Dane-se água em Marte, nasceram quíntuplos!

Adaptada de Letícia Macedo/G1

Adaptada de Letícia Macedo/G1

Descobriram que pode ter água líquida em Marte! E não foi ALGUÉM, mas sim um robô do tamanho de um fusca, que desceu lá por um guindaste a jato.

Só que nada disso importa, porque o importante é que nasceram QUINTUPLOS aqui no Brasil!

Gente, que coisa maravilhosa! Cinco bebês dentro da mesma barriga! Que coisa misteriosa e maravilhosa!

Não importa que água líquida seja uma das pistas mais importantes para se achar vida fora da Terra, o importante é saber se todos nasceram bem. Quantos meninos e meninas? Qual o peso deles? Oh, uma tem apenas 500 gramas mas sobreviveu, que valente!

Em Marte descobriram alguns números interessantes também. Se você pegar um metro cúbico de terra de lá, dá pra extrair 6 canecas de água dela. Ou seja, parece um desertão mas tem água. E essa água não congela porque tem muito sal, não o nosso sal do mar, mas um outro sal, que não deixa a água congelar mas não deixaria nenhum ser vivo nosso conhecido sobreviver lá também.

Então se não tem nada vivo em Marte AINDA, vamos comemorar a vida que existe aqui na Terra: QUINTUPLOS!!! Ô benção.

 

[Desculpem o sarcasmo, mas ontem vendo jornais na TV vi só uma notinha sobre marte em 1 (hum) jornal (SBT), mas a notícia dos quíntuplos teve minutos preciosos de horário nobre em 4 (cuatro) jornais, com repórter entrevistando o pai que dizia “ainda estar em outro planeta”. Pena esse planeta não ser Marte.]

 

Links:
No Estadão: http://ciencia.estadao.com.br/noticias/geral,cientistas-encontram-indicios-de-agua-liquida-em-marte,1669046

Na Galileu: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI343184-17770,00-NASA+REVELA+DESCOBERTA+DE+AGUA+EM+MARTE.html

No The Guardian: http://www.theguardian.com/science/2015/apr/13/nasas-curiosity-rover-finds-water-below-surface-of-mars

O artigo na Nature Geoscience:

ResearchBlogging.org
Martín-Torres, F., Zorzano, M., Valentín-Serrano, P., Harri, A., Genzer, M., Kemppinen, O., Rivera-Valentin, E., Jun, I., Wray, J., Bo Madsen, M., Goetz, W., McEwen, A., Hardgrove, C., Renno, N., Chevrier, V., Mischna, M., Navarro-González, R., Martínez-Frías, J., Conrad, P., McConnochie, T., Cockell, C., Berger, G., R. Vasavada, A., Sumner, D., & Vaniman, D. (2015). Transient liquid water and water activity at Gale crater on Mars Nature Geoscience DOI: 10.1038/NGEO2412

Um professor rio abaixo

Este Blog Action Day sobre a água caiu bem no dia do professor. E eu com essa mania pragmática e direta de resumir tudo e fazer duas coisas ao mesmo tempo não me contive e pensei no que uma coisa podia se ligar a outra, e acabei me lembrando da experiência mais fantástica da minha vida. Uma experiência didática sobre a água (não que eu tenha caminhado sobre ela) que mudou mesmo minha vida pra sempre.

Foi durante a graduação em biologia, quando tínhamos aulas de prática de ensino que consistiam em aulas teóricas por um semestre e no outro aulas reais na rede pública de Rio Claro, interior paulista.

A enrascada começa no ensino fundamental, no qual o conteúdo não respeita a minha tacanha formação biológica e eu podia pegar aula de matemática, português, ciências sociais e, com muita sorte, ciências, que ainda sim engloba TODAS as ciências básicas. [adendo – interessante que a única aula que eu não corria o risco de pegar era a de educação física. Essa mania de separar essa aula das outras é uma coisa que sempre me incomodou, mas deixo esta saga para os educadores físicos.]

Sorteada a sala de aula, fico com uma quinta série em aulas de geografia. O tema é rios e relevo.

Hum… e agora? Foi importante ter uma biblioteca didática na faculdade, não cheia de livros, mas com material como mapas, globos e maquetes. E foram essas coisas que me deram o insight. Peguei emprestado e fui pra aula com um mapa do estado de São Paulo, um globo terrestre e uma maquete do relevo do rio Tietê.

Chegando lá, mapa na parede, aponto o rio e pergunto “Pra onde o rio aqui corre?”
“Dâââ fessor, de cima pra baixo até o mar, né! (professor besta)” disseram e pensaram os alunos.
Etapa 1 concluída
rio tietê.jpg

http://blogactionday.change.org/Eita rio danado que corre pra cima!


Agora a etapa 2 foi a maquete. Ela mostrava um corte do rio e revelava o perfil do relevo do Tietê. E eita rio danado que, ao contrário de quase todos os outros, nasce no mar e corre para o meio do continente ao contrário de todos os outros.

Ok, na verdade não nasce no mar, mas na Serra do Mar, e vem descendo até encontrar o rio Paraná.
Passei para a próxima etapa: colocar o mapa sobre a mesa com a maquete do relevo em cima. E veio a pergunta novamente: “pra onde corre o rio Tietê?”. Hum, agora na horizontal é tudo diferente. Mas então o rio pode correr pra cima? Onde é “cima”?

Foi aí que entrou o globo e a mágica aconteceu: não existe “cima” ou “baixo” num mapa; um rio pode correr para cima; pensava uma coisa e agora entendi outra; e outras idéias que eu nem posso imaginar.

Posso dizer que essa foi uma das maiores emoções que já tive na vida, e é esse brilho no olhar da molecada tendo seus insights, quase que em transe, que me acompanha e me impulsionou a inaugurar este blog. Não sou um professor com P maiúsculo, esse é meu hobby. Mas quem sabe meu rio não me leva a ser um professor profissional?

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