósio em Educação. Para mim foi o ponto alto do evento, os palestrantes foram ótimos, os tópicos relevantes, a discussão excelente e as conversas que tive com os palestrantes e alguns congressistas, igualmente produtivas. Não vou me alongar nesse ponto agora pois esse material está sendo elaborado em separado e será publicado em breve.
Também tive a oportunidade de encontrar com os “marinheiros de primeira viagem” em congressos científicos e no geral tive conversas muito boas, vocês verão mais sobre esses personagens nos próximos posts.
Noves fora, o congresso, apesar de um pouco diluído devido a sua abrangência foi muito produtivo tanto para o meu Doutorado quanto para os blogs. Aliando esse fato à beleza das Cataratas e da Argentina (que visitei em minha última noite para um excelente jantar com a minha mulher), a viagem teve saldo muito positivo.
Que venham outras!

O primeiro congresso a gente nunca esquece…

Para começar gostaria de pedir desculpas pela falta de atualizações no blog. Ando com um bloqueio pesado, escrever está bem difícil mas vou fazer o possível para recuperar o ritmo nas atualizações do RNAm e do Ciensinando.

O motivo desse post é o seguinte: um dos passos obrigatórios para quem começa a trabalhar com ciência ainda na Graduação é a participação em congressos científicos. Essas reuniões reúnem especialistas, estudantes e professores da área representada no congresso, que assistem a palestras, participam de cursos, conversam muito entre si e apresentam parte de seus trabalhos de modo geralmente bastante descontraído.

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Poster_SBBq2011.jpg

Pensando nisso, resolvi aproveitar a minha participação no congresso da Sociedade Brasileira de Bioquímica e Biologia Molecular (a SBBq) para mostrar como é um congresso de grande porte. Vocês verão o que acontece, conversarei com alguns palestrantes, professores e, se tudo der certo, com alguns participantes de primeira viagem.

Aliás, uma prévia do meu trabalho pode ser vista na imagem ao lado, clique para ampliar.

Quero encontrar gente que esteja participando pela primeira vez de uma reunião assim. A ideia é conversar sobre a experiência: expectativas, animação com as atividades e com a programação e, claro, os receios sobre apresentar pela primeira vez parte de seu trabalho de pesquisa.

Para ficar mais fácil, quem tiver interesse em conversar comigo pode me encontrar durante o período em que estarei apresentando meu trabalho.

Minha “poster session” está marcada para a segunda-feira, dia 02 de Maio, entre as 16h30 e as 18h30 no Expocenter III do Centro de Convenções do Hotel Rafain Palace, em Foz do Iguaçu – PR.

Espero vocês lá!

Super-Sequenciamentos de DNA e a lei de Moore

Dia 19 de abril é o aniversário da Lei de Moore que diz, segundo a Wikipedia “…[em 1965] o então presidente da Intel, Gordon E. Moore fez sua profecia, na qual o número de transistores dos chips teria um aumento de 100%, pelo mesmo custo, a cada período de 18 meses. Essa profecia tornou-se realidade e acabou ganhando o nome de Lei de Moore.”

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fig: A evolução dos precessadores e a lei de Moore

Uma profecia e tanto, porque é um ritmo frenético, concorda? Eu ainda lembro quando jogava Space Invaders no meu XT sei-lá-o-que na tela fósforo verde.

O engraçado é que, sem saber do aniversário, eu ouvi sobre a lei de Moore essa semana. Mais do que isso, ouvi sobre algo que anda mais rápido que a lei de Moore: a potência do sequenciamento de DNA.

O RNAm foi convidado para o lançamento da nova tecnologia de sequenciamento da Life Technologies, o Ion Torrent. Muito legal a tecnologia e parece que vai revolucionar a área de sequenciamento mesmo. Se você é da área entre no link caso se interesse, vale a pena (como não sou da área, não vou entrar em detalhes). Só vou dizer uma coisa: essa coisa consegue detectar a mudança de pH gerada pela liberação de hidrogênio quando uma base, A,T, C ou G se liga à fita a ser sequenciada!

Bom, neste evento foi citada a lei de Moore para compará-la com a evolução da tecnologia de sequenciamento. Veja aqui a comparação do custo de um genoma e o custo dos processadores:Sequencing graphs to slides

Isso muda muita coisa. Com sequenciamentos baratos e rápidos, áreas como a epidemiologia vão mudar, e já estão mudando muito. Técnicas como arrays irão aos poucos sumir, dando lugar ao todo-poderoso, direto e inequívoco sequenciamento.

E já tem muita gente no Brasil fazendo muita coisa com sequenciamento. Duas palestras muito interessantes: uma com o pessoal da bioinformática da FioCruz, o Cebio, que oferecem uma estrutura de análise e planejamento de sequenciamento e tem parcerias com vários pesquisadores e empresas; outra coisa interessante é a Rede Paraense de Genômica e Proteômica, da UFPA, um centro com muita estrutura e colaborações, isso tudo fora do sudeste.

Esses dois centros são muito importantes, sabe porque? Porque máquinas como o Ion Torrent estão deixando o sequenciamento cada vez mais fácil, mas o que fazer com aquele monte de letras ACTG? O funil do conhecimento nessa área é a análise, e por isso esse knowhow destes centros vale ouro. Bioinformática vale ouro. É emprego certo porque pouquíssima gente tem o conhecimento necessário (essa é a frase que eu mais ouço ultimamente em todas as áreas no Brasil). Também, precisa entender de biologia, matemática e programação, mas biólogos não suportam exatas, e exatos, bem, até gostam de bio, mas ganham muito mais em inicio de carreira em outras áreas do mercado de trabalho.

Então veremos o que fazer com as toneladas de dados gerados pelos simples, rápidos e baratos sequenciamentos.

Protestar é legal, mas qual é o embasamento recente?

Recebi comentários criticando a campanha do Desafio 10:23 – Homeopatia: é feita de nada como um protesto fraco e que não provará nada. Também chegaram críticas de que ao menos nós do RNAm, como profissionais da área científica, deveríamos pensar em um modo mais confiável de refutar o funcionamento da homeopatia.

Agradeço todas as sugestões, mas vou esclarecer alguns pontos relacionados à homeopatia e ao Desafio 10:23:

  1. homeopathyoverdose.jpg“Vocês vão fazer um protesto só para tirar uma onda com a cara dos homeopatas?”: Não posso falar por todos os participantes, mas quem me conhece sabe que eu dificilmente sairia da cama num sábado de manhã sem um propósito maior. Além disso, a ideia do protesto não é ridicularizar a prática homeopática e sim chamar a atenção da população para algo que, apesar de carecer de confirmação científica rigorosa, em 2008 consumiu quase 3 milhões de reais em verbas do Ministério da Saúde. Para ser mais exato, de acordo com um comunicado do próprio ministério foram R$ 2.953.480,00 (a íntegra pode ser acessada em http://is.gd/OhdzmC).
  2. “Não encontrei nenhum tipo de padronização: cada participante escolherá o que tomar, quanto tomar e a única recomendação que encontrei foi comprar diluições a partir de 30C, que não têm mais princípio ativo. Querem provar o que desse modo?”: Primeiro, o protesto não propõe um experimento científico e sim uma ação de conscientização. Segundo, a própria homeopatia postula que maiores diluições têm como resultado efeitos amplificados (a tal “memória da água” que já foi refutada inúmeras vezes, dessa vez em condições de boa metodologia científica). Considerando que qualquer “tratamento” médico pode ser prejudicial em excesso, demonstrar a falta de efeitos colaterais ou qualquer outro tipo de resposta sinaliza para o que já se sabe, isto é, os resultados homeopáticos são derivados de influências psicológicas nos pacientes – o famoso efeito placebo.
  3. “Ah, mas seria muito mais interessante e importante se vocês tentassem fazer uma manifestação na forma de um experimento controlado”: Novamente, a ideia do protesto é conscientizar. Além disso, em Ciência não é responsabilidade dos críticos provar se algo funciona ou não. Isso é chamado ônus da prova e na boa prática científica, a responsabilidade de provar qualquer proposta é sempre de quem a defende. A famosa frase de Carl Sagan “afirmações extraordinárias exigem evidências extraordinárias” é baseada nisso. Os homeopatas querem ser ciência? Então precisam mostrar seu valor dentro das boas práticas científicas, como todos os alopatas e pesquisadores biomédicos são obrigados a fazer.
  4. Ainda pensando em quem pede que os cientistas busquem provas que a homeopatia não funciona: muitos já fazem isso, meu post anterior possui algumas referências, mas se você considera artigos de 2005 um tipo de “pré-história acadêmica”, deixo dois exemplos mais recentes abaixo.
  • Renckens, C. (2009). A Dutch View of the ”Science” of CAM 1986–2003 Evaluation & the Health Professions, 32 (4), 431-450 DOI: 10.1177/0163278709346815: Avaliação do governo holandês sobre o subsídio de medicinas alternativas no período entre 1986 e 2003. Os poucos resultados satisfatórios foram atribuídos a pobres metodologias de análise como a falta de grupos-controle tratados com placebo. Alguns estudos relataram resultados negativos. Esses dados culminaram na suspensão da verba governamental destinada a práticas complementares.
  • Nuhn, T., Lüdtke, R., & Geraedts, M. (2010). Placebo effect sizes in homeopathic compared to conventional drugs – a systematic review of randomised controlled trials Homeopathy, 99 (1), 76-82 DOI: 10.1016/j.homp.2009.11.002: Esse estudo derrubou a hipótese de que os ensaios testando a validade clínica da homeopatia falhavam por apresentarem grupos-controle tratados com placebo que retornavam efeitos maiores dos observados em ensaios clínicos alopáticos. A conclusão foi de que os grupos-controle tratados com placebo dos ensaios homeopáticos não demonstraram efeitos maiores dos observados na medicina convencional.
Outros estudos podem ser encontrados em locais como o PubMed e outras bases de dados acadêmicos. Divirtam-se na pesquisa e não esqueçam:

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Informações sobre a ação em http://1023.haaan.com/

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