Dando um direto no DNA do Parkinson
Caramba. As vezes a gente recebe uns e-mails bem malucos e até demora pra cair a ficha do que se trata. Recebi um email pedindo para fazer como Muhammad Ali, o boxeador: mandar meu cuspe pelo correio para ajudar na luta contra a doença de Parkinson.
QUÊ?!
Pior que é isso mesmo. Esta é uma campanha de uma empresa de sequenciamento de DNA, a 23andMe que oferece um serviço de sequenciamento parcial do DNA de qualquer um que tiver 299 dólares para pagar [já falei dela, veja mais aqui].
Agora ela está com esta campanha para que pessoas com Parkinson mandem sua amostra gratuitamente para que seja usada em pesquisas médicas. Já foram enviadas até agora mais de 6mil amostras, mas eles querem que chegue a 10mil para ter um número relevante para a pesquisa. E parece que já acharam dois novos genes ligados à doença.
Claro que é uma campanha de marketing, principalmente porque esse serviço de sequenciamento foi muito discutido há pouco tempo pela polêmica se deveria ser livre para quem quisesse ou se só poderia ser pedido por um médico que sabe interpretar esses dados genéticos.
Esse fato não diminui a ideia fantástica de contribuir com uma pesquisa relevante e o mais legal de tudo isto que é incitar as pessoas a colaborarem diretamente com a ciência da coisa.
De volta para o futuro?
Em 2009 escrevi sobre um post baseado no artigo “When Zombies Attack!: Mathematical Modelling of an Outbreak of Zombie Infection”, de Philip Munz, Ioan Hudea, Joe Imad e Robert J, Smith? (sim, com ponto de interrogação, long history).
O post é uma galhofa que trata de todo o apelo que os zumbis têm na cultura pop e descreve, brevemente, o desenvolvimento de um modelo matemático relacionado a uma epidemia de comedores de cérebros.
Eis que, hoje, vejo no blog Meio de Cultura que o Samir publicou um texto que trata exatamente do mesmo tema. Peço 2 minutos da vida de vocês para clicarem nos 2 links abaixo, pois algumas similaridades chegam a ser assustadoras:
- “Zumbis? Atire primeiro, pergunte depois!” (18/08/2009)
- “É o fim do mundo!!! (parte 1) — Ou: Sobreviveremos a uma epidemia zumbi?” (13/02/2012)

Efeitos colaterais do fim do mundo

Entrei na blogagem coletiva do Fim do Mundo um pouquinho adiantado, escrevi o texto em 2009! Veja ele aqui. Foi uma memorável caça a paraquedistas, que é nada mais que um estilo malandro de atrair atenção das pessoas pelos buscadores, como o Google, procurando temas que estão na moda. Na época escolhi o fim do mundo, e disse que o mundo não acabaria em 2012 mas em 2019.
Não, eu não tive essa revelação em um sonho místico. Foi uma brincadeira, já que três pessoas proeminentes fizeram previsões tecnológicas importantes para dali a 10 anos. Mudanças tão grandes que o mundo que conhecemos acabará, e um novo vai surgir. Ou seja, nada de profecia maia aqui.
Este texto teve dois efeitos colaterais: muitos comentários e me levou para o programa SuperPop com Luciana Gimenez.
Peço que leia o texto e, principalmente, dê uma olhada nos comentários:
O fim do mundo não será em 2012. Será em 2019
Interessante como a imensa maioria das pessoas que se dá ao trabalho de comentar mostra que simplesmente não leu o texto.
Inclusive o estagiário do Superpop que quando me ligou mostrou que não leu ao me chamar para falar da minha “teoria” da nova data do fim do mundo em 2019.
Mas tudo bem, gente, se mesmo depois dessa bula de efeitos colaterais vocês ainda querem fazer essa blogagem coletiva, vão em frente.
Ok, confesso que me diverti muito. Boa sorte a todos.
PS: aqui está o post com as minhas impressões do Superpop: RNAm no Superpop: o vídeo e as impressões
RNAm na Campus Party
É isso aí, o RNAm junto com o Rainha Vermelha e o 100Nexos do Scienceblogs estarão numa mesa redonda sobre blogs de ciência na Campus Party. Teremos a presença ilustre do pessoal do Jovem Nerd, lindo modelo de negócios baseado em conteúdo que eu invejo e admiro, e do professor Dulcídio do site Física na Veia, uma celebridade dos blogs de ciência no Brasil.
Quando? Sábado, dia 11/2 às 16h45 e vai passar ao vivo neste site, eu acho (tem que se cadastrar no botão do facebook ou do twitter dessa página)
Aqui a descrição do evento:
O público internauta é muito interessado por ciência e tecnologia. No entanto, poucos blogs e podcasts tratam deste tema regularmente, e pouquíssimos se dedicam apenas à ciência. Esta mesa redonda trata de como e por que falar de ciência na internet, e quais resultados isso pode trazer. Participantes:
Atila Lamarino É biólogo, escreve sobre biologia e evolução no Rainha Vermelha e em blogs tão distintos quanto o Papo de Homem e o H1N1 da Biblioteca Regional de Medicina. Atualmente, coordena o ScienceBlogs Brasil, a versão brasileira da maior comunidade online de ciência.
Kentaro Mori Gerente de comunidade ScienceBlogs Brasil, criador e editor Ceticismo Aberto
Caio Lúcio Analista de Sistemas por profissão e especialista em tecnologia por vocação. Quando o assunto tecnologia, ciência ou história, Lúcio sempre é chamado nos podcasts do Jovem Nerd.
Dulcídio Braz Físico e Professor. Pioneiro no ensino de Física Moderna para jovens estudantes do ensino médio e início do curso superior. Autor do blog Física na Veia! www.fisicanaveia.com.br.
Rafael Bento da Silva Soares Biólogo, PhD em biotecnologia, Pós-Doutorando em Neurociências e divulgador de ciências através do blog RNAmensageiro desde 2006.
Deive Pazos Co-fundador do Grupo Jovem Nerd e Diretor Comercial do site. Trabalha com planejamento publicitário, mídias sociais e é especializado em campanhas de nicho e estampas desenvolvidas para a Nerdstore.
Alexandre Ottoni Co-fundador do Grupo Jovem Nerd. Além de gerenciar o conteúdo diário do Jovem Nerd, trabalha com planejamento publicitário e midias sociais entre partidas de Black Ops.
Burocracia eterna das trevas.
Todo mundo imagina – corretamente – que laboratórios de pesquisa sejam recheados de equipamentos caros, complexos e quase mágicos. Em quase 100% dos casos isso é verdade e implica outra característica: são importados.
Daí, além de toda a complicação para se conseguir o dinheiro da compra, a importação e o recebimento da dita cuja, temos a mãe de todo o Mal: a Burocracia (sim, maiúscula pois essa entidade já está no próximo Deuses Americanos do tio Gaiman). A Dona Burocra (apelido carinhoso dado por um grande amigo e adotado por muitos com quem trabalho) faz de tudo para te pegar. Seja falta de espaço no laboratório, briga entre departamentos para decidir quem vai “sediar” a novidade, entraves de patrimoniamento institucional etc. Podem escolher à vontade que o cardápio é extenso.
Assim, uma visão comum são caixas lacradas – às vezes bem grandes – que ficam meses – sim, MESES – encostadas em salas, no corredor, na garagem, no estoque. Uma beleza.
No corredor de entrada do laboratório em que trabalho existe uma dessas caixas. Francamente, acho até que alguém decidiu que ela funciona melhor como peça de decoração e que deixá-la como está é uma boa ideia. Vejam a dita cuja:
A seta vermelha mostra um detalhe novo que me chamou a atenção faz alguns dias. Alguém muito espirituoso achou o formato da caixa sugestivo e resolveu “plantar” uma piada para quem gosta de cinema. Vejam a criatividade do sujeito:
E, finalmente, a surpresa. Sério, eu morri de rir quando vi isso pela primeira vez e todo dia chegando ao laboratório eu dou um pelo menos um risinho:

Tem coisas que só instituições públicas de pesquisa podem fazer por você... Contemplem O SENHOR DAS TREVAS! (Foto: arquivo pessoal)
Piadas à parte, me peguei pensando… Imagina se durante aquele experimento maldito que me obriga a virar a noite no laboratório eu ouço:
Listen to them. Children of the night. What music they make…
Eu hein… credo =/
PS: não entendeu a referência? Clica aqui malandro -> http://www.imdb.com/title/tt0021814/quotes
Só acaba quando termina…
Traduzi – porcamente, concordo – uma das últimas tirinhas do PHD Comics. Mais uma vez o autor acertou na mosca e ilustrou uma situação familiar a quase todos que se metem a fazer mestrado e/ou doutorado.
Aproveito para acrescentar a essas observações minha experiência de mestrado (que parece estar se repetindo no doc): só deixe de fazer experimentos para a sua tese quando estiver na data limite para escrevê-la. E volte aos mesmos assim que escrita/entrega/defesa tiverem terminado.
Ah, e sem chorar, hein?
Para ler mais acesse o PHD Comics em http://www.phdcomics.com/comics.php.
Canais de ciência e educação no Youtube produzidos pelo próprio Google
O Google pela primeira vez vai produzir conteúdo original em canais criados por ele no Youtube. E qual não é a nossa surpresa em saber que haverá canais de ciência e educação! Você pode pensar: “Incrível, maravilhoso, é um sinal de que os tempos estão melhorando!”, mas devagar aqui. Dos 100 canais que o Google vai produzir, 4 serão mais científicos e 5 educacionais. Eles estão na sessão “notícias e educação” neste link.
Tem o Numberphilie (algo como “numerofilia”) feito por matemáticos e falando das histórias por trás de alguns números (muita sorte pra eles); o SciShow e o CrashCourse, ainda a serem feitos pelos irmão Vlogbrothers, já famosos por seus videos (eu não vi, minha mulher viu e disse que é muito bom); e o DeepSkyVideo, um cara de brinco tentando tirar boas fotos de galáxias com seu telescópio.
Mas e os outros 91 canais? CELEBRIDADES, COMÉDIA E CARROS!!! Viu, o mundo ainda continua o mesmo.
Ok, eu sei que tem coisas bacanas também por lá que não tem nada a ver com ciência ou educação, e que 9 já é um bom começo. Concordo. Vamos torcer para que façam sucesso.
E aqui no Brasil? Vamos fazer conteúdo independente e em português, minha gente?
Vi no Notes & Theories
Debate com o RNAm sobre uso de animais em experimentação.
Saiu o podcast que eu gravei para o Bule Voador sobre uso de animais em pesquisas. Se você não conhece o Bule Voador veja do que se trata aqui. São amigos bem polêmicos do RNAm.
Foi um ótimo papo. Eu estou meio sério porque é um assunto delicado e eu não quis acabar fazendo uma brincadeirinha que podia ser mal interpretada.
De qualquer forma pude mostrar todo meu pessimismo com relação a uma solução definitiva para este problema, mas mostrei também meu otimismo com o diálogo entre as partes, que deverá ser constante e respeitosa como foi neste podcast.
Ouça o podcast: Bulecast nº 4: Pesquisas com animais na ciência
Leia o que mais já falamos aqui sobre o assunto, principalmente estes dois primeiros:
Evolução da consciência e direito animal – o debate
O que um cientista sente ao sacrificar seus animais
E ainda:
Terrorista que acredita em Exterminador do Futuro manda bomba a cientistas
Cientistas e governo em campanha pelo uso de animais em pesquisa
Resultados do Ato Público contra a nova distribuição dos royalties do petróleo.
Dias atrás comentei a realização de um Ato Público encabeçado pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) contra o projeto de lei que prevê a redistribuição dos royalties do petróleo.
As críticas à Proposta de Lei Substitutiva 448 extrapolam a cobertura da mídia sobre o entrave entre os Estados e Municípios produtores e não produtores, baseando-se no fato de a nova proposta extinguir itens que tratam da destinação de percentagens específicas para Ciência, Tecnologia & Inovação previstos na legislação vigente.

Salão Nobre lotado para o início das discussões. Ato Público realizado em São Paulo no dia 7 de Novembro de 2011. (Imagem: arquivo pessoal)
O evento terminou com a decisão das entidades organizarem um movimento para solicitar aos deputados da Câmara Federal mudanças no PLS 448 que destinem por lei percentuais para as áreas supracitadas. Um resumo do Ato foi publicado pela SBPC em “Já a partir de 2012, os fundos setoriais perderão quase metade do valor atual“.
O ScienceBlogs Brasil manifestou seu apoio à questão pela publicação do artigo “Royalties do Petróleo: Educação, Ciência, Tecnologia & Inovação e o PLS 448” no blog Raio-X. O texto contém explicações sobre o tema e foi elaborado para que todos tenham mais conhecimento sobre o assunto.
Acessem!
Atlas da musculatura humana: ache a si mesmo
[Post patrocinado por Software Anatomia Musculatura Humana]
Quem já usou sabe a maravilha que é o Google Maps. Você precisa ir para algum lugar que não conhece? É só digitar o endereço, ele dá aquele zoom do mundo para a sua rua de destino. Com a opção StreetView você ainda pode realmente ver imagens do endereço, caminhar pela rua para saber exatamente onde ir, ou mesmo ver um ponto turístico que sempre quis conhecer em qualquer lugar do planeta.
Aí alguém teve uma idéia fantástica baseada num problema: se vou ao médico com uma dor no braço, ele me diz que tenho um problema no deltóide e eu me pergunto – “mas onde raios fica o deltóide?”- Então façamos o Google Maps do corpo humano! Digite o nome e descubra o endereço dele, onde fica, como ele é, dê um zoom, gire, e tudo mais. Nascia assim o Body Browser, mais um projeto bacana do Google.
Biólogos, médicos, fisioterapeutas, educadores físicos e professores adorariam, certo? Mas pelo visto só eles não foram o suficiente para manter o projeto. O body Browser foi descontinuado.
Uma pena, porque a idéia é muito legal. Na verdade é fantástica. Um bom atlas do corpo humano é uma viagem, uma obra de arte. Coloque um na frente de uma criança e veja quantas horas ela ficará folheando. Agora imagine um modelo digital 3D que ela pode girar a vontade?
Sorte que a idéia não morreu com aquele projeto. Uma iniciativa nacional é uma alternativa bem bacana – o Musculatura Humana. Por enquanto é só para músculos e ossos, mas está sendo expandido para outros sistemas
O que eu achei realmente interessante no programa é que ele resolve de uma maneira bem simples um problema que eu sempre imaginei difícil de abordar quando pensava em um atlas virtual: como mostrar todas as estruturas de um corpo que é uma massa compacta de tecidos e órgãos?
A solução em livros de anatomia clássicos é dividir o corpo em centenas de grupos, que têm sua coerência, mas caem na limitação de nunca dar para ver aquele grupo no contexto geral. Nunca dava para ver o morto inteiro, por assim dizer.
Mas se você quiser ver o corpo todo e achar o tal músculo escondido o software Musculatura Humana resolve isto assim: você controla o número de camadas que quer ver. Na abertura do programa temos um homem nu em pele (literalmente). Daí você pode começar tirando a pele, como aquele clipe do Robbie Williams (fica legal a partir dos 2min50), lembra? Chegando na musculatura você já vê o peitoral, mas se quiser ver o peitoral menor, que fica logo abaixo, é só tirar uma camada de músculo e chegar ao seu destino.
Melhor que isso só quando inventarem a miniaturização do filme Viagem Insólita para viajarmos mesmo pelo interior do corpo.
Então fica a dica: Software Anatomia da Musculatura Humana.











Rafael Soares - Biólogo formado pela UNESP - Rio Claro e doutor pela Biotecnologia da USP. Atualmente realiza pós-doutorado na área de neurociência comportamental e molecular.

